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15 outubro 2015

Notas sobre os resultados das eleições (II)

Os contos da carochinha que os eleitores enterraram

Na publicação anterior fez-se um ensaio sobre a expressão dos resultados eleitorais e também da abstenção.

Nestes dias, saudavelmente agitados pelo debate democrático, a direita, que tem a capacidade de dominar a comunicação social privada (quase toda), tem tornado pública uma campanha para amedrontar os portugueses que votaram maioritariamente por políticas de esquerda e, mais expressivamente, contra a política de austeridade desenvolvida pela coligação PSD/CDS.

Ainda no tempo da “outra senhora” se contavam contos que moldaram as consciências. Quase todos contos de terror, do Inferno e seus Diabos, de injecções atrás da orelha, de criancinhas comidas ao pequeno almoço e outros do mesmo estilo. Para muitos esses contos poderiam parecer de atrasados mentais. No entanto a panóplia era muito variada e estava ajustada para entrar nos mais variados cérebros.

Depois da Revolução do 25 de Abril de 1974, muitos desses contos ficaram adormecidos face à dinâmica desses tempos. No entanto a direita, a contra revolução, aguardava a oportunidade de ir ao sótão buscar as velhas arcas dos contos de Salazar, António Ferro (e sua Política do Espírito), e outros Goebbels, mais ou menos modernos.

Com as devidas adaptações, apoiados pelo IV Poder, a Comunicação Social, voltaram esses Goebbels a acordar os medos escondidos nos subconscientes dos vários estratos sociais. A pobreza, cada vez mais acentuada, o desemprego, a instabilidade, o pessimismo quanto ao futuro, foram entre outros o caldo onde seriam refugados os contos antigos, para que fossem bem ingeridos. Aos poucos foram fervendo preconceitos que temperaram a propaganda de papas e bolos destes últimos 40 anos. As recentes eleições foram ricas em exemplos. Nesta ementa a ordem de entrada na panela é arbitrária.

Primeira estória: O “arco da governação”

O que está a acontecer pôs a nu as mentiras e a manipulação que a direita tentou nas eleições, condicionando o voto aos partidos do “arco da governação”, como se para além desta troika PSD, CDS e PS, nada mais houvesse. O avanço da Esquerda colocou em causa o conceito de "arco da governação". Esta estória do “arco da governação” está morta e enterrada.

Segunda estória: A bipolarização ou um jogo a dois

Decorrente do modelo “arco da governação” as eleições seriam para escolher um de dois: PS ou coligação. A Comunicação Social foi ao ponto de só ouvir Passos e Costa e só eles tiveram direito a primeiras páginas. A Televisão no canal generalista, o mais visto, apenas promoveu um debate entre os dois.
A derrota da direita e a ausência duma maioria absoluta, desmascarou a ficção deste conto.

Terceira estória: As eleições para primeiro ministro

É fácil de ver que este contos de fadas envolve a mesma ideia cujos resultados pretendem ser a alternância entre, sempre os mesmos. Apesar de criado o engano das eleições para Primeiro Ministro, ou para o governo, a realidade mostrou que são os deputados eleitos de todos os partidos que vão decidir. Mais um conto que foi arrumado na arca das velharias.

Quarta estória: O voto “útil”

Na continuação da anterior, a comunicação social e comentadores de serviço, apoiados nas “sondagens” estimularam o combate entre os dois principais partidos. Estímulo acompanhado de ingredientes como o “arco da governação” a bipolarização, as eleições para primeiro ministro. Também esta estória foi desmascarada pelos acontecimentos que mostraram as eleições são para eleger deputados e são os deputados que decidem qual o governo a formar.

Quinta estória: Fantasmas e papões

Mais que uma estória da carochinha “Fantasmas e Papões é um livro de contos. … “um entendimento entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, seria um absurdo”, uma “batota política”, “um assalto ao poder”, “uma revolução”, “um mergulho no desconhecido”; a “instauração da miséria”, uma “irresponsabilidade antieuropeísta”, um “pandemónio ingovernável”, uma “aberração”, uma “vergonha nacional”, um alvo da “chacota internacional”, “mudar as regras e a tradição”, “uma conspiração”, um “delírio”, a “restauração do gonçalvismo”, “um golpe de Estado” e muitas outras que os jornalistas e comentadores inventaram. Uma evidente chantagem, que ainda não terminou para manter no governo a coligação que foi fortemente condenada pelos eleitores.

Sexta estória: O prestígio de Portugal na Europa

Cavaco, o mais desprestigiado presidente que a democracia teve, o máximo expoente do ridículo, invoca que uma maioria de esquerda desprestigia de Portugal. Para Cavaco e Passos, o prestígio de Portugal no estrangeiro é a submissão do país a Merkel, ao Junker, (a Durão Barroso que continua a conspirar) e aos “mercados”. Agora, que tiveram uma derrota estrondosa, com os piores resultados de há muitos anos, mais uma vez, estala o verniz e caem as máscaras dos que se dizem defensores da democracia, do diálogo e concertação. Perante a possibilidade de serem afastados do poder que não largam há quase 40 anos querem amedrontar com ameaças externas. Desprestigio foram as políticas que causaram o desemprego, o aumento da dívida externa, a pobreza, a corrupção dos governantes e de altos cargos políticos. Prestigiar Portugal é corrigir os erros desta política, só possível com um governo de esquerda.

