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30 setembro 2015

Política para a Cultura e Eduacação

Uma política elitista que retira a liberdade aos que não são ricos

A Educação e a Escola Pública

A questão central está na política de classe que se serve da desvalorização da Escola Pública e da elitização da Educação e da Cultura. Tal como praticava Salazar, a política de direita conduz os filhos dos trabalhadores apenas para garantir o trabalho e os filhos dos ricos para mandar. A liberdade e igualdade que a Constituição consagra e que Abril nos trouxe, estão, também por esta via, a ser feridos.

É esta política que levou a reduzir a ação da Escola Pública e o orçamento para a Educação em mais de 3.000 milhões de euros, nos últimos quatro anos. Esta política desvalorizou a intervenção em projectos de promoção do sucesso e combate ao abandono, deixou milhares de professores com vínculo precário ao fim de muitos anos de serviço, reduziu milhares de assistentes operacionais e técnicos, criou as turmas com mais de 30 alunos, retirou os apoios a milhares de alunos com necessidades educativas, negou a igualdade de oportunidade na escola e na vida, desumanizou a vida das escolas, empobreceu os currículos escolares e distanciou as escolas dos locais de habitação.

A política de direita e os seus autores

Jerónimo de Sousa, em Coimbra, lembrou que estas políticas foram iniciadas pelo PS e prosseguidas pelo PSD e CDS. Nos últimos dois governos do PS foram encerradas mais de 3100 escolas do 1º ciclo do ensino básico, 37.000 docentes foram tornados precários, congeladas as carreiras, reduzidos os salários e o actual governo, nestes quatro anos, atirou mais de 20.000 destes para o desemprego.
É sabido que a Educação é o investimento mais importante e rentável de um país.
Nem o argumento de reduzir despesas é real pois, de que se trata é da opção de tirar a uns para dar a outros. Para além dos 20.000 milhões dados aos bancos e banqueiros, grande parte do que se reduziu foi dado aos privados que elevam os preços do ensino para garantir a elitização que impede as famílias mais pobres de pagar os cada vez mais elevados custos com a educação. É isto que levou a maioria a derrotar as propostas do PCP para, tal como preconisa a Constituição, tornar gratuitos os manuais escolares a todos os alunos do ensino obrigatório. Consequência, Portugal tem dos mais elevados níveis de abandono escolar e de insucesso da Europa.

Ensino Superior e Investigação

Mais de 60% dos alunos continuam a ficar para trás, por impossibilidade de continuar a estudar. É clara a discriminação e elitização que esta política promove. As famílias não têm os recursos financeiros necessários para fazer face a custos cada mais elevados. Como disse Jerónimo de Sousa, não têm 1000 euros para pagarem as propinas, nem podem pagar as fotocópias e os livros, as deslocações diárias, a alimentação e, em muitos casos, não conseguem suportar o custo com o alojamento quando as instituições onde estudam se situam longe da sua área de residência.  Os «governos que entregaram 20 mil milhões de euros à banca, sempre para acudir os banqueiros, têm feito sucessivas reduções no financiamento das instituições de ensino superior».

Cultura e o empobrecimento do país

Esta política bloqueou o enorme potencial de democratização cultural aberto pela Revolução de Abril e impede a democratização cultural, tal como suprime a liberdade dos trabalhadores e da generalidade do povo de aceder à cultura. Nos últimos 5 anos, o apoio às artes perdeu 75% do seu orçamento. O Orçamento do Estado de 2015 quase que excluiu a Cultura e apenas reservou uns míseros 0.1% para o conjunto da política cultural. Simultâneamente intensificam-se os negócios da cultura ao serviço dos interesses privados e da hegemonia das classes dominantes. Cultura, tal como o ensino e a Educação são apenas para quem tem muito dinheiro.

17 novembro 2014

A informação pimba

Que critérios usa a comunicação dita “social” para a informação?

Quem queira pensar vê que a "nossa" comunicação dita social, a toda a hora nos impinge informações de qualidade e interesse muito duvidoso.
Será por falta de capacidade dos jornalistas?

Notícias que mostram um incêndio que destrói uma habitação e deixa uma família desalojada, com reportagem e auscultação dos dramas daquela família. Tudo bem, mas então porque pouco falam milhares de famílias sem habitação e das que a estão a perder diariamente por terem que as entregar aos bancos?

