A miséria moral de Epstein é tão grande quanto a sua riqueza financeira.
Os mais recentes documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA detalham a forma como o falecido financeiro Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, manteve uma ativa rede de contactos em vários países com mulheres, modelos e encontros com figuras políticas e empresariais e tráfico sexual de menores e sua violação.
De acordo com uma nota na agenda, em janeiro de 2019, Epstein organizou uma visita relâmpago a Bruxelas: chegaria de comboio vindo de Paris por volta das 17h00 e partiria pouco depois das 20h00, acompanhado por associados não identificados de França e da Ucrânia.
Em 2019, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia, Miroslav Lajcak, sugeriu um encontro no restaurante La Brasserie des Étangs Mellaerts. Depois de ter sido revelado que manteve contacto com Epstein depois da condenação deste em 2008, Lajcak demitiu-se no sábado do cargo de conselheiro de segurança nacional, embora tenha mantido a sua inocência.
Entretanto, o ex-ministro britânico e ex-comissário europeu Peter Mandelson recomendou o restaurante L’Idiot Du Village a Epstein. Mandelson, demitido em setembro pela sua relação com o financeiro, está a ser investigado por ter divulgado informações confidenciais da UE a Epstein em 2010.
O príncipe Laurent da Bélgica confirmou dois encontros com Epstein esta semana, depois de o seu nome ter aparecido na agenda do financeiro, insistindo que não fez nada de impróprio para abafar os "rumores".
Interferência em Assuntos Europeus
A correspondência mostra que Epstein também discutiu assuntos regulamentares europeus. Em 2018, trocou e-mails com Steve Bannon, antigo conselheiro de Donald Trump, sobre os planos da Comissão Europeia para regular as criptomoedas. Em 2015, enquanto a UE ultimava os trabalhos preparatórios para o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), um investigador de cibersegurança pediu a sua opinião sobre um discurso no Parlamento Europeu relativo ao software de vigilância, dizendo-lhe que seria um "bom exemplo do público-alvo". O seu advogado recusou comentar.
Os autos do processo continuam a revelar a extensão das redes que o falecido financeiro teceu nos círculos de poder europeus, enquanto prosseguem várias investigações.
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