Sétima estória: A estabilidade ameaçada

Novamente uma estória de medo assente nos preconceitos antigos da Política do Espírito de António Ferro. A direita não quer admitir que perdeu e que em Democracia há alternativas que defendem o país e os portugueses. A direita sabe que foi a sua política que acentuou as injustiças sociais e que desestabilizou.
Passos Coelho, agarra-se desesperadamente a Cavaco Silva que há muito perdeu a vergonha e exerce os poderes de Presidente da República para servir interesses partidários. Isso e violar a Constituição, é que desestabiliza. Cavaco que tentou influenciar as eleições com os apelos à maioria absoluta, não a teve por vontade dos portugueses. Ao contrário as eleições geraram uma maioria de esquerda que permite a estabilidade. PSD e CDS, tiveram uma grande derrota e para governar precisam de apoios. Onde estão eles?

Oitava estória: Os exemplos da Europa

Cavaco, agora “esqueceu-se” que a Europa, tem governos formados por partidos minoritários mas que estabeleceram consensos entre si para garantir a estabilidade no Parlamento. Independentemente dos exemplos que Cavaco esquece o nosso sistema político tem o Parlamento como centro. O povo elegeu deputados e é aos partidos que cabe negociar e chegar a um entendimento.

Nona estória: O partido com mais votos é que deve governar

Para além do que já se viu e dos exemplos europeus, quem manda é o povo e a vontade do povo foi a mudança de política expressa maioritariamente pelos votos nos vários partidos de esquerda.
Apesar da direita ter insistido que "a crise e a austeridade" estavam vencidas e ainda que tenham ganho votos com mais essa mentira, perderam mais de 700,000 votos. Ainda assim foram os que isoladamente tiveram mais votos. Por isso a direita, insiste numa outra mentira, de que quem "fica à frente" deve governar. Essa mentira cai pela base face à falta de apoio de um governo minoritário no Parlamento, apesar de ter “ficado à frente.”
O primeiro-ministro será quem tiver mais apoios e quem os deputados que elegemos quiserem.

Décima estória: Os comunistas empurram o PS para a direita

As declarações do BE, do PCP e do PEV mostram que ao contrário do que a direita do PS dizia, não é a esquerda que empurra o PS para a direita. Essa acusação feita principalmente ao PCP é desmentida face ao apoio para que o PS forme governo com uma política de esquerda consensual.

Décima primeira estória: A Europa connosco. A Europa é progresso para Portugal

Cada vez mais cidadãos, estão a descrer das promessas feitas com a entrada para a União Europeia e desejam uma mudança de política também na Europa. As desigualdades na Europa são cada vez maiores e muitos povos de países europeus desejam também mudanças de política.

Ficam muitas mais estórias por desmascarar. A vida se encarregará de trazer a verdade ao de cima.

05 outubro 2015

Resultados das eleições legislativas

Resultados... e o que vem a seguir.
Um balanço muito provisório

Nesta noite de insónias e do Aniversário da Implantação da República, todos os olhares se voltaram para a Televisão. Não para ver ou ouvir o Presidente da República que está muito ocupado, coitado, mas para ver e ouvir o que a Televisão, nos informava no meio de muito lixo tóxico. Como é habitual, manteve a sua estratégia de diminuir a esquerda continuando a lamber as botas da direita. São assim os Jornalistas que temos. Aproveitaram ou atrasaram a divulgação dos resultados onde a esquerda tem sempre mais votos, como é o caso de Lisboa, Setúbal e outros para, face aos resultados que chegavam das zonas mais conservadoras, manipular e esconder a vitória dos partidos de esquerda. Esta só viria a ser mais expressiva a altas horas da madrugada, com a maioria das pessoas a dormir.

O papel do "Quarto Poder"

A comunicação social conhecida como o Quarto Poder, acima dos poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi por isso, há muito “privatizada”, comprada pelos grandes grupos financeiros. Quarto poder que exerce a sua ditatorial função, arma do capital financeiro, para desinformar, manipular e enganar os menos atentos.
Foi esse poder, antidemocrático, que impôs que na Televisão em canal aberto, apenas se fizesse um debate entre Passos e Costa, esquecendo os outros. Foi esse poder ditatorial que impôs que nas primeiras páginas dos jornais só esses aparecessem. Foi esse quarto poder, face do poder do dinheiro, que levou jornalistas a escrever milhares de palavras, que desviaram a campanha para questões fúteis, esquecendo o fundamental e, fizeram dela um jogo de futebol, entre PAF(PSD/CDS) e o PS.

A bipolarização forçada

Assim construíram uma brutal bipolarização, fazendo crer a muita gente que só havia dois contendores, curiosamente, ambos com a mesma política: A direita, (direita do PSD/CDS) e a "esquerda" PS com a sua tradicional política de direita. Esse prato de lentilhas foi temperado com a falsa ideia de "voto útil" que Costa reconheceu que não foi suficiente para que o PS ultrapassasse o PAF.
Na realidade todos esses truques e armadilhas da Comunicação Social e Televisão não conseguiram evitar a subida dos partidos de esquerda e a descida dos partidos da direita. Mais uma vez a Comunicação Social levou a noite toda a tentar esconder isso e a continuar a intoxicar os cérebros menos defendidos.


Já hoje de madrugada procurei as declarações dos partidos. Do PS achei estranho que na sua página na Internet - Notícias e Diário da Campanha nada se refira aos resultados das eleições e nem sequer o discurso de Costa. Nada de oficial encontrei. Registei do que ouvi Costa dizer, que o PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social [que o serviu muito bem, digo eu] quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!. Desesperado apelo que a Comunicação Social tanto se esmerou a ampliar para que votos de esquerda fossem para o PS. Certamente tal esforço desesperado alguns resultados teve. Certamente muitos votos de esquerda de pessoas, ideologicamente mais débeis ou enganadas pelo "voto útil", foram desperdiçados no PS mostrando aquilo que a CDU vem tentando alertar: Votos úteis são apenas aqueles que não atraiçoam.

