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12 outubro 2025

Até Já

 De: https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2025/10/11/ate-ja/ retirei esta mensagem de Raquel Varela que, apesar de não me surpreender, me impressionou.

Até já

Como é público, a nova Direção de Informação da RTP decidiu não continuar a contar comigo nos programas de debate semanal. Quero, ao final destes 11 anos, deixar aqui algumas notas que serão, espero, sinceras e delicadas.

Quero agradecer a quem me convidou, a quem esteve na organização e na produção, dos jornalistas aos técnicos de som, imagem, produção, realização, maquilhagem, cabeleireiro, um trabalho imenso e essencial. Fui acarinhada por tantos. 

Quero agradecer aos amigos, colegas, camaradas (gosto desta palavra) com quem discuti semanalmente os temas, e a muitas outras dezenas de pessoas a quem, consoante os assuntos, telefonei, com quem me reuni para aprofundar saberes que nenhum indivíduo sozinho domina. 

Vivi anos em países “nórdicos” onde a sinceridade não é vista como má educação. São países mais adultos e com uma esfera pública mais desenvolvida. Em Portugal, o desacordo frontal é mal visto (a não ser nos programas sobre futebol) e rapidamente se passa de debater ideias a acusar e insultar pessoas. Em suma, as pessoas fogem ao debate porque acham que assim evitam conflitos ou porque assim fomos habituados à força por décadas de ditadura. Mas o que acontece é que a violência verbal, a desconfiança, a coscuvilhice se instalam nessa ausência de debatermos frontalmente as divergências. 

A minha saída do comentário semanal da RTP não se deve certamente a audiências, já que em todos os programas onde estive elas subiram. Há, porém, muitos programas sem grandes audiências que são excelentes, outros com grandes audiências que são uma desgraça para o nível geral de educação do país (desqualificam-no e embrutecem-no) e alguns com boas audiências que são bons ou excelentes. Saio por uma escolha política – todas as escolhas são políticas, e devemos falar abertamente delas.

Há um quadro de mudança política no país. Está no poder um Governo da AD, com o apoio da IL, com influência crescente do partido fascista Chega. Há uma situação mundial de degradação do modo de vida e do debate de ideias. O Presidente dos EUA comunica por tweets e memes, e disse querer transformar Gaza num resort. Por cá, o presidente do Chega lidera uma organização racista que usa a mentira como arma política de eleição, e a internet está cheia de perfis falsos que reproduzem a propaganda do Chega. A União Europeia corta o orçamento para a saúde, para a educação, para a agricultura para produzir drones carros e aviões de combate, munições para matar, amputar e dizimar o género humano, a primeira pátria a que pertenço.

Pautei-me todos estes anos por uma defesa intransigente da liberdade de expressão.  Mesmo contra um centro-esquerda capitulador, moralista e descafeinado. Aquilo a que hoje se assiste é, porém, de enorme gravidade. Tenho vinte anos de carreira como historiadora e professora. Se afirmo que o Chega é fascista não é para produzir efeito mediático. Sou cuidadosa com os conceitos. Estamos a viver a legitimação do irracionalismo, do culto do Estado, da punição, da violência verbal (e física) contra os percebidos como mais fracos e da mentira como “opinião”. Que o Estado tenha legalizado isto é uma coisa, que eu como historiadora o aceitasse seria uma rutura ética com o meu trabalho. 

A minha saída de comentadora da RTP fragiliza ainda mais a esfera pública. Não por mim, pois ninguém é insubstituível. Mas porque as vozes como a minha não representam mais uma “opinião”. Reflectem um modo de pensar a sociedade em que vivemos, com demonstração de argumentos e critério de verdade – errando, também  -, que  discorda abertamente dos grandes mantras da opinião publicada: a inevitabilidade do capitalismo, e da guerra, a naturalização do sofrimento e assédio contra quem trabalha. Defendi a Democracia sem adjetivos, que só pode ser de base, participativa, e a auto-organização dos cidadãos, plenos no uso da Razão, independente do Estado. 

A voz pública é uma necessidade. Deve ser séria e diversa. É-o cada vez menos. E é isso que tem levado, também, à quebra de audiências – a repetição ad nauseam dos mesmos argumentos, da mesma falta de imaginação ou de vontade para repensar a sociedade. O que produzimos? Para quem produzimos? Como produzimos? Estas questões, que são centrais para a humanidade, quase nunca são feitas, fagocitadas por uma comunicação ligeira e ideologicamente homogénea.

Estive, por vezes sozinha como comentadora, ao lado das primeiras greves dos estivadores, da greve cirúrgica dos enfermeiros, da paralisação dos camionistas e da greve dos trabalhadores da AutoEuropa contra o trabalho ao domingo, todos alvo de campanhas mediáticas que pareciam verdades indiscutíveis na altura e mentiras descaradas dias depois. E estive, com poucos mais comentadores, ao lado das greves dos professores, médicos, maquinistas, transportes em geral, sustentando o que para mim é óbvio – se há alguém capaz de parar esta deriva para a guerra e para a morte são os trabalhadores organizados.  

Nos últimos anos, nunca saí de casa sem que viessem ter comigo pessoas para falar, agradecer, apoiar, conversar. Recebi carinho e afeto, abraços, nos cafés, nos aviões, nas filas de serviços apinhados, nas escolas, entre as empregadas de limpeza de jardins e trabalhadores da ferrovia, motoristas e professores, enfermeiros e médicos. Tudo isso me ajudou a conhecer um país decente, que existe, embora muitas vezes sem voz. Muito obrigado a todas e a cada uma dessas pessoas. Ajudaram-me muito a crescer e a ter força para continuar.

Há um Portugal sentado e outro de pé. O de pé é quem vive do trabalho, e que todos os dias assegura a produção e a reprodução da nossa vida. É nesse país, dos que trabalham, que me revejo e ao qual procurei dar voz. Se fui um pouco voz desse Portugal ignorado, valeu a pena.

Continuarei a fazer ouvir a minha voz e ideias, a defender os trabalhadores e os seus direitos, a dar aulas públicas e conferências, cursos, documentários, livros, a lutar por um outro país assente no bem comum, na igualdade real, na democracia do povo e na liberdade. 

Até breve 

 

28 agosto 2025

Valerie Zink mostra que a Reuters veicula a propaganda de Israel

Nos últimos oito anos, trabalhei como correspondente da agência noticiosa Reuters. As minhas fotos, cobrindo histórias nas províncias das pradarias, foram publicadas pelo New York Times, Al Jazeera e outros órgãos de comunicação social na América do Norte, Ásia, Europa e noutros locais. Neste momento, é-me impossível manter uma relação com a Reuters, dado o seu papel na justificação do assassinato sistemático de jornalistas (245) por Israel em Gaza. Devo aos meus colegas da Palestina pelo menos isso, e muito mais.

Quando Israel assassinou Anas Al-Sharif, juntamente com toda a equipa da Al-Jazira na Cidade de Gaza, a 10 de agosto, a Reuters optou por publicar a alegação completamente infundada de Israel de que Al-Sharif era um agente do Hamas — uma das inúmeras mentiras que meios de comunicação como a Reuters têm repetido. A Reuters veicula a propaganda israelita e não confia nos seus próprios repórteres quanto ao genocídio israelita. Mais cinco jornalistas, incluindo o operador de câmara da Reuters, Hossam Al-Masri, estavam entre as 20 pessoas mortas esta manhã noutro ataque ao Hospital Nasser. Foi o que se conhece como um ataque de "tiro duplo", em que Israel bombardeia um alvo civil, como uma escola ou um hospital, depois aguarda a chegada de médicos, socorristas e jornalistas e ataca novamente o local para matar os socorristas e jornalistas.

