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25 setembro 2015

Para refletirmos II

O euro e a situação a que chegamos

Notas de um artigo de opinião de Vasco Cardoso no Avante
«...Desde a adesão ao euro, Portugal é um dos países que menos cresce na Europa e no mundo, produzindo hoje menos riqueza do que quando se introduziu as notas de euro. Dentro do euro, o País não cresce, não se desenvolve, não recupera emprego...»

«...Recordamos aqui que os mesmos que dizem que a saída do euro conduz ao desastre foram os que que prometiam convergência com a UE, mais crescimento económico, mais emprego e melhores salários com o euro. Foi aquilo que se viu. O PCP, fortemente empenhado na libertação do domínio do euro entende que nesse processo é um imperativo a defesa dos rendimentos, das poupanças e do nível de vida da população...».

«... A dívida pública portuguesa, uma das maiores do mundo, é insustentável, reproduz-se de ano para ano e, sem renegociação, não é possível diminuí-la substancialmente, como prova o seu agravamento em mais de 50 mil milhões de euros nos últimos quatro anos. Em 2015, Portugal gastará quase nove mil milhões de euros em juros, mais do que o Estado gasta com a saúde, tudo isto para no final de cada ano a dívida ficar na mesma, quando não aumenta...»

«... Pensando tirar proveito da actual situação na Grécia, PS, PSD e CDS procuraram acenar com o papão grego para engrossar a tese de que não há alternativa. Mas se há coisa que a situação na Grécia veio provar é que o caminho para o desenvolvimento requer a ruptura com os constrangimentos e mecanismos de exploração que foram urdidos. O grande erro do governo grego não foi querer sair do euro ou renegociar a dívida, foi, ao contrário, ter alimentado ilusões de que era possível eliminar a austeridade e desenvolver o país dentro do euro e amarrado a uma dívida insustentável...»

02 setembro 2015

Opiniões dos Nobel da economia

Joseph Stiglitz: "A União Europeia está a destruir o seu futuro"
Le Monde | 01.09.2015 às 10:09 • às 12h39 | Entrevista por Marie Charrel

Krugman e Joseph Stiglitz Prémios Nobel de Economia, têm vindo a manifestar-se contra as políticas de austeridade e o acentuar das desigualdades que a União Europeia está a desenvolver. 
De uma entrevista do jornal Le Monde, retirei as seguintes opiniões de Joseph Stiglitz Prémio Nobel de Economia que trabalhou durante anos sobre as causas das desigualdades económica nos Estados Unidos e as suas consequências, tanto a nível político como social. Em 2 de setembro, publicou um livro sobre o assunto, The Great Divide.

Sobre as causas das desigualdades, disse que «em primeiro lugar, são frequentemente o resultado dos lucros de monopolistas e a paralisação da economia. Mas, acima de tudo, porque as desigualdades são uma terrível armadilha.../... sem o aumento da renda, não há aumento no consumo, e enfraquece o crescimento».

Disse ainda «as desigualdades não são inevitáveis, eles são o resultado de escolhas políticas. Estados conseguiram combinar o crescimento com equidade, porque fizeram deste duplo objectivo uma prioridade. É o caso dos países escandinavos, mas também Singapura ou Ilhas Maurícias, que conseguiram diversificar as suas economias, focando a educação de sua população».

À pergunta de como é possível isso com a dívida pública em níveis recordes, Joseph Stiglitz disse que isso é «uma desculpa muito pobre. Nos EUA, as taxas de juro reais são negativas, e muito baixas na Europa. Nunca a conjuntura foi tão propícia para o investimento». Disse ainda que os investimentos alimentam o crescimento nos próximos anos e, portanto, as receitas fiscais adicionais que irão equilibrar as contas públicas. E mais adiante que «uma coisa é clara: os Estados têm um papel a desempenhar neste contexto, investir em investigação para promover o desenvolvimento dessas inovações. Porque o único investimento das empresas não é suficiente».

Quanto ao crescimento o Nobel considerou que «não é dramático se, ainda que fraco, for acompanhado de políticas de redução das desigualdades».