Objectivos e a realidade

Jerónimo de Sousa confirmou: «Não é possível deixar de assinalar que este resultado foi construído sob uma intensa campanha ideológica e de condicionamento eleitoral, de chantagem e medo».
Disse ainda: «a CDU reafirma a convicção de que a política patriótica e de esquerda que propomos para enfrentar e vencer os problemas nacionais, emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita - seja quais forem as arrumações que se vierem a revelar nos próximos dias – quer conduzir o país».
Na realidade, para estas eleições a CDU definiu 3 objectivos: aumentar votos em relação a 2011, subir em percentagem e ter mais deputados
Podemos dizer que foram objectivos modestos mas, como se confirmou, foram objectivos realistas como é timbre do PCP e da CDU. Foi pequeno o avanço, mas foi um avanço.
Para que não se prolongue o sofrimento do povo e não se acentue o declínio do País talvez fosse bom sermos mais ambiciosos. Para isso, é sobretudo preciso vencer este “quarto poder” antidemocrático, o monstro em que se está a tornar a Comunicação Social e que impede o povo de reflectir livremente sem preconceitos, medos e chantagens.

A possível maioria de esquerda

Passadas estas eleições, António Costa, vencido e, ao contrário do que o BE e PCP já disseram, parece querer entregar-se, (se não era essa a intenção) nas mãos da direita, admitindo deixar passar o governo do PSD/CDS.
Esta doença dos partidos chamados do "arco da governação" é incurável e faz com que António Costa, que durante a campanha várias vezes insistiu em que a direita não tinha com quem dialogar, e que o PS tinha, vá dialogar com a direita esquecendo os partidos em ascensão, BE e PCP-PEV.
Não deixemos que nos iludam. Recordemos que PS, CDU, BE, representam mais de 50% dos eleitores e a maioria na Assembleia da República. As soluções estão agora nas mão do PS que, se quiser fazer uma política de ruptura com a direita, como chegou a prometer, tem a oportunidade de não viabilizar um governo de direita e enveredar por uma política que possa ter o apoio da esquerda. O resto se verá.

02 outubro 2015

Concatena, filho, concatena...

O papel da Televisão (e da Comunicação Social) na bipolarização, ou na alternância disfarçada de alternativa.

No texto aqui ontem publicado, o jornalista Presidente da Presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, ao analisar o que a Comunicação Social tem feito, mostrou:

«Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas».
Termina dizendo:
«...isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados...»

A analise poderia mostrar muitos mais truques que há 39 anos, manipulam as ideias e as consciências (em especial as mais fracas) dos eleitores.

Assim se fabricam ideias erradas e as ideias erradas produzem decisões erradas e as decisões erradas estragam a vida de muita gente. Por isso vem a propósito dizer:
Concatena, filho, concatena...

29 setembro 2015

A arte de bem enganar...

Mentir aldrabando ou mentir omitindo. Que preferem?

Máximos responsáveis do PS, PSD e CDS adquiriram, por mérito próprio, o estatuto de mentirosos por aldrabarem, dizerem antes das eleições uma coisa e depois no Governo fazerem o contrário. Houve até um membro do Governo, João Almeida, secretário de estado da Administração Interna e alto responsável do CDS que justificou no Programa da RTP Prós e Contras, a necessidade de mentir para ganhar eleições.

Se analisarmos com mais profundidade, a palavra mentir, recordamos que significa afirmar aquilo que se sabe ser falso, ou negar o que se sabe ser verdadeiro.
Nestas eleições, os costumeiros mentirosos, por demais desmascarados, resolveram mudar um pouco a sua tática, de enganar. Passaram a mentir mais por omissão e menos descaradamente.
PS e António Costa não falam sobre questões estruturantes para o País, como o Tratado Orçamental, a renegociação da dívida, a submissão ao estrangeiro e ao poder financeiro, ou o «controlo público de sectores primordiais», como a banca, reposição de salários e pensões, política de impostos, etc. etc.
PSD e CDS, através de Passos e Portas, falam do que dizem ser sucesso da sua governação mas esquecem o fundamental, como a dívida, os juros que estamos a pagar, o PIB, o aumento da pobreza, os emigrantes e desemprego, etc. etc.

Tudo isto, mentir aldrabando ou mentir por omissão, é enganar.

Diz o dicionário que enganar é induzir ao erro; fazer cair em erro. Esse é o objectivo de quem mente, mesmo que não afirme o que é falso nem negue o que é verdadeiro. Simplificando não diz NÃO nem diz SIM. Nem sequer diz NIM ou SÃO. Engana muito melhor dizendo apenas ÃO ou IM de forma que os mais distraídos julguem ser Não ou Sim, ou o inverso.

Os mentirosos do costume adquiriram assim um novo estatuto a que correspondem um maior leque de sinónimos: embusteiro burlão caborteiro charlatão falaz impostor intrujão invencioneiro maranhoso pantomimeiro trampolineiro trapaceiro trapalhão velhaco bandoleiro batoteiro vigarista
ardiloso fraudulento farsante hipócrita tartufo tratante falso fingido traiçoeiro safardana malandro meliante traste tunante torpe e muitos mais que a riqueza da lingua portuguesa nos oferece.




