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09 agosto 2015

Nunca Mais!

70 anos dos bombardeamentos nucleares contra Hiroxima e Nagasáqui


Pela sua importância e significado para os dias de hoje, quando os Estados Unidos da América espalham a guerra no mundo e desenvolvem as mais terríveis armas para mostrar a hegemonia do seu poder imperialista, publicamos o veemente apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação:

Assinalam-se, a 6 e 9 de Agosto respectivamente, 70 anos sobre os bombardeamentos nucleares, pelos Estados Unidos da América, contra as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui. Nesta data, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) lembra o acto de barbárie cometido contra populações indefesas num momento em que o império japonês já se encontrava militarmente derrotado, na frente terrestre na Ásia e na frente aéreo-naval do Pacífico, e se havia iniciado o processo da sua capitulação às Forças Aliadas.

Os bombardeamentos atómicos das duas cidades japonesas – sem qualquer importância para o desfecho da guerra – constituíram acima de tudo uma aterrorizante demonstração de superioridade militar por parte dos EUA. Pela sua própria natureza, a arma atómica não tem como destino a utilização na frente de batalha, mas sim as populações civis e os centros urbanos e industriais.

Para além das 250 mil mortes provocadas no imediato, e nos dias subsequentes, os bombardeamentos atómicos deixaram uma herança de sequelas graves nas populações vizinhas: a proliferação de doenças cancerígenas e malformações genéticas, que persistem hoje, sete décadas passadas, atribuídas à exposição às radiações ionizantes e às substâncias radioactivas.



Aterrorizados com este que foi, sem dúvida, um dos maiores crimes alguma vez perpetrados, os povos do mundo uniram-se para que tal tragédia não voltasse a acontecer, fazendo do Apelo de Estocolmo, contra as armas nucleares (lançado em 1950) uma gigantesta manifestação contra as armas nucleares. Essa causa mantém hoje flagrante actualidade, tendo em conta que o actual arsenal de armas nucleares é infinitamente maior e mais poderoso, a utilização destas armas significaria a destruição da espécie humana e da civilização.

Num momento em que muitos milhões de seres humanos são confrontados com a regressão das suas condições de vida e dos seus direitos, as despesas militares mundiais atingiram, em 2014, qualquer coisa como 1,8 biliões de dólares, parte considerável dos quais canalizados para a manutenção e modernização de armas nucleares.

Reafirmando o seu compromisso com a construção de um mundo de justiça e paz o CPPC presta homenagem às vítimas das armas nucleares lançadas em Hiroxima e Nagasáqui, e exige:
  
-Que nunca mais se repita o holocausto nuclear;
  
-A abolição das armas nucleares e de extermínio em massa e o desarmamento geral e controlado;
  
-O cumprimento das determinações da Constituição da República Portuguesa e da Carta das Nações Unidas, em respeito pelo direito internacional e pela soberania dos Estados e igualdade de direitos dos povos. 

29 dezembro 2014

Breve balanço de 2014

Portugal precisa de uma política alternativa.
O Mundo está em mudança

Aproxima-se o final de 2014, fecundo em acontecimentos - para o bem e para o mal. 
Não querendo fazer um balanço, que certamente seria incompleto, aponto assuntos, avulso, mas que me parecem importantes a não esquecer em 2015. 
A nível nacional, 2014 foi mais uma dramática confirmação de que esta política de direita não serve. Não serve o País, os portugueses mas serve - e bem - para alguns.

As desigualdades aumentaram, tal como aumentou a pobreza e a fome.
Apesar dos sacrifícios a dívida não parou de crescer a ponto de ser impagável.
A direita, mais uma vez, anunciou que, agora com a saída da troika, tudo começaria a ser melhor. Mentira! Tal como se previa a situação piora com esta política.

Corruptos!
Pela primeira vez um Primeiro Ministro de Portugal (PS) foi preso.
Muitos iguais ou piores que Sócrates, dos que passaram pelos governos, desde há 38 anos, há muito que deviam estar presos.
Tinha já sido condenado Isaltino (PSD)
Foi também o Duarte Lima (PSD). Condenado e preso. E Dias Loureiro e seus amigos? 

