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03 novembro 2014

O discurso económico infantil de Passos Coelho

Mais um estudo de Eugénio Rosa

Diz Eugénio Rosa que "Numa das suas habituais tiradas, Passos Coelho expressou mais um dos seus “pensamentos profundos” sobre economia. E desta vez ultrapassou os limites". 
O discurso foi proferido na conferência do 36º aniversário da UGT. Em tom sarcástico, o economista regista que "nenhum dos presentes contestou esta infantilidade económica de Passos Coelho (estava-se numa conferencia da UGT e não era previsível outra reação)". Aponta também o dedo aos órgãos de comunicação que "nada disseram sobre isso".

Eugénio Rosa publica os dados do INE que revelam o investimento bruto e liquido em Portugal no período 1995-2013 e mostram que "o Investimento total realizado em Portugal a partir de 2010, portanto com a politica de austeridade imposta ao país pela “troika” e pelo governo PSD/CDS, nem tem sido suficiente para cobrir o desgaste (consumo de capital fixo) do “stock” de investimento total existente no país".

Foram-se os anéis e agora comem-nos os dedos

Por isso, "A partir de 2010, surgiu em Portugal uma situação inédita e altamente preocupante para o futuro do país e dos portugueses". Explica porquê e conclui "O país está a consumir já uma parcela da sua capacidade produtiva que constituiu no passado, não a renovando e muito menos não a ampliando e modernizando, colocando assim em perigo a capacidade de desenvolvimento futuro".
"Que um cidadão comum sem conhecimentos de economia não se aperceba desta situação dramática ainda é compreensível, mas que um 1º ministro diga aquela infantilidade económica sem provocar qualquer reação quer dos presentes na dita conferencia da UGT quer nos media, e nomeadamente dos comentadores habituais, é grave e mostra bem a que nível de submissão e de vassalagem ao poder politico o pensamento económico dominante nos media chegou".
O estudo completo pode ser visto aqui

25 março 2012

Portugal saqueado


PORTUGAL A SAQUE E SALDO


Com este título o Economista Eugénio Rosa publicou mais um dos seus estudos mostrando que "Cada vez mais riqueza produzida em Portugal é apropriada por grupos estrangeiros, ficando menos para os portugueses". É assim a política de direita instalada há 36 anos em Portugal.


Mostra, com dados incontroversos, que o investimento de portugueses no exterior tanto como o de estrangeiros em Portugal, não é, na sua esmagadora maioria, investimento directo produtivo, que crie riqueza e emprego, mas sim, apenas para especulação, para obter juros, mais-valias, etc., ou seja, "lucros fáceis e rápidos".
  
O investimento de portugueses no estrangeiro e de estrangeiros em Portugal.


Em 2011 capitalistas portugueses investiram no estrangeiro, 291.629,3 milhões €. 
O investimento estrangeiro em Portugal gerou uma "divida total bruta do país ao estrangeiro, resultante destes investimentos", que no final de 2011 atingia 468.826,8 milhões €. 
Apenas 18% era investimento directo em Portugal, ou seja com objectivo de aumentar a capacidade produtiva e o emprego. Tudo o resto, na sua esmagadora maioria, foram aplicações financeiras especulativas, para sacar juros, mais-valias, etc., Eugénio Rosa revela que "em apenas 6 anos (2006/2011), foram transferidos para o estrangeiro 111.461 milhões € de rendimentos gerados em Portugal, sendo 20,3%, ou seja, 22.681 milhões de euros, referentes a dividendos e lucros distribuídos, na sua maioria de investimentos directos. Os restantes 79,3%, ou seja, 88.780 milhões de euros de rendimentos resultaram, na sua maioria, de aplicações financeiras", especulativas. Os 111.461 milhões € foram "transferidos directamente para o estrangeiro, a maioria não pagando quaisquer impostos em Portugal". 


O caso do BPN e da EDP


O Estado Português capitalizou o BPN com mais de 500 milhões € e deu um crédito sem juros de 300 milhões €. O BPN, foi vendido a angolanos, a preço de saldo, por 40 milhões €.
A EDP vendida a um grupo chinês que agora, pelo que veio a público, com “rendas excessivas” pagas pelos portugueses, que contribuíram para que a EDP tivesse, em 2011, 1125 milhões € de lucros líquidos, mostra bem a politica de privatizações a saldo de empresas lucrativas que são fundamentais para a nossa economia. 
O Governo está a entregar a grupos económicos estrangeiros, empresas importantes do Estado obrigando os portugueses a pagar mais impostos, para substituir as receitas perdidas.
O roubo do dinheiro produzido pelos trabalhadores em Portugal