Assistimos a folhetins, ou "verdadeiras telenovelas", de dramas individuais de interesse muito duvidoso mas que rendem por terem "mercado" assente na especulação que muita gente gosta. Será esta a função da nossa comunicação?

Vimos manifestações de uma população que não quer o padre, mas pouco se fala das muitas populações que lutam para manter os centros de saúde o posto dos correios ou os tribunais.

A toda a hora vimos festas e festinhas, nos mais variados locais. Algumas enchendo programas inteiros de várias horas, mobilizando caras equipas de reportagem. Certamente é sempre bom haver referências a essas expressões populares. Mas, então porque é que quase não falam de actividades como a Festa do Avante que mobiliza centenas de milhar de pessoas de todas as ideologias e é a maior Festa cultural do país? Para essa o tempo ou o espaço é sempre limitado.


Assistimos a notícias de um cantor que cai da bicicleta e parte o braço. De um baterista que ultrapassa recorde do Guinness na maratona de bateria, de outros que se zangou com a namorada, contudo pouco se fala no Orçamento de Estado que dedica ao apoio da Cultura em Portugal menos de 1%.
Afinal parece que não são apenas os jornais e televisão que não dão importância à cultura. Isto vem de mais fundo. Será "serviço" combinado?
Muitas pessoas, artistas, intelectuais, professores, subscreveram um manifesto exigindo pelo menos 1% para a Cultura. Sim um por cento! O Orçamento pode ter muitos por cento para as Forças Armadas e para participarmos na NATO. Para comprar submarinos e armas de guerra. Mas para a Cultura não há dinheiro. Milhares de pessoas têm-se manifestado nas ruas e em actividades culturais a exigir apenas 1% para a Cultura. Que aparece na nossa comunicação dita social?

Fernando Correia, diz no o Diário, que  “os critérios jornalísticos tornaram-se cada vez mais dependentes das «leis do mercado» e da busca do máximo lucro. Lucro este que, no caso da comunicação social, é financeiro mas também político e ideológico.”

De facto isso explica tudo: Interesses de Mercado somados aos interesses políticos e ideológicos.
Razão suficiente para justificar as "lavagens de cérebros" com programações ditas de entretenimento, por vezes de nível verdadeiramente degradante, ou uma informação dirigida não para o aumento do conhecimento da realidade mas para a distracção do que é essencial, alienando com o espectacular e o superficial, em detrimento das causas e dos contextos, numa óptica de melhorar a cultura e a consciência social dos leitores ou espectadores. Enfim jornalismo para estupidificar e desviar do que é importante.

Achei curioso este vídeo: http://youtu.be/DiNPxZdemTg

04 abril 2013

A cultura do Pimba e as nódoas

Vou ser politicamente incorrecto. 

Nesta "democracia" políticos correctos não têm "sucesso". E eu, cruzes canhoto, não sou político.

O que está a dar é a cultura Pimba. Na política, "palhaços", Tiriricas, Beppes Grillos, e outros que tais, são a "cultura oficial" desta "democracia". São a bebida que adormece os cérebros para que as pessoas não precisem de pensar. E, não pensando não precisam de agir, de se incomodar. Esquecem os problemas e a falta de dinheiro. Basta-lhes rir que é mais saudável.

Pensar é perigoso para esta "democracia" 

A "comunicação social", alimenta esta cultura. O que é preciso é contentar as audiências. Isto é o que parece ser correto dizer. Mas, como prometi ser politicamente incorrecto, vou dizer a verdade que incomoda alguns:

Os responsáveis da Televisão, os "jornalistas", os "comentadores" lá colocados, de cultura nada percebem. Talvez de futebol. Talvez, ou, provavelmente, nem isso. Mas como foram lá colocados pelos amigos que, quando ouvem falar de cultura, sacam a pistola, são os tipos certos nos lugares certos. Seria perigoso que esses tipos fossem cultos, no sentido progressista da palavra. Não vá o cão morder o dono.

As nódoas e...