27 setembro 2015

Para refletirmos IV

As mentiras e os mentirosos
Notas de um artigo de opinião de Henrique Custódio no Avante

«... Portas é um embuste em movimento e, como a esquecida mas buliçosa sex symbol Mamie Van Doren, acha que falarem mal dele é publicidade e «promoção».

Passos Coelho disse em Santarem:
«Nunca tivemos», disse ele, «um Serviço Nacional de Saúde tão capitalizado, tão pronto a responder aos portugueses».

«... nunca tivemos um serviço público de Educação que estivesse tão ao serviço da formação dos jovens portugueses».

26 setembro 2015

Para refletirmos III

A "campanha negra"
Notas de um artigo de opinião de Carlos Gonçalves no Avante
 
« - As «sondagens», concebidas como armas de mistificação de massas para «fazer cabeças» e fabricar resultados nos media dominantes, que, quanto muito, indiciam tendências e nunca o «score» eleitoral, de que estão muito longe, já que as margens de erro, no caso da RTP, podem somar ou retirar a qualquer força dois por cento ... Não são sondagens, são palpites e manipulações da política de direita, para impor os «resultados convenientes"...»

«... As calúnias do Expresso à Festa, ou as agressões cobardes de quatro fascistas são expressão do seu medo de que este povo tome nas suas mãos o futuro do País».

«- As tretas dos protagonistas da política de direita, que falsificam todas as estatísticas e convergem, à beira de eleições, com a revisão reles do «rating» de Portugal pela Standard & Poors – a tal que abichou centenas de milhões com notificações falsas no Lemhan Brothers e que o próprio governo USA fez pagar 1,5 mil milhões de dólares para suspender um processo crime por fraude..

«São manobras da «campanha negra», insidiosa e perigosa...»

sublinhados meus.

22 setembro 2015

Gente séria

Porquê confiar na CDU. Porque é gente séria

Jerónimo de Sousa caracterizou assim as pessoas que compõem a CDU:

Gente séria porque honramos a palavra dada. Com a CDU, os trabalhadores e o povo sabem com que podem contar, conhecem que o que dizemos cumprimos, que não andamos a semear promessas e mentiras para ganhar votos, porque na CDU o voto de cada um é integralmente respeitado.

Gente séria porque estamos na política não para nos servir, mas para servir os interesses dos trabalhadores, do povo e do país. Na CDU não fazemos dos cargos públicos uso para garantir privilégios. Os nossos eleitos e deputados recebem de remuneração o mesmo que ganhavam nas suas profissões e empresas. Gente reconhecida pelo seu trabalho, a sua honestidade, a sua competência.

Gente séria porque leva a sério os problemas dos trabalhadores, dos reformados, dos pequenos e médios empresários, dos jovens, porque na sua acção a CDU dá resposta às suas inquietações e justas aspirações, porque ligada à vida conhece e responde às suas preocupações e intervém na defesa de todos os que são atingidos pela política de direita.

Gente séria porque não vira a cara à luta. Porque como os portugueses sabem foi com a CDU que contaram nas horas más, foi na CDU que encontraram a coerência e a coragem quando mais difícil era resistir e combater a política de destruição das condições de vida, porque é na CDU que reside a garantia de pesar na hora de se bater por uma política patriótica e de esquerda.

Gente séria porque não precisa de esconder o seu percurso. Sim porque a CDU não precisa de disfarçar as suas posições passadas, mandar para trás das costas responsabilidades pelo rumo de declínio, porque precisa de se pôr em bico de pés para procurar apresentar-se agora como aquilo que não é. A CDU apresenta-se de cabeça levantada com a razão acrescida que vida lhe deu e dá razão, com a clareza de quem denunciou e combateu a política de desastre de sucessivos governos do PS, PSD e CDS, com a autoridade de quem tem afirmado e defendido soluções e medidas que se tivessem sido aprovadas teriam poupado os portugueses a tantas dificuldades e teriam contribuído para construir um país menos desigual e mais justo.

Gente séria com uma política a sério para dar resposta aos problemas nacionais. Gente que não se refugia na mentira, no semeio de desilusões e falsos fatalismos mas que pelo contrário afirma com confiança que há solução para os problemas do País, que Portugal tem recursos e meios para assegurar um futuro melhor, com mais produção e uma distribuição de riqueza que beneficie quem trabalha.

Gente séria porque não desiste de um Portugal a sério. Porque na CDU não prescindimos de lutar pelo direito inalienável do País a afirmar-se como nação soberana e independente, de colocar os interesses nacionais à frente dos projectos daqueles que querem manter o país submetido ao capital transnacional e ao directório de potências.

20 setembro 2015

Abertura da Campanha Eleitoral da CDU

O Comício Festa da CDU encheu o Coliseu em Lisboa, encheu com as pessoas, com o entusiasmo e com as intervenções da Juventude, da Intervenção Democrática, dos Verdes e do PCP.

Todos os intervenientes mostraram, cada um à sua maneira, que o voto útil é o que fortalece a política patriótica e de esquerda e consequentemente enfraquece a política de direita seja ela praticada pelo PSD/CDS ou pelo PS.

Heloísa Apolónia caraterizou esta política como um medicamento contra indicado para o povo e trabalhadores em que o PS é uma espécie de genérico, que tem o mesmo princípio activo do PSD e CDS.

Nos discursos ficou patente que nesta luta, de um lado está a CDU que tem defendido o povo e os trabalhadores e, do outro, os que aumentaram o desemprego, a dívida e a pobreza, implementaram medidas de austeridade, cortaram salários e pensões, destruíram o Estado social, depauperaram serviços públicos, como a saúde e a educação e continuam a submeter-se aos ditames da União Europeia, que representa os interesses dos Bancos e Banqueiros. Para esses há sempre dinheiro, dinheiro esse que é roubado aos trabalhadores aos pensionistas e que em vez de ser canalizado para desenvolver a economia é dado aos Bancos.