Como afirmou Jeremy Scahill, do Drop Site News: "Todos os grandes meios de comunicação, do New York Times ao Washington Post, da AP à Reuters, serviram de cadeia de abastecimento para a propaganda israelita, lavando crimes de guerra e desumanizando vítimas, abandonando os seus colegas e o seu alegado compromisso de reportagens verdadeiras e éticas."

Os meios de comunicação ocidentais repetem as mentiras genocidas de Israel sem averiguar se têm alguma credibilidade.

O facto do trabalho de Anas Al-Sharif ter ganho um Prémio Pulitzer para a Reuters não os obrigou a defendê-lo quando as forças de ocupação israelitas o colocaram na lista negra de jornalistas. Não os obrigou a defendê-lo quando solicitou proteção aos meios de comunicação internacionais depois de um porta-voz militar israelita ter divulgado um vídeo que deixava clara a sua intenção de o assassinar após uma reportagem que tinha feito sobre a crescente fome (em Gaza). Não os obrigou a relatar honestamente a sua morte quando foi apanhado e morto semanas depois.

Valorizei o trabalho que tenho contribuído para a Reuters nos últimos oito anos, mas neste momento só consigo imaginar a utilização deste passe de imprensa com profunda vergonha e dor. Não sei o que significa começar a homenagear a coragem e o sacrifício dos jornalistas de Gaza — os mais corajosos e melhores da história —, mas, a partir de agora, vou dirigir o meu contributo ao seu serviço.

Fonte: Aqui 

20 maio 2017

Para que fique registado III

"Tira as tuas mãos daqui Donald Trump" disse Maduro, presidente da Venezuela

Em geral os órgãos de comunicação, pertencentes às grandes cadeias controlados pelos interesses do grande capital, não referem as grandes manifestações de apoio a Nicolás Maduro e à sua política popular. Procuram pela especulação ridicularizar Maduro. Contudo, perante a grande contestação a Trump surgem oportunidades para trazer à superfície as políticas em confronto. De um lado os que estão com o povo, de outro as classes mais abastadas sempre à espera das migalhas dos multimilionários.
A Venezuela é um exemplo actual.
Da nossa comunicação social retirei algumas notas para registo:

"Tira as tuas mãos daqui Donald Trump. Go home Donald Trump, fora da Venezuela", disse o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no palácio de Miraflores, sede do Governo.
Pouco antes o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela já tinha qualificado como um "absurdo de antologia" as declarações de quinta-feira de Donald Trump após um encontro em Washington com o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.
Donald Trump disse na quinta-feira que fará "o que for necessário" em cooperação com outros países do continente para resolver a situação humanitária na Venezuela, que considerou uma "desgraça para a humanidade" e o Departamento de Estado norte-americano impôs, sanções a oito magistrados do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Venezuela, o que Caracas condenou "inaudito e inadmissível".

Se pesquisarmos a imprensa alternativa, não controlada pelas multinacionais da comunicação, ficamos a saber muita coisa que os jornais e a Televisão escondem. Leia-se por exemplo o recente texto do Avante.
«As iniciativas em defesa da paz e de rejeição da violência têm registado ampla adesão popular na Venezuela, com concentrações, marchas e manifestações a ocorrerem com esse propósito. É o caso da levada a cabo pelas mulheres no sábado, 6, cuja terminou com a entrega de um documento na Defensoría del Pueblo, órgão constitucional de defesa e promoção dos direitos humanos no país.

A recusa da ingerência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela, e designadamente da Organização de Estados Americanos – estrutura da qual a Venezuela se está aliás a desvincular, acusando-a de desrespeito pela sua soberania e de responder às directrizes do imperialismo norte-americano com métodos e orientações de recorte colonial –, e bem assim a condenação do suporte dado pelos EUA e por governos seu vassalos na América Latina a grupos violentos e à oposição mais irascível, têm sido igualmente centrais nas iniciativas promovidas pelos bolivarianos.
 


11 novembro 2015

Caiu o Governo mas a luta continua

A ofensiva ideológica da direita exige resposta acompanhada de maior compreensão da luta de classes que está no centro desta batalha

Há 40 anos no poder, após 48 anos de Salazarismo, a direita tem montada uma máquina poderosa de manipulação, de desinformação que ilude muitos trabalhadores e largas camadas do povo.
Neste momento histórico, com a queda do Governo caíram muitas máscaras, desfizeram-se mitos e abriram-se novos espaços de debate.

Novas vitórias dos trabalhadores e do povo dependem da capacidade dos mais conscientes sensibilizarem os menos conscientes para o que está a acontecer, à luz da luta de classes e sua justificação ideológica. É preciso criar as condições para organizar e trazer à luta os trabalhadores e o povo explorado, focalizando-os na defesa dos seus verdadeiros interesses e direitos.

Os «superiores interesses do País», cassete tão apregoada pela direita, nada têm a ver com os verdadeiros interesses do país que é o povo e os seus trabalhadores, na medida em que os interesses do grande capital, nada têm a ver com os interesses do povo explorado. É com estas e outras deturpações e mistificações que a direita engana os menos conscientes. Foi assim que Cavaco, Passos e Portas centraram a sua política e agora, derrotados, argumentam. Com a falsa justificação de defender os «superiores interesses do país», na realidade, defendem os «superiores interesses do grande capital» o que tem permitido que uma dúzia dos muito ricos sejam cada vez mais ricos à custa dos milhões de pobres cada vez mais pobres.

Estamos no auge de uma luta de classes que só poderá será vencida se os mais conscientes conseguirem alargar a consciência ideológica das massas de forma que possam compreender o que está em jogo. Apesar dos poderosos meios que a direita controla, o momento político que vivemos é-nos favorável e não o podemos desperdiçar.

09 novembro 2015

Sai PSD/CDS ficam os seus publicistas

Uma das tarefas prioritárias:
Desmascarar os que há anos manipulam as consciências, desinformam, mentem e têm conseguido enganar.

Apesar das mentiras e manipulações foi conseguido o resultado das eleições que permitiu eleger uma maioria de deputados que se recusa a continuar a política do PSD/CDS que arruinou o país. Apesar das vergonhosas campanhas e chantagens tão difundidas na Comunicação Social, foi conseguido o acordo para viabilizar um governo do PS que se compromete a romper com a já extenuante política de direita. Agora é preciso, é urgente, curar a peste que as forças reacionárias propagaram nos órgãos de comunicação social, em especial na Televisão. Comentadores, cronistas e politólogos, ao serviço dos interesses que arruinaram o país e, com isso bem se governaram, transmitem todos o pensamento único, mascarado de várias linguagens, sem permitirem o verdadeiro contraditório em igualdade de condições. A generalidade dos meios de comunicação e em especial os privados, propriedade de grandes grupos económicos, foi sistematicamente invadida por gente com opções de classe bem definidas, que servem a ideologia da direita, muitas vezes da extrema direita fascizante. O que deveria ser um instrumento da democracia, de debate onde as opiniões contraditórias se expressassem em igualdade de oportunidades, passou a ser um instrumento de uma ideologia, de uma classe dominante que pretende eternizar o seu domínio para bem explorar e ainda fazer com que os explorados agradeçam a exploração, como lei de divina ou, natural.
A maioria dos meios de comunicação, Televisões em especial, são hoje um instrumento de domínio das consciências, quase sempre pago com o dinheiro dos manipulados.
O papel de informação e formação que os meios de comunicação social deveriam ter inverteu-se para promover a mentira, a desinformação, a "distração" e a deformação.


Diz a Constituição da República que:
"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão..."
"Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações".
"O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura".
"A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião."
É isto que se impõe.

29 outubro 2015

Oposição? Quem é a oposição?

Mudaram as maiorias, não mudaram os "fazedores de opinião"

É preciso insistir, de forma simples e clara, para que a direita, os comentadores e jornalistas não consigam continuar a confundir os telespectadores.

Os factos:
A direita, perdeu a maioria. Teve, menos votos e menos deputados que a esquerda.

