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12 outubro 2025

Até Já

 De: https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2025/10/11/ate-ja/ retirei esta mensagem de Raquel Varela que, apesar de não me surpreender, me impressionou.

Até já

Como é público, a nova Direção de Informação da RTP decidiu não continuar a contar comigo nos programas de debate semanal. Quero, ao final destes 11 anos, deixar aqui algumas notas que serão, espero, sinceras e delicadas.

Quero agradecer a quem me convidou, a quem esteve na organização e na produção, dos jornalistas aos técnicos de som, imagem, produção, realização, maquilhagem, cabeleireiro, um trabalho imenso e essencial. Fui acarinhada por tantos. 

Quero agradecer aos amigos, colegas, camaradas (gosto desta palavra) com quem discuti semanalmente os temas, e a muitas outras dezenas de pessoas a quem, consoante os assuntos, telefonei, com quem me reuni para aprofundar saberes que nenhum indivíduo sozinho domina. 

Vivi anos em países “nórdicos” onde a sinceridade não é vista como má educação. São países mais adultos e com uma esfera pública mais desenvolvida. Em Portugal, o desacordo frontal é mal visto (a não ser nos programas sobre futebol) e rapidamente se passa de debater ideias a acusar e insultar pessoas. Em suma, as pessoas fogem ao debate porque acham que assim evitam conflitos ou porque assim fomos habituados à força por décadas de ditadura. Mas o que acontece é que a violência verbal, a desconfiança, a coscuvilhice se instalam nessa ausência de debatermos frontalmente as divergências. 

A minha saída do comentário semanal da RTP não se deve certamente a audiências, já que em todos os programas onde estive elas subiram. Há, porém, muitos programas sem grandes audiências que são excelentes, outros com grandes audiências que são uma desgraça para o nível geral de educação do país (desqualificam-no e embrutecem-no) e alguns com boas audiências que são bons ou excelentes. Saio por uma escolha política – todas as escolhas são políticas, e devemos falar abertamente delas.

Há um quadro de mudança política no país. Está no poder um Governo da AD, com o apoio da IL, com influência crescente do partido fascista Chega. Há uma situação mundial de degradação do modo de vida e do debate de ideias. O Presidente dos EUA comunica por tweets e memes, e disse querer transformar Gaza num resort. Por cá, o presidente do Chega lidera uma organização racista que usa a mentira como arma política de eleição, e a internet está cheia de perfis falsos que reproduzem a propaganda do Chega. A União Europeia corta o orçamento para a saúde, para a educação, para a agricultura para produzir drones carros e aviões de combate, munições para matar, amputar e dizimar o género humano, a primeira pátria a que pertenço.

Pautei-me todos estes anos por uma defesa intransigente da liberdade de expressão.  Mesmo contra um centro-esquerda capitulador, moralista e descafeinado. Aquilo a que hoje se assiste é, porém, de enorme gravidade. Tenho vinte anos de carreira como historiadora e professora. Se afirmo que o Chega é fascista não é para produzir efeito mediático. Sou cuidadosa com os conceitos. Estamos a viver a legitimação do irracionalismo, do culto do Estado, da punição, da violência verbal (e física) contra os percebidos como mais fracos e da mentira como “opinião”. Que o Estado tenha legalizado isto é uma coisa, que eu como historiadora o aceitasse seria uma rutura ética com o meu trabalho. 

A minha saída de comentadora da RTP fragiliza ainda mais a esfera pública. Não por mim, pois ninguém é insubstituível. Mas porque as vozes como a minha não representam mais uma “opinião”. Reflectem um modo de pensar a sociedade em que vivemos, com demonstração de argumentos e critério de verdade – errando, também  -, que  discorda abertamente dos grandes mantras da opinião publicada: a inevitabilidade do capitalismo, e da guerra, a naturalização do sofrimento e assédio contra quem trabalha. Defendi a Democracia sem adjetivos, que só pode ser de base, participativa, e a auto-organização dos cidadãos, plenos no uso da Razão, independente do Estado. 

A voz pública é uma necessidade. Deve ser séria e diversa. É-o cada vez menos. E é isso que tem levado, também, à quebra de audiências – a repetição ad nauseam dos mesmos argumentos, da mesma falta de imaginação ou de vontade para repensar a sociedade. O que produzimos? Para quem produzimos? Como produzimos? Estas questões, que são centrais para a humanidade, quase nunca são feitas, fagocitadas por uma comunicação ligeira e ideologicamente homogénea.

Estive, por vezes sozinha como comentadora, ao lado das primeiras greves dos estivadores, da greve cirúrgica dos enfermeiros, da paralisação dos camionistas e da greve dos trabalhadores da AutoEuropa contra o trabalho ao domingo, todos alvo de campanhas mediáticas que pareciam verdades indiscutíveis na altura e mentiras descaradas dias depois. E estive, com poucos mais comentadores, ao lado das greves dos professores, médicos, maquinistas, transportes em geral, sustentando o que para mim é óbvio – se há alguém capaz de parar esta deriva para a guerra e para a morte são os trabalhadores organizados.  

Nos últimos anos, nunca saí de casa sem que viessem ter comigo pessoas para falar, agradecer, apoiar, conversar. Recebi carinho e afeto, abraços, nos cafés, nos aviões, nas filas de serviços apinhados, nas escolas, entre as empregadas de limpeza de jardins e trabalhadores da ferrovia, motoristas e professores, enfermeiros e médicos. Tudo isso me ajudou a conhecer um país decente, que existe, embora muitas vezes sem voz. Muito obrigado a todas e a cada uma dessas pessoas. Ajudaram-me muito a crescer e a ter força para continuar.

Há um Portugal sentado e outro de pé. O de pé é quem vive do trabalho, e que todos os dias assegura a produção e a reprodução da nossa vida. É nesse país, dos que trabalham, que me revejo e ao qual procurei dar voz. Se fui um pouco voz desse Portugal ignorado, valeu a pena.