Sobre a recuperação da economia dos Estados Unidos disse que «é uma miragem». Apesar da taxa de desemprego ser baixa (5,3%), faltam 3 milhões de empregos no país.
Para permitir um desenvolvimento saudavel é preciso «investimento na investigação, educação, infra-estrutura para promover o acesso ao ensino superior. Estabelecer um salário mínimo parece-me um bom caminho. Nos últimos anos, os lucros aumentaram de forma desproporcionada face aos salários. Esta distorção de distribuição de rendimentos é uma fonte de desigualdade e potencial de crescimento fraco. Outra maneira de corrigi-lo seria fazer nossa tributação progressiva e equitativa».

No final a entrevista incidiu sobre a Europa e o terceiro pacote de ajuda à Grécia. Joseph Stiglitz foi perentório. «Este plano é a garantia de que a Grécia vai afundar numa depressão longa e dolorosa. Eu não sou muito otimista».
Relativamente à dívida disse o Nobel da Economia que a dívida é considerada um freio no crescimento mas, também pode ser um motivo para «a prosperidade futura, quando utilizada para financiar investimentos essenciais. Os europeus têm esquecido isso. … uma parte da direita do Velho Continente alimenta a histeria em torno da dívida, a fim de atingir o estado providencia. Seu objetivo é simples: reduzir o papel dos Estados. Isto é muito preocupante. Com essa visão de mundo, a obsessão com a austeridade e fobia de dívida, a UE está a destruir o seu futuro.


En savoir plus sur http://www.lemonde.fr/economie/article/2015/09/01/joseph-stiglitz-l-union-europeenne-est-en-train-de-detruire-son-futur_4742246_3234.html#YqkhruhCX1d3cTQY.99 

30 agosto 2015

Aprender com a situação na Grécia

Que e como fazer?

É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».

Aprender com os erros

Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».

Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».

Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?

Os objectivos mobilizadores 

Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar.  Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».

Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar

Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.

O estudo da arrumação das forças sociais

Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.

Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.

Que fazer?

Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.


16 julho 2015

Avisos

O que a vida nos ensina

A Grécia tem-nos permitido aclarar as análises políticas feitas há muito tempo. Desde Marx até aos dias de hoje.
Bons artigos têm sido publicados. Não devemos perdê-los. Para alguns confirmam as previsões e os avisos feitos. Para muitos outros podem servir para lhes mostrar uma realidade que não queriam admitir. Todos aprendemos.
Para além das referências feitas em “Quem te avisa teu amigo é”, aponto agora um outro aviso de Sérgio Ribeiro “Com vossa licença” feito no seu blogue.
De entre os muito artigos que estão à nossa disposição aponto: "A crise Grega demonstra que a alternativa ao sistema capitalista passa pela Revolução" do sempre marcante Miguel Urbano Rodrigues, e "Este texto não é sobre a Grécia", de Miguel Tiago. Muitos outros serão também importantes mas não os refiro porque ou os não li e, outros que li poderiam, se referidos, acentuar inevitáveis discriminações. Procurem-nos.


15 julho 2015

Isto é um golpe!

Colunistas dos mais influentes jornais internacionais mostram-se muito críticos do acordo alcançado entre a Grécia e os credores.

“Esta lista de exigências do eurogrupo é uma loucura. A hashtag dominante #ThisIsACoup está exatamente certa. Isto vai para além da rispidez, para ser puramente vingativo, uma destruição completa da soberania nacional, e sem esperança de alívio. É, presumivelmente, feito para ser uma proposta que a Grécia não pode aceitar; mas ao sê-lo, é uma traição grotesca de tudo o que o projeto europeu supostamente devia representar”, diz Paul Krugman.

No Financial Times, Wolfgang Munchau põe o dedo na ferida que acusa “Um Estado membro a forçar a expulsão de outro. Este foi o verdadeiro golpe durante o fim de semana: não apenas a mudança de regime na Grécia, mas também a mudança de regime na zona euro”.

Os banqueiros e grandes capitalistas dominam a "União Europeia" através dos seus servidores

A festa depois de terem conseguido roubar mais o povo

Em vários jornais internacionais, as críticas às imposições feitas pelos líderes da zona euro ao Governo da Grécia merecem repúdio.

Os comentadores referem que “ao forçar Alexis Tsipras a uma humilhante derrota, os credores da Grécia fizeram bem mais que forçar uma mudança de regime na Grécia ou colocar em perigo as suas relações com a zona euro”.