Se considerarmos oposição, quem se opõe à maioria, a esquerda tem mais votos, e mais deputados na Assembleia da Republica. A oposição é a direita.

Na base desta mudança está a mudança que o PS anunciou na campanha eleitoral, de não continuar a apoiar a política de direita. Isso abriu a possibilidade de unir a esquerda.
O povo votou na mudança e retirou a maioria ao Governo do PSD+CDS.

O PCP de imediato tomou a iniciativa de propor ao PS a formação do Governo. BE fez o mesmo.
A direita, sem a maioria, está apavorada, e tenta manipular.
Até já promove manifestações de rua.


O papel das Televisões

Os Governos montaram uma poderosa máquina ideológica na comunicação social, em especial nas Televisões, para ludibriar e fazer campanha ideológica da direita.
Encheram-se de comentadores e jornalistas de direita, conservadores, agora, cada vez mais agressivos na defesa dos argumentos do Governo PSD/CDS.

A esquerda, tem urgentemente que tomar medidas para defender a democracia, a liberdade de expressão e a sanidade pública.

25 outubro 2015

Cavaco e seus comentadores

Que querem eles dizer? Estabilidade ou Instabilidade. Continuidade ou Mudança?
Querem confundir-nos?


Uma nota prévia:
O PS, depois da eleição de Costa e na campanha eleitoral, informou que não daria apoio à política de direita. Isso alterou muita coisa, incluindo a expressão do voto dos eleitores.

Cavaco, no desespero de querer voltar a colocar o seu partido no Governo, contra o resultado das eleições, mete medo aos portugueses com a instabilidade, que ele próprio criou ao indigitar Passos Coelho para formar um governo com apoio minoritário.
Antes das eleições disse que só empossaria um Governo que desse garantias de estabilidade e acabou, depois das eleições, por decidir empossar a Coligação do seu partido, em minoria. Portanto sem garantir a estabilidade que o País precisa.
Logo vieram às Televisões,  jornais e os comentadores da falange ao serviço de Cavaco, lançar a confusão entre estabilidade e instabilidade argumentando que a maioria dos deputados constituída por PS+BE+PCP+PEV não garantia a estabilidade.
O desenho que Cavaco e seus comentadores não querem perceber

Quem forma o Governo é a Assembleia da República

Pergunta-se muito simplesmente:
Se a maioria dos deputados não garante a estabilidade como é que a minoria garante?
Não faltaram argumentos imbecis. Os  principais são dois, que estão interligados:
- Os partidos da esquerda ainda não apresentaram um documento que garanta a estabilidade e,
- Não está garantida que essa estabilidade seja para quatro anos.
Esta dúvida, que parece rasoável, é, na verdade, muito capciosa, falsa e enganadora. Porquê?
Se aplicarmos a mesma pergunta ao partido de Cavaco, a dúvida fica desfeita:
- A coligação, que está em minoria, não tem nem terá um documento que garanta a estabilidade porque a maioria dos deputados já declarou que não o aceita.
- Não o aceita hoje, o que fará cair o Governo e, portanto, nem para amanhã quanto mais para quatro anos. Como garantem a estabilidade?
Pelo lado da coligação, do "presidente da república", o caso estará arrumado se os deputados dos partidos de esquerda, em maioria, cumprirem o que anunciaram aos eleitores. O Governo cai e lá se vai a estabilidade da cadeira onde Cavaco se apoia.

As confusões para enganar

Mas então onde estão as confusões que Cavaco e comentadores, querem criar?
São também claras se recordarmos o (miserável, criminoso, e antipatriótico) discurso de Cavaco Silva.
A confusão que ele quer lançar aos portugueses é que pensem em Estabilidade quando ele pensa em Continuidade. Rima mas não são a mesma coisa. Ele e os seus falangistas comentadores, não podem falar de Continuidade porque é evidente que as eleições traduziram a vontade de Mudança. Por isso tentam baralhar com a Estabilidade. As referências que faz à nossa submissão à Europa, aos tratados europeus e aos "mercados" mostra exactamente o que Cavaco quer. Mas... o seu problema é que, o que ele quer, não foi aceite pelos portugueses, que votaram pela mudança.
 
Gato escondido com rabo de fora!

Não é a Estabilidade que ele, Cavaco, quer para o Governo, mas simplesmente a Continuidade das políticas de empobrecimento, de austeridade como lhe chamam, para continuarem a roubar os salários dos trabalhadores, as pensões, para dar esse dinheiro aos Bancos, aos "mercados" e, portanto, aos que cada vez estão mais ricos à custa do continuado aumento da pobreza dos portugueses.
Esse Cavaco que, no Governo, destruiu a nossa Agricultura, as Pescas, a Indústria, as Empresas nacionais para as entregar aos ricos da Europa, a quem temos que comprar o que precisamos, quer agora que o seu partido continue a fazer o mesmo com o argumento de termos que nos submeter aos "mercados" e decisões que os portugueses nunca votaram, porque eles impediram que fossem referendadas.

Esse Cavaco e os seus falangistas de comentadores instalados e bem pagos nas Televisões, querem que os portugueses, que votaram pela Mudança, sejam obrigados a aceitar a Continuidade desta política de desastre.

Concluindo:
A Continuidade que eles não se atrevem a nomear foi firmemente regeitada pelos portugueses que, nas eleições de 4 de outubro, retiraram a maioria à coligação PSD+CDS e deram-na aos partidos de esquerda, que assim estão em melhores condições para garantir a estabilidade e a mudança que os portugueses desejam.

15 outubro 2015

Notas sobre os resultados das eleições (II)

Os contos da carochinha que os eleitores enterraram

Na publicação anterior fez-se um ensaio sobre a expressão dos resultados eleitorais e também da abstenção.

Nestes dias, saudavelmente agitados pelo debate democrático, a direita, que tem a capacidade de dominar a comunicação social privada (quase toda), tem tornado pública uma campanha para amedrontar os portugueses que votaram maioritariamente por políticas de esquerda e, mais expressivamente, contra a política de austeridade desenvolvida pela coligação PSD/CDS.

Ainda no tempo da “outra senhora” se contavam contos que moldaram as consciências. Quase todos contos de terror, do Inferno e seus Diabos, de injecções atrás da orelha, de criancinhas comidas ao pequeno almoço e outros do mesmo estilo. Para muitos esses contos poderiam parecer de atrasados mentais. No entanto a panóplia era muito variada e estava ajustada para entrar nos mais variados cérebros.

Depois da Revolução do 25 de Abril de 1974, muitos desses contos ficaram adormecidos face à dinâmica desses tempos. No entanto a direita, a contra revolução, aguardava a oportunidade de ir ao sótão buscar as velhas arcas dos contos de Salazar, António Ferro (e sua Política do Espírito), e outros Goebbels, mais ou menos modernos.

Com as devidas adaptações, apoiados pelo IV Poder, a Comunicação Social, voltaram esses Goebbels a acordar os medos escondidos nos subconscientes dos vários estratos sociais. A pobreza, cada vez mais acentuada, o desemprego, a instabilidade, o pessimismo quanto ao futuro, foram entre outros o caldo onde seriam refugados os contos antigos, para que fossem bem ingeridos. Aos poucos foram fervendo preconceitos que temperaram a propaganda de papas e bolos destes últimos 40 anos. As recentes eleições foram ricas em exemplos. Nesta ementa a ordem de entrada na panela é arbitrária.

Primeira estória: O “arco da governação”

O que está a acontecer pôs a nu as mentiras e a manipulação que a direita tentou nas eleições, condicionando o voto aos partidos do “arco da governação”, como se para além desta troika PSD, CDS e PS, nada mais houvesse. O avanço da Esquerda colocou em causa o conceito de "arco da governação". Esta estória do “arco da governação” está morta e enterrada.