Continuarei a fazer ouvir a minha voz e ideias, a defender os trabalhadores e os seus direitos, a dar aulas públicas e conferências, cursos, documentários, livros, a lutar por um outro país assente no bem comum, na igualdade real, na democracia do povo e na liberdade. 

Até breve 

 

09 novembro 2015

Sai PSD/CDS ficam os seus publicistas

Uma das tarefas prioritárias:
Desmascarar os que há anos manipulam as consciências, desinformam, mentem e têm conseguido enganar.

Apesar das mentiras e manipulações foi conseguido o resultado das eleições que permitiu eleger uma maioria de deputados que se recusa a continuar a política do PSD/CDS que arruinou o país. Apesar das vergonhosas campanhas e chantagens tão difundidas na Comunicação Social, foi conseguido o acordo para viabilizar um governo do PS que se compromete a romper com a já extenuante política de direita. Agora é preciso, é urgente, curar a peste que as forças reacionárias propagaram nos órgãos de comunicação social, em especial na Televisão. Comentadores, cronistas e politólogos, ao serviço dos interesses que arruinaram o país e, com isso bem se governaram, transmitem todos o pensamento único, mascarado de várias linguagens, sem permitirem o verdadeiro contraditório em igualdade de condições. A generalidade dos meios de comunicação e em especial os privados, propriedade de grandes grupos económicos, foi sistematicamente invadida por gente com opções de classe bem definidas, que servem a ideologia da direita, muitas vezes da extrema direita fascizante. O que deveria ser um instrumento da democracia, de debate onde as opiniões contraditórias se expressassem em igualdade de oportunidades, passou a ser um instrumento de uma ideologia, de uma classe dominante que pretende eternizar o seu domínio para bem explorar e ainda fazer com que os explorados agradeçam a exploração, como lei de divina ou, natural.
A maioria dos meios de comunicação, Televisões em especial, são hoje um instrumento de domínio das consciências, quase sempre pago com o dinheiro dos manipulados.
O papel de informação e formação que os meios de comunicação social deveriam ter inverteu-se para promover a mentira, a desinformação, a "distração" e a deformação.


Diz a Constituição da República que:
"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão..."
"Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações".
"O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura".
"A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião."
É isto que se impõe.

29 outubro 2015

Oposição? Quem é a oposição?

Mudaram as maiorias, não mudaram os "fazedores de opinião"

É preciso insistir, de forma simples e clara, para que a direita, os comentadores e jornalistas não consigam continuar a confundir os telespectadores.

Os factos:
A direita, perdeu a maioria. Teve, menos votos e menos deputados que a esquerda.

Se considerarmos oposição, quem se opõe à maioria, a esquerda tem mais votos, e mais deputados na Assembleia da Republica. A oposição é a direita.

Na base desta mudança está a mudança que o PS anunciou na campanha eleitoral, de não continuar a apoiar a política de direita. Isso abriu a possibilidade de unir a esquerda.
O povo votou na mudança e retirou a maioria ao Governo do PSD+CDS.

O PCP de imediato tomou a iniciativa de propor ao PS a formação do Governo. BE fez o mesmo.
A direita, sem a maioria, está apavorada, e tenta manipular.
Até já promove manifestações de rua.


O papel das Televisões

Os Governos montaram uma poderosa máquina ideológica na comunicação social, em especial nas Televisões, para ludibriar e fazer campanha ideológica da direita.
Encheram-se de comentadores e jornalistas de direita, conservadores, agora, cada vez mais agressivos na defesa dos argumentos do Governo PSD/CDS.

A esquerda, tem urgentemente que tomar medidas para defender a democracia, a liberdade de expressão e a sanidade pública.

05 outubro 2015

Resultados das eleições legislativas

Resultados... e o que vem a seguir.
Um balanço muito provisório

Nesta noite de insónias e do Aniversário da Implantação da República, todos os olhares se voltaram para a Televisão. Não para ver ou ouvir o Presidente da República que está muito ocupado, coitado, mas para ver e ouvir o que a Televisão, nos informava no meio de muito lixo tóxico. Como é habitual, manteve a sua estratégia de diminuir a esquerda continuando a lamber as botas da direita. São assim os Jornalistas que temos. Aproveitaram ou atrasaram a divulgação dos resultados onde a esquerda tem sempre mais votos, como é o caso de Lisboa, Setúbal e outros para, face aos resultados que chegavam das zonas mais conservadoras, manipular e esconder a vitória dos partidos de esquerda. Esta só viria a ser mais expressiva a altas horas da madrugada, com a maioria das pessoas a dormir.

O papel do "Quarto Poder"

A comunicação social conhecida como o Quarto Poder, acima dos poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi por isso, há muito “privatizada”, comprada pelos grandes grupos financeiros. Quarto poder que exerce a sua ditatorial função, arma do capital financeiro, para desinformar, manipular e enganar os menos atentos.
Foi esse poder, antidemocrático, que impôs que na Televisão em canal aberto, apenas se fizesse um debate entre Passos e Costa, esquecendo os outros. Foi esse poder ditatorial que impôs que nas primeiras páginas dos jornais só esses aparecessem. Foi esse quarto poder, face do poder do dinheiro, que levou jornalistas a escrever milhares de palavras, que desviaram a campanha para questões fúteis, esquecendo o fundamental e, fizeram dela um jogo de futebol, entre PAF(PSD/CDS) e o PS.

A bipolarização forçada

Assim construíram uma brutal bipolarização, fazendo crer a muita gente que só havia dois contendores, curiosamente, ambos com a mesma política: A direita, (direita do PSD/CDS) e a "esquerda" PS com a sua tradicional política de direita. Esse prato de lentilhas foi temperado com a falsa ideia de "voto útil" que Costa reconheceu que não foi suficiente para que o PS ultrapassasse o PAF.
Na realidade todos esses truques e armadilhas da Comunicação Social e Televisão não conseguiram evitar a subida dos partidos de esquerda e a descida dos partidos da direita. Mais uma vez a Comunicação Social levou a noite toda a tentar esconder isso e a continuar a intoxicar os cérebros menos defendidos.