Assinale-se que as leis deveriam ser muito mais duras para os crimes económicos, para quem rouba o país e todos os portugueses. No entanto a direita, ou os chamados partidos do "arco do poder" ou, mais prosaicamente a "troika interna", PS, PSD, e CDS, não deixam que as leis penalizem devidamente os corruptos, sabendo eles que é no seu seio que estão os criminosos. Tudo gente fina.
Este ano foi preso o banqueiro Ricardo Salgado. 

O juiz, Carlos Alexandre, que já tinha deixado passar situações graves, parece estar determinado a corrigir a incapacidade da justiça. Foi figura importante dos casos Monte Branco, das Operações Furacão, Portucale, Processo Face Oculta, Álvaro Sobrinho, Caso BPN, Processo Remédio Santo, Operação Labirinto, Caso Vistos Gold, Ricardo Salgado e Operação Marquês. Pena é que fiquem de fora tantos do BPN, como Dias Loureiro (PSD).
Também Paulo Portas (CDS) apesar da reconhecida corrupção dos Submarinos está em liberdade e no Governo. Klaus Lesker, o administrador da MPC Ferrostaal que vendeu os submarinos, foi preso preso na Alemanha. E cá?
E os vistos Gold?
A extenção de fraudes, roubos, corrupção e outros crimes é enorme e todos envolvem PS, PSD e CDS.

São todos iguais?
Da falência do BES e do GES ainda estão à solta muitos.
Do BPN (banco do PSD) nunca mais se soube nada.
Somam a muitos milhares de milhões de euros as fraudes e os prejuízos para o país e para os portugueses.
A direita, desesperadamente, tenta dizer que são todos iguais.
Por isso, os jornais que nunca falam da Festa do Avante, inventaram que o BES subsidiou a Festa do jornal do PCP! Ridículo mas sintomático. Não! Não são todos iguais!

Durão Barroso saíu da CE e a direita colocou outro igual, o Juncker organizador das fugas fiscais de muitas multinacionais e grandes empresas.
Zeinal Bava, com as trafulhices que fez, pôs a PT nas mãos de interesses estrangeiros. Ele e Durão Barroso foram condecorados pelo "Padrinho" que ocupa o lugar de Presidente da República.  

Continuam as criminosas privatizações e a venda de Portugal a retalho. 
É um escândalo o caso da TAP. A maior empresa exportadora de Portugal.

A Alternativa existe!
Num outro plano convém saber quais as alternativas.
O novo "líder" do PS, António Costa, para o público diz que vai romper com a política de direita mas, na prática, ainda nada se viu. Pelo contrário, o que faz é o mesmo que se fez. 
Propostas, como as que apresentou o PCP, para uma política alternativa, o PS não avança. Que lutas promove o PS para travar as políticas de direita? Serão lutas de gabinete que não se sabe o que tramam? Estaremos atentos no novo ano.

Censura e liberdades? Que liberdades?
Neste blogue muito se tem falado da Censura da Comunicação social e em especial da Televisão. De facto, cada vez mais, o poder financeiro controla os órgãos de comunicação. Governo, políticos de direita, comentadores, jornalistas contratados para o efeito, preenchem todos os espaços não deixando que se conheçam as alternativas e as propostas apresentadas, como soluções patrióticas e de esquerda.
Essa censura atinge não só o conhecimento da realidade portuguesa como da internacional.
O mundo piorou depois da Guerra Fria, da queda do Muro de Berlim e da derrota dos países socialistas, no final da década de 80. As guerras provocadas pelos EUA, NATO e Israel, tem dizimado muitos milhares de pessoas, destruído países e economias. 
O capitalismo em decadência, depois desta crise económica e financeira, a maior de sempre, tenta salvar-se através da força bruta das armas, e do domínio de países e das suas matérias primas, em especial o petróleo.