Segunda estória: A bipolarização ou um jogo a dois

Decorrente do modelo “arco da governação” as eleições seriam para escolher um de dois: PS ou coligação. A Comunicação Social foi ao ponto de só ouvir Passos e Costa e só eles tiveram direito a primeiras páginas. A Televisão no canal generalista, o mais visto, apenas promoveu um debate entre os dois.
A derrota da direita e a ausência duma maioria absoluta, desmascarou a ficção deste conto.

Terceira estória: As eleições para primeiro ministro

É fácil de ver que este contos de fadas envolve a mesma ideia cujos resultados pretendem ser a alternância entre, sempre os mesmos. Apesar de criado o engano das eleições para Primeiro Ministro, ou para o governo, a realidade mostrou que são os deputados eleitos de todos os partidos que vão decidir. Mais um conto que foi arrumado na arca das velharias.

Quarta estória: O voto “útil”

Na continuação da anterior, a comunicação social e comentadores de serviço, apoiados nas “sondagens” estimularam o combate entre os dois principais partidos. Estímulo acompanhado de ingredientes como o “arco da governação” a bipolarização, as eleições para primeiro ministro. Também esta estória foi desmascarada pelos acontecimentos que mostraram as eleições são para eleger deputados e são os deputados que decidem qual o governo a formar.

Quinta estória: Fantasmas e papões

Mais que uma estória da carochinha “Fantasmas e Papões é um livro de contos. … “um entendimento entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, seria um absurdo”, uma “batota política”, “um assalto ao poder”, “uma revolução”, “um mergulho no desconhecido”; a “instauração da miséria”, uma “irresponsabilidade antieuropeísta”, um “pandemónio ingovernável”, uma “aberração”, uma “vergonha nacional”, um alvo da “chacota internacional”, “mudar as regras e a tradição”, “uma conspiração”, um “delírio”, a “restauração do gonçalvismo”, “um golpe de Estado” e muitas outras que os jornalistas e comentadores inventaram. Uma evidente chantagem, que ainda não terminou para manter no governo a coligação que foi fortemente condenada pelos eleitores.

Sexta estória: O prestígio de Portugal na Europa

Cavaco, o mais desprestigiado presidente que a democracia teve, o máximo expoente do ridículo, invoca que uma maioria de esquerda desprestigia de Portugal. Para Cavaco e Passos, o prestígio de Portugal no estrangeiro é a submissão do país a Merkel, ao Junker, (a Durão Barroso que continua a conspirar) e aos “mercados”. Agora, que tiveram uma derrota estrondosa, com os piores resultados de há muitos anos, mais uma vez, estala o verniz e caem as máscaras dos que se dizem defensores da democracia, do diálogo e concertação. Perante a possibilidade de serem afastados do poder que não largam há quase 40 anos querem amedrontar com ameaças externas. Desprestigio foram as políticas que causaram o desemprego, o aumento da dívida externa, a pobreza, a corrupção dos governantes e de altos cargos políticos. Prestigiar Portugal é corrigir os erros desta política, só possível com um governo de esquerda.

Sétima estória: A estabilidade ameaçada

Novamente uma estória de medo assente nos preconceitos antigos da Política do Espírito de António Ferro. A direita não quer admitir que perdeu e que em Democracia há alternativas que defendem o país e os portugueses. A direita sabe que foi a sua política que acentuou as injustiças sociais e que desestabilizou.
Passos Coelho, agarra-se desesperadamente a Cavaco Silva que há muito perdeu a vergonha e exerce os poderes de Presidente da República para servir interesses partidários. Isso e violar a Constituição, é que desestabiliza. Cavaco que tentou influenciar as eleições com os apelos à maioria absoluta, não a teve por vontade dos portugueses. Ao contrário as eleições geraram uma maioria de esquerda que permite a estabilidade. PSD e CDS, tiveram uma grande derrota e para governar precisam de apoios. Onde estão eles?

Oitava estória: Os exemplos da Europa

Cavaco, agora “esqueceu-se” que a Europa, tem governos formados por partidos minoritários mas que estabeleceram consensos entre si para garantir a estabilidade no Parlamento. Independentemente dos exemplos que Cavaco esquece o nosso sistema político tem o Parlamento como centro. O povo elegeu deputados e é aos partidos que cabe negociar e chegar a um entendimento.

Nona estória: O partido com mais votos é que deve governar

Para além do que já se viu e dos exemplos europeus, quem manda é o povo e a vontade do povo foi a mudança de política expressa maioritariamente pelos votos nos vários partidos de esquerda.
Apesar da direita ter insistido que "a crise e a austeridade" estavam vencidas e ainda que tenham ganho votos com mais essa mentira, perderam mais de 700,000 votos. Ainda assim foram os que isoladamente tiveram mais votos. Por isso a direita, insiste numa outra mentira, de que quem "fica à frente" deve governar. Essa mentira cai pela base face à falta de apoio de um governo minoritário no Parlamento, apesar de ter “ficado à frente.”
O primeiro-ministro será quem tiver mais apoios e quem os deputados que elegemos quiserem.

Décima estória: Os comunistas empurram o PS para a direita

As declarações do BE, do PCP e do PEV mostram que ao contrário do que a direita do PS dizia, não é a esquerda que empurra o PS para a direita. Essa acusação feita principalmente ao PCP é desmentida face ao apoio para que o PS forme governo com uma política de esquerda consensual.

Décima primeira estória: A Europa connosco. A Europa é progresso para Portugal

Cada vez mais cidadãos, estão a descrer das promessas feitas com a entrada para a União Europeia e desejam uma mudança de política também na Europa. As desigualdades na Europa são cada vez maiores e muitos povos de países europeus desejam também mudanças de política.

Ficam muitas mais estórias por desmascarar. A vida se encarregará de trazer a verdade ao de cima.

05 outubro 2015

Resultados das eleições legislativas

Resultados... e o que vem a seguir.
Um balanço muito provisório

Nesta noite de insónias e do Aniversário da Implantação da República, todos os olhares se voltaram para a Televisão. Não para ver ou ouvir o Presidente da República que está muito ocupado, coitado, mas para ver e ouvir o que a Televisão, nos informava no meio de muito lixo tóxico. Como é habitual, manteve a sua estratégia de diminuir a esquerda continuando a lamber as botas da direita. São assim os Jornalistas que temos. Aproveitaram ou atrasaram a divulgação dos resultados onde a esquerda tem sempre mais votos, como é o caso de Lisboa, Setúbal e outros para, face aos resultados que chegavam das zonas mais conservadoras, manipular e esconder a vitória dos partidos de esquerda. Esta só viria a ser mais expressiva a altas horas da madrugada, com a maioria das pessoas a dormir.

O papel do "Quarto Poder"

A comunicação social conhecida como o Quarto Poder, acima dos poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi por isso, há muito “privatizada”, comprada pelos grandes grupos financeiros. Quarto poder que exerce a sua ditatorial função, arma do capital financeiro, para desinformar, manipular e enganar os menos atentos.
Foi esse poder, antidemocrático, que impôs que na Televisão em canal aberto, apenas se fizesse um debate entre Passos e Costa, esquecendo os outros. Foi esse poder ditatorial que impôs que nas primeiras páginas dos jornais só esses aparecessem. Foi esse quarto poder, face do poder do dinheiro, que levou jornalistas a escrever milhares de palavras, que desviaram a campanha para questões fúteis, esquecendo o fundamental e, fizeram dela um jogo de futebol, entre PAF(PSD/CDS) e o PS.

A bipolarização forçada

Assim construíram uma brutal bipolarização, fazendo crer a muita gente que só havia dois contendores, curiosamente, ambos com a mesma política: A direita, (direita do PSD/CDS) e a "esquerda" PS com a sua tradicional política de direita. Esse prato de lentilhas foi temperado com a falsa ideia de "voto útil" que Costa reconheceu que não foi suficiente para que o PS ultrapassasse o PAF.
Na realidade todos esses truques e armadilhas da Comunicação Social e Televisão não conseguiram evitar a subida dos partidos de esquerda e a descida dos partidos da direita. Mais uma vez a Comunicação Social levou a noite toda a tentar esconder isso e a continuar a intoxicar os cérebros menos defendidos.