Já hoje de madrugada procurei as declarações dos partidos. Do PS achei estranho que na sua página na Internet - Notícias e Diário da Campanha nada se refira aos resultados das eleições e nem sequer o discurso de Costa. Nada de oficial encontrei. Registei do que ouvi Costa dizer, que o PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social [que o serviu muito bem, digo eu] quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!. Desesperado apelo que a Comunicação Social tanto se esmerou a ampliar para que votos de esquerda fossem para o PS. Certamente tal esforço desesperado alguns resultados teve. Certamente muitos votos de esquerda de pessoas, ideologicamente mais débeis ou enganadas pelo "voto útil", foram desperdiçados no PS mostrando aquilo que a CDU vem tentando alertar: Votos úteis são apenas aqueles que não atraiçoam.

Objectivos e a realidade

Jerónimo de Sousa confirmou: «Não é possível deixar de assinalar que este resultado foi construído sob uma intensa campanha ideológica e de condicionamento eleitoral, de chantagem e medo».
Disse ainda: «a CDU reafirma a convicção de que a política patriótica e de esquerda que propomos para enfrentar e vencer os problemas nacionais, emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita - seja quais forem as arrumações que se vierem a revelar nos próximos dias – quer conduzir o país».
Na realidade, para estas eleições a CDU definiu 3 objectivos: aumentar votos em relação a 2011, subir em percentagem e ter mais deputados
Podemos dizer que foram objectivos modestos mas, como se confirmou, foram objectivos realistas como é timbre do PCP e da CDU. Foi pequeno o avanço, mas foi um avanço.
Para que não se prolongue o sofrimento do povo e não se acentue o declínio do País talvez fosse bom sermos mais ambiciosos. Para isso, é sobretudo preciso vencer este “quarto poder” antidemocrático, o monstro em que se está a tornar a Comunicação Social e que impede o povo de reflectir livremente sem preconceitos, medos e chantagens.

A possível maioria de esquerda

Passadas estas eleições, António Costa, vencido e, ao contrário do que o BE e PCP já disseram, parece querer entregar-se, (se não era essa a intenção) nas mãos da direita, admitindo deixar passar o governo do PSD/CDS.
Esta doença dos partidos chamados do "arco da governação" é incurável e faz com que António Costa, que durante a campanha várias vezes insistiu em que a direita não tinha com quem dialogar, e que o PS tinha, vá dialogar com a direita esquecendo os partidos em ascensão, BE e PCP-PEV.
Não deixemos que nos iludam. Recordemos que PS, CDU, BE, representam mais de 50% dos eleitores e a maioria na Assembleia da República. As soluções estão agora nas mão do PS que, se quiser fazer uma política de ruptura com a direita, como chegou a prometer, tem a oportunidade de não viabilizar um governo de direita e enveredar por uma política que possa ter o apoio da esquerda. O resto se verá.

02 outubro 2015

Concatena, filho, concatena...

O papel da Televisão (e da Comunicação Social) na bipolarização, ou na alternância disfarçada de alternativa.

No texto aqui ontem publicado, o jornalista Presidente da Presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, ao analisar o que a Comunicação Social tem feito, mostrou:

«Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas».
Termina dizendo:
«...isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados...»

A analise poderia mostrar muitos mais truques que há 39 anos, manipulam as ideias e as consciências (em especial as mais fracas) dos eleitores.

Assim se fabricam ideias erradas e as ideias erradas produzem decisões erradas e as decisões erradas estragam a vida de muita gente. Por isso vem a propósito dizer:
Concatena, filho, concatena...

26 setembro 2015

Para refletirmos III

A "campanha negra"
Notas de um artigo de opinião de Carlos Gonçalves no Avante
 
« - As «sondagens», concebidas como armas de mistificação de massas para «fazer cabeças» e fabricar resultados nos media dominantes, que, quanto muito, indiciam tendências e nunca o «score» eleitoral, de que estão muito longe, já que as margens de erro, no caso da RTP, podem somar ou retirar a qualquer força dois por cento ... Não são sondagens, são palpites e manipulações da política de direita, para impor os «resultados convenientes"...»

«... As calúnias do Expresso à Festa, ou as agressões cobardes de quatro fascistas são expressão do seu medo de que este povo tome nas suas mãos o futuro do País».

«- As tretas dos protagonistas da política de direita, que falsificam todas as estatísticas e convergem, à beira de eleições, com a revisão reles do «rating» de Portugal pela Standard & Poors – a tal que abichou centenas de milhões com notificações falsas no Lemhan Brothers e que o próprio governo USA fez pagar 1,5 mil milhões de dólares para suspender um processo crime por fraude...»

«São manobras da «campanha negra», insidiosa e perigosa...»

sublinhados meus.

24 agosto 2015

Teoria da Conspiração

A censura dissimulada

Do blog Mundo Cão retirei as seguintes notas:
A «chamada teoria da conspiração, é uma maneira de colar o mesmo rótulo de descrédito em denúncias fundamentadas sobre assuntos importantes mal contados por quem nos governa…/… Trata-se de uma manobra insidiosa para invalidar o contraditório, para amarrar a opinião pública a uma explicação única e definitiva das coisas em vez de a por a reflectir sobre as realidades que nos cercam. É interessante, por exemplo, que haja jornalistas a colaborar nesta mistificação mesmo sabendo – ou devendo saber – que estão a enviar para o grupo dos aldrabões e lunáticos os seus camaradas de profissão que fazem o que têm a fazer: investigar, procurar verdades, sobretudo quando são escondidas».

De facto a facilidade com que se aplica o rótulo de “teoria da conspiração” mostra a cobardia de quem não tem argumentos e quer fugir ao debate dos assuntos.
Questões como «…o golpe na Ucrânia ter conduzido a um governo fascista, ou a possibilidade de o MH 17 não ter sido derrubado por um míssil russo, ou a circunstância de haver produtos comercializados pela multinacional Monsanto que envenenam pessoas e o planeta, ou a invasão do Iraque ter sido baseada num chorrilho de mentiras, ou o neoliberalismo existir e ter criado a crise como regime global…» são assuntos proibidos e censurados pela comunicação social. Proibidos e censurados porquê? Por isso mesmo. Por serem incómodos para quem os censura.