"Foram mais de 20 mil milhões de euros que desde 2008 os governos do PS e do PSD/CDS canalizaram para a banca e para os banqueiros! " disse Jerónimo.

"O PCP e o PEV levaram à AR o aumento do salário mínimo nacional, a defesa de um programa de combate à precariedade, um nova política fiscal e para reforço da solidez financeira da segurança social, o alargamento da atribuição do subsidio de desemprego, o fim dos cortes nos salários, o aumento das pensões de reforma, a renegociação da dívida. Propostas e iniciativas que se tivessem sido aprovadas significariam uma vida melhor, num Portugal mais desenvolvido mas que esbarraram sempre na oposição do PSD e CDS mas também, e temos de o lembrar, na oposição do PS, disse Jerónimo de Sousa que caracterizou esta política de direita do PS, PSD e CDS, que dura há 39 anos, lembrando: “Sim, chegámos onde chegámos em resultado das suas opções de política europeia e nacional, dos seus acordos tácitos, das suas conivências e arranjos, da sua política de submissão nacional e de restauração monopolista”[...] “Podem empurrar uns para os outros, dizerem e desdizerem tudo o que fizeram. Nada pode apagar a sua comum responsabilidade nas feridas sociais que abriram na sociedade portuguesa.” [...] “Aí estão todos tão empenhados a tentar limpar a folha das suas responsabilidades, a pôr o conta-quilómetros a zero, a encobrir as suas reais intenções em relação ao futuro”. Esses três partidos responsáveis insistem em continuar a mesma política de mais exploração e empobrecimento uma vez que os seus programas, nesses aspecto pouco diferem. Se um diz mata outro diz esfola, caricaturou Jerónimo, mostrando que PSD, CDS e PS em questões fundamentais dizem o mesmo com palavras diferentes.

Tanto o PS como a coligação de direita, pedem a maioria absoluta, para terem as mãos livres para poderem fazer o que quiserem.

Jerónimo insistiu que o voto na CDU é o que dá segurança e garantia […] que não acabará em qualquer uma das vielas da políticas de direita mas que, pelo contrário, esse voto somará para dar força a uma política patriótica e de esquerda.”

"Nestas eleições para a Assembleia da República está cada vez mais clara a opção que está colocada aos portugueses: permitir que se prossiga o rumo de afundamento, empobrecimento, exploração, dependência que PSD, CDS e PS têm imposto ao País [...] ou agarrar a oportunidade de, agora com o seu apoio e o seu voto na CDU, abrir caminho a uma ruptura com a política de direita..." disse Jerónimo que acrescentou: "não basta mudar de governo, é preciso também mudar de política!".

08 novembro 2014

A comunicação social no Brasil

Partidos que apoiaram Dilma exigem regras para responsabilizar os "mídia"

Com a vitória de Dilma no Brasil, os proprietários dos meios de “comunicação social” não se conformam e continuam a atuar como o principal partido da oposição (ver).

Em vésperas das eleições presidenciais, caluniaram a candidata Dilma e, depois, deram voz aos que pretendiam um golpe militar para derrubar a vencedora.

O vergonhoso "golpe" da Veja

O exemplo mais evidente foi o da revista semanal de direita "Veja" que estampou na capa uma falsa denúncia de que o ex-presidente Lula da Silva e Dilma “sabiam de tudo” acerca da corrupção na Petrobras.

Os patrões da Veja, responderam a um processo em Tribunal, que de imediato obrigou a um desmentido, tardio, contudo outros órgãos de comunicação como a Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo e muitos outros jornais dos mesmos patrões, reproduziram as calúnias da Veja.

Os donos da comunicação social

No Brasil, como em Portugal, a dita “comunicação social” está nas mãos de meia dúzia de grandes grupos económicos.

Dilma reafirmou aos jornalistas, que defende a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, mas como acontece em muitos outros países como a Inglaterra, Estados Unidos, é preciso haver regras. 

De facto, no Brasil como em Portugal a imprensa, a televisão e a rádio, podem dizer as mentiras que entenderem sem que isso constitua grande problema. Tudo, ou quase tudo, fica impune.

No Brasil, as Organizações Globo, são o centro do cartel formado pelas grandes empresas de comunicação no país. Há muito tempo, já anterior à instauração da ditadura militar, a TV e jornais conservadores, recebem dos governos, inúmeros apoios económicos que originaram as maiores fortunas. 

Impor regras e responsabilizar

A intenção manifestada por Dilma de definir regras que responsabilizem os “mídia” pelas notícias que dão, está a provocar uma revolução nas redações dos órgãos de comunicação. As demissões foram já de algumas dezenas, em especial dos jornalistas mais bem pagos.

Em Portugal seria preciso um governo verdadeiramente democrático, ao serviço dos portugueses, para legislar no sentido de responsabilizar e impor pesadas indemnizações a quem transmitisse mentiras ou “meias verdades” para enganar as pessoas.

O que tem acontecido em Portugal

Como diz Fernando Correia no Jornal Avante, em Portugal "Comunicação social e recuperação capitalista têm sido duas realidades intimamente ligadas nos últimos 38 anos. A comunicação social dominante – isto é, a que é dominante na influência sobre a opinião pública e, simultaneamente, está nas mãos da classe dominante – tem constituído um apoio decisivo à política de recuperação capitalista, ao mesmo tempo que a recuperação capitalista se tem acentuado dentro da própria comunicação social, tanto em termos de natureza da propriedade e de lógica empresarial como do sentido da informação produzida".