Já hoje de madrugada procurei as declarações dos partidos. Do PS achei estranho que na sua página na Internet - Notícias e Diário da Campanha nada se refira aos resultados das eleições e nem sequer o discurso de Costa. Nada de oficial encontrei. Registei do que ouvi Costa dizer, que o PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social [que o serviu muito bem, digo eu] quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!. Desesperado apelo que a Comunicação Social tanto se esmerou a ampliar para que votos de esquerda fossem para o PS. Certamente tal esforço desesperado alguns resultados teve. Certamente muitos votos de esquerda de pessoas, ideologicamente mais débeis ou enganadas pelo "voto útil", foram desperdiçados no PS mostrando aquilo que a CDU vem tentando alertar: Votos úteis são apenas aqueles que não atraiçoam.

Objectivos e a realidade

Jerónimo de Sousa confirmou: «Não é possível deixar de assinalar que este resultado foi construído sob uma intensa campanha ideológica e de condicionamento eleitoral, de chantagem e medo».
Disse ainda: «a CDU reafirma a convicção de que a política patriótica e de esquerda que propomos para enfrentar e vencer os problemas nacionais, emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita - seja quais forem as arrumações que se vierem a revelar nos próximos dias – quer conduzir o país».
Na realidade, para estas eleições a CDU definiu 3 objectivos: aumentar votos em relação a 2011, subir em percentagem e ter mais deputados
Podemos dizer que foram objectivos modestos mas, como se confirmou, foram objectivos realistas como é timbre do PCP e da CDU. Foi pequeno o avanço, mas foi um avanço.
Para que não se prolongue o sofrimento do povo e não se acentue o declínio do País talvez fosse bom sermos mais ambiciosos. Para isso, é sobretudo preciso vencer este “quarto poder” antidemocrático, o monstro em que se está a tornar a Comunicação Social e que impede o povo de reflectir livremente sem preconceitos, medos e chantagens.

A possível maioria de esquerda

Passadas estas eleições, António Costa, vencido e, ao contrário do que o BE e PCP já disseram, parece querer entregar-se, (se não era essa a intenção) nas mãos da direita, admitindo deixar passar o governo do PSD/CDS.
Esta doença dos partidos chamados do "arco da governação" é incurável e faz com que António Costa, que durante a campanha várias vezes insistiu em que a direita não tinha com quem dialogar, e que o PS tinha, vá dialogar com a direita esquecendo os partidos em ascensão, BE e PCP-PEV.
Não deixemos que nos iludam. Recordemos que PS, CDU, BE, representam mais de 50% dos eleitores e a maioria na Assembleia da República. As soluções estão agora nas mão do PS que, se quiser fazer uma política de ruptura com a direita, como chegou a prometer, tem a oportunidade de não viabilizar um governo de direita e enveredar por uma política que possa ter o apoio da esquerda. O resto se verá.

02 outubro 2015

Concatena, filho, concatena...

O papel da Televisão (e da Comunicação Social) na bipolarização, ou na alternância disfarçada de alternativa.

No texto aqui ontem publicado, o jornalista Presidente da Presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, ao analisar o que a Comunicação Social tem feito, mostrou:

«Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas».
Termina dizendo:
«...isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados...»

A analise poderia mostrar muitos mais truques que há 39 anos, manipulam as ideias e as consciências (em especial as mais fracas) dos eleitores.

Assim se fabricam ideias erradas e as ideias erradas produzem decisões erradas e as decisões erradas estragam a vida de muita gente. Por isso vem a propósito dizer:
Concatena, filho, concatena...

01 outubro 2015

Sobre a isenção da Comunicação Social


Como se comporta a Comunicação Social relativamente aos vários partidos?
Como influencia as eleições?


A esmagadora maioria da comunicação social tem no seu estatuto editorial a procura da isenção.
É isto que praticam?


O Jornal Público editou um artigo de Joaquim Vieira, jornalista e Presidente do Observatório de Imprensa, com o título "A Comunicação Social deixa transparecer alguma orientação partidária?"
 

Em subtítulo acrescenta:

Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança.

Começa João Vieira por alertar: «Para se falar de isenção dos media face aos partidos políticos, convém assentar num pressuposto: a isenção total, 100% pura, não existe. Qualquer trabalho jornalístico contém a marca deixada pela subjectividade com que o seu autor olha a realidade. O que existe são princípios de aproximação à isenção, a tentativa permanente de ser o mais imparcial e equilibrado possível (em contraposição com o chamado jornalismo de causas, no qual o jornalista assume claramente as suas opções e relata em função delas)».

Hipocrisia?


Continua João Vieira: «Esse esforço de isenção faz parte do estatuto editorial da esmagadora maioria dos media portugueses, pelo que devemos presumir que está em vigor (o mesmo já não direi de alguns dos seus jornalistas). Os nossos órgãos de informação nem sequer tomam posição editorial a favor de uma das candidaturas a eleições, ao contrário do que acontece em muitas outras democracias. Querem assim convencer-nos de que a independência é mesmo um dos seus apanágios».

O que querem que julguemos e o que são na realidade

Continuando, o Presidente do Observatório de Imprensa, diz-nos: «Uma análise mais fina e detalhada talvez permitisse outras conclusões (acredito, por exemplo, pelo que analisei na altura, que num outro diário de referência existiu mesmo uma "secção laranja", havendo nela quem depois fosse recompensado com confortáveis cargos no aparelho de Estado, tal como já antes tinha verificado a passagem directa de jornalistas para assessores de políticos eleitos cujas campanhas tinham acabado de cobrir). Mas o que quero aqui demonstrar é que, na realidade, essa independência não existe».

A alternância para que tudo fique na mesma

E prossegue: «Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas, os únicos a que toda a população tem acesso, ficando o resto, a existir, para o cabo, visto sobretudo pela classe média, mas só entre partidos com assento na legislatura cessante, sem inclusão sequer daqueles que as sondagens – tão acarinhadas pelos media – anunciam que entram no próximo parlamento».

As mentiras que enganam os eleitores

E assim conclui o Jornalista: «Dizem que o critério é "jornalístico", porque só um daqueles dois líderes pode vir a chefiar o Governo. Ora, isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados nas eleições de junho passado, mas sim do que ficou em terceiro lugar. Pelo critério dos media portugueses, ele não teria participado em nenhum debate pré-eleitoral para toda a audiência».

João Vieira
Presidente do Observatório de Imprensa

26 setembro 2015

Para refletirmos III

A "campanha negra"
Notas de um artigo de opinião de Carlos Gonçalves no Avante
 
« - As «sondagens», concebidas como armas de mistificação de massas para «fazer cabeças» e fabricar resultados nos media dominantes, que, quanto muito, indiciam tendências e nunca o «score» eleitoral, de que estão muito longe, já que as margens de erro, no caso da RTP, podem somar ou retirar a qualquer força dois por cento ... Não são sondagens, são palpites e manipulações da política de direita, para impor os «resultados convenientes"...»

«... As calúnias do Expresso à Festa, ou as agressões cobardes de quatro fascistas são expressão do seu medo de que este povo tome nas suas mãos o futuro do País».

«- As tretas dos protagonistas da política de direita, que falsificam todas as estatísticas e convergem, à beira de eleições, com a revisão reles do «rating» de Portugal pela Standard & Poors – a tal que abichou centenas de milhões com notificações falsas no Lemhan Brothers e que o próprio governo USA fez pagar 1,5 mil milhões de dólares para suspender um processo crime por fraude..

«São manobras da «campanha negra», insidiosa e perigosa...»

sublinhados meus.