Para Munchau, o que aconteceu foi mais do que isso: “Eles destruíram a zona euro tal como a conhecemos e demoliram a ideia de uma união monetária como um passo para uma união política democrática”.

Paul Krugman concorda, salientando que “o que aprendemos nas últimas semanas é que ser membro da zona euro significa que os credores podem destruir a tua economia se não te portares bem”. E este "portar bem" significa continuar a roubar o povo.

O que acontece na Grécia

Lições que temos que aprender

Cada vez mais se reforça a convicção de que, com esta “união europeia”, não é possível resolver a crise que o capitalismo criou. A austeridade que a EU está a impor à Grécia, a Portugal e a outros países visa exclusivamente ir buscar dinheiro aos povos, aos trabalhadores, para o transferir para os Bancos dominados pelo grande capital financeiro.
A Grécia, por ser o país onde a crise mais se adiantou em relação a outros, mostra-nos o caminho que, cedo ou tarde, nos espera.
E o caminho para servir o povo não passa por Bruxelas. É o povo que terá que o abrir.

nem se constrói com salamaleques



Os planos coloniais

Numa primeira fase os grandes banqueiros que, apesar de se concentrarem na Alemanha, não têm pátria, acenaram-nos com a cenoura dos subsídios e “empréstimos” para pôr os países mais atrasados em igualdade com os mais avançados. Diziam ser a Europa da solidariedade. Era, na realidade, mais um passo no programa do imperialismo para dominar os povos.
Esses subsídios e empréstimos visavam, em especial, destruir a nossa economia já frágil, para comprarem por tuta e meia empresas que produziam. Visavam, e conseguiram, destruir as nossas actividades da Pesca, da Agricultura e Indústrias. Paralelamente passaram a vender-nos o que deixamos de produzir.
Com os empréstimos e os chamados subsídios para o nosso desenvolvimento, levaram-nos a fazer estradas e obras de grande envergadura, obras não produtivas, mas que permitiram negócios fabulosos em especial para a Alemanha. Para as fábricas e outros meios de produção, não vieram subsídios.
Recordemos os avisos como os aqui publicados em texto anterior.

Consolidação da dominação

Depois de estarmos bem endividados, credores e “mercados”, passaram a mandar em nós. E esse mandar foi feito por etapas para não dar nas vistas. Graças aos seus agentes colocados em Portugal e noutros países, representados pelos governos, impediram que o povo se pronunciasse em referendo sobre os Tratados que assinaram. A dependência económica foi-se consolidando por tratados e leis que esses governos de direita assinaram em nome do povo.
Assim esses “mercados”, esses bancos, montaram o maior negócio de sempre, com o dinheiro de quem (o) produz. E quem o produz fica em dívida.
Esta Europa não é dos europeus! É a Europa dos grandes banqueiros dos grandes capitalistas.
Chegamos aos dias de hoje com uma Grécia a caminho de ser uma colónia da Alemanha. Portugal caminha na mesma direcção. Tudo o que era nosso foi vendido. Pouco nos resta.
Em 38 anos de governos do PS do PSD e do CDS, esses partidos armadilharam a nossa economia e destruíram o nosso futuro.


"austeridade" para quem?

A solução que nos impõem é aceitar mais “austeridade” ou, traduzindo, transferir dinheiro do povo, das pensões, dos salários, dos impostos, para os seus bancos chamados “mercados” que passaram a ser chamados credores para legitimarem o negócio leonino que fizeram e a quem ficamos a dever cada vez mais. Ficamos a dever e ainda agradecemos o que nos fizeram. É a isto que eles chamam “austeridade”.
Os governos PS, PSD e CDS assinaram tratados com esses grandes capitalistas, e contraíram as  dívidas que nos amaram, dívidas para todos nós pagarmos. Aqui, na Grécia, como na Espanha e outros países. Quando ouvimos Passos Coelho a defender a Alemanha e a condenar a Grécia ouvimos o que ele diz para os portugueses: “Temos que aceitar, temos que ser mansos”. Aceitar o poder dos ricos que enriqueceram a nossa custa porque governos PS, PSD e CDS assim o permitiram e ajudaram.
Eles, todos, os grandes capitalistas e os governos e partidos que os servem, sabem bem que a dívida contraída é impagável. A eles isso não importa. O que é preciso é receber os juros que valem muito mais que a dívida.  O que é preciso é ir recebendo cada vez mais enquanto o povo aguentar. E aguenta, aguenta, dizem.

