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22 outubro 2011

Cinismo e descaramento

Obama: Khadafi e Iraque demonstram liderança americana renovada

O presidente Barack Obama disse que a morte do antigo líder líbio Muammar Khadafi e a retirada militar total das tropas americanas do Iraque até ao final do ano evidenciam a renovada liderança da América no mundo.

«Esta semana, tivemos dois poderosos lembretes do quanto renovámos a liderança Americana no mundo», disse Obama na sua mensagem semanal à rádio.

Para o presidente norte-americano, os sucessos da política externa americana fazem parte de uma história maior.

Diário Digital / Lusa 

A política do quero posso e mando

Quando Barack Obama se candidatou a presidente, muitas pessoas tiveram esperança numa nova política de Paz e entendimento com os povos do mundo. Obama foi nomeado Prémio Nobel da Paz. Porém, cedo se verificou que toda a sua campanha foi uma fraude. A base de Guantánamo continua torturando, os soldados estado-unidenses continuam no Iraque e no Afeganistão, sempre com a intensificação dos crimes sobre civis. Os tribunais especiais e militares, prendem, acusam e julgam sem direito a defesa. Os suspeitos são torturados sem provas de qualquer crime. Invadem países soberanos sempre que lhes apetece, como no Paquistão. 


A recente a invasão da Líbia, as ameaças ao Irão, à Síria e a todos os povos que não se submetam aos seus interesses mostram a verdadeira face de Obama e da política de norte americana. Apesar de alastrar a fome nos Estados Unidos, das condições de vida do povo estarem a ser degradadas a ponto de gerar revoltas cada vez maiores, os orçamentos militares aumentam, assim como os orçamentos da CIA e de muitas organizações que têm por missão gerar conflitos, dissidências e matar governantes eleitos, nos países alvo da política imperialista americana. As guerras são um negócio que matam e destroem as vidas de muitos milhares de pessoas mas enriquecem grandes corporações.
Fomentar o medo e a agressividade, fazem parte da cultura que desde cedo é incutida às pessoas nos EUA. Desde tenra idade que crianças usam armas e são treinadas para matar.

Nas escolas ensinam que os americanos podem tudo e que são superiores aos outros povos, contudo, vivem cada vez pior. 

Pelo discurso de Obama, após a morte de Kadafi, confirmamos o seu lembrete: a "liderança no mundo" foi mais uma vez demonstrada com a guerra na Líbia. Confirmamos também que a história dos EUA é a história dos seus sucessos de guerra, de genocídios, de invasões, de mortes de substituição de governos e de regimes, de apoio a ditadores que sirvam os seus interesses e de morte aos que se lhes opõem.

26 agosto 2011

Terrorismo "legal" e as ilegalidades

O poder económico, a manipulação dos órgãos de comunicação, e o desrespeito à lei e ao povo português


Apesar das críticas generalizadas, o anterior Governo PS celebrou, em segredo com os EUA, um acordo para cedência dos nossos dados pessoais.
Muitas personalidades do PSD acompanharam as críticas a essa violação dos nossos direitos fundamentais.
 
Agora o Governo PSD / CDS-PP resolveu agendar, para aprovação na Assembleia da República, já na próxima quarta-feira, dia 31, esse miserável e ilegal acordo de submissão aos EUA. Os chefes mandam o Governo obedece.
É esta a democracia de um governo eleito pelo povo mas que o trai às ordens de outros.
A nossa Comunicação "Social", directamente dependente dos mesmos que mandam no "nosso Governo" obedece às instruções de censura, desvalorizando a defesa dos direitos de privacidade de cada cidadão. 
 

Segundo declarou António Filipe, Deputado do PCP, os dados pessoais no nosso País têm «tutela constitucional expressa», que proíbe a sua «interconexão não autorizada» e garante a sua protecção através de autoridade administrativa independente, no caso a Comissão Nacional de Protecção de Dados.
 