31 agosto 2015

A festa do Avante e as FARC

Quem são os terroristas?

A comunicação social, que pouco fala da maior iniciativa política e cultural do país, volta novamente, como no ano passado, a interessar-se pela presença de representantes das FARC na Festa do Avante.

Foi notícia o facto do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, ter admitido a presença na festa do Avante de membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O embaixador colombiano em Lisboa, Plínio Mendoza, pediu explicações ao Governo português sobre a presença na festa do Avante de activistas das FARC, uma organização classificada como terrorista pela União Europeia.
Jerónimo de Sousa disse que o PCP tem "uma concepção diferente de terrorismo" comparativamente à UE e Estados Unidos.
O terrorismo dos poderosos
Os que dominam, os que exploram, o imperialismo, considera terroristas os que se opõem à sua política mas, apoia como "libertadores" os que lutam contra os que não se submetem aos Estados Unidos. A história recente mostra dezenas desses exemplos, desde a Al-Quaeda para lutar no Afeganistão, passando pelos que destruíram a Líbia , pela origem do Estado Islâmico até aos fascistas que derrubaram o Governo legítimo na Ucrânia, como Pinochet, como... como... recordemos ainda o apoio que os EUA dão a Israel para matar milhares de palestinianos inocentes. Todos esses "libertadores" matam e destroem países como o Iraque e a Líbia (para não falar do Vietname). Os próprios EUA são mais terroristas que todos os terroristas juntos quando, "à lei da bomba", matam milhões de pessoas inocentes, mulheres, crianças e velhos em todos esses países. Os Estados Unidos que usam bombas atómicas para destruir cidades como Hiroshima e Nagasaqui e pussuem o maior poderio apoiado nas mais violentas armas de destruição maciça no seu arsenal nuclear, para defender os seus próprios interesses e manter a supremacia, arrogam-se no direito de chamar terroristas a quem entendem. Para os Estados Unidos da América e União Europeia, terroristas são os que como Che Guevara, Fidel de Castro e tantos outros lutaram e lutam pela liberdade e independência.

As iniciativas para o diálogo
As FARC têm feito inúmeras tentativas de diálogo com o Governo da Colômbia. Promoveu à quase três anos, os chamados "Diálogos de Paz de Havana que ainda decorrem. Pela segunda vez, este ano decretaram o cessar-fogo unilateral em todas as frentes de combate, apesar de não ter sido feito o mesmo pelo exército colombiano. Estes gestos de paz, foram anteriormente interrompidos quando o governo, ignorando esta boa vontade, bombardeou acampamentos da guerrilha.
O presidente Juan Manuel Santos, considerou, agora, positivo o cessar-fogo mas, apenas prometeu uma «desescalada das ações militares» do Exercito colombiano e ameaçou pôr termo aos diálogos de paz de Havana. Ainda assim o presidente colombiano admitiu, pela primeira vez, um cessar-fogo definitivo antes da assinatura de um acordo de paz que assinalaria o fim de 50 anos de um conflito em que pereceram milhões de colombianos. O respeito pelo cessar-fogo será acompanhado por um representante da ONU e outro da UNASUR. Estas promessas de Juan Manuel Santos, não são seguras tendo em atenção o seu passado de ter concebido e organizado, com a colaboração da CIA e da MOSSAD, o bombardeamento pirata do acampamento do comandante Raul Reyes, no Equador.

Agora, Jerónimo de Sousa disse aos jornalistas que, apesar da forma de intervenção das FARC, existe uma "grande solidariedade" com o movimento porque "a maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania, à sua liberdade" afirmou. Quem não cumpre os Direitos Humanos é o Estado Colombiano como, reconhecidamente os EUA. Jerónimo de Sousa deplorou a iniciativa do diplomata colombiano, retorquindo que caberia ao embaixador da Colômbia "dar contas das razões que levam ao assassinato, por exemplo de 70 sindicalistas comunistas, atitudes terroristas contra o movimento sindical". Disse ainda "Pensamos que esta operação e esta deriva em relação à nossa festa procura esconder a responsabilidade deste Governo em relação a actos de terrorismo de Estado, designadamente em relação à facilidade que permitiu que em território nacional se cometam como os voos da CIA, transportando prisioneiros à revelia do Direito Internacional".

De facto o PCP, tem uma concepção diferente. Para os EUA, UE, e neste caso também a Colômbia, que não cumprem a Declaração Universal dos Direitos do Homem, os terroristas são os que se querem libertar da exploração dos monopólios.

29 agosto 2015

Comentário

A censura dissimulada
  
A grande maioria dos textos aqui publicados tem merecido comentários dos leitores. Todos eles são estimulantes. A propósito do texto publicado no dia 24, um dos comentários complementa, de uma forma muito simples e resumida, o assunto tratado. Creio que vale a pena destaca-lo. Com os agradecimentos ao autor, aqui vai:
A maioria das pessoas ainda não descobriram e muito menos tomaram consciência, de que a liberdade presentemente é uma farsa, que sob a capa da democracia esconde de forma manhosa e sorrateira a censura.
Os eleitores, mesmo os filiados e que militam nos partidos, ainda não compreenderam que a censura moderna, sofisticada e mais cínica e perversa, adulterou a liberdade, anulando-a.
Efectivamente a liberdade actual está esvaziada de conteúdo pelo ardil astucioso das máfias ao serviço do grande capital.
Os Órgãos de Comunicação Social, que na sua maioria, são propriedade encapotada do grande capital, passaram a ser as grandes fábricas da censura, através da manipulação, tanto activa como passiva, praticada a uma escala global. 

27 agosto 2015

Censura

Os órgãos de informação escondem as responsabilidades das tragédias

As tragédias que envolvem alguns milhões de pessoas e centenas de milhar de refugiados, são fruto das guerras que a NATO, a mando dos Estados Unidos da América, com a colaboração da União Europeia, fizeram no Médio Oriente, que arrasaram países inteiros como foi o caso, entre outros, da Líbia. Recorde-se que, em 2012, a Líbia tinha o segundo melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) da África e o quinto maior produto interno bruto (PIB) (em paridade do poder de compra) per capita do continente (em 2009), atrás da Guiné Equatorial, das Seychelles, do Gabão e do Botswana. A Líbia tem uma das 10 maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e a 17.ª maior produção petrolífera (dados da Wikipédia).
Como a história tem mostrado, os EUA, promovem as guerras civis contra os governos que não se submetem às suas exigências, ou financiam e armam terroristas, criando o pretexto para a sua intervenção e domínio de países através da colocação de governos fantoches e ditaduras (como de Pinochet, e agora na Ucrânia).
É isto que as Televisões, Jornais e jornalistas, têm medo, ou estão proibidos, de dizer.
Ver ainda:
http://c-de.blogspot.pt/2011/03/guerra-no-libano.html
http://c-de.blogspot.pt/#uds-search-results



25 agosto 2015

A Lei do Funil

A direita faz batota. Trapaceiros

A lei do funil é uma das principais leis porque se regem os políticos de direita. O lado largo do funil voltado para a direita e o estreito para a esquerda. 

Fazer batota, ou trapaça, significa usar de vantagem ilegítima ou indevida para ultrapassar parceiros ou competidores. Não cumprimento das regras de um jogo, de maneira que outro ou outros jogadores não se apercebam.