A pluralidade de opiniões
Quando Ford lançou a fabricação de automóveis em série, alguem lhe perguntou se se podia escolher a cor do carro.
Ele respondeu:
Qualquer um pode escolher a cor desde que seja o preto.

Alguns dos comentadores e politólogos da "cassete" do pensamento único. Na foto não se vêm as palas que têm no cérebro, 

Não sendo a censura feita da mesma forma que Salazar fazia, esta censura actual, na Televisão e na generalidade dos meios de comunicação, o que é facto é que tem exactamente os mesmos efeitos, esconder o que não lhes interessa mas, agora, de forma ainda é mais enganadora.
No fascismo ninguém, nem os próprios fascistas, escondiam que havia censura. Por isso, quando líamos um jornal estávamos prevenidos. Agora nesta chamada “democracia”, onde a maioria das liberdades têm que ser compradas por muito dinheiro, a censura, a manipulação das ideias, a deturpação e omissão dos factos, está escondida por uma falsa capa de liberdade de informação. E quando alguém quer fazer uso da sua liberdade e direito de pôr em dúvida, essas “verdades” falsas, logo é apelidado de promotor da “teoria da conspiração” e, o mais grave, é silenciado sem que tenha oportunidade de demonstrar a sua "teoria".

 «Quando exercícios deste tipo se realizam com a participação de centrais de propaganda como por exemplo as que servem as estratégias desenhadas pelo Grupo de Bilderberg percebe-se que neles nada há de inocente. Tais órgãos justificam, nesta matéria, o porquê de se auto intitularem “meios de referência”. De facto, basta-lhes seguir o rasto para se conhecerem, passo a passo, as tendências dominantes de quem segue as regras de manipulação e intoxicação dos cidadãos ao serviço do regime único».

O país vai muito bem, o mundo nunca esteve melhor e, quem disser o contrário é “conspirador” e usa a “teoria da conspiração.

O artigo de onde foram retiradas as notas assinaladas, pode ser visto aqui.

07 agosto 2015

O que a Televisão esconde dos portugueses

Quatro exemplos entre mil

1) Mais 500 mil emigrantes, ou seja a sangria do País em mais dez por cento da sua população activa e a desertificação humana equivalente a mais um distrito como o de Leiria;

2) Mais 800 mil pobres, a fazer passar esta cifra da vergonha dos dois milhões e setecentos mil que já hoje temos para os três milhões e meio (mais de um terço da população na pobreza);

3) Mais 500 mil desempregados. A fazer subir o desemprego para valores próximos dos dois milhões;

4) Mais 50 mil milhões de euros sobre a nossa dívida pública, a passar dos actuais 130,2 por cento para cerca de 160 por cento do PIB.

e muito mais
para ver aqui e nas outras páginas

05 agosto 2015

A pátria em acentuada decadência

Ainda há quem lute e não desista

No passado 31 Julho, Baptista Bastos escreveu no Jornal de Negócios uma crónica, que é importante conhecer.
Começa B.B. por acentuar o papel de desinformação da nossa Comunicação dita Social. «Se quiser saber o que realmente ocorre, tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo». 

O colonialismo ideológico

A esse propósito também o Papa Francisco disse que «A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico». Por muito que "comentadores e politólogos" tentem disfarçar, são eles próprios, que o confirmam pelas constantes mentiras com que procuram defender esta política, de direita. Muito mais disse o Papa. Por isso, não agradou a esta direita que coloniza os meios de comunicação. Os jornais e a Televisão escondem tanto quanto podem, quem, contra corrente, tem a coragem de dizer a verdade.

A realidade não pode ser desmentida

Por isso não estranhamos que, um estudo da Marktest sobre o tempo de antena dado pelos maiores canais de televisão, tenha mostrado que «os comunistas são, entre todos os partidos com assento parlamentar, à exceção do Partido Ecologista Os Verdes, os que menos ocupam as atenções mediáticas». Por outras palavras: Os comunistas, como outros já referidos, incomodam, agitam as águas podres deste charco em que esta política de direita, há 39 anos vem transformando o país. Muito gostariam os colonizadores que não existisse o Partido Comunista, nem que homens sérios "colocassem a boca no trombone" uma vez que os microfones e câmaras de Televisão já a Censura do poder controla.

Adormecimento e pensamento único

Baptista Bastos não é "um qualquer" como os que vão à Televisão fazer o frete ao governo. Baptista Bastos não rasteja aos pés dos "colonizadores" - para utilizar as palavras do Papa - como rastejam os sabujos, os repugnantes seres, sem espinha dorsal, que lambem as botas dos seus patrões donos dos Orgãos de Comunicação Social, a troco de umas benesses. B.B. aponta «O universo de embuste criado com o "empobrecimento" da população; a "austeridade" imposta por uma ideologia que ignora as características, a cultura e a História do país». Mostra a «apatia de desistência», planeada, para que este povo se vá habituando a ser explorado sem refilar. Tal como no fascismo, Batista Bastos evidencia que faz parte desta política de direita o adormecimento das mentalidades. Para isso, estes colonizadores, com a cumplicidade dos que dizendo-se de esquerda, sempre abriram o caminho à direita, inoculam os analgésicos «o fetiche do futebol; as revistas cor-de-rosa» acompanhado das drogas que Televisões e Jornais injectam a toda a hora nos portugueses que ainda procuram conhecer o que se passa neste país e no mundo.