Daí que, para António Filipe, esta perigosa acção, é uma «violação flagrante de direitos fundamentais constitucionalmente garantidos».

 
O argumento do "terrorismo" serve para tudo. Serve para formar e apoiar grupos e comandos terroristas, para justificar o combate ao que, alguns, consideram ser terrorismo,  retirar as liberdades, reprimir, os que não se submetem aos intereses dos morte-americanos. O argumento da "ajuda" serve para fazer guerras, invadir paises, matar, roubar as matérias primas e explorar os povos. O critério é dos "donos do mundo" e de mais ninguém.
 
Se os dados fornecidos são para ajudar a luta contra o terrorismo, porquê dar os dados aos maiores terroristas? É dar o oiro a guardar ao bandido. 

16 julho 2011

Terrorismo. Assassínio ignóbil

Bombardeamentos, cientificamente calculados, de mulheres e crianças
O destacado lutador pela paz, investigador e jornalista belga Michel Collon descreve o bombardeamento da casa Hamidi convertida em parque infantil e de animais, local de festas populares. Os criminosos da NATO consideram-na um alvo militar. Mataram 19 pessoas, incluindo muitas crianças. Collon exorta os povos da Europa para se revoltarem contra estes massacres.



Ver mais (aqui)  e (aqui) 

07 junho 2011

Guerra na Líbia

05/06/2011 12h14 - Notícia de Globo Atualizado em 05/06/2011 12h20
Com helicópteros, Otan continua bombardeios à capital da Líbia
Emissário russo deve chegar ao país na segunda para negociar.
Revolta contra o regime Kadhafi já deixou mais de 10 mil mortos, diz ONU.


Com este cabeçalho começa uma notícia do Jornal Globo que passo a comentar.
Quase não se fala da Líbia, mas a guerra, os bombardeamentos, e a destruição em nome da defesa das populações, continua a matar indiscriminadamente. Diz o lead da notícia:

A capital da Líbia, Trípoli, continua sendo alvo de ataques aéreos da OTAN no sábado (4) e no domingo (5), com o início das ações de helicópteros de combate britânicos e franceses, enquanto se espera a chegada de um emissário russo no país na noite de segunda-feira.

Helicópteros britânicos Apache, que foram usados pela primeira vez na noite de sexta-feira, executaram no sábado um novo ataque perto de Brega, posição mais ao leste das forças pró-Kadhafi, e destruíram lança-foguetes, informou neste domingo o ministerio de Defesa britânico.

Em paralelo, aviões de combate Tornado do Exército britânico participaram de um "grande ataque", da Otan contra um depósito de misseis antiaéreos em Trípoli, segundo o ministério.





Por aqui se vê a extensão de uma guerra que envolve, para além dos revoltosos, a Nato com meios bastante poderosos. São quase quatro meses de bombardeamentos diários e do mais variado apoio militar aos revoltosos. 

Continua a notícia "Na noite de sexta-feira, helicópteros de combate franceses e britânicos entraram pela primeira vez em ação... Helicópteros Apache atacaram a instalação de um radar e um posto de controle militar perto de Brega. Ao mesmo tempo, helicópteros franceses Tigre e Gazelle destruíram "dezenas de alvos, inclusive um comboio de veículos militares", informou o Exército francês...

No plano diplomático, a rebelião se fortaleceu com a visita do secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, a Benghazi, reduto dos insurgentes no leste do país, no sábado.

Desde o início da rebelião, em meados de fevereiro, a repressão do movimento provocou entre 10 mil e 15 mil mortes e obrigou a fuga de 890 mil pessoas, segundo dados da ONU.




Em 22 de Abril a RTP informou que "O Secretário de Estado, (EUA) Robert Gates, anunciou que os Estados Unidos vão enviar para a Líbia drones (aviões não tripulados) armados, para combater ao lado das forças da coligação internacional e atacar os apoiantes de Kadhafi. Os americanos argumentam que os aviões não tripulados vão dar maior “capacidade de precisão” ao seu ataque, evitando vítimas civis.