Em Comunicado, de ontem, 24 de agosto, de que se faz uma síntese, a CDU – Coligação Democrática Unitária – manifestou:
- a sua disponibilidade para estar presente, em pé de igualdade, nos debates e "frente a frente" com as forças políticas que estejam dispostas a participar.  Assim no "frente a frente" com a Coligação PSD/CDS em que participará o líder do segundo partido da coligação, a CDU participará também com o líder do segundo partido Heloísa Apolónia em representação do PEV.
Resumidamente, a CDU sublinhou:
 - Desde a primeira reunião, das três realizadas com a sua participação, o PCP manifestou inteira abertura e interesse na concretização de uma solução que assegurasse o conjunto de debates que permitisse o pleno esclarecimento e o desejável confronto de projectos e posicionamentos em discussão nas eleições legislativas de 4 de Outubro.
- É falso o que dizem o CDS e PSD, o PCP tenha vetado a participação do CDS nos debates.
- Para o PCP só são aceitáveis dois critérios objectivos:
 - o da participação nos debates de 4 candidaturas (CDU, PaF, BE e PS) ou,
- ou dos seis partidos com representação parlamentar (PSD e CDS, PCP e PEV, PS e BE).

Duma forma manhosa, desonesta, a coligação PSD/CDS-PP queria o privilégio de ter dois representantes e a CDU apenas um.
Qualquer pessoa honesta compreende que:
- Se a Coligação PSD/CDS quer ter dois representantes nos debates, por ter dois partidos, também a CDU deve ter dois representantes uma vez que também tem dois partidos, o PCP e o PEV.
Quem se opôs à solução de haver representantes dos partidos foram PS e BE que concorrem isolados.
Esclarecida a questão do número de representantes, por Coligação ou por Partidos, as televisões prepararam nova armadilha:
- Realizar programas “frente a frente” com Passos Coelho e António Costa, nos principais canais, deixando de fora os outros partidos que apenas falariam nos canais cabo, com muito pouca audiência.

No comunicado da CDU, recorda que a nova legislação sobre cobertura jornalística de campanhas eleitorais foi cozinhada entre PS, PSD e CDS contra os votos do PCP e PEV. No entanto os três partidos da troika aprovaram a legislação que está a dar estes problemas. Não acusem a CDU de querer um tratamento igual, lá porque eles tentam aplicar a Lei do Funil.

24 agosto 2015

Teoria da Conspiração

A censura dissimulada

Do blog Mundo Cão retirei as seguintes notas:
A «chamada teoria da conspiração, é uma maneira de colar o mesmo rótulo de descrédito em denúncias fundamentadas sobre assuntos importantes mal contados por quem nos governa…/… Trata-se de uma manobra insidiosa para invalidar o contraditório, para amarrar a opinião pública a uma explicação única e definitiva das coisas em vez de a por a reflectir sobre as realidades que nos cercam. É interessante, por exemplo, que haja jornalistas a colaborar nesta mistificação mesmo sabendo – ou devendo saber – que estão a enviar para o grupo dos aldrabões e lunáticos os seus camaradas de profissão que fazem o que têm a fazer: investigar, procurar verdades, sobretudo quando são escondidas».

De facto a facilidade com que se aplica o rótulo de “teoria da conspiração” mostra a cobardia de quem não tem argumentos e quer fugir ao debate dos assuntos.
Questões como «…o golpe na Ucrânia ter conduzido a um governo fascista, ou a possibilidade de o MH 17 não ter sido derrubado por um míssil russo, ou a circunstância de haver produtos comercializados pela multinacional Monsanto que envenenam pessoas e o planeta, ou a invasão do Iraque ter sido baseada num chorrilho de mentiras, ou o neoliberalismo existir e ter criado a crise como regime global…» são assuntos proibidos e censurados pela comunicação social. Proibidos e censurados porquê? Por isso mesmo. Por serem incómodos para quem os censura.

A pluralidade de opiniões
Quando Ford lançou a fabricação de automóveis em série, alguem lhe perguntou se se podia escolher a cor do carro.
Ele respondeu:
Qualquer um pode escolher a cor desde que seja o preto.

Alguns dos comentadores e politólogos da "cassete" do pensamento único. Na foto não se vêm as palas que têm no cérebro, 

Não sendo a censura feita da mesma forma que Salazar fazia, esta censura actual, na Televisão e na generalidade dos meios de comunicação, o que é facto é que tem exactamente os mesmos efeitos, esconder o que não lhes interessa mas, agora, de forma ainda é mais enganadora.
No fascismo ninguém, nem os próprios fascistas, escondiam que havia censura. Por isso, quando líamos um jornal estávamos prevenidos. Agora nesta chamada “democracia”, onde a maioria das liberdades têm que ser compradas por muito dinheiro, a censura, a manipulação das ideias, a deturpação e omissão dos factos, está escondida por uma falsa capa de liberdade de informação. E quando alguém quer fazer uso da sua liberdade e direito de pôr em dúvida, essas “verdades” falsas, logo é apelidado de promotor da “teoria da conspiração” e, o mais grave, é silenciado sem que tenha oportunidade de demonstrar a sua "teoria".

 «Quando exercícios deste tipo se realizam com a participação de centrais de propaganda como por exemplo as que servem as estratégias desenhadas pelo Grupo de Bilderberg percebe-se que neles nada há de inocente. Tais órgãos justificam, nesta matéria, o porquê de se auto intitularem “meios de referência”. De facto, basta-lhes seguir o rasto para se conhecerem, passo a passo, as tendências dominantes de quem segue as regras de manipulação e intoxicação dos cidadãos ao serviço do regime único».

O país vai muito bem, o mundo nunca esteve melhor e, quem disser o contrário é “conspirador” e usa a “teoria da conspiração.

O artigo de onde foram retiradas as notas assinaladas, pode ser visto aqui.

05 agosto 2015

A pátria em acentuada decadência

Ainda há quem lute e não desista

No passado 31 Julho, Baptista Bastos escreveu no Jornal de Negócios uma crónica, que é importante conhecer.
Começa B.B. por acentuar o papel de desinformação da nossa Comunicação dita Social. «Se quiser saber o que realmente ocorre, tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo». 

O colonialismo ideológico

A esse propósito também o Papa Francisco disse que «A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico». Por muito que "comentadores e politólogos" tentem disfarçar, são eles próprios, que o confirmam pelas constantes mentiras com que procuram defender esta política, de direita. Muito mais disse o Papa. Por isso, não agradou a esta direita que coloniza os meios de comunicação. Os jornais e a Televisão escondem tanto quanto podem, quem, contra corrente, tem a coragem de dizer a verdade.

A realidade não pode ser desmentida

Por isso não estranhamos que, um estudo da Marktest sobre o tempo de antena dado pelos maiores canais de televisão, tenha mostrado que «os comunistas são, entre todos os partidos com assento parlamentar, à exceção do Partido Ecologista Os Verdes, os que menos ocupam as atenções mediáticas». Por outras palavras: Os comunistas, como outros já referidos, incomodam, agitam as águas podres deste charco em que esta política de direita, há 39 anos vem transformando o país. Muito gostariam os colonizadores que não existisse o Partido Comunista, nem que homens sérios "colocassem a boca no trombone" uma vez que os microfones e câmaras de Televisão já a Censura do poder controla.

Adormecimento e pensamento único

Baptista Bastos não é "um qualquer" como os que vão à Televisão fazer o frete ao governo. Baptista Bastos não rasteja aos pés dos "colonizadores" - para utilizar as palavras do Papa - como rastejam os sabujos, os repugnantes seres, sem espinha dorsal, que lambem as botas dos seus patrões donos dos Orgãos de Comunicação Social, a troco de umas benesses. B.B. aponta «O universo de embuste criado com o "empobrecimento" da população; a "austeridade" imposta por uma ideologia que ignora as características, a cultura e a História do país». Mostra a «apatia de desistência», planeada, para que este povo se vá habituando a ser explorado sem refilar. Tal como no fascismo, Batista Bastos evidencia que faz parte desta política de direita o adormecimento das mentalidades. Para isso, estes colonizadores, com a cumplicidade dos que dizendo-se de esquerda, sempre abriram o caminho à direita, inoculam os analgésicos «o fetiche do futebol; as revistas cor-de-rosa» acompanhado das drogas que Televisões e Jornais injectam a toda a hora nos portugueses que ainda procuram conhecer o que se passa neste país e no mundo.

