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04 setembro 2025

O enorme potencial de desenvolvimento já em marcha

Como não podia deixar de ser, perante objetivos tão globais e idênticos, os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai OCX devem trabalhar complementarmente e interligados. 

No mundo que se projeta, o principal objectivo é abandonar progressivamente a dependência dos velhos paradigmas ocidentais. 


Na Cimeira, foi apresentada a criação do Banco de Desenvolvimento da OCX, tal como o NDB, o banco dos BRICS e paralelo ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (AIIB). 

Nas estratégias de desenvolvimento delineadas, estão empenhados vários países que estão a cooperar, na prática, em projetos como Iniciativa Cinturão e Rota (em inglês, Belt and Road Initiative - BRI), um projeto estratégico de infraestrutura global lançado pela China em 2013 para construir redes de comércio e transporte, ligando a Ásia com a Europa e a África, tanto por terra (Cinturão Económico da Rota da Seda) como por mar (Rota da Seda Marítima do século XXI) e ainda o Corredor Económico China-Paquistão (CPEC), o Parque Industrial China-Bielorrússia. 

A OCX, só por si, abrange quase metade da população mundial, e combinada com os BRICS amplifica o enorme potencial em todas as áreas.
No imediato surgem também como objetivos práticos, o combate ao impacto das sanções impostas pelos EUA. Não é por acaso que estas sanções atingem os quatro principais membros dos BRICS e da OCX, a Rússia, a China, a Índia e Irão.
Foram já aqui assinalados os factos (na mensagem de ontem) que mostram a coincidência de interesses entre esses países.
Modi visitou a China pela primeira vez em sete anos e foi recebido com grande cordialidade por Xi que disse: "A China e a Índia são grandes civilizações cujas responsabilidades vão para além dos assuntos bilaterais". Estas palavras abrangem também a Rússia que teve papel importante na reunião destes parceiros.

03 setembro 2025

O mundo em mudança - Um novo estilo de governança

Nas intervenções feitas na Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), Xi definiu as principais orientações, propondo um novo e abrangente modelo de governação global, com ramificações importantes, como um banco de desenvolvimento da OCX que deveria complementar o Banco de Desenvolvimento dos BRICS (NDB), bem como uma estreita cooperação em inteligência artificial (IA), nova, aberta e diferente do que é produzido em Silicon Valley.



A governação global, que tem sido alvo de deturpações e especulação pelos média ocidentais foi definida com os seus princípios fundamentais cujo primeiro, mais importante, é a igualdade soberana de todos os países. Outros são o respeito pelo Direito Internacional, a governação global multipolar que acaba com a hegemonia imperialista, que promove o multilateralismo. Não menos importante é o objectivo de uma governação consensual centrada nas pessoas, impedindo interesses obscuros e particulares.

Também Putin, se referiu ao papel da OCX como um "veículo para o multilateralismo genuíno", concretizado pela nova Governação Global. Não deixou de estar considerada a complementaridade dos BRICS que, tal como a OCX estão totalmente empenhados em enterrar a mentalidade da era da Guerra Fria de um mundo dividido em blocos e comandado por interesses hegemónicos imperialistas, tal como ficou nas intenções o respeito pelos objetivos e sistema das Nações Unidas tal como foram concebidos na sua génese.

02 setembro 2025

Índia China e Rússia, países maiores.

A mensagem de 29 de setembro neste blogue, referiu a aproximação da Índia à China e as perspetivas de um maior entendimento na Cúpula da OCS.

Essa ideia parece confirmar-se o que constitui um acontecimento de grande importância. São três dos maiores países do mundo. Os dois primeiros em população e o terceiro em território.

A Índia está interessada em desenvolver a sua economia, que é uma das suas prioridades. Obter energia barata da Rússia é um contributo importante para isso.

O pagamento acordado é em rupias (moeda indiana) e a Rússia está a acumular grande quantidade de rupias.