21 fevereiro 2012

Grécia e Portugal, a mesma luta


"Se os povos da Europa não se levantarem, os bancos trarão o fascismo de volta."
 - por Mikis Theodorakis -

Míkis Theodorákis, é um compositor e político grego mundialmente conhecido Em 1980-1982 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

Theodorákis é conhecido pelas suas posições políticas de esquerda, que nem a ditadura da junta militar que governou a Grécia conseguiu calar. 
Theodorákis foi um activo defensor dos direitos humanos, nos conflitos do Chipre, nas tensões entre a Turquia e a Grécia, nos ataques da NATO à Sérvia, no sequestro de Abdullah Öcalan no conflito israelo-palestino e em todas as acções contra os trabalhadores e os povos. 

Foi um resistente contra a ocupação nazi e fascista, foi combatente republicano na guerra civil, foi torturado durante o regime dos coronéis, mas nunca deixou de lutar pelo seu país e pelos povos contra a tirania. 

Grécia vítima da ocupação nazi-fascista
  
A Grécia foi vítima do fascismo e da destruição provocada pela Alemanha e hoje é vítima da mesma Alemanha e do ataque feroz do capitalismo financeiro e especulativo europeu. 
Está subordinada à tutela da Troika com um governo não eleito mas imposto pela União Europeia. 
Mikis Theodorakis fez mais um apelo aos gregos e aos povos da Europa para impedirem os bancos de voltarem a implantar o fascismo.

Apelo de Míkis Theodorákis
  
Numa recente entrevista na Grécia, Theodorakis advertiu que, se o país se submeter às exigências dos que se dizem "parceiros" europeus será "o nosso fim quer como povo quer como nação". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos". 
   
O seu apelo aos povos da Europa tem sido publicado em numerosos jornais… 
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise. 

03 novembro 2011

É isto a Democracia?

Soberania Nacional já não existe na Europa?


Sarkozy, ditador, ficou alarmado com a consulta popular na Grécia. Perante a inevitabilidade desta ser decidida, atreveu-se a dar ordens ao governo grego sobre o que deve ser perguntado no referendo. 

A democracia serve apenas de fachada para impor o projeto do capital financeiro. 
Merkel ralha com Papandreou com a ajuda de Sarkosy



21 julho 2011

Investir na guerra e esquecer a fome no mundo

Matar de longe, à traição, sem ser visto é cobardia

As guerras promovidas pelos EUA, em muitos países do mundo estão a servir para desenvolver  novos equipamentos de guerra, controlados à distância e de grande capacidade de destruição.  
De um artigo do Diario.info, extraí e adaptei as seguintes informações que deveremos conhecer:
Nem os mísseis de cruzeiro nem os veículos aéreos não tripulados equipados com mísseis Hellfire têm pilotos a bordo. Paquistaneses, afegãos, líbios, iraquianos, iemenitas e somalis são dilacerados por ataques dos E.U.A. com aparelhos robots controlados à distância.


Agora... na Somália

O Washington Post, o New York Times e outros grandes jornais dos EUA informaram na semana passada que os EUA lançaram o seu primeiro ataque na Somália com mísseis disparados de um veículo aéreo não tripulado (UAV).


O ataque foi o primeiro ataque militar reconhecido por parte do Pentágono na nação do corno de África desde um outro realizado por comandos em helicópteros em 2009 e também o primeiro drone norte-americano usado nesse país para um ataque com mísseis. O diário britânico The Guardian informou em 30 de Junho, que o ataque na Somália marcou “a expansão da campanha sem pilotos a um sexto país”, já que tinham sido usados com efeito mortal aviões não tripulados com controlo à distância no Afeganistão, Iraque, Paquistão, Iémen e, mais recentemente, na Líbia.


Afeganistão, Iraque, Paquistão, Iémen e Líbia.

A mortífera missão na Somália foi realizada, segundo se informa, pelo Comando de Operações Especiais dos EUA. Em 4 de Julho, a publicação das forças armadas dos EUA Stars and Stripes, informou que existem actualmente 7.000 membros das forças especiais dos EUA no Afeganistão e 3.000 no Iraque, e a maioria destes últimos serão transferidos para o Afeganistão, para compensar a retirada de mais 10.000 militares até o final deste ano.