Esses (ir)responsáveis, esses que se apelidam de jornalistas, como jornalistas são umas nódoas. Não estão lá para utilizar benzina para limpar o Governo, (como dizia o Eça) mas, ao contrário, estão nesses cargos para espalhar as nódoas, disfarçando assim o contraste que evidencia a nódoa num tecido limpo. 
Segundo a sua teoria, de alimentadores de nódoas, o pano deixa de ser branco para ser uma nódoa pegada. Está então conseguida a sua função. Fica o povo sem perceber que a grande nódoa é nódoa e passa a acreditar que é a cor normal do tecido. Há nódoas como a do Relvas que só cortando o tecido conseguem saír. Mas fica o buraco no tecido já esgarçado.

O mérito de Mário Soares

É esta a "democracia" porque tanto lutou Mário Soares quando conseguiu meter o socialismo na gaveta. Trancou-o bem escondido, para que ninguém mais se lembrasse desses seus maus exemplos de juventude. Assim, com a indispensável ajuda de Kissinger e Carlucci, lançou aos ventos o Socialismo Moderno, o Socialismo "democrático" forma camuflada de espalhar a nódoa para que não se perceba qual a cor original do tecido.

Do povo que engoliu esta "cultura" e comprou como novo o tecido sujo, velho impregnado de nódoas, como sendo uma modernidade, do tal povo que referiu Guerra Junqueiro, espero falar brevemente.

Por agora, mais não digo, pois quero ir ouvir as notícias do Relvas.
Uma nódoa saiu mas deixou um buraco...

01 abril 2013

Recordando Guerra Junqueiro


Em 1896 Guerra Junqueiro caracterizava a justiça “ao arbítrio da Política”. 
As suas duras palavras são hoje muito repetidas por atuais. 

Nessa altura a burguesia estava no poder há um século.  Passou outro século e a burguesia mantém-se no poder. 
Dois séculos na história não é muito. Contudo na vida das pessoas, é caso para dizer: Basta!

Estamos nós numa democracia? Numa República? onde o poder pertence ao povo? 
Hoje, a burguesia não controla apenas a Justiça como denunciava Guerra Junqueiro. 
A burguesia controla todo o Aparelho de Estado. Controla a Justiça, como então, faz as leis, domina o sistema económico, dirige a informação, forja uma educação que deforma as mentalidades, estimula a anticultura do espetáculo sem conteúdo,  das telenovelas, do “pimba”, dos programas que deformam as mentalidades e mentem naquilo que informam. 

E a Igreja? Será diferente?


A igreja colabora nesta deformação intelectual das gerações. Corrompe. É preciso criar pobres porque é deles o reino dos céus. É preciso que os explorados se deixem explorar mais, sejam humildes e, se receberem uma bofetada, como todos os dias recebem, que deem a outra face para receber outras tantas. Nada de revoltas. 
É preciso que hajam alguns muito ricos para dar esmolas aos muitos, muito pobres. É preciso que os pobres fiquem agradecidos e queiram que os ricos roubem mais para continuarem a dar esmolas. 

Esta é a cultura que vem sendo criada e que levou Guerra Junqueiro a dizer  que temos “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas”.

Povo de cobardes?

Numa palavra: teremos um povo de cobardes que finge que não sabe pensar para justificar a cobardia, aceitar as injustiças, em vez de procurar a energia para dar o coice a quem lhes dá as pauladas?

A burguesia no poder, deforma as pessoas, estimula os mais baixos valores, o consumismo, o desperdício, cria necessidades artificiais, as marcas, as etiquetas, as modas, para sujeitar as pessoas a uma pressão que as obriga a gastar, a consumir, a deitar fora, a comprar mais e mais. O capitalismo destrói o planeta, explora todos os recursos naturais sem limites, apenas para os lucros das grandes multinacionais, como tão bem caracterizou Hugo Chaves no seu “discurso silenciado”. 

Alternância sem Alternativa?

Dizia Guerra Junqueiro, que temos um povo imbecilizado que aceita “um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País”, pela estúpida repetição de 37 anos de “erros” dos que dizem não haver alternativa. Desculpa estafada de quem nada quer mudar. Não viveu Guerra Junqueiro nos tempos do capitalismo de hoje. Certamente por isso não disse que  o poder legislativo é cúmplice do Governo e este é criado de quarto dos banqueiros  seus patrões.

Continuará o povo a eleger pantomineiros?

Tal como antes, a burguesia procura criar trabalhadores inconscientes, que sejam explorados e aceitem a exploração de uma “burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, … sem palavra, sem vergonha, sem carácter,… pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro”.