É natural que a Rússia use essas rupias para estimular a produção na Índia de bens que a Rússia teria de produzir ela própria ou importar de outros países. Esta cooperação poderá ser mais um estímulo à OCS e BRICS, formando canais para a circulação de moedas entre estes países, prescindindo das amarras do dólar e contribuindo para um novo tipo de relações compartilhadas entre os países do mundo.

Assim, as rupias vão para a Rússia para comprar petróleo e depois retornam da Rússia para a Índia em exportações ou, se a China aceitar, para para pagar as coisas que exportam para a Rússia, porque também a China pode usá-las para comprar o que necessitar da Índia.

Estas são algumas das possibilidades que OCS e BRICS abrem em alternativa ao comércio e às tarifas impostas pelos EUA. Neste caso Índia, China e Rússia são mercados desejáveis para todos que podem desenvolver os seus países de forma coordenada, porque isso proporcionará um crescimento ainda mais rápido do que já demonstraram ter.

01 setembro 2025

OCS carrega a maior responsabilidade pela paz e desenvolvimento

O presidente chinês, Xi Jinping, disse ontem, na receção dos convidados da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) que esta organização carrega uma responsabilidade maior na salvaguarda da paz e estabilidade regionais e na promoção de desenvolvimento e prosperidade de todos os países num mundo de crescentes incertezas e mudanças aceleradas.

Xi expressou a confiança de que, com esforços coletivos de todas as partes, a cúpula terá pleno sucesso, e que a OCS desempenhará um papel ainda maior, alcançará maior desenvolvimento e fará maior contribuição para reforçar a solidariedade e a cooperação entre os Estados-membros, reunir a força do Sul Global e promover mais progresso da civilização humana.


Com os principais mercados emergentes e países em desenvolvimento como China, Rússia e Índia entre seus membros, a OCS representa quase metade da população mundial e um quarto da economia global.

A cúpula de Tianjin é a maior cúpula anual do grupo até agora. Espera-se que os Estados-membros adotem documentos-chave, incluindo a estratégia de desenvolvimento da organização para a próxima década.

É também a segunda vez que o presidente Xi preside o evento, com a participação de líderes de mais de 20 países e 10 organizações internacionais. Antes da cúpula, Xi realizou mais de uma dúzia de reuniões bilaterais com os líderes em Tianjin.

A OCS tornou-se uma força importante na construção de um novo tipo de relações internacionais e uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, acrescentou.

A cúpula inclui a 25ª Reunião do Conselho de Chefes de Estado da OCS, assim como a Reunião "OCS Plus", ambas realizadas na segunda-feira para discutir planos de cooperação e desenvolvimento e formas de melhorar a governança global.

Fonte:Xinua 



A cimeira da OCS: um passo importante para um mundo multipolar

Opinião de:
LORENZO MARIA PACINI, Consultor para Assuntos Internacionais

Uma Nota Discordante e Difícil de Resolver

Ontem, teve início em Tianjin, República Popular da China, a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai. Participam mais de 20 líderes, entre os quais Vladimir Putin, Xi Jinping, Narendra Modi e o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres. É, sem dúvida, uma das cimeiras mais importantes dos últimos anos, cujo objectivo é demonstrar claramente a solidariedade do Sul Global contra o Ocidente.

Já se fala numa cimeira da OCS sob os auspícios do RIC — Rússia, Índia e China — três grandes potências que, após o encontro entre Trump e Putin em Anchorage, estão agora a reescrever as suas posições.

Esta solidariedade prevalece sobre as contradições interestatais no seio do bloco. Esta será a primeira visita de Modi à China em sete anos, após o arrefecimento das relações entre Nova Deli e Pequim após o conflito fronteiriço de 2020. Xi já levantou as sanções, resolvendo anos de tensões diplomáticas num ápice. Fácil, não é?

O conteúdo da declaração final da cimeira da OCS, que deverá incidir sobre questões comerciais, antiterroristas e climáticas, é secundário em relação ao valor real do documento: uma frente unida de países insatisfeitos com a agenda ocidental.