O jornal também citou o vice-governador da província de Abyan, Abdullah Luqman, que criticou os ataques e declarou: “Aqueles que estão sendo mortos são pessoas inocentes. Pelo menos 130 pessoas foram mortas nas últimas duas semanas por drones dos EUA “.


Milhares de mortos civis

Os ataques com mísseis de drones no Paquistão, que causaram um número recorde de mortes - mais de 1.000 – no ano passado, são realizados pela Divisão de Actividades Especiais da CIA, cujo último director foi o novo secretário de Defesa, Leon Panetta, uma transferência que anuncia uma intensificação ainda maior dos mortíferos ataques neste país.

Em 5 de Junho o 40º ataque de drones do ano matou pelo menos seis pessoas no Waziristão do Sul, em Áreas Tribais sob Administração Federal do Paquistão, elevando o número de mortos este ano para pelo menos 350 neste país.
Em finais do mês passado, o governo paquistanês ordenou aos EUA que desocupassem a base aérea Shamsi na província de Baluchistan que tinha sido usada para ataques com drones dentro da nação. Entretanto Washington transferiu essas operações para bases aéreas no Afeganistão, perto da fronteira paquistanesa.


A escalada do poder mortífero

Em 5 de Julho um drone Reaper britânico matou pelo menos quatro civis afegãos e feriu outros dois num ataque com mísseis na província de Helmand. O uso do Reaper, conhecido como o drone mais mortífero do mundo, marca a intensificação deste tipo de guerra. É descrito como um avião pilotado à distância, caçador assassino que voa a alta altitude e que pode ser equipado com quinze vezes mais armamento e voar a velocidade três vezes mais que o Predator utilizado no Iraque, Afeganistão, Iémen, Somália e Líbia. (os USA têm utilizado Reapers no Iraque desde 2008, e no Afeganistão desde o ano seguinte. Até ao final de 2009, o Pentágono enviou Reapers para a nação ilha leste africana das Seychelles junto com mais de 100 soldados). 


Os EUA utilizam estas guerras para ensaiar novos armamentos, utilizando pessoas como cobaias. São também um bom negócio para vender as armas mais antiquadas. 


O General Carter Ham, o chefe do Comando África dos E.U.A., disse no mês passado que “uma lei patrocinada pelos republicanos que bloqueara os ataques de drones Predator na Líbia afectaria a Aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte” 


Quase cinco meses de "bombardeamentos humanitários" na Líbia

O lançamento de mais de 200 mísseis de cruzeiro contra a Líbia nos primeiros dias da guerra e o facto de que, conforme relatado pelo New York Times 21 de Junho: “aviões militares dos EUA atacarem as defesas aéreas 60 vezes, e drones operados remotamente dispararem mísseis contra forças da Líbia cerca de 30 vezes “desde que o comando da guerra foi transferido da U. S. Africa Command para a NATO, e já realizadas mais de 14.000 missões aéreas.


Num caso raro de discordância com a política de guerra da Casa Branca, o New York Times publicou no mês passado, o seguinte:
“Jack L. Goldsmith, que chefiou o Gabinete de Assessoria Jurídica do Departamento de Justiça durante o governo Bush, disse que a teoria de Obama abriria um precedente que poderia ampliar os poderes dos futuros presidentes de fazer guerra sem autorização, especialmente considerando o aumento da tecnologia de controlo remoto. ”


Fugir às leis e à democracia



“A teoria do governo implica que o presidente pode fazer a guerra com drones e todos os tipos de mísseis sem se preocupar com os prazos da Resolução de Poderes de Guerra.”

O Prémio Nobel da Paz, Obama, intensifica a guerra secreta, a acção directa para destruir alvos, eliminar ou capturar inimigos, a guerra conduzida por forças externas, treinadas e organizadas pela USSOCOM, a contra-insurreição para ajudar alguns governos a reprimir rebeliões, ou a destruir outros, desencadear operações psicológicas para influenciar a opinião pública e muitas outras acções realizadas com base em tecnologias cada vez mais sofisticadas.


http://www.odiario.info/?p=2141