A política de direita com novas caras, novos disfarces

Guerra Junqueiro caracterizava a política de direita e a alternância política exatamente como se passa hoje entre PS e PSD (com ou sem CDS). Dizia ele: “Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar" ou com receio que a comida falte para todos se empanturrarem do mesmo tacho, acrescento eu.




28 dezembro 2012

Paradigmas e preconceitos

Uma arma secreta, 
e bem disfarçada, do poder, para manipular as mentalidades

A cultura e a política de direita domina subtilmente as mentalidades das pessoas. É através de gerações de pais para filhos que se impregnam mentalidades caducas, por vezes, inexplicáveis. 

Normalmente essa cultura e mentalidade conservadoras, apoia-se em paradigmas que se apresentam sem que os reconheçamos como tal. Paradigma é aquilo que a sociedade em geral considera verdadeiro sem refletir sobre isso. De uma forma subtil, os paradigmas dominam os nossos pensamentos a partir de tradições que herdamos dos nossos pais, através da educação, da religião e dos preconceitos. 




Todos temos os nossos paradigmas que por vezes nos limitam, não nos deixam ver claro, condicionam o nosso raciocínio. 
É preciso aprender a identifica-los para nos libertarmos. Por vezes é difícil descobrir os nossos paradigmas porque eles estão nas profundezas do nosso subconsciente e camuflados. 

O paradigma ao serviço de uma classe

Porque é que o Marketing utiliza os paradigmas, preconceitos e ideias feitas, completamente irracionais?
Algumas casos:
- A maioria das pessoas compra um produto com embalagem mais bonita sem saber se é melhor.
- A etiqueta de umas calças pode "valer mais" que as calças.
- Muita gente avalia o estatuto social pelo que uma pessoa veste.
- Qual a razão para usar (ou mesmo ser obrigatório) usar gravata?
- A moda que sentido têm?
A moda escraviza as pessoas que sabem ser avaliadas pelo que vestem e não pelo que valem. 
A moda avalia não a qualidade do que se usa mas apenas se está de acordo com o estilo "oficial" para essa época.
- Qual a racionalidade desse paradigma?
O Marketing cria paradigmas e utiliza-os a favor de quem vende e não de quem compra.
O capitalismo alimenta paradigmas para impedir que as pessoas defendam os seus interesses.

A sociedade e a civilização avançam quando grandes homens rompem com os preconceitos 

Todos os grandes Homens da História, os que revolucionaram a nossa cultura e sociedade, venceram os paradigmas do seu tempo. Jesus rompeu paradigmas. Jesus quebrou as normas e preceitos humanos limitativos. Jesus, perdoou prostitutas, conviveu com pecadores. Jesus lutou contra muitas das regras da sociedade, regras das classes no poder.

Se queremos progredir, inovar, criar, seja na política, na sociedade, na cultura, é preciso alargar horizontes vencendo os paradigmas e preconceitos injustificados, que não servem as pessoas e a sociedade.


É preciso perguntar: PORQUÊ? PARA QUÊ? PARA SERVIR O QUÊ? QUEM?

Há sempre várias formas de ver as coisas. Mesmo em cada época há culturas diferentes que progridem por caminhos diferentes. Precisamos de acutilância na crítica na análise, de perceber o PORQUÊ das coisas. 
Sonhar é romper paradigmas e alargar horizontes. É ter a capacidade de sair dos estreitos limites que a cultura conservadora impõe. É preciso quebrar barreiras mentais, furar regras humanas, para que o sonho se torne realidade. 

Talvez a propósito, ou talvez não, li um texto de Baptista Bastos de que extraio algumas passagens:


A mentira,a manipulação e o preconceito

(Baptista Bastos)


"... O capitalismo está mergulhado numa crise que será sangrenta se as forças progressistas se lhe não opuserem.  “O PCP e o Bloco de Esquerda cumprem o seu papel [...] de travão aos desmandos do poder. Dir-se-á que pouco podem fazer; talvez. Mas muitas coisas estariam pior não fosse a intervenção deles. E também constituem forças morais e éticas num período da História em que, parece, esses valores e padrões soçobram, ante as investidas actuais. Não é necessário ser comunista ou bloquista para se compreender a natureza de certos partidos. E o preconceito ideológico, sabiamente organizado e dirigido, prejudica, inclusive, o conhecimento dos factos e as verdades históricas. Até quando?”


