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28 agosto 2025

Valerie Zink mostra que a Reuters veicula a propaganda de Israel

Nos últimos oito anos, trabalhei como correspondente da agência noticiosa Reuters. As minhas fotos, cobrindo histórias nas províncias das pradarias, foram publicadas pelo New York Times, Al Jazeera e outros órgãos de comunicação social na América do Norte, Ásia, Europa e noutros locais. Neste momento, é-me impossível manter uma relação com a Reuters, dado o seu papel na justificação do assassinato sistemático de jornalistas (245) por Israel em Gaza. Devo aos meus colegas da Palestina pelo menos isso, e muito mais.

Quando Israel assassinou Anas Al-Sharif, juntamente com toda a equipa da Al-Jazira na Cidade de Gaza, a 10 de agosto, a Reuters optou por publicar a alegação completamente infundada de Israel de que Al-Sharif era um agente do Hamas — uma das inúmeras mentiras que meios de comunicação como a Reuters têm repetido. A Reuters veicula a propaganda israelita e não confia nos seus próprios repórteres quanto ao genocídio israelita. Mais cinco jornalistas, incluindo o operador de câmara da Reuters, Hossam Al-Masri, estavam entre as 20 pessoas mortas esta manhã noutro ataque ao Hospital Nasser. Foi o que se conhece como um ataque de "tiro duplo", em que Israel bombardeia um alvo civil, como uma escola ou um hospital, depois aguarda a chegada de médicos, socorristas e jornalistas e ataca novamente o local para matar os socorristas e jornalistas.

Como afirmou Jeremy Scahill, do Drop Site News: "Todos os grandes meios de comunicação, do New York Times ao Washington Post, da AP à Reuters, serviram de cadeia de abastecimento para a propaganda israelita, lavando crimes de guerra e desumanizando vítimas, abandonando os seus colegas e o seu alegado compromisso de reportagens verdadeiras e éticas."

Os meios de comunicação ocidentais repetem as mentiras genocidas de Israel sem averiguar se têm alguma credibilidade.

O facto do trabalho de Anas Al-Sharif ter ganho um Prémio Pulitzer para a Reuters não os obrigou a defendê-lo quando as forças de ocupação israelitas o colocaram na lista negra de jornalistas. Não os obrigou a defendê-lo quando solicitou proteção aos meios de comunicação internacionais depois de um porta-voz militar israelita ter divulgado um vídeo que deixava clara a sua intenção de o assassinar após uma reportagem que tinha feito sobre a crescente fome (em Gaza). Não os obrigou a relatar honestamente a sua morte quando foi apanhado e morto semanas depois.

Valorizei o trabalho que tenho contribuído para a Reuters nos últimos oito anos, mas neste momento só consigo imaginar a utilização deste passe de imprensa com profunda vergonha e dor. Não sei o que significa começar a homenagear a coragem e o sacrifício dos jornalistas de Gaza — os mais corajosos e melhores da história —, mas, a partir de agora, vou dirigir o meu contributo ao seu serviço.

Fonte: Aqui 

29 agosto 2015

Comentário

A censura dissimulada
  
A grande maioria dos textos aqui publicados tem merecido comentários dos leitores. Todos eles são estimulantes. A propósito do texto publicado no dia 24, um dos comentários complementa, de uma forma muito simples e resumida, o assunto tratado. Creio que vale a pena destaca-lo. Com os agradecimentos ao autor, aqui vai:
A maioria das pessoas ainda não descobriram e muito menos tomaram consciência, de que a liberdade presentemente é uma farsa, que sob a capa da democracia esconde de forma manhosa e sorrateira a censura.
Os eleitores, mesmo os filiados e que militam nos partidos, ainda não compreenderam que a censura moderna, sofisticada e mais cínica e perversa, adulterou a liberdade, anulando-a.
Efectivamente a liberdade actual está esvaziada de conteúdo pelo ardil astucioso das máfias ao serviço do grande capital.
Os Órgãos de Comunicação Social, que na sua maioria, são propriedade encapotada do grande capital, passaram a ser as grandes fábricas da censura, através da manipulação, tanto activa como passiva, praticada a uma escala global. 

14 dezembro 2014

São todos iguais? Quem?

A estratégia da direita: "são todos iguais"

Quando a direita já não consegue esconder a corrupção, os roubos, as vigarices, características da sua forma de actuar e dos seus mentores que enriquecem, toca de espalhar por aí "são todos iguais".
Assim se todos roubam, se todos, são vigaristas, quer a direita dizer que roubar é um defeito humano, que ser vigarista é normal. São todos iguais. 
E, sendo assim, como se uma infelicidade que provém do Adão ter comido a maçã, nada há a fazer. E, ser nada há a fazer o melhor é ficar tudo na mesma. 

Vem isto a propósito da notícia do jornal «Público» sobre alegados donativos do BES/Novo Banco à Festa do «Avante!».