O capitalismo na sua fase imperialista, tem apoiado governos fascistas (Ucrânia) e ditaduras em África e América do Sul em contrapartida do domínio económico das riquezas desses países.
Os EUA através da CIA treinam e fornecem grandes quantidades de armas modernas e poderosas a terroristas. Essa política tem funcionado como o feitiço contra o feiticeiro. Os grupos terroristas, depois de armados e treinados pela CIA, muitas vezes fogem ao controlo norte americano, como foi o caso da Al-Quaeda e agora com o "Estado Islâmico" para afrontar a Síria.

Nunca o Mundo esteve tão violento, com tantas guerras com tantas vítimas, em especial civis, mulheres, crianças e idosos. Nalgumas regiões assistimos a autênticos genocídios como na faixa de Gaza e Palestina.
A lei internacional e os Direitos Humanos não são respeitados.

Decadência do capitalismo
É evidente o isolamento cada vez maior dos Estados Unidos. Todos os países na ONU condenam sistematicamente acções o bloqueio de Cuba e a invasão da Palestina por Israel. Em todo o mundo os povos fizeram inúmeras manifestações e protestos. A libertação dos Cinco Cubanos foi uma vitória dessas lutas.

O recente relatório sobre as torturas de presos nos Estados Unidos da América, foi escondido e apenas é conhecida uma pequeníssima parte. Mesmo essa pequena parte revela os crimes monstruosos que os Estados Unidos praticam, crimes só comparáveis aos de Hitler e dos ditadores que os Estados Unidos apoiam,

Esse isolamento dos Estados Unidos foi evidenciado ainda nas decisões da ONU, nas eleições no Brasil e Uruguai, pelas Organizações de apoio mútuo criadas pelos países que fogem ao domínio dos Estados Unidos. Caso dos BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e ainda das Organizações da América do Sul e Cuba.

Os BRICS estão a estudar moeda alternativa ao Dólar e a formar um Banco Internacional.

A China ultrapassou economicamente, os Estados Unidos em 2014. Está "de olho" nos fundos do tesouro dos EUA, pedra de toque da economia global. Está a redefinir a sua estratégia de investimento no estrangeiro e a promover o Renmimbi como moeda internacional, libertando do domínio do dólar vários países do BRICS e outros com quem está já a negociar nas moedas locais.
O apoio à Rússia é expressivo.  

Só com luta conseguiremos mudar
Nestes países a fome e a pobreza diminuiu fortemente enquanto nos EUA e outros países dominados pelo capitalismo aumenta, como aumentam as desigualdades, o crime, o desemprego, o trabalho escravo. O mundo está mais injusto e violento por acção do capitalismo mas, simultâneamente, está a aprender e a mudar.
Nós em Portugal, também haveremos de aprender com o desastre destes 38 anos de política de direita. 
Nós também haveremos de mudar. Depende dos trabalhadores e do povo. 
A luta continua em 2015.

22 dezembro 2014

Estamos no Natal e Aproxima-se 2015

Natal começou por ser a festa do sol, da luz, do crescimento dos dias contra a escuridão.

O sol quando nasce é para todos. E todos, é mesmo todo o mundo.
Mais uma vez o mundo está em complexa convulsão reflexo das mudanças de ordem mundial.
Vimos guerras e conflitos em sucessão cada vez mais globais.
Poderosos interesses económicos de grupos reduzidos, dominam a política e pisam direitos humanos, a paz, a justiça internacional até aqui respeitada.
Os Estados Unidos, vencedores da Guerra Fria, acentuaram a sua hegemonia no mundo. Esta terminou mas reacenderam-se guerras muito mais dolorosas. Guerras onde morrem centenas de milhar de pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos. Guerras que têm reflexos em todos nós.
A lei internacional é permanentemente desprezada e substituída pela lei do mais forte. Povos inteiros são dominados e subjugados aos interesses das grandes economias e das multinacionais sem pátria.