Para relembrar:



14 setembro 2012

FOTOGRAFIAS DA FESTA!

A Festa do Avante é o ponto de encontro da história, cultura e criatividade populares das regiões de Portugal.





05 setembro 2012

O que o capitalismo nos ensina


Os homens de sucesso

O capitalismo não vive sem o desemprego. Para chantagear os trabalhadores, para poder explorar precisa de um exército de desempregados, de famintos que aceitem todas as condições se quiserem sobreviver. As regras do liberalismo são simples: Tu és livre de escolher. Ou aceitas ou… desenrasca-te. Quem não aceitar que procure outras. Mas… neste sistema, há alternativas?
Aos trabalhadores desta sociedade, não se oferecem possibilidades para estudar, para serem eles a criar os seus próprios empregos, a criar empresas. Não têm capital para investir e muito menos para concorrer com as empresas capitalistas, porque nunca ganharam o suficiente só possível a explorar outros trabalhadores.

Trabalhador é mercadoria que...

No esclavagismo a exploração era mais simples. O dono do escravo, alimentava-o e quando este não rendia, não o despedia. Matava-o.

No feudalismo, o senhor obrigava o servo a trabalhar nas suas terras para poder comer. Como todas as terras eram dos senhores…

Nesta sociedade, capitalista a exploração é mais elaborada. Os senhores feudais passaram a proprietários de fábricas e empresas. O trabalhador é mercadoria que se compra e se vende. O seu preço está sujeito às leis do mercado.

Para o capitalista, bons trabalhadores, que valem mais, são os que mais fazem produzir os outros. Dão mais lucro e aceitam as condições e regras da exploração. São os que têm regalias sem impor condições e impedem os outros trabalhadores de exigir direitos. São os que se submetem.

Tudo se compra ou vende. Assim haja mercado

O capitalismo ensina a trocar favores em vez de conquistar direitos. Ensina a corromper e ser corrompido. O capitalismo ensina que o mundo é dos “espertos” é dos que se sabem safar, dos que para subir na vida precisam de tombar os “competidores”. O capitalismo ensina que a solidariedade é uma treta e que o que conta é a competitividade. O mundo é dos mais fortes (com mais dinheiro) ou dos mais espertos para lixar o parceiro. 

O capitalismo ensina que tudo se compra e tudo se vende. O pai e a mãe incluídos. Assim haja mercado. 
No capitalismo os “homens de sucesso” são os não olham a meios para atingir os fins. No capitalismo o que conta são os resultados traduzidos em capital, em dinheiro.

Capitalistas de sucesso

Homens de sucesso são Valentins ou Dias Loureiros, Jorges Coelhos, Oliveiras e Costas, Ruis Machetes, Duartes Limas, Miras Amarais, Cavacos, Raposos, Isaltinos, Durões e outros que tais, mais ou menos graúdos.

O capitalismo ensina que, de acordo com as leis que faz, o que é preciso é ter bons advogados para que não seja qualquer “borra botas”, sem dinheiro, a competir com os homens de sucesso. Ladrão é o que rouba um pão! Não é o que rouba um milhão! E como o capitalismo ensina isso através de todos os meios que dispõe, comunicação social em primeiro lugar, os portugueses aprendem as lições e transformam-nas em cultura, em cultura de massas. 

Programas e concursos de televisão, cuja "cultura" é o ser esperto, dizer baboseiras e parvoíces para assim falar a linguagem que os telespectadores gostam, valorizam a competitividade, a violência, os baixos valores morais e aumentam as audiências.

...se eu pudesse fazia o mesmo

As frases batidas de “o mundo é dos espertos”, “bem fazem eles, se eu pudesse fazia o mesmo”, “eles é que as sabem fazer”, “parvo era ele se não roubasse”, e muitas outras que todos os dias se ouvem nas entrevistas de rua, mostram que séculos de confronto entre classes, ensinaram bem o povo. É por isso que o capitalismo tem tido o enorme sucesso de implantar uma “democracia” em que os explorados votam nos exploradores, reconhecendo neles a “esperteza” garantida para melhor (se) governarem. 

Por isso é natural que um Cavaco continue a ganhar eleições apesar de ter arruinado o país. Percebe-se porque Sócrates, Passos Coelhos, Relvas, Portas que sucederam a Soares, Melancias, Linos, Coelhones(1) e outros doutorados em mentiras, mais ou menos submarinas, trafulhices, espertezas, e outras especialidades em que foram diplomados, todos os dias inclusive aos fins de semana, continuem (eles e a sua política) a ser os escolhidos para bem governar este povo.