Sobre estas situações, em Portugal, vale a pena ler o artigo completo de Fernando Correia.

20 maio 2014

As eleições para o Parlamento Europeu

Um passo, possível, para a mudança

Creio que é por uma boa causa que tenho escrito pouco e falado mais. A luta em que me empenho, para mudar esta política, está a passar por momentos decisivos. Estas eleições são um factor que pode contribuir para isso.
A constante omissão por parte da Comunicação dita Social, pela Televisão, da maioria das manifestações populares em apoio à CDU, mostra que a direita está a usar todas as armas para manter muitos eleitores na ignorância.

Não podemos deixar para outros o que deve depender de nós. Se votar é uma arma, votar bem é defender os nossos justos interesses.
Como tem dito João Ferreira, votar na CDU é votar na verdadeira mudança. Votar na CDU é votar diferente! É votar para romper com este ciclo de destruição que dura há 38 anos.

A CDU é diferente dos que são todos iguais. 

A CDU é diferente dos que levaram o País à ruína para defender interesses que nos são estranhos. Votar CDU é para defender o que é do País, e resgatar o Portugal da dependência.

Reforçar a CDU em número de votos é levar às urnas a exigência de demissão deste Governo, é abrir caminho para uma nova política. É construir a alternativa, patriótica e de esquerda.

Por isso C de... , mais do que aqui, tem estado na rua a Comunicar e Convencer os desiludidos a lutar votando, votando bem na alternativa que os defende.

02 abril 2012

O 1º de Abril e a verdade

Como se ganham eleições

Procurei nas notícias dos Jornais e Televisão qual a mentira de 1 de Abril e, vi tantas que, fiquei sem saber qual escolher.
Lembrei-me então que nesta nossa "democracia" ganham eleições, não os que têm mais mérito, mas, os que mais mentem e conseguem enganar. Para isso não precisam de esperar pelo 1º de Abril. Mentem todos os dias. Por isso sugiro que o 1 de Abril passe a ser o dia da verdade. Ao menos que haja um dia no ano em que a vergonha recorde que a verdade existe.
  
Onde e em que dias, ouvi isto:

" O IVA, já o referi, não é para subir"
 
"Se vier a ser primeiro-ministro, a minha garantia é que a carga fiscal será canalizada para os impostos sobre o consumo e não sobre o rendimento das pessoas"
 
"Do nosso lado não contem com mais impostos"
 
"Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate"
 
"Eu não quero ser primeiro-ministro para proteger os mais ricos"
  
"Quando for preciso apertar o cinto, não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"
 
"Tributaremos mais o capital financeiro, com certeza que sim"
 
"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam"
 
"Não quero ser eleito para dar emprego aos amigos"
 
"etc, etc, etc....
 
Que legitimidade para governar pode ter quem ganha eleições por muito mentir?

08 janeiro 2012

Onde está o poder do povo?

Esta "democracia" é uma farsa, uma enorme fraude

Hoje, ao ler as notícias, "perdi a cabeça" e, indignado, tenho que desabafar. Afinal onde estamos?
Consultei o dicionário Aurélio (online), e outros de referência e vi: Democracia é ”1-Governo do povo; soberania popular; democratismo. 2-Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder.”
“É o governo do povo, para o povo, pelo povo”. “Governo do povo” quer dizer governo com um sentido popular; “para o povo” significa que o objetivo é o bem do povo; “pelo povo” quer dizer realizado pelo próprio povo. Na democracia é o povo quem toma as decisões políticas importantes - direta ou indiretamente por meio de representantes eleitos.

De uma forma mais condensada como diz o Dicionário Priberam, Democracia é: "Governo em que o povo exerce a soberania, directa ou indirectamente."
Muitas outras definições podem ser invocadas mas, em todas elas, é respeitado o princípio geral do "poder do povo" através de um "governo para o povo", decidido pelo povo. 

Acontece que, todos os dias, verificamos que cada vez o povo tem menos poder a ponto de se concluir que não manda nada.

Cingindo-me apenas à forma mais restrita de ver a democracia como a capacidade do povo escolher os seus representantes através do voto, o que vimos é o povo ser mais enganado nas escolhas que faz. Vota em quem promete fazer uma política e depois faz outra. Vota em quem engana melhor. Vota em quem tem mais apoios financeiros para enganar. 
Banqueiros e grandes capitalistas, financiam as campanhas eleitorais de alguns para, depois, cobrarem com juros, o que investiram.

Uma vez colocados os "representantes do povo", que melhor mentiram, como é que o povo exerce o seu direito de punir os falsários? Apenas através dos próprios representantes que escolheu, o que quer dizer que, se são os vigaristas que foram eleitos, só esses mesmo trapaceiros, se podem destituir a si mesmo. Esta é a lei desta “democracia”.
 
Mas afinal, quem é que efectivamente manda nos representantes do povo? Será o povo? Não, porque, como se vê, não tem poder para isso. Se o povo quiser mandar os deputados da Assembleia da República aprovar leis que defendam o povo, como por exemplo para punir os corruptos, impedir a fuga de dinheiro, impedir a acumulação de reformas milionárias, como é que o pode fazer, se a maioria se estiver nas tintas para o povo, se for corrupta e não quiser aprovar essas leis? A maioria, ao serviço dos grandes capitalistas, que ganhou as eleições enganando, tem que cumprir as ordens desses seus "chefes" em Portugal e no estrangeiro. 
  
