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23 setembro 2025

Médicos afirmam: Não vamos sair do hospital al-Shifa, em Gaza

Perante a continuação do genocídio de Israel ao povo palestiniano em Gaza, Muhammad Abu Salmiya, director hospitalar cujos familiares foram assassinados pela ocupação, reafirmou que as equipas médicas vão continuar a trabalhar na Cidade de Gaza.

Da notícia do AbrilAbril, reproduzo o seguinte:

Em declarações à imprensa na manhã de domingo, Muhammad Abu Salmiya, director do complexo hospitalar al-Shifa, disse que as equipas médicas não vão abandonar os pacientes, no meio da ofensiva terrestre israelita em grande escala contra a Cidade de Gaza.

Vamos continuar o nosso trabalho, apesar da destruição, da falta de medicamentos e dos ataques às nossas casas e famílias, afirmou, acrescentando que os profissionais da saúde se mantêm firmes no compromisso de salvar vidas e cuidar dos feridos, mesmo nas condições mais «insuportáveis».

O al-Shifa já foi o maior complexo hospitalar na Faixa de Gaza, mas hoje está praticamente em ruínas, depois de ter sido alvo de intensos bombardeamentos aéreos e de artilharia por parte das forças de ocupação, em diversas ocasiões.

O actual director passou mais de sete meses nas cadeias israelitas, com a ocupação a alegar que a resistência palestiniana usava o hospital como base para o «terrorismo», refere a Al Jazeera.

Acabou por sair sem «acusações» mas depois de ter sido submetido a sessões de tortura e de humilhação. No sábado, um ataque israelita contra a sua casa de família, no campo de refugiados de al-Shati, matou pelo menos cinco pessoas, incluindo o seu irmão, cunhada e filhos.

Neste sentido, a fonte destaca que Abu Salmiya está a tentar dar o exemplo, no meio de «condições horrendas».

«As nossas equipas médicas continuam a realizar a sua missão humanitária neste complexo hospitalar sob forte pressão», disse o director, na Cidade de Gaza.

«A sua mensagem continua: servimos os doentes e os feridos o melhor que podemos», frisou, alertando para a política de limpeza étnica levada a cabo por Israel e condenando os ataques directos a unidades hospitalares e pessoal médico.

«São heróis»

Uma médica australiana a trabalhar como voluntária no hospital destacou as condições «horríveis» em que o pessoal médico trabalha.

«Pude constatar a capacidade de resistência destes médicos... são literalmente heróis», disse a médica australiana à Al Jazeera, explicando que médicos, enfermeiros e estudantes de medicina estão a viver e a trabalhar no hospital.

«Estamos aqui há apenas duas semanas e simplesmente não conseguimos abranger a dimensão do trauma e do trabalho duro. Não creio que um ser humano possa sobreviver e aguentar aquilo por que estamos a passar», disse.

O hospital a-Shifa é uma de muitas infra-estruturas da saúde que foram quase inteiramente destruídas pelas forças de ocupação no enclave.

Ahmed al-Farra, director de pediatria do Hospital Nasser, em Khan Yunis, no Sul de Gaza, sabe bem as condições terríveis que as equipas médicas sofrem em todo o território e destacou o facto de, desde o início da agressão, Israel ter estado a atacar o pessoal médico, «metendo-o na cadeia ou matando as suas famílias».

De acordo com as autoridades na Faixa de Gaza, a ocupação matou pelo menos 1670 trabalhadores do sector nos últimos dois anos.

As mesmas fontes, a que a Wafa se refere, indicam que, desde Outubro de 2023 até ontem, os ataques israelitas provocaram pelo menos 65 283 mortos e 166 575 feridos entre os palestinianos, na sua maioria mulheres e crianças.

08 agosto 2015

Cenoura murcha

A história do burro e da cenoura revisitada

O comunicado do Sindicato dos Médicos, com o título acima começa assim:
"Não é difícil ver quem se pretende que seja o burro nesta história"

"Os médicos de família já estão no limite da sua capacidade de oferecerem cuidados de qualidade aos seus doentes.


Segundo informações nos jornais, Paulo Macedo quer dar mais dinheiro aos médicos, cerca de 350 euros líquidos, para que aceitem alargar as suas listas de utentes. Isso significa que os médicos de família que estão já sobrecarregados venham a ter entre mais de 2300 a 2800 doentes para atender. Significa ainda que as consultas que se exigem aos médicos não ultrapassem os 15 minutos sejam reduzidas para cerca de metade do tempo. As noticias dizem que o Governo vai avançar com esta medida à revelia dos sindicatos que alertam que os médicos, "a serem iludidos por esta cenoura murcha e desbotada", vão prejudicar qualidade dos cuidados de saúde aos doentes.
As exigências da limitação dos tempos de consulta são uma indignidade quer para utentes que têm direitos, quer para os médicos que devem defender a ética inerente à sua profissão.


Imagem retirada de WEHAVEKAOSINTHEGARDEN