Mas existem outras sabedorias que dizem:
"Cada um colhe o que semeia"
(1) Outros "homens de sucesso" aqui não referidos por falta de espaço, são tantos, que me desculpem a omissão.


12 abril 2012

Palmilha Dentada

O Medo que o General Não Tinha

O Teatro da Palmilha Dentada apresenta “O guardião do rio” e “O medo que o general não tinha” no Teatro Helena Sá e Costa de 12 de Abril a 6 de Maio, de terça a domingo, às 21h46 e 22h46 respectivamente.

O Medo que o General Não Tinha” tem texto Ricardo Alves e Rodrigo Santos, encenação de Ricardo Alves e interpretação de Rodrigo Santos.


Em Portugal tivemos um general que não teve medo. Hoje parece que temos medo. Do general ficou-nos a memória, o nome em algumas praças e fotos. As fotos, onde o general emoldurado por uma multidão, provam que não foi apenas o general, sem medo. Acreditou-se não ser necessário o medo. Foi um impulso que nos libertou. Depois o tempo passou, assaltaram o paquete de Santa Maria, em Abril passearam os cravos, chegamos à Europa e ao novo século.
Do general ficou-nos a memória e o nome em algumas praças. 

07 fevereiro 2012

50.000 visitas

Um ano e um mês a "Conversar"


C de... atingiu 50.000 visitas num ano e um mês de vida. 82 amigos aderiram e seguem este blogue.

Tem sido seu objectivo Comunicar, Conversar, Comentar, Criticar, despertar Consciências... sempre de forma despretensiosa, simples. 

Dirije-se a todas as pessoas que, tal como eu, se interessam por Compreender o mundo em que vivemos e Cooperar para o tornar melhor. 
Compreender, sem aceitar como verdades absolutas, aquilo que nos amarra a culturas do passado, culturas e preconceitos que são transmitidas, sem crítica, por gerações. Culturas que tiveram o seu tempo mas que envelheceram, como tudo na vida. Compreende-las é, também, importante para avançar na luta para vencer as crendices que sustentam este mundo de injustiças e desigualdades.


Creio nesse Conhecimento que Cresce e Cria nova Consciência, Cívica e Cultural e a "C de..." de Justiça, Solidariedade e Paz.

Diz o poeta: “Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”. 

Foram 50.000 as visitas, num ano e um mês de trabalho para manter este diálogo quase diário. Um ano de trabalho, mas com gosto.

Gostaria de corrigir os, certamente muitos, erros de conteúdo e de forma, nas abordagens que fiz. 
Gostaria ter aprendido, mais, com os erros em que não reparei e que não me foram apontados. 
Para isso preciso da ajuda dos vossos comentários.
Aprender, aprender sempre é um lema que procuro seguir.

A todos os visitantes deste blogue, a todos os amigos, amigas, camaradas, companheiros e companheiras de luta, um sincero e caloroso abraço.

14 dezembro 2011

Destruição da nossa cultura

Fim do ensino da língua e cultura portuguesa no estrangeiro

No blog Emigração foi hoje noticiado que o Governo de Portugal, com o apoio do Instituto Camões, decidiu acabar com o Ensino de Português no Estrangeiro (EPE). Diz a notícia: "É o fim, … em 72 países perdem os empregos 1691 docentes e 155 000 jovens e crianças portuguesas e luso-descendentes a possibilidade de estudar a sua língua e cultura materna.

A menos de um mês do final do primeiro semestre de aulas, – a 29 de Novembro – 20 docentes na suíça dos cursos de língua e cultura portuguesa no estrangeiro receberam uma comunicação – primeiro por telefone e posteriormente por via electrónica – que a 31 de Dezembro 2011 cessariam as suas funções. A indignação instalou-se na comunidade portuguesa.

Ver mais (aqui)

Perante a situação a que nos conduziram, ministros que deveriam defender as funções de que foram investidos e para as quais são pagos (e bem) por todos nós, têm o desplante de aconselhar os jovens portugueses a emigrar. 
Quando é que reagimos a tanta barbaridade que esta política de direita, ao serviço dos bancos, dos negócios para alguns, nos impõe?
Quando será que a revolta é suficiente para corrermos com estes bandidos que destroem o país e as nossas vidas?

