Mostrar mensagens com a etiqueta operários. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta operários. Mostrar todas as mensagens

18 janeiro 2013

O 18 de Janeiro de 1934

A revolta e tomada do poder dos operários vidreiros na Marinha Grande

O 18 de Janeiro de 1934, foi uma revolta dos operários vidreiros da Marinha Grande contra o Estado Novo e contra as duras condições de vida acentuadas pela crise do capitalismo de 1929. Pretendiam os revoltosos que a luta se estendesse a todo o país mas tal não sucedeu. Apenas algumas lutas, sem grande significado, não impediram que a revolta fosse dominada.

Na Marinha Grande, esta luta tomou proporções de forte Insurreição Armada. A classe operária vidreira estava bem organizada e consciente, pois tinha participado ao longo dos últimos anos, em muitas lutas sociais.
A fome, a miséria e a falta de liberdade, foram as razões para a sua unidade, organização e luta.


A crise do capitalismo em 1929

No final dos anos 20 e início dos anos 30 do século XX os tempos foram particularmente difíceis para a classe operária em geral e especialmente na Marinha Grande. A grande crise do capitalismo iniciada em 1929 teve efeitos devastadores na indústria vidreira. Muitas empresas faliram ou encerraram, deixando muitos operários no desemprego. Mas a classe operária não baixou os braços e o número de greves e manifestações foi imenso. «Não sei se houve alguma zona do País em que as lutas atingissem o grau que atingiram na Marinha Grande.» (Avante! n.º 1572, de 15 de Janeiro de 2004). Merecem destaque as «marchas da fome» e a grande greve de nove meses na Guilherme Pereira Roldão, que culminaria com uma vitória dos operários. Ao mesmo tempo, reforçava-se a unidade e organização da classe operária marinhense. 

A classe operária organizou-se no seu partido e sindicatos

As associações sindicais de classe – dos garrafeiros, vidraceiros, cristaleiros e lapidários – unificam-se, dando lugar a uma única organização da indústria vidreira, de âmbito nacional, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria do Vidro, criado em 1931. No plano político, o PCP era já a força determinante junto dos operários vidreiros
Também em 18 de Janeiro de 1934, O movimento e as lutas foram organizadas e dirigidas pelo Partido Comunista Português. Durante algumas horas, na Marinha Grande, o poder esteve nas mãos dos operários vidreiros. Contudo a insurreição não alastrou e as forças repressivas do fascismo conseguiram dominar os revoltosos. Foram feitas dezenas de prisões, em especial comunistas e a maioria dos presos foram deportados para o campo de concentração do Tarrafal.

Desenho de Dias Coelho, dirigente comunista, morto pela PIDE
 
A luta continua

No seu conjunto, as condenações ultrapassaram os 250 anos de prisão. António Guerra e Augusto Costa morreram no Tarrafal e Francisco da Cruz não resistiu às condições prisionais em Angra do Heroísmo. Os estragos provocados pela repressão na organização sindical e partidária na Marinha Grande foram profundos, mas acabaram por ser ultrapassados. Em breve, o Partido tinha reconstruído a sua organização nas principais empresas. A solidariedade com as famílias dos operários presos, que se viram privadas do salário, foi outra coisa que o fascismo não matou. Grupos organizados recolhiam contribuições à saída das fábricas.
Apesar de vencida, a revolta dos operários marinhenses permanece como um exaltante exemplo de heroísmo da classe operária portuguesa.

29 janeiro 2011

O que é Democracia? (3)

A revolta dos “novos escravos”

Na Inglaterra, país onde o desenvolvimento industrial foi pioneiro, a necessidade de mão-de-obra para as fábricas fez deslocar grandes massas de trabalhadores do campo para as cidades. As condições de trabalho e falta de regulamentação e de leis que protegessem os trabalhadores levou Robert Owen, rico industrial e “socialista utópico” a dinamizar as primeiras Trade Unions, (sindicatos). Propos leis para reduzir a exploração, em particular das crianças, e regular os princípios liberais da atividade industrial e comercial "do lucro imediato acima de qualquer outra coisa". Owen, por experiêcia própria, dizia que a lógica do capitalismo tinha levado os trabalhadores a condições de vida desumanas, materiais e espirituais, piores que as pré-industriais. Os industriais, numa competição acelerada, para obterem o máximo lucro, "levaram as classes inferiores, de cujo trabalho deriva hoje essa riqueza, a um nível de verdadeira opressão... Por conseguinte, eles encontram-se actualmente numa situação de degradação e miséria muito maior do que aquela em que se encontravam antes da introdução dessas indústrias, de cujo sucesso depende hoje a sua mera subsistência", disse Owen. 




Também em França, Fourier, outro “socialista utópico”, defendeu o princípio do “direito do trabalho” como uma necessidade de regulamentar as relações entre empregador e empregado, e de defender os trabalhadores que não tinham alternativas senão aceitar o que lhes era “oferecido”. Surgiram críticas dos socialistas (utópicos) ao direito de propriedade dos meios de produção e à exploração, críticas e análises que tiveram a virtude de despertar a consciência não só de trabalhadores como também de muitos humanistas e de alguns sectores da burguesia.
Em Inglaterra, em 1831, uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as condições de trabalho e dos trabalhadores, registou: “… Diante desta Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores homens e mulheres, meninos e meninas,  abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana, cada um deles, clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade do homem para com o homem…” O relatório produzido, foi uma impiedosa condenação dos legisladores que, quando em suas mãos detinham o poder, “abandonaram os fracos à rapacidade dos fortes”.
As concepções liberais da autonomia da vontade, hipocritamente projectadas nas relações de trabalho, traduziam-se na liberdade do economicamente mais forte para explorar o mais fraco.
Assim neste ambiente controverso, a classe operária foi aprendendo, à sua custa, a organizar-se, primeiro por necessidades de ajuda humanitária, que depois evoluíram para embriões de organizações de classe.
.