O almirante Mike Mullen chegou mesmo a afirmar que os ataques aéreos da coligação têm contribuído para reduzir em 30 ou 40 por cento as forças de Kadhafi, mas admitiu que o conflito está a chegar a um beco sem saída.

“O presidente Obama disse que estes (drones Predator) têm capacidades únicas, que está disposto a usar”, afirmou Robert Gates, colocando-os à disposição da NATO".


Há coisas que escapam à minha inteligência. Como é que revoltosos com o apoio generalizado das populações, dos militares que também são povo, e de meios tão poderosos como os da NATO, França e Inglaterra, aviões Predator dos EUA, durante quatro meses ainda não controlam o país?
Onde é que Kadafi vai buscar as forças?


31 março 2011

Sejamos justos

Quererá Obama ultrapassar Bush? Mais um pequeno esforço e consegue.

Os EUA intensificam as intervenções e bombardeamentos na Líbia agora com os seus serviços da NATO.
Obama declara no Congresso que esta intervenção se justifica para defender os interesses dos EUA.
O jornal New York Times noticiou que a CIA, e os serviço Ingleses (SAS) já tinha inserido na Líbia operacionais, há mais de uma semana, para ajudar os rebeldes contra as tropas governamentais.
Obama declara que tem intenção de fornecer armas aos rebeldes. 

O principal representante do Vaticano na capital líbia afirmou, citando testemunhas, que pelo menos 40 civis terão morrido nos ataques da coligação. Ao todo já foram mortas milhares de pessoas e outras tantas ficaram feridas, desde que começou a insurreição contra o coronel Kadhafi há cerca de seis semanas.

Obama está assim a concorrer para um novo Prémio Nobel da Paz e a aproximar-se rapidamente dos feitos históricos de Bush.

É, portanto, injusto que Bush não tenha sido galardoado também com o Nobel da Paz. Creio que é uma injustiça que tem que ser reparada.

30 março 2011

Os "donos do mundo"

Os EUA e o Direito Internacional



Ditadores há muitos. Não é minha intenção discutir, agora, o conceito de ditador que, certamente, incluirá muitos dos que os EUA apoiam, desde que defendam os seus interesses.

Ainda que Kadafi seja um ditador, neste caso um ditador que nacionalizou empresas petrolíferas inglesas e americanas, o direito internacional não permite que as nações intervenham em Estados independentes para impor alterações de regimes ou de líderes desses regimes. Se assim não fosse, muitas intervenções teriam que se fazer também por outros países. 

O direito internacional é explícito na condenação de "guerras preventivas". Nem sequer o argumento de evitar muitas mortes pode ser usado, pois não é possível prever quantas mortes haveria nem quantas mortes haverá com uma guerra preventiva, como sucedeu no Iraque.          
A moral universal contra a guerra preventiva é forte pois, a ser aceite a possibilidade de fazer guerras preventivas, não faltariam argumentos para justificar essas guerras. Qualquer guerra pode ser considerada preventiva, com o argumento, como disse Obama, o Nobel da Paz, que "estavam em causa os interesses dos Estados Unidos". 


Assim os Estados Unidos consideram-se acima de todos os restantes Estados, com o postulado subjacente de que a nenhum outro país deve ser permitido construir um poder militar, nem sequer semelhante, ao dos EUA.

O direito internacional ajustado com justificação das ameaças terroristas, nomeadamente com o novo conceito estratégico da NATO está a ser aplicado para defender o terrorismo imperialista dos EUA que pretende ser, em simultâneo, legislador, juiz e polícia do mundo. Um estado que representa menos de 7% da população mundial assume-se como ideólogo e colono dos restantes povos.
A dita "maior democracia do mundo" já consultou todos os povos para saber se querem ser "defendidos" (de quem?) pelos EUA? 
Com os mesmos argumentos a Alemanha, do Kaiser Guilherme II a Hitler, quis governar o mundo.