Também (no blog citado) se informa:
Criado na Alemanha movimento para defesa do ensino de português no estrangeiro. Resposta do Grupo Parlamentar do PCP ao “Colectivo para a Defesa do EPE “, de França.


O PCP criticou fortemente estas opções do Governo no Orçamento de Estado (ver vídeo) e respondeu a esta grave situação com uma carta que pode ser vista (aqui). 


24 agosto 2011

Ricardo Mutti




Um momento intenso e de emoção para os apaixonados pela liberdade.

Hoje recebi uma mensagem, daquelas, poucas, que nos emocionam, no meio de tanto lixo, de publicidade, correntes, e anedotas estúpidas e pimba, que este ambiente anti-cultura (com a televisão a liderar) vai estimulando. Sei quem ma enviou, conheço o seu bom gosto, mas não conheço o autor do escrito. Pouco importa. Poderia ser um dos muitos, felizmente atentos e despertos para os problemas da nossa sociedade.

Dizia o seguinte, a mensagem:
No último dia 12 de março a Itália festejava os 150 anos de sua criação, ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilônia, uma obra não só musical mas também, política à época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840).

Sylvio Berlusconi assistia, pessoalmente, à apresentação, que era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti. Antes da apresentação o prefeito de Roma, Gianni Alemanno - ex-ministro do governo Berlusconi, discursou, protestando contra os cortes nas verbas da cultura, o que contribuiu para politizar o evento.

Como Mutti declararia ao TIME, houve, já de início, uma incomum ovação, clima que se transformou numa verdadeira "noite de revolução" quando sentiu uma atmosfera de tensão ao se iniciar os acordes do coral "Va pensiero" o famoso hino contra a dominação. Há situações que não se pode descrever, mas apenas sentir; o silêncio absoluto do público, na expectativa do hino; clima que setransforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reação visceral do público quando o côro entoa - "Ó minha pátria, tão bela e perdida. Ao terminar o hino os aplausos da plateia interrompem a ópera e o público se manifesta com gritos de "bis", "viva Itália", "viva Verdi".
Das galerias são lançados papéis com mensagens políticas.

Não sendo usual dar bis durante uma ópera, e embora Mutti já o tenha feito uma vez em 1986, no teatro La Scala de Milão, o maestro hesitou pois, como ele depois disse: "não cabia um simples bis; havia de ter um propósito particular". Dado que o público já havia revelado seu sentimento patriótico o maestro voltou-se e encarou os presentes e o próprio Berlusconi. Fez-se silêncio. Então, reagindo a um grito de "longa vida à Itália" disse RICCARDO MUTTI:

"Sim, longa vida à Itália mas... [aplausos]. Não tenho mais 30 anos e já vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho vergonha do que se passa no meu país. Portanto aquieço a vosso pedido de bis para o Va Pensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o côro que cantava "Ó meu pais, belo e perdido", eu pensava que, a continuarmos assim, mataremos a cultura sobre a qual assenta a história da Itália. Neste caso, nós, nossa pátria, será verdadeiramente "bela e perdida". [aplausos retumbantes, inclusive dos artistas da peça] Reina aqui um "clima italiano"; eu, Mutti, me calei por longos anos.
Gostaria agora...nós deveriamos dar sentido a este canto; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e com um côro que cantou magnificamente e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para cantarmos juntos."







Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Coro dos Escravos.
Pessoas se levantaram. Toda a ópera de Roma se levantou... O coral também se levantou. Foi um momento magnífico na ópera! Vê-se, também, o pranto dos artistas.
Aquela noite não foi apenas uma apresentação do Nabuco mas, sobretudo, uma declaração do teatro da capital dirigida aos políticos.


16 maio 2011

A destruição da Cultura

Não é apenas a Televisão que promove a "anti-cultura"


O Sector Intelectual do PCP analizou a política cultural da última década e emitiu um comunicado em que constata que os "responsáveis sucessivos no Ministério da Cultura ao longo dos últimos 10 anos, asfixiaram financeiramente o sector, minimizaram os apoios do Estado e as políticas públicas, alienaram competências e responsabilidades". 

