4 de janeiro de 2012

Pingo Doce e Recheio para a Holanda

Porquê a venda de uma empresa portuguesa a uma holandesa do mesmo dono?


No passado dia 30 de Dezembro a sociedade Francisco Manuel dos Santos, SGPS (com sede em Portugal) vendeu à sociedade Francisco Manuel dos Santos, B.V. (com sede na Holanda) 353.264.814 ações da Jerónimo Martins SGPS, representativas de 56 % do capital.
 
A sociedade Francisco Manuel dos Santos, SGPS domina a sua filial Francisco Manuel dos Santos B. V. “por poder exercer os correspondentes direitos de voto nos termos do acordo parassocial”. 
 
Porquê a venda de uma sociedade portuguesa a uma holandesa que pertence ao mesmo dono?
 
O "patriótico" negócio foi para escapar ao pagamento de impostos como fazem muitos grandes empresários que colocam as sedes das empresas em paraísos fiscais no estrangeiro. 


O Sr. Soares dos Santos, homem mais rico de Portugal, que fez a sua fortuna a explorar os portugueses, não quer pagar impostos. Não o diz, mas pensa: os trabalhadores que os paguem, pois são muitos e já estão habituados a sofrer. 
 
O Sr. Soares dos Santos, é o dono do Pingo Doce e do Recheio,  a quem muitos jornalistas entrevistam para que os papalvos oiçam as lições de patriotismo, os conselhos para a austeridade, as críticas aos trabalhadores que se revoltam.
 
Esse senhor, como os mais ricos de Portugal, aumentou a sua fortuna com a crise. 
Estes senhores a quem o governo obedece, diz que o Estado gasta muito e que é preciso privatizar, elogiam a boa gestão das empresas privadas, são os que têm liberdade de fugir aos impostos e viver à custa dos que os pagam.


Esse senhor S.S, como grande capitalista que é, não tem pátria. A sua pátria é a que se deixar explorar melhor. Pode até ter várias pátrias. Uma para não pagar impostos, outra para explorar os baixos salários, outra para vender os produtos mais caros, outra ainda para obter financiamentos com juros mais baixos. É assim o capitalismo que inventou a globalização e fez as leis para escapar aos impostos. 
 
Poderão os trabalhadores fazer o mesmo? Ter iguais direitos? 
Trabalhar num país, pagar os impostos noutro, receber na moeda mais valorizada e comprar no de custos mais baixos?
Haverá offshores e paraísos fiscais para trabalhadores?
 
Não. Tal não é possível nesta democracia inventada pelo capitalismo, em que os que fazem as leis e os governos estão ao serviço dos senhores S.S.
 
Nesta democracia as oportunidades e os direitos são para quem tem dinheiro. 
Quem vive do seu trabalho apenas tem o direito de votar de quatro em quatro anos e escolher quem mais mente.
 
Por enquanto, não me podem obrigar a fazer compras no PINGO DOCE !