Os que não se vergam

Para quem a verdade é um valor, como diz Baptista Bastos «É penoso ler a imprensa dita de "referência", estafada em desaforar o leitor dos grandes problemas nacionais e internacionais». Dá como exemplo o caso da Grécia e o que tem sido dito, para concluir «No ponto da situação, há uma luta de classes e de poder que pode arrastar a Europa para um abismo profundíssimo. A questão é que deixou de existir analistas que, pedagogicamente, explicassem o que está em jogo, e os perigos decorrentes de uma Europa atrozmente desunida, que não passa de uma cabisbaixa serventuária da Alemanha». "Sem papas na língua" e com lucidez, B.B. termina a sua crónica dizendo: «Na discórdia europeia, Passos Coelho colocou-se, obediente e sabujo, ao lado de Angela Merkel, tal como, anteriormente, o fizera José Sócrates. Nesta parada de serviçais, não o esqueçamos, o único partido que sempre recalcitrou foi, e tem sido, o PCP. Goste-se ou não, os comunistas portugueses têm pelejado contra a subserviência dos nossos governos e alertado para a urgente necessidade de Portugal sair desta Europa defeituosa. Nada desta problemática é tratada, com a seriedade exigida, pelos órgãos de comunicação sociais. Se quiser saber o que realmente ocorre tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo. Este reino cadaveroso está envolvido num lamaçal de condescendências e de cumplicidades, que afecta a própria alma do que somos. "Um fraco rei faz fraca as fortes gentes", disse-o o Poeta, melhor do que ninguém».

Não deixemos que enfraqueçam a força do povo e, por todos os meios ao nosso alcance, façamos com que a Comunicação dita Social, não continue a deformar as nossas consciências. Comuniquemos!

28 julho 2015

30 anos em rodagem

O trampolim do Marketing

0 Expresso publicou, revista-2230, um artigo que considero de grande interesse analisar. É um trabalho importante de Ângela Silva sobre a vida do político Cavaco Silva. “30 anos em rodagem”. Não devemos desconhecê-lo. (Ver aqui) 
Este trabalho de Ângela Silva mostra como se fabrica um político que, defendendo interesses contra o povo, contra o país, consegue que o povo e o país o elevem a Presidente da República e o mantenham nos píncaros da política durante 30 anos.


O bom aluno


Isto deve levar-nos a reflectir no que falta a políticos que defendem o povo e o país para que, não consigam o suficiente para que, este povo e este país, reconheça os erros que têm cometido ao eleger quem não os defende.
Leva-me também a reflectir no poder que, as técnicas da comunicação e outras ciências como o marketing político podem ter para que prevaleça a mentira sobre a verdade.

A transformação da mentira 


Por último fico a pensar que, sendo mais fácil convencer com a verdade do que com a mentira, o que é que nos falta para que não sejamos capazes de mostrar ao povo, tantas vezes enganado, quem, verdadeiramente, defende os interesses que os outros, mentido com habilidade, dizem defender?

Sabemos que a direita têm o controlo da Comunicação dita Social. Sabemos que a cultura "das massas" tem sido adulterada por preconceitos transmitidos ao longo de gerações. Mas também sabemos que a mentira “tem perna curta” e, mesmo com as ajudas de trampolins da Comunicação Social e Marketing, a verdade pode ter muita força se for devidamente transmitida.

Como amantes da verdade, mas também do progresso, da Técnica e da Ciência, utilizemo-las com inteligência, com assertividade e eficácia.  Isso também se aprende. Num combate tão desigual não cultivemos a ignorância nem utilizemos pedras ou fisgas, para combater espingardas.

Ainda mais dois destaques do trabalho de Ângela Silva:

Como tudo começou, sempre as ajudas do PS...
... e como acaba


17 julho 2015

As Palavras e os Fatos

Portugal e as soluções europeias

A Televisão continua a querer formatar os cérebros dos portugueses. Em mais de 90% das informações e dos comentadores que escolhe, considera que apenas existem três partidos em Portugal. São os partidos das "soluções europeias", mais conhecidos pela troika portuguesa.
A justificação que esses atores dão, é que apenas esses partidos são do “arco da governação” ou como agora dizem “o PCP e o BE colocam-se fora de qualquer solução governativa”. E como dizem isso, sem respeitar a vontade do povo português, quer antecipando o resultado das eleições, quer ditando o que é “solução governativa”, tudo fazem para que esses partidos não contem, não sejam ouvidos.

A censura encapotada

Nos debates quase que só falam da disputa entre PS e PSD, ainda que a política não seja muito diferente. E assim vão roubando aos portugueses a informação de outras propostas e outras soluções para a política em Portugal.
E, nos debates que promovem evitam que esteja algum comunista para desmentir as suas afirmações.
Explicam também que a solução governativa é a que é ditada pela troika. Na Grécia o povo, quer nas eleições, quer em referendo mostrou que não quer mais essas “soluções governativas”. Então porque é que a televisão e os comentadores que escolhe, não aceitam democraticamente que o povo português venha a rejeitar essa “solução governativa”?
Vejamos então o que tem sido a “solução governativa” do PS, PSD e CDS (os tais que eles dizer do “arco do poder”.

Das palavras e dos atos passemos aos fatos

Essa “solução governativa” que defendem esses partidos conduziu Portugal para os níveis do século passado.
O estudo «Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspectivas», revela que o nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25 por cento abaixo da média europeia. E os autores do estudo coordenado pelo economista Augusto Mateus, antigo ministro da Economia (1996-97) e secretário de Estado da Indústria (1995-96) no Governo PS liderado por António Guterres, são insuspeitos quanto à sua ligação justamente aos partidos chamados do “arco do poder” que governam Portugal há 38 anos.

Agricultura e indústria destruídas

Esse mesmo estudo revela muitos outros dados que o PCP e o BE, (os tais que estão fora da solução governativa que a Televisão e os comentadores classificaram sem esperar pela expressão da vontade do povo português), já tinham apontado sem que isso fosse devidamente divulgado. Revela também que desde a integração europeia, a nossa indústria caiu dez pontos percentuais, e a agricultura em geral passou de oito por cento, em 1986, para apenas dois por cento actualmente.
O estudo informa ainda que a degradação das condições de trabalho, subiu em 50% relativamente a 1986 com o número de precários de 700 mil. Por isso, reconhecem eles, a precariedade do trabalho em Portugal é a terceira mais elevada da União Europeia e, a emigração ocupa o primeiro lugar, com mais de cinco milhões de portugueses que tiveram que abandonar o país para trabalhar fora.

Os portugueses trabalham pouco?

Creio estar estafada a acusação de que os portugueses trabalham pouco. No entanto não é demais referir que o estudo feito revela que Portugal é um dos países da OCDE com mais horas de trabalho em 2014. Os trabalhadores portugueses têm vindo a aumentar as horas de trabalho, muitas vezes sem as receber, embora o desemprego se mantenha num dos mais elevados. Os portugueses trabalham mais 486 horas anuais do que os alemães e menos 185 horas do que os gregos. Justamente os países que são mais explorados nesta “Europa da Coesão Social”.

A verdade começa a vir ao cimo

Todos sabemos, e eles também, que a Televisão influencia muito a forma de pensar do povo. Por isso o esforço que fazem para silenciar, para evitar que algum comunista vá à televisão defender os seus pontos de vista. É esta a sua democracia e a democracia deste sistema que tem na mão quase todos os meios de comunicação. Contudo tenho vindo a verificar que nos jornais, muitos jornalistas já se atrevem a defender soluções e opiniões que a Televisão considera estarem fora das soluções governativas. Tenho lido muitos artigos que, finalmente reconhecem a razão de muitos dos avisos que o PCP tentou lançar, mas na maioria cortados pela “censura”. Alguns já aqui foram reproduzidos, de tempos de antena que a Televisão não pôde cortar.