Os que não se vergam

Para quem a verdade é um valor, como diz Baptista Bastos «É penoso ler a imprensa dita de "referência", estafada em desaforar o leitor dos grandes problemas nacionais e internacionais». Dá como exemplo o caso da Grécia e o que tem sido dito, para concluir «No ponto da situação, há uma luta de classes e de poder que pode arrastar a Europa para um abismo profundíssimo. A questão é que deixou de existir analistas que, pedagogicamente, explicassem o que está em jogo, e os perigos decorrentes de uma Europa atrozmente desunida, que não passa de uma cabisbaixa serventuária da Alemanha». "Sem papas na língua" e com lucidez, B.B. termina a sua crónica dizendo: «Na discórdia europeia, Passos Coelho colocou-se, obediente e sabujo, ao lado de Angela Merkel, tal como, anteriormente, o fizera José Sócrates. Nesta parada de serviçais, não o esqueçamos, o único partido que sempre recalcitrou foi, e tem sido, o PCP. Goste-se ou não, os comunistas portugueses têm pelejado contra a subserviência dos nossos governos e alertado para a urgente necessidade de Portugal sair desta Europa defeituosa. Nada desta problemática é tratada, com a seriedade exigida, pelos órgãos de comunicação sociais. Se quiser saber o que realmente ocorre tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo. Este reino cadaveroso está envolvido num lamaçal de condescendências e de cumplicidades, que afecta a própria alma do que somos. "Um fraco rei faz fraca as fortes gentes", disse-o o Poeta, melhor do que ninguém».

Não deixemos que enfraqueçam a força do povo e, por todos os meios ao nosso alcance, façamos com que a Comunicação dita Social, não continue a deformar as nossas consciências. Comuniquemos!

17 julho 2015

As Palavras e os Fatos

Portugal e as soluções europeias

A Televisão continua a querer formatar os cérebros dos portugueses. Em mais de 90% das informações e dos comentadores que escolhe, considera que apenas existem três partidos em Portugal. São os partidos das "soluções europeias", mais conhecidos pela troika portuguesa.
A justificação que esses atores dão, é que apenas esses partidos são do “arco da governação” ou como agora dizem “o PCP e o BE colocam-se fora de qualquer solução governativa”. E como dizem isso, sem respeitar a vontade do povo português, quer antecipando o resultado das eleições, quer ditando o que é “solução governativa”, tudo fazem para que esses partidos não contem, não sejam ouvidos.

A censura encapotada

Nos debates quase que só falam da disputa entre PS e PSD, ainda que a política não seja muito diferente. E assim vão roubando aos portugueses a informação de outras propostas e outras soluções para a política em Portugal.
E, nos debates que promovem evitam que esteja algum comunista para desmentir as suas afirmações.
Explicam também que a solução governativa é a que é ditada pela troika. Na Grécia o povo, quer nas eleições, quer em referendo mostrou que não quer mais essas “soluções governativas”. Então porque é que a televisão e os comentadores que escolhe, não aceitam democraticamente que o povo português venha a rejeitar essa “solução governativa”?
Vejamos então o que tem sido a “solução governativa” do PS, PSD e CDS (os tais que eles dizer do “arco do poder”.

Das palavras e dos atos passemos aos fatos

Essa “solução governativa” que defendem esses partidos conduziu Portugal para os níveis do século passado.
O estudo «Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspectivas», revela que o nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25 por cento abaixo da média europeia. E os autores do estudo coordenado pelo economista Augusto Mateus, antigo ministro da Economia (1996-97) e secretário de Estado da Indústria (1995-96) no Governo PS liderado por António Guterres, são insuspeitos quanto à sua ligação justamente aos partidos chamados do “arco do poder” que governam Portugal há 38 anos.

Agricultura e indústria destruídas

Esse mesmo estudo revela muitos outros dados que o PCP e o BE, (os tais que estão fora da solução governativa que a Televisão e os comentadores classificaram sem esperar pela expressão da vontade do povo português), já tinham apontado sem que isso fosse devidamente divulgado. Revela também que desde a integração europeia, a nossa indústria caiu dez pontos percentuais, e a agricultura em geral passou de oito por cento, em 1986, para apenas dois por cento actualmente.
O estudo informa ainda que a degradação das condições de trabalho, subiu em 50% relativamente a 1986 com o número de precários de 700 mil. Por isso, reconhecem eles, a precariedade do trabalho em Portugal é a terceira mais elevada da União Europeia e, a emigração ocupa o primeiro lugar, com mais de cinco milhões de portugueses que tiveram que abandonar o país para trabalhar fora.

Os portugueses trabalham pouco?

Creio estar estafada a acusação de que os portugueses trabalham pouco. No entanto não é demais referir que o estudo feito revela que Portugal é um dos países da OCDE com mais horas de trabalho em 2014. Os trabalhadores portugueses têm vindo a aumentar as horas de trabalho, muitas vezes sem as receber, embora o desemprego se mantenha num dos mais elevados. Os portugueses trabalham mais 486 horas anuais do que os alemães e menos 185 horas do que os gregos. Justamente os países que são mais explorados nesta “Europa da Coesão Social”.

A verdade começa a vir ao cimo

Todos sabemos, e eles também, que a Televisão influencia muito a forma de pensar do povo. Por isso o esforço que fazem para silenciar, para evitar que algum comunista vá à televisão defender os seus pontos de vista. É esta a sua democracia e a democracia deste sistema que tem na mão quase todos os meios de comunicação. Contudo tenho vindo a verificar que nos jornais, muitos jornalistas já se atrevem a defender soluções e opiniões que a Televisão considera estarem fora das soluções governativas. Tenho lido muitos artigos que, finalmente reconhecem a razão de muitos dos avisos que o PCP tentou lançar, mas na maioria cortados pela “censura”. Alguns já aqui foram reproduzidos, de tempos de antena que a Televisão não pôde cortar.

06 dezembro 2014

O papel de Fátima Campos Ferreira

Os "Prós e Prós" e a censura que domina a televisão e jornalistas

Dantes, "no antigamente", a Censura era exercida pela PIDE e por Censores da confiança dessa polícia.
Hoje tudo é mais subtil e até mais eficaz. As notícias não precisam de ir à Censura. Os próprios jornalistas a fazem e, bem feita. Fazem-na por convicção política, fazem-na por medo de ficar mal vistos ou sofrer represálias dos chefes e patrões, fazem-na ainda na expectativa de serem promovidos e terem a encomenda de mais trabalho e maior remuneração.
Isto vem a propósito do programa da RTP, chamado "Prós e Contras" mas que Fátima Campos Ferreira, transforma em Prós e Prós. Não sei em que categoria ela se inscreve. Censora por convicção, censora por medo ou censora oportunista.