Explica Eugénio Rosa que "O PIB (Produto Interno Bruto) corresponde ao valor da riqueza criada anualmente no país. O RNB (Rendimento Nacional Bruto) corresponde à riqueza que, em cada ano, fica no país...". "Em 1995, o PIB era superior ao RNB em 175,9 milhões €, portanto Portugal recebia mais do estrangeiro do que transferia para o exterior. Em 1996, com a entrada na União Europeia, a situação inverteu-se e Portugal começou a transferir para o exterior mais do que recebe". 
Em 2011, Portugal transferiu para o exterior mais 6.083,5 milhões € do que recebeu do estrangeiro, o que provocou que o valor produzido no país tenha atingido 171.112 milhões €, mas o valor que ficou em Portugal tenha sido apenas de 165.028,5 milhões €. 
Como mostra o Estudo, em 2011, 1.251 € foi o que cada trabalhador foi obrigado a transferir para o estrangeiro para cobrir o saldo negativo, gerado pela riqueza que produziu em Portugal e que os capitalistas levaram para o estrangeiro. 

28 fevereiro 2011

Serviço Nacional de Saúde em perigo

Eugénio Rosa, Economista, publicou mais um dos seus conhecidos estudos sobre a realidade económica e social do País. Neste caso é um estudo decorrente de uma proposta apresentada por um dos maiores grupos económicos que enveredou pelo negócio privado da saúde.

O “MODELO” PARA GARANTIR A “SUSTENTABILIDADE” DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (SNS) DA PRESIDENTE DA ESPIRITO SANTO SAÚDE OU, A MELHOR FORMA, DE DESTRUIR O SNS E DE TRANSFORMAR A SAÚDE NUM GRANDE NEGÓCIO PARA OS PRIVADOS FINANCIADO PELO ESTADO

Eugénio Rosa, informa que o modelo da E.S. Saúde "é o modelo que os grupos privados da saúde defendem e que o PSD, na sua proposta de revisão da Constituição da República que apresentou em 2010, dá cobertura". 

O autor começa por analisar o que se passa em Portugal: "os principais grupos privados de saúde são a Espírito Santo Saúde, HPP Saúde e a Mello Saúde que detêm 70% da quota de mercado privado da saúde. A Trofa Saúde e a AMI - Assistência Médica Integral são líderes de uma segunda linha de unidades independentes do foro bancário. Estes grupos tiveram, em 2009, um volume de negócios que, segundo os respectivos relatórios e contas, atingiu 641 milhões €, repartidos da seguinte forma: HPP do grupo CGD: 143 milhões €; ES Saúde do grupo Espírito Santo: 185 milhões €; José Mello Saúde : 254 milhões €; Trofa Saúde : 59 milhões €.
Todos estes grupos possuem companhias de seguros especializadas também em seguros de saúde (em Portugal já existem mais de 2,3 milhões de portugueses com seguros de saúde)".


Perante os dados analisados, Eugénio Rosa, perguntou à Presidente do ES Saúde, engª Isabel Vaz, "Como é que se garantiria a sustentabilidade do SNS desta forma, duplicando os prestadores (públicos e privados) que concorreriam entre si em pé de igualdade mas sendo assegurado o seu financiamento pelo Estado? Como é que se garantiria que muitos serviços, incluindo hospitais, não ficassem subutilizados por falta de “clientes” determinando para o País custos acrescidos? Como que o Estado sendo obrigado a financiar de igual forma os serviços privados e serviços públicos, tudo dependendo da escolha (procura) aleatória dos utentes (e sabe-se que os grupos privados são exímios na utilização do marketing para captar clientes, muitas vezes até de forma enganosa) não corria o risco de, para além de ter de financiar os privados, ter ainda de suportar os custos de muitos serviços de saúde públicos que ficariam “às moscas”? O Economista, esclarece que, "Perante estas questões incómodas, e não estando preparada ou não querendo responder, a presidente do ES Saúde apenas soube dizer que esta visão era “estalinista”..."

Fico-me por aqui, nesta informação, pois a resposta da presidente do ES Saúde é suficientemente esclarecedora. No entanto, como gosto de perceber, reflecti e concluo que a direita, gosta de explanar as suas teorias, dos mercados, e outras liberais, como as traduzidas na célebre frase "quem quer saúde que a pague". Essas teorias são  disfarçadas numa embalagem bonita, atraente, para vender bem o produto que não presta, mas quando os "clientes" abrem a embalagem para ver o que tem lá dentro ficam furiosos porque se lhes descobre a careca. 


O texto completo pode ser visto em - Eugénio Rosa – Economista
www.eugeniorosa.com