O imperialismo tem não só a força das armas, mas também o controle total dos meios de comunicação globais, reescrevendo a história de acordo com os seus interesses para manipular as consciências e a opinião pública e colectiva. Esse controlo é total na medida que controla a quase totalidade dos agentes da informação.
Hoje com a "realidade" virtual, criam-se factos, inventam-se situações para deturpar a realidade objectiva e o conhecimento. Para distrair a humanidade desviando, e escondendo crimes e acções repugnantes praticadas para que o imperialismo consolide o seu poder. Poder que domina pelas armas e pela informação, pela destruição de valores humanos e sua substituição por uma cultura globalizada que introduz valores que facilitam a aceitação do domínio do mais forte.
Cultura que conforma, que não perspectiva a autonomia e capacidade colectiva da mudança.

A soberania nacional, a autonomia, foi substituída pelos mercados que fazem a lei. Passou-se a um novo tipo de colonização dos mais fracos, acompanhado de cultura da aceitação dessa perda de independência face ao poder financeiro dos bancos internacionais.
Os que não aceitam essas imposições são sujeitos a boicote e bloqueio dos poderosos, como tem sido o caso de Cuba. É paradigmática esta situação. Mais de cinquenta anos de bloqueio condenado internacionalmente por resoluções quase unânimes de todos os países do mundo, não tiveram qualquer efeito na decisão de um único país.
Israel, com a cumplicidade dos EUA, faz uma guerra e ocupação ilegal, da Palestina, matando muitos milhares de civis, de mulheres e crianças inocentes.

Há muito que poderosas agências de espionagem como a CIA, com mais de 170.000 agentes espalhados pelo mundo, fomentam conflitos, armam, treinam e financiam seitas e grupos terroristas, para derrubar governos legítimos que não obedeçam às suas ordens.
Apoiam o nazismo e fascismo em vários países. Apoiam ditadores que lhes entreguem as riquezas do país à exploração das empresas americanas. Fomentam a guerra entre religiões de acordo com o princípio "dividir para reinar" e assim intervirem do lado que lhes interessar.

Um relatório recentemente aparecido ao conhecimento público mostra uma pequena parte dos métodos de intervenção mais escabrosos, torturando até à morte muitos presos, muitas vezes sem qualquer culpa, apenas para obter informações.

Usam a chantagem directa em relação a Governos e Presidentes da República de vários países. Fazem espionagem e vigiam empresas de todo o mundo. Gastam milhares de milhões de dólares para manter o mundo inteiro sob sua vigilância, incluindo os seus mais próximos aliados.
Muito do dinheiro vem da droga, cuja produção aumentou várias vezes, com as forças que controlam o Afeganistão. Outra fonte de financiamento é a venda de petróleo produzido em território controlado pelos terroristas.

Quase tudo isto tem acontecido depois da queda do Muro de Berlim e da destruição dos países socialistas.
Estará o mundo melhor?
Assistimos a cada vez mais conflitos que se generalizam no interior do mundo dito civilizado. Mortes, assassínios em massa, feitos por crianças, jovens ou adultos em escolas. É esta a cultura fomentada. O exemplo vem de cima. Os EUA têm o recorde mundial de presos. 
A fome assola o mundo . A pobreza cresce no mesmo ritmo que crescem as grandes fortunas. O trabalho escravo aumenta tal como o tráfico humano e o tráfico de droga.

Aumenta o perigo de as guerras se alastrarem às grandes potências podendo caminhar para uma guerra mundial. Hoje muitos tipos de armas de alta precisão estão já próximo das armas de destruição em massa em termos de capacidade mortal. Os riscos são cada vez maiores.

Haverá quem julgue despropositado falar disto em época natalícia. Haverá quem prefira não conhecer esta negra realidade.
No entanto, não ficaria bem com a minha consciência limitar-me às bonitas mensagens de Natal sem pensar nos que sofrem.
Tentarei intervir e evitar ser dominado pela cultura que nos querem impingir: "não há nada a fazer". "Sempre foi assim e sempre há-de ser".