Correia da Fonseca, num interessante artigo no jornal Avante, "Tudo Boa Gente", entre outras coisas que vale a pena ler, recordou que, no Programa da RTP de Fátima Campos Ferreira, os participantes ao analisarem os problemas da "Pobreza e Solidão", enveredaram por uma análise social, diversificada. Dos exemplos que Correia da Fonseca mostrou destaco o seguinte:
Eugénio Fonseca, presidente da Caritas, depois de denunciar «a artimanha de baixar a linha de definição da pobreza» e «a produção de riqueza que não foi distribuída», confirmou que «há fome em Portugal, distribuída por todo o país». O psiquiatra dr. José Gameiro deu voz à nossa indignação quando disse que «é inacreditável dizer que Portugal vivia acima das suas possibilidades». Henrique Pinto preconizou «o paradigma da dignidade» em vez da «idolatria do dinheiro» e afirmou que «a pobreza é uma questão estrutural». Sérgio Aires, que «a pobreza não é uma fatalidade, é uma opção política e económica», e Henrique Pinto que, «cabe ao Estado criar oportunidades». Fátima Campos Ferreira, assustada... acordou (digo eu) para o seu papel de censora e, de imediato, interrompeu: «-Já estamos a meter ideologia!» Corta! 
Como referi no início, hoje esta falsa democracia, já não precisa do velho censor, com lápis azul, nem da PIDE, pois Fátimas Campos Ferreiras há por aí aos montes, na Televisão e jornais, que se encarregam dessa tarefa para ficarem bem vistos pelos seus patrões.


12 novembro 2012

Vale e Azevedo o Salvador

A televisão foi salva pela oportunidade de Vale e Azevedo

Como disse há minutos atrás, aqui, neste blogue, a Televisão esteve muito embaraçada nesta tarde de segunda feira, sem notícias para transmitir, para além das da senhora Merkel.

É verdade que poderia falar da Merkel, mas criticar a sua visita não podia. Ponto assente!
Apoiá-la, como lhe foi encomendado, não trazia audiências, mas que remédio...Faz-se o que nos mandam fazer.
Falar da manifestação da CGTP, isso não! Falar da Greve Geral, nem pensar. E muito menos dos motivos para fazer greve.
Alguma coisa teria que se dizer mas, apenas o que não fosse importante.

Precisamos de incidentes. Ajudem!

Restava-lhe falar da outra manifestação, em Belém. Mas o número de manifestantes, nessa, não justificava grande espaço. Era preciso que houvesse incidentes. 
Apesar do esforço para isso, nada resultou em grande. A polícia esteve calma e não deu pretexto para situações graves. 
Os jornalistas no terreno falavam com um entusiasmo e dramatismo que não correspondia ao que se passava.

A Televisão estava a passar um mau bocado sem notícias para dar. Falaram alguns comentadores repetindo toda a cassete do pensamento único definido pelas instruções do Governo. Coisas aborrecidas que afastaram audiências. No entanto insistiram... insistiram...

Nada mais havia para dizer. Não se poderia tocar nos assuntos que preocupam e indignam os portugueses. Falar dos debates do Orçamento de Estado na Assembleia da República, não é conveniente. Falar do aumento do desemprego ainda menos. Falar das empresas quer faliram estes dias, nem pensar. Falar dos lucros dos bancos e do aumento da riqueza dos muito ricos, não interessa numa altura em que aumenta a pobreza e a fome. Falar do bará q'abana, já foi chão...

GREVE GERAL? 

Falar da Greve Geral marcada para depois de amanhã, quarta feira dia 14 Sempre é uma Greve Geral em todo o país e acompanhada em vários outros países da Europa, parecia ser razoável, mas... Não. Nunca! Isso não pode ser! 
Mas, poder-se-ia falar da UGT? No entanto,
depois da adesão de muitos sindicatos daquela central e da cambalhota de João Proença, que declarou aderir à Greve Geral... Não, é melhor não falar nisso!

Restava voltar a insistir nos "incidentes" da manifestação "que se lixe a troika".
Assim insistiram, insistiram, insistiram...
Vieram novos comentadores falar da visita da Merkel. Insistiram... insistiram... Gastariam menos dinheiro se tivessem ouvido os partidos, e sempre ouviriam algo diferente, mas...

Entretanto... surgiu a salvação. Vale e Azevedo chega a Portugal. Ainda não chegou mas, perante a falta de melhor... dá pano para mangas.

Entretanto com ou sem Televisão, a Greve Geral vai ser feita e não a poderão calar!

03 setembro 2012

Recomenda-se


No canal franco-alemão ARTE,
na versão francesa, só disponível na ZON:

Na próxima terça-feira, dia 4 de Setembro, vai passar às 19H50, hora de Lisboa, o documentário "Goldman Sachs, la banque qui dirige le monde", que chega muito a propósito dos tempos que vão correndo e dos Antónios Borges que nos aparecem pela frente. 

É seguido de dois outros subordinados ao tema "La face caché du pétrol" e de um terceiro que nos leva até ao Corno de África ao petróleo e aos piratas.
Recomenda-se.

A propósito das privatizações
 
No atual panorama audiovisual, as TVs públicas ainda são a exceção de programas de qualidade. 
A comercialização de tudo, gerida pelas leis do mercado e pela ditadura das audiências, têm degradado a qualidade das televisões privadas. A programação das baboseiras, da vulgaridade universal, uniformizada e americanizada é o modelo que afeta todas as televisões privadas. Só televisões públicas se podem dar ao "luxo" de programação voltada para a cultura, para a educação, para altos níveis de qualidade de ficção e informação. 

ARTE

O canal cultural Arte, sigla de "Associação relativa às televisões européias", foi inaugurado em 1991 como uma televisão binacional com duas entidades: Arte France e Arte Deutschland TV GmbH. 
Arte é um canal franco-alemão "de serviço público com vocação cultural européia". 