São as ordens dos chamados "mercados" (banqueiros), dadas através de órgãos em que o povo nada decide, como por exemplo da troika, da Merkel, do Sarkozy, e agora descobrimos que também através de algumas lojas Maçónicas. 
Esta “democracia” formou uma rede de organizações nada democráticas e até secretas ou de cariz mafioso, que têm, na realidade, muito mais poder que o povo e, por isso, formam um sistema (identificado na gíria como "o polvo", não confundir com povo) de vários tentáculos que dominam a nossa vida.

24 outubro 2011

A torta pedagogia da direita

Passos Coelho: "Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"

O que é que as crianças desta escola aprenderam, com o primeiro ministro de Portugal?
A direita precisa de mentir, de enganar, para ganhar eleições. 
Se dissessem a verdade, e quais os interesses que defendem, só os banqueiros e amigos votavam neles.
A direita sempre defendeu a classe exploradora, fingindo que defende o povo.

27 maio 2011

Enganar tótós

Vender a embalagem sem o conteúdo, é o que está a dar!


A estratégia da mentira, do populismo, de dizer frases que nada dizem, mas que parecem muito acertadas, é muito utilizada pelos partidos de direita. Paulo Portas é o exemplo mais carismático. No entanto PS e PSD estão a utilizar esses estratagemas para impressionar as pessoas menos politizadas ou menos críticas. Dizem os propagandistas desses partidos que «mais importante do que ter ideias é saber fazer passar o discurso» falar bem mesmo sem dizer nada. É o que está a dar.


A burla que rende


Isto, para além da exploração da ignorância, é uma burla feita aos eleitores.

Os jornais, a rádio e a televisão, colaboram nesta falta de conteúdo, pois entendem que têm mais audiências e vendem mais se os políticos em vez de debaterem propostas e ideias, insultarem-se já que não é fácil "pô-los à porrada". É isso que o povo gosta, dizem esses "políticos", para assim aparecerem mais vezes na Televisão ou nas notícias e serem muito falados. Não interessa o que se diz, interessa é provocar escândalo. 


São estes políticos que governam o país e o conduzem para o desastre. São eles que ganham as eleições. Quanto mais roubarem, quanto mais fraudes fizerem melhor, mais deles se fala e é neles que o povo tem votado.


A Troika, ou os Três inocentes

Em terra de cegos, quem tem um olho...

Há dias, Paulo Baldaia, Director da TSF, disse maravilhas dos discursos de Paulo Portas e afirmou, «o homem fala, o sábio cala, o tolo discute». A popularidade do Paulo Portas é justamente porque o CDS «tem mostrado muito pouco», apenas com «meia dúzia de máximas» e que «não concretiza muitos dados». 
Segundo este jornalista o eleitorado não gosta de quem apresenta propostas concretas, pois isso obriga a discutir e a pensar. 
O jornalista, comentador Sousa Tavares disse «político que diga toda a verdade, não ganha eleições».
Portanto, dizem estes senhores, é preciso falar "para tótós", porque são a maioria, que elegem o governo. 

24 março 2011

Começou a Campanha Eleitoral.

Estejamos atentos!
  
Com a queda do Governo PS, vêm aí as promessas e demagogias de uma campanha eleitoral (que já começou há muito através dos jornais, dos comentadores políticos dos analistas, etc.) mas que, agora, entra numa nova fase.

O problema não está na existência de campanhas eleitorais. As campanhas fazem parte da democracia e do esclarecimento das pessoas. São até, uma boa oportunidade para ouvir o que cada um diz e tentar compreender o que é verdade e o que é falso. Lembremo-nos de que, mais cego, é o que não quer ver.

É preciso saber interpretar o que são as palavras e o que são as intenções, muitas vezes escondidas ou camufladas nas palavras. Temos sido enganados pelos partidos que prometem uma coisa e, depois, no poder, fazem outra. Recordemos e aprendamos com o passado. É preciso desconfiar dos que dizem que são todos iguais. Essa é uma forma de esconder as intenções de alguns. De levar as pessoas a não pensar e a "deixar andar". 

Mas, os partidos, não são todos iguais! Por aquilo que dizem e, pelo que fazem, é sempre possível "prever" a política que defendem. É sempre possível separar o "trigo do joio", filtrando as palavras e os interesses que estão por detrás dessas palavras.



Vou dar um exemplo, que creio ser característico e, já verificado em palavras e acções.

O PSD e o CDS têm vindo há muito tempo a defender uma política de redução das despesas do Estado ou do sector público. O PS, de uma forma menos explícita, tem vindo a fazer o que o PSD quer, privatizar. É uma medida lógica para o País que tem um défice público tão elevado, dizem eles. Mas, que querem eles dizer com isto?
Defendem retirar do Estado muitas actividades para as entregar aos privados. Pode isto parecer lógico pois, como esses partidos sustentam, a privatização pode gerar receitas e menos encargos para o Estado e para os portugueses que pagam impostos. Contudo temos que raciocinar! Será isso verdade?

Vejamos alguns exemplos:
São os sectores mais importantes do estado, e os que geram receitas, que os privados estão interessados em comprar, muitas vezes por baixos valores. Coisas que os portugueses já pagaram, com os seus impostos, e que por isso é de todos, património público, que vão perder para as mãos de poucos. Mas, dizem alguns “se é para o Estado gastar menos, enfim… O que é preciso é gastar menos”. Será? Vejamos exemplos já conhecidos. Pensemos no que se passou depois do 25 de Abril, com todos estes anos de PS+PSD+CDS (política de direita que, com algumas variantes, defenderam sempre as privatizações). 