Uma década de reestruturações desastrosas


Na linha de uma política de desastre económico e social, considera o Sector Intelectual do PCP que "com o pretexto da “empresarialização” foram criadas as Entidades Públicas Empresariais (EPE’s) e multiplicaram-se as fundações". A burocracia criada e a desarticulação de serviços, provocaram um enorme retrocesso na cultura em Portugal.

Este caminho vem sendo seguida há muitos anos pelos que têm conduzido a política no país, PS, PSD e CDS. Não, nos queiram enganar com a "crise". Há muitos anos que os apoios à cultura são reduzidos. E a cultura não se promove apenas com mais dinheiro. Pode fazer-se uma política cultural progressista com pouco dinheiro. É exemplo disso o que muitas autarquias da CDU fazem, com projectos inovadores e com a participação das colectividades e populações. Como diz o Sector Intelectual do PCP os Governos há muitos anos que reduzem "os apoios à acção cultural descentralizada, aos criadores individuais e aos pequenos projectos, aos espaços e programações de criação e experimentação, aos mediadores culturais". Também as autarquias com políticas de direita, salvo honrosas excepções, promovem acções de fachada de populismo de mau gosto, e a cultura pimba que deseduca e dá votos. 




As opções políticas e a manipulação das consciência

O Orçamento de Estado para a Cultura representa apenas 0,4% da despesa da Administração Pública e mesmo assim não é cumprido. Comparemos este Orçamento com o que foi enterrado nos bancos privados, ou com a fraude do BPN, ou com a compra dos submarinos, ou com os gastos na NATO e instituições idênticas. Só quem for cego não vê que as opções políticas destes partidos, nada têm a ver com os interesses do povo trabalhador.

O cérebro, para bem pensar, precisa de exercício. Mas, o exercício cansa. Mais vale a distracção da televisão.

Para que os eleitores fiquem mais distraídos e adormecidos, a Televisão encarrega-se de fornecer mais umas boas doses de concursos, telenovelas, shows, casamentos reais, ignomínias, crimes bem condimentados e carlo castrados, entremeados com muitos jogos e escândalos de futebol, para bem alimentar quem não tem dinheiro para comer ou, anestesiar quem tem dores mas não pode cuidar da saúde.

15 maio 2011

A manipulação da "comunicação social" (2)

O papel da Televisão


É bem sabido que os Órgãos de Comunicação Social são um poder que actua segundo critérios, não sociais mas, do interesse ideológico dos grandes grupos económicos. 
Todos eles, mas a Televisão em especial, difundem culturas, políticas e valores que influenciam as pessoas, orientando tendências, ou "formatando-as", de acordo com um modelo estudado para as tornar acríticas e dóceis, aceitando como verdadeiro o que, quem interessar, diz. 




A Televisão, em especial, afasta-se da missão de “Serviço Público”, copia o que há de pior nas televisões americanas e dos países controlados pelo grande capital, que aperfeiçoam as técnicas para captar o interesse do espectador pouco culto, o interesse das grandes audiências, ao mesmo tempo que inculcam conceitos e ideias que apelam aos sentimentos mais baixos, de egoísmo, do salve-se quem puder, da competição sem princípios. Oferecem, como ideal do homem comum, de baixa cultura, o sucesso sem princípios, o espertalhaço, o desenrascado. Estes baixos valores, são de fácil adesão pelas massas de espectadores, pois não exigem nada mais do que dar vazão aos sentimentos primários da lei da selva. A televisão raramente forma as pessoas, como cidadãos e participantes responsáveis na sociedade. 
A televisão, abandona os conteúdos de qualidade para apostar na vulgaridade que não exige esforço de reflexão ao espectador. A mediocridade é vista como um nivelamento pela “média”, um meio-termo que, sem esforço alcança todos os espectadores, e assim funciona como meta redutora. 


Merece a nossa reflexão este papel nivelador (por baixo), formatando todos os cidadãos numa cultura pobre, enquanto, ao nível social e económico, as desigualdades se acentuam. 

10 janeiro 2011

O pior analfabeto

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Não quer ouvir, não fala, não participa dos acontecimentos. Não sabe que, o custo de vida, o preço do feijão, pão, farinha, vestuário calçado, remédios, dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão orgulhoso e burro que diz, com vaidade, que odeia a política. Não sabe que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político corrupto, lacaio do grande capital nacional e multinacional "
(ataptado de Bertolt Brecht).