17 de julho de 2015

As Palavras e os Fatos

Portugal e as soluções europeias

A Televisão continua a querer formatar os cérebros dos portugueses. Em mais de 90% das informações e dos comentadores que escolhe, considera que apenas existem três partidos em Portugal. São os partidos das "soluções europeias", mais conhecidos pela troika portuguesa.
A justificação que esses atores dão, é que apenas esses partidos são do “arco da governação” ou como agora dizem “o PCP e o BE colocam-se fora de qualquer solução governativa”. E como dizem isso, sem respeitar a vontade do povo português, quer antecipando o resultado das eleições, quer ditando o que é “solução governativa”, tudo fazem para que esses partidos não contem, não sejam ouvidos.

A censura encapotada

Nos debates quase que só falam da disputa entre PS e PSD, ainda que a política não seja muito diferente. E assim vão roubando aos portugueses a informação de outras propostas e outras soluções para a política em Portugal.
E, nos debates que promovem evitam que esteja algum comunista para desmentir as suas afirmações.
Explicam também que a solução governativa é a que é ditada pela troika. Na Grécia o povo, quer nas eleições, quer em referendo mostrou que não quer mais essas “soluções governativas”. Então porque é que a televisão e os comentadores que escolhe, não aceitam democraticamente que o povo português venha a rejeitar essa “solução governativa”?
Vejamos então o que tem sido a “solução governativa” do PS, PSD e CDS (os tais que eles dizer do “arco do poder”.

Das palavras e dos atos passemos aos fatos

Essa “solução governativa” que defendem esses partidos conduziu Portugal para os níveis do século passado.
O estudo «Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspectivas», revela que o nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25 por cento abaixo da média europeia. E os autores do estudo coordenado pelo economista Augusto Mateus, antigo ministro da Economia (1996-97) e secretário de Estado da Indústria (1995-96) no Governo PS liderado por António Guterres, são insuspeitos quanto à sua ligação justamente aos partidos chamados do “arco do poder” que governam Portugal há 38 anos.

Agricultura e indústria destruídas

Esse mesmo estudo revela muitos outros dados que o PCP e o BE, (os tais que estão fora da solução governativa que a Televisão e os comentadores classificaram sem esperar pela expressão da vontade do povo português), já tinham apontado sem que isso fosse devidamente divulgado. Revela também que desde a integração europeia, a nossa indústria caiu dez pontos percentuais, e a agricultura em geral passou de oito por cento, em 1986, para apenas dois por cento actualmente.
O estudo informa ainda que a degradação das condições de trabalho, subiu em 50% relativamente a 1986 com o número de precários de 700 mil. Por isso, reconhecem eles, a precariedade do trabalho em Portugal é a terceira mais elevada da União Europeia e, a emigração ocupa o primeiro lugar, com mais de cinco milhões de portugueses que tiveram que abandonar o país para trabalhar fora.

Os portugueses trabalham pouco?

Creio estar estafada a acusação de que os portugueses trabalham pouco. No entanto não é demais referir que o estudo feito revela que Portugal é um dos países da OCDE com mais horas de trabalho em 2014. Os trabalhadores portugueses têm vindo a aumentar as horas de trabalho, muitas vezes sem as receber, embora o desemprego se mantenha num dos mais elevados. Os portugueses trabalham mais 486 horas anuais do que os alemães e menos 185 horas do que os gregos. Justamente os países que são mais explorados nesta “Europa da Coesão Social”.

A verdade começa a vir ao cimo

Todos sabemos, e eles também, que a Televisão influencia muito a forma de pensar do povo. Por isso o esforço que fazem para silenciar, para evitar que algum comunista vá à televisão defender os seus pontos de vista. É esta a sua democracia e a democracia deste sistema que tem na mão quase todos os meios de comunicação. Contudo tenho vindo a verificar que nos jornais, muitos jornalistas já se atrevem a defender soluções e opiniões que a Televisão considera estarem fora das soluções governativas. Tenho lido muitos artigos que, finalmente reconhecem a razão de muitos dos avisos que o PCP tentou lançar, mas na maioria cortados pela “censura”. Alguns já aqui foram reproduzidos, de tempos de antena que a Televisão não pôde cortar.