O canal "Arte", é um dos raros casos de fuga à mediocridade, ao mau gosto e intoxicação das mentalidades que dominam as televisões cada vez mais americanizadas. 
O canal "Arte" é um refúgio para quem dá valor à inteligência, à cultura, arte e bom gosto.


10 agosto 2011

A política de direita e as alternativas

Tarde piaste... mas, mais vale tarde que nunca

Andam há anos a querer convencer-nos que as medidas económicas de austeridade, flexibilização do desemprego, ataque à legislação laboral, aumento dos impostos sobre o trabalho, etc., são as medidas necessárias para resolver os problemas que esta mesma política criou.

Dizem eles que não há alternativa.

Os que têm afirmado que é preciso uma ruptura com esta política, que é preciso mudar de rumo, e que as medidas a tomar devem ser exactamente ao contrário do que estão a fazer, esses, têm sido silenciados.

Os Governos há anos que nos dizem que no ano seguinte tudo se irá resolver. Para isso é preciso fazer os trabalhos de casa, então:
Aumentam os impostos.
Sobem os preços dos bens essenciais incluindo a alimentação.
Reduzem os salários... e tudo o mais que bem conhecemos.

Fazer os trabalhos de casa

Veio a troika a Portugal e, sapientemente, impôs "novas" medidas, sempre iguais às que têm sido aplicadas.
A troika portuguesa (PS; PSD e CDS-PP), agora com o apoio da troika estrangeira, confirmou essas medidas como boas e, novamente, garantiu que é preciso continuar a fazer os trabalhos de casa.

Os comentadores, os analistas, os politólogos, pagos pelos interesses dos que lucram com estas medidas, (sim, porque os mais ricos estão cada vez mais ricos) vêm todos os dias à televisão dizer que é preciso mais. Cada vez mais austeridade. Retirar mais dinheiro aos pobres -  "porque são muitos e já estão habituados" como dizia Salazar.
Contudo, as medidas aplicam-se, são cada vez mais duras para quem trabalha, (Passos Coelho foi para férias mas avisou: "os sacrifícios exigidos aos portugueses não serão suaves" ). Os trabalhos de casa são feitos mas a economia dos países está cada vez pior.


O que eu ouvi... calculem!

Hoje ouvi pela primeira vez um dos tais comentadores, reconhecer que as mesmas medidas não podem continuar e que os bancos têm que fazer sacrifícios. Admitiu mesmo ter que haver reestruturação das dívidas mesmo que isso implique prejuízos para os bancos.

Eu vou guardando o que foi dito e escrito, os vídeos das raras entrevistas a políticos e economistas de esquerda, (recordo a entrevista de Carlos Carvalhas no Prós e Contras, e muitas das Intervenções de Jerónimo de Sousa, de Bernardino Soares, de António Filipe, de João Ferreira, de Honório Novo, de Agostinho Lopes, e outros deputados do PCP na Assembleia da República).

A Televisão têm escondido essas opiniões, tem silenciado as propostas que não sejam as que defendem os banqueiros e os grandes capitalistas especuladores. No entanto, nem a televisão nem os politólogos, nem os comentadores, poderão esconder por muito mais tempo que esta política não serve, que o sistema capitalista está numa crise que não tem solução, numa crise que interessa a alguns mas que acabará por arruinar todos.

Muitos dos que agora fecham os ouvidos às alternativas de esquerda, dos que sempre foram “educados”, "formatados", para não ouvir os comunistas, vão torcer a orelha e dizer “afinal os comunistas é que tinham razão”.

Ver ainda:

A Alternativa


Avivar a memória dos esquecidos





Etc.

16 maio 2011

A destruição da Cultura

Não é apenas a Televisão que promove a "anti-cultura"


O Sector Intelectual do PCP analizou a política cultural da última década e emitiu um comunicado em que constata que os "responsáveis sucessivos no Ministério da Cultura ao longo dos últimos 10 anos, asfixiaram financeiramente o sector, minimizaram os apoios do Estado e as políticas públicas, alienaram competências e responsabilidades". 

Uma década de reestruturações desastrosas


Na linha de uma política de desastre económico e social, considera o Sector Intelectual do PCP que "com o pretexto da “empresarialização” foram criadas as Entidades Públicas Empresariais (EPE’s) e multiplicaram-se as fundações". A burocracia criada e a desarticulação de serviços, provocaram um enorme retrocesso na cultura em Portugal.

Este caminho vem sendo seguida há muitos anos pelos que têm conduzido a política no país, PS, PSD e CDS. Não, nos queiram enganar com a "crise". Há muitos anos que os apoios à cultura são reduzidos. E a cultura não se promove apenas com mais dinheiro. Pode fazer-se uma política cultural progressista com pouco dinheiro. É exemplo disso o que muitas autarquias da CDU fazem, com projectos inovadores e com a participação das colectividades e populações. Como diz o Sector Intelectual do PCP os Governos há muitos anos que reduzem "os apoios à acção cultural descentralizada, aos criadores individuais e aos pequenos projectos, aos espaços e programações de criação e experimentação, aos mediadores culturais". Também as autarquias com políticas de direita, salvo honrosas excepções, promovem acções de fachada de populismo de mau gosto, e a cultura pimba que deseduca e dá votos. 




As opções políticas e a manipulação das consciência

O Orçamento de Estado para a Cultura representa apenas 0,4% da despesa da Administração Pública e mesmo assim não é cumprido. Comparemos este Orçamento com o que foi enterrado nos bancos privados, ou com a fraude do BPN, ou com a compra dos submarinos, ou com os gastos na NATO e instituições idênticas. Só quem for cego não vê que as opções políticas destes partidos, nada têm a ver com os interesses do povo trabalhador.

O cérebro, para bem pensar, precisa de exercício. Mas, o exercício cansa. Mais vale a distracção da televisão.