É necessária uma coordenação económica mais intensa no seio da OCS, bem como a criação de um ambiente de segurança mais concreto. A solidariedade política é essencial agora, mas, em caso de problemas realmente graves, prevalecerá a capacidade de projectar poder e a qualidade dos canais de comércio e interacção económica protegidos de sanções.

As dificuldades geoeconómicas entre a Índia e a China representam um dos principais desafios da geopolítica asiática contemporânea, precisamente por estarem enraizadas numa complexa intersecção de interesses competitivos territoriais, estratégicos e económicos.

Um elemento-chave desta rivalidade é a disputa territorial ao longo da Linha de Controlo Real (LOC), que divide as suas fronteiras montanhosas nos Himalaias. Este conflito, que culminou em confrontos armados em 2020, tem um profundo impacto na segurança regional, alimentando a desconfiança e justificando o aumento das despesas militares de ambos os lados.

Esta questão está intimamente ligada à segurança dos corredores estratégicos e das rotas comerciais, essenciais para a liderança de ambas as nações, com implicações para todo o Sudeste Asiático em termos do equilíbrio de poder dentro da ASEAN, que está a redefinir a sua dinâmica de poder regional e não só.

De facto, a China e a Índia competem pela influência na Ásia e fora dela, utilizando projectos e investimentos em infra-estruturas como ferramentas de política externa — muito mais do que a Rússia, que, embora geograficamente seja o maior país, não é o mais importante em termos demográficos e económicos.

Considere-se, por exemplo, a Iniciativa Faixa e Rota da China, vista com desconfiança por Nova Deli devido ao envolvimento do Paquistão, rival histórico da Índia, e às preocupações de que a BRI possa fortalecer a influência chinesa em áreas cruciais como o Sri Lanka e o Bangladesh. Ao mesmo tempo, a Índia procura estabelecer-se como um pólo económico alternativo, tanto através de Myanmar como para o Ocidente através do corredor [
Corredor Económico Índia-Oriente Médio-Europa] IMEC, promovendo a cooperação com os países do Quad [Diálogo de Segurança Quadrilateral] e investindo em iniciativas regionais.

Em tudo isto, a China mantém uma vantagem competitiva em termos de produção e logística, enquanto a Índia se concentra num sector de serviços em expansão e num vasto e jovem mercado interno. Estas diferenças dificultam as tentativas de negociação de alianças estratégicas baseadas em interesses económicos comuns. Por conseguinte, a resolução desta pequena mas significativa questão é essencial para se chegar a um acordo sobre a cooperação estratégica e antiterrorismo da OCS.

As questões entre a Índia e a China, por mais importantes que sejam, não ofuscarão completamente um dos outros pontos-chave da cimeira: a posição da Turquia.

Avaliando Oportunidades, Evitando Riscos

Durante décadas, a Turquia ocupou uma posição única no panorama geopolítico: uma ponte entre a Europa e a Ásia, entre a NATO e o Médio Oriente, entre o islamismo e o secularismo. No entanto, a sua posição manteve-se condicionada pelos seus laços com as alianças ocidentais, particularmente a NATO e a União Europeia.

Nos últimos anos, porém, as mudanças globais desafiaram estes padrões tradicionais, abrindo novas possibilidades. Entre estas, a aproximação gradual de Ancara à Organização de Cooperação de Xangai (OCX) parece ser a mais significativa. Não se trata de uma simples manobra diplomática, mas de um realinhamento estratégico com efeitos potencialmente transformadores.

A OCS, que começou por ser um acordo de segurança regional entre a China, a Rússia e as repúblicas da Ásia Central, evoluiu para uma plataforma mais ampla que integra a cooperação económica, o combate ao terrorismo e os projetos de integração euro-asiática.