Várias situações se passaram: 

1. Se a empresa do Estado é lucrativa, como por exemplo nos transportes rodoviários, (os privados preferem as mais lucrativas) o Estado passou a ter menos despesas mas também tem menos receitas. Por outro lado, os privados, reduzem ainda mais as despesas, por exemplo, suprimindo carreiras, pois o dinheiro dos passes está garantido e o número de clientes é o mesmo, passando, estes, a estar mais tempo à espera de transporte e indo mais apertados (se couberem). O negócio, que já era lucrativo para o Estado, passa a ser muito mais lucrativo para os privados. Quem perde são os utentes, e o Estado, que deixou de ter as receitas que passaram para os privados.

2. Se a empresa do estado não era lucrativa, o privado, para a adquirir, negoceia com o governo o aumento dos custos dos serviços ou uma indemnização do Estado para cobrir os prejuízos. Se aumentar os custos, o Governo, lava daí as suas mãos e vê-se livre de alguns encargos. O utilizador continua a pagar os mesmos impostos ao Estado e paga ainda o aumento dos custos do serviço. Se isso der muito nas vistas fazem, “suaves” mas constantes, aumentos de preços sempre acima da inflação e ao fim de 3 ou 4 anos o negócio passa a ser lucrativo para o privado. Entretanto o governo, para compensar os prejuízos do privado, nos primeiros anos, dá uma indemnização, que acaba por ser sempre superior aos prejuízos que o estado tinha se mantivesse a empresa pública. Perde o Estado uma parte e perde o utilizador outra. O utilizador continua a pagar os mesmos impostos, ou mais, e paga o aumento dos preços dos passes ou dos bilhetes. Quem ganhou? É fácil de ver.

3. Há, também, formas indirectas de o Estado passar para os privados certos serviços. É o caso da Saúde, do Ensino e outros. Nestes casos como a Constituição defende os direitos das pessoas, e esses serviços não podem acabar, o esquema é o seguinte: Com pretexto de que é preciso reduzir despesas, o Estado reduz o pessoal, as instalações e funcionamento dos serviços. Os privados vêem, então, oportunidades de negócio, pois há pessoas que têm que ser atendidas e não têm onde. Surgiram os grandes grupos ligados aos bancos que montam serviços iguais aos que o Estado abandonou mas agora cobram bem os serviços. Um doente que tenha que recorrer frequentemente a esses serviços, ou um estudante que não tenha vagas, ou a escola pública é muito distante, tem que recorrer aos privados. Os privados para além de cobrarem mais caro esses serviços, ainda são subsidiados. Resultado: As despesas do Estado reduziram-se um pouco, ou por vezes nem isso, (caso das escolas) mas o utente tem que pagar muito mais para poder ter o serviço.

Progressivamente, para não dar muito nas vistas, os serviços do Estado vão sendo cada vez menos, e os dos privados cada vez mais e mais caros. É uma forma que a política da direita utiliza para "sacar" mais dinheiro aos contribuintes com o pretexto da redução do Estado.



Muitos outros exemplos poderiam ser dados.

Em todas estas situações os partidos da direita fazem grande propaganda com a redução das despesas do Estado e do maior equilíbrio das contas públicas mas, nada dizem, quanto à redução proporcional que os impostos deveriam ter e, muito menos, lembram que os utilizadores, mesmo que não paguem mais impostos, pagam muito mais pelos serviços que precisam. Entretanto os lucros de alguns vão crescendo.

Isto é a estratégia da rã cozida sem dar por isso. Mete-se a rã dentro de uma panela com água tépida. A rã sente-se bem (agradece) e deixa-se ficar. Põe-se a panela sem tampa em lume brando e a água aquece lentamente. A rã continua a achar agradável a água morna e relaxa. A água continua a aquecer lentamente mas a rã vai-se habituando e fica mole, com sono, vai perdendo as forças. Quando a água está já demasiado quente e incomodativa a rã quer saltar da panela mas já não tem forças. Ali fica até morrer.

Esta história, verdadeira, mostra quanto é importante estarmos prevenidos, antes de as coisas acontecerem. É preciso fazer um esforço crítico para interpretar o que nos querem “dar ou vender”. Qual o interesse daqueles que fazem propostas que parecem boas? Que interesses defendem? O povo diz: homem prevenido vale por dois. Estejamos prevenidos. Agucemos as nossas consciências. As consciências de classe que defendem os nossos interesses. Os Partidos não são o clube da terra ou a equipa de futebol de que somos fãns por simpatia ou porque gostamos da sua cor. Os partidos defendem projectos, defendem classes, defendem interesses. Acordemos enquanto a água está morna!

21 janeiro 2011

No Avante!


"A nossa campanha levou a confiança e a esperança a milhares e milhares de homens, mulheres e jovens – humilhados e ofendidos pela política de direita..."
"...é na luta e na intervenção activa dos trabalhadores e do povo que se encontra o caminho da mudança".
"A candidatura de Francisco Lopes é, nas palavras do próprio candidato – palavras certeiras, solidárias, carregadas de esperança e confiança – «uma candidatura que se dirige também a todos os que sentem vontade de desistir, dizendo-lhes que não desistam, que vale a pena acreditar, que vale a pena confiar em quem tem palavra e está consigo nas suas lutas e inquietações; dizendo-lhes que a melhor resposta que têm para dar é juntarem-se a nós com o seu voto para condenar os que, no Governo e na Presidência, há muito desistiram de Portugal»."
(in Avante! de 20 de Jan. 2011 http://www.avante.pt/pt/1938/Editorial/)