Para que os eleitores fiquem mais distraídos e adormecidos, a Televisão encarrega-se de fornecer mais umas boas doses de concursos, telenovelas, shows, casamentos reais, ignomínias, crimes bem condimentados e carlo castrados, entremeados com muitos jogos e escândalos de futebol, para bem alimentar quem não tem dinheiro para comer ou, anestesiar quem tem dores mas não pode cuidar da saúde.

15 maio 2011

A manipulação da "comunicação social" (2)

O papel da Televisão


É bem sabido que os Órgãos de Comunicação Social são um poder que actua segundo critérios, não sociais mas, do interesse ideológico dos grandes grupos económicos. 
Todos eles, mas a Televisão em especial, difundem culturas, políticas e valores que influenciam as pessoas, orientando tendências, ou "formatando-as", de acordo com um modelo estudado para as tornar acríticas e dóceis, aceitando como verdadeiro o que, quem interessar, diz. 




A Televisão, em especial, afasta-se da missão de “Serviço Público”, copia o que há de pior nas televisões americanas e dos países controlados pelo grande capital, que aperfeiçoam as técnicas para captar o interesse do espectador pouco culto, o interesse das grandes audiências, ao mesmo tempo que inculcam conceitos e ideias que apelam aos sentimentos mais baixos, de egoísmo, do salve-se quem puder, da competição sem princípios. Oferecem, como ideal do homem comum, de baixa cultura, o sucesso sem princípios, o espertalhaço, o desenrascado. Estes baixos valores, são de fácil adesão pelas massas de espectadores, pois não exigem nada mais do que dar vazão aos sentimentos primários da lei da selva. A televisão raramente forma as pessoas, como cidadãos e participantes responsáveis na sociedade. 
A televisão, abandona os conteúdos de qualidade para apostar na vulgaridade que não exige esforço de reflexão ao espectador. A mediocridade é vista como um nivelamento pela “média”, um meio-termo que, sem esforço alcança todos os espectadores, e assim funciona como meta redutora. 


Merece a nossa reflexão este papel nivelador (por baixo), formatando todos os cidadãos numa cultura pobre, enquanto, ao nível social e económico, as desigualdades se acentuam. 

19 abril 2011

Aguenta, desgraçado!

É preciso é manter o pessoal entretido ou, bem adormecido.
E, palas nos olhos, para só ver numa direcção


Devagarinho, aos poucos, para que os portugueses vão papando, sem dar por isso, as "medidas de austeridade", a Televisão vai anunciando as exigências do FMI negociadas com PS, PSD, CDS os partidos que há 35 anos vêm provocando a crise em Portugal. 
  
A Televisão é o funil que enfia, aos poucos, a droga nos portugueses, misturada com açúcar, para que o povo continue manso e bem adormecido, a trabalhar sem refilar. 

Já começaram a preparar o ambiente para alterar a Constituição e dela retirar o que ainda resta da defesa dos direitos de quem trabalha. Facilitar os depedimentos, aumentar o horário de trabalho, aumentar a idade de reforma, reduzir os salários. São as ordens do FMI, diz o CDS que quer daí lavar as mãos. Tem que ser assim, diz o PSD para parecer diferente. Não há alternativa diz o PS que chamou o FMI.

A alternativa existe, mas não convém que se saiba. Senão lá se vai o negócio dos banqueiros.




O Capitalismo está caduco

A actual crise é a melhor prova da irracionalidade deste sistema capitalista.
   
Sobe o desemprego, os jovens não têm trabalho mas aumentam a idade de reforma!

Parte da população mundial morre de fome e na Europa dão subsídios para destruir a produção agrícola e abater os barcos de pesca.

No século XXI, o avanço tecnológico permite que as máquinas substituam muito do trabalho humano, mas o capitalismo aumenta os horários de trabalho.

Para explicar que "tem que ser assim", a televisão convida os senhores que criaram a situação e que dela se aproveitam. É a crise, dizem eles para dar a ideia que o mal é sempre dos outros.

Por isso FMI, PS, PSD e CDS às ordens do grande capital financeiro, vêm exigir mais de quem trabalha. A Televisão, vai entretendo o pessoal e dando as suas doses de narcótico, às horas certas, para amansar o povinho. 

e assim... lá vamos, cantando e rindo... e bem levados.

07 abril 2011

O poder sonífero da Televisão


Mais do mesmo para uma informação pluralista 

É escandalosa a proporção de "tempo de antena" que a Televisão tem dado às análises do PSD, PS e CDS-PP, comparativamente com o que dedica ao PCP. Mesmo o tempo que o PCP tem a "sorte" de poder utilizar, é gerido de acordo com critérios muito duvidosos, que escondem parte do fundamental das suas posições. Estes critérios visam uma estratégia de evitar a divulgação e esclarecimento das acções e propostas do PCP e dar relevo a críticas que possam servir para transmitir a ideia que o PCP só critica e não apresenta propostas.




A Televisão não perde oportunidades para ouvir os mais variados comentadores, num leque muito "pluralista" e "democrático". Membros do Governo, deputados do PS, do PSD, do CDS, banqueiros de gravata azul, banqueiros de gravata amarela, grandes industriais de gravata verde, os representantes das grandes empresas de várias cores de gravata, especialistas da bolsa, com e sem gravata, enfim, todos os que geraram a crise que estamos a viver, mas cada um com gravata diferente, numa prova de grande pluralismo. 
Não há trabalhadores e sindicatos em Portugal? Ou será que não têm gravata? 
Não há partidos com outras propostas e visões da política que nos desgoverna? 
Com que critério é feita esta escolha? 
Quando, raramente, algum destes é convidado, as suas palavras, depois de muitas interrupções, são diluídas no conjunto de tantas e variadas opiniões das sumidades presentes, que o telespectador têm que possuir uma vontade de ferro e tomar muitos cafés para não se ter deixado adormecer entretanto. 
Isto faz-me adivinhar como vai ser a campanha eleitoral. 
Claro que isto não é nada de novo e portanto nem sequer é notícia! Não é notícia mas é uma denúncia para alertar as mentes que a televisão adormece, não só vencidas pelo sono, como pelas ideias que permanentemente injectam. Que raio... não podemos dormir tanto!