A entrada da Índia e do Paquistão aumentou o seu peso geopolítico, reforçando a ideia de uma ordem multipolar emergente. Neste cenário, a Turquia – membro do G20, potência militar e pólo entre a Europa, o Médio Oriente e o mundo turco – representaria uma mais-valia decisiva para o reforço do prestígio da organização.

O interesse da Turquia na OCS decorre das dificuldades que tem enfrentado nas suas relações com o Ocidente: as negociações de adesão à UE estão paralisadas há anos, as tensões no seio da NATO intensificaram-se devido às operações na Síria, à compra do sistema de mísseis russo S-400 e às disputas energéticas no Mediterrâneo Oriental. Esta aliança oferece a Ancara um fórum para promover os seus interesses sem restrições ideológicas e com a possibilidade de institucionalizar a sua agenda regional.

Ao longo da última década, os intelectuais e políticos turcos têm olhado para o Oriente com um interesse crescente, conscientes de que o centro de gravidade global está a mudar.

A OCS torna-se, assim, uma ferramenta para reforçar a cooperação económica e de segurança com potências como a China, a Rússia e a Índia, ao mesmo tempo que aborda ameaças comuns como o extremismo, o separatismo e o crime transnacional. Além disso, a identidade da Turquia — um Estado laico com maioria muçulmana — pode ajudar a ultrapassar as divisões culturais, fortalecendo a legitimidade da organização entre os países islâmicos.

A adesão da Turquia significaria, para a OCS, um acesso crucial e inevitável ao Mediterrâneo, fechando assim praticamente 90% da região geopolítica do Rimland
(*). Mas implica também cooperação em energia, migração e defesa, envolvimento diplomático em instituições multilaterais globais e até intervenção interna na NATO.

Sem dúvida que a importância e as limitações jurídicas e militares da participação simultânea na NATO e na OCS terão de ser consideradas, mas a realidade geopolítica actual é caracterizada por esferas de influência sobrepostas, e não por blocos rígidos, e as interacções multinível das guerras híbridas não podem aguardar reflexões novas e originais. Como demonstram os exemplos da Índia, do Paquistão e da China, a capacidade de forjar múltiplas alianças é hoje um requisito estratégico, pelo que a potencial parceria com a Turquia pode ser considerada um avanço significativo. Mas também muito perigoso.

O que a OCS continuará certamente a fazer, como tem sido afirmado e demonstrado nos últimos anos, é construir, gradualmente, uma ordem mundial mais equilibrada e multipolar.

Afinal, já não podemos negar: a OCS e os BRICS têm um valor que reside não na sua eficácia institucional, mas na formação de um novo centro simbólico: uma "ordem sem Ocidente". 

(*) Anel de países que circundam o Heartland que se localizaria no centro da Eurásia

Fonte: https://observatoriocrisis.com/

 

29 agosto 2025

Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai

O Presidente chinês, Xi Jinping, vai liderar a Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), uma importante associação regional, que se realizará de 31 de agosto a 1 de setembro em Tianjin, na China.

Xi participará na 25ª reunião do Conselho de Chefes de Estado e noutros eventos da cimeira, que contará com a presença de 20 países e 10 organizações internacionais. Será a maior cimeira desde a criação da OCS.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, os membros da organização irão aprovar uma estratégia de desenvolvimento da OCS para os próximos 10 anos e adoptar uma série de documentos sobre o reforço da cooperação em matéria de segurança, economia, relações interpessoais e cultura.

A Cimeira de Tianjin guiará a OCS para uma nova etapa de desenvolvimento de alta qualidade, caracterizada por uma maior solidariedade, coordenação, vitalidade e contribuição, e permitirá a construção de uma comunidade OCS mais próxima, com um futuro partilhado.

Atualmente, a organização inclui a China, Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Uzbequistão, Irão, Índia e Paquistão.

Não se trata de uma aliança militar. Os seus objectivos incluem o reforço da confiança mútua e da boa vizinhança, a consolidação da cooperação multifacetada para a manutenção e o reforço da paz e da segurança na região e a promoção do crescimento económico e do desenvolvimento social e cultural.