Sabe bem o «Público» que mesmo que muitos dos seus leitores desconfiem de tal notícia, ainda por cima mal feita, vale a pena mentir. Isso vende jornais e há sempre quem acredite. Vai daí e publica em grande título:  "BES aprovou donativo de 11 mil euros proibido por lei à Festa do Avante!". Ora toma!

Quem acreditaria que Ricardo Salgado era tão amigo dos comunistas para lhes dar 11.000 euros?

Agora, pergunta-se:

Que jornalismo é este que, apesar dos desmentidos e não tendo confirmação da acusação publica tal notícia?

Que jornalismo é este que apesar dos desmentidos e "não tendo conseguido contactar com o BES" para confirmar a notícia, a publica mesmo assim?

Que jornal é este que deixa publicar esta notícia mesmo tendo recebido a informação da Entidade das Contas, diz, que esta entidade «limitou-se a responder que “se houve ou tivesse havido donativos de pessoas colectivas, a entidade teria imediatamente feito uma queixa-crime ao Ministério Público”».

Que jornalista é esta Maria Lopes que na resposta da Entidade das Contas diz "limitou-se a responder"?.
O que quer esta espécie de Jornalista dizer com "limitou-se a responder"?

Creio que os leitores do jornal Público, quando lêem as suas noticias devem reflectir bem no que estão a ler.

Vítor Dias no seu blogue, mais uma vez denunciou estas manobras do "nosso" jornalismo.

Conclusão: Coitados dos jornalistas ao serviço da direita que se esforricam à procura de um caso, nem que seja inventado, para encontrar nos comunistas algum pecado. A direita quer que o povo acredite que são todos iguais. Mas, nem todos são iguais. Infelizmente a lista dos crimes da direita, já vai muito longa. 

12 dezembro 2014

A Censura discreta

Em Portugal, os órgãos de comunicação social privados pertencem a cinco grandes grupos económicos que condicionam jornalistas.

Continuando o tema da publicação anterior, aborda-se neste texto, para alem do condicionamento da opinião pública o condicionamento dos Jornalistas.
O papel da Comunicação dita Social, ou dos média, na "formação de opiniões" é conduzida por interesses económicos e é tratada como mercadoria, a "produção de conteúdos". Mas que conteúdos? Conteúdos que, para além da frivolidade, encerram valores, ideologias e opiniões muito condicionados. As opiniões e pontos de vista que a generalidade dos media veiculam são sempre limitados a uma concepção política, ideológica, social e cultural do "pensamento único", dos interesses da classe no poder que coincidem com os interesses dos grupos económicos proprietários dos média.

Dizem todos o mesmo...

Qualquer telespectador, leitor ou ouvinte mais atento repara que quase todos dizem o mesmo, quer sejam as notícias ou as opiniões dos comentadores. Por vezes parecendo haver discordâncias essas são menores, de forma e não de conteúdo. A ideia transmitida vai sempre parar ao mesmo. "Não há alternativa... Temos que aguentar". Tudo isto acompanhado por fortes doses de anestesia com as notícias dos crimes ou programas para entreter. Não se estimula a análise. Os telespectadores, os ouvintes ou leitores recebem a toda a hora doses maciças de informação superficial, descontextualizada, sem análise para que não se saiba o porquê das coisas. O que é dito é como se fosse uma verdade absoluta. Não se perspectivam alternativas. 
Quem não procura informação alternativa, jornais de esquerda, sites na Internet que ofereçam confiança, e outras, está condenado a só saber o que esses média querem que se saiba e da forma como eles querem. É assim que as pessoas são moldadas por esta máquina infernal do capitalismo que nos explora porque deixamos. E deixamos porque nos convencem que não há alternativa.



Os jornalistas explorados e os sem... ética

A agravar este problema, os jornalistas que dantes tinham alguma independência, hoje raros são os que mantêm a sua tradicional ética. A precariedade aumenta, como aumenta o trabalho não remunerado de estagiários. A maior parte recebe em função do que é publicado. Se o chefe ou patrão não gostam é muito provável que o trabalho não seja remunerado. A liberdade dos jornalistas quase não existe uma vez que os editores têm poderes para decidir sobre aquilo que é publicado e como é publicado. 
O Estatuto dos Jornalistas regulamenta, a favor dos editores, as opiniões e os diferentes pontos de vista dos jornalistas.


Exige-se que a comunicação social seja "pluralista, democrática e responsável" que promova a informação e formação, com liberdade de opinião. Os média deveriam ter o papel de estimular a participação cívica em todos os assuntos da sociedade e promover a transparência da vida política, o controlo democrático da acção dos órgãos de poder. 
Para a necessária participação na vida política, os cidadãos devem conhecer as realidades, as alternativas e opções para a solução dos problemas nacionais. Devem saber pensar e tomar consciência dos seus interesses e direitos. Para isso os média teriam que ser um meio para a elevação do nível cultural da população, o estímulo para a assumpção dos valores que o 25 de Abril nos transmitiu, a solidariedade, a amizade a paz e compreensão entre os povos.