6 de dezembro de 2014

O papel de Fátima Campos Ferreira

Os "Prós e Prós" e a censura que domina a televisão e jornalistas

Dantes, "no antigamente", a Censura era exercida pela PIDE e por Censores da confiança dessa polícia.
Hoje tudo é mais subtil e até mais eficaz. As notícias não precisam de ir à Censura. Os próprios jornalistas a fazem e, bem feita. Fazem-na por convicção política, fazem-na por medo de ficar mal vistos ou sofrer represálias dos chefes e patrões, fazem-na ainda na expectativa de serem promovidos e terem a encomenda de mais trabalho e maior remuneração.
Isto vem a propósito do programa da RTP, chamado "Prós e Contras" mas que Fátima Campos Ferreira, transforma em Prós e Prós. Não sei em que categoria ela se inscreve. Censora por convicção, censora por medo ou censora oportunista.

Correia da Fonseca, num interessante artigo no jornal Avante, "Tudo Boa Gente", entre outras coisas que vale a pena ler, recordou que, no Programa da RTP de Fátima Campos Ferreira, os participantes ao analisarem os problemas da "Pobreza e Solidão", enveredaram por uma análise social, diversificada. Dos exemplos que Correia da Fonseca mostrou destaco o seguinte:
Eugénio Fonseca, presidente da Caritas, depois de denunciar «a artimanha de baixar a linha de definição da pobreza» e «a produção de riqueza que não foi distribuída», confirmou que «há fome em Portugal, distribuída por todo o país». O psiquiatra dr. José Gameiro deu voz à nossa indignação quando disse que «é inacreditável dizer que Portugal vivia acima das suas possibilidades». Henrique Pinto preconizou «o paradigma da dignidade» em vez da «idolatria do dinheiro» e afirmou que «a pobreza é uma questão estrutural». Sérgio Aires, que «a pobreza não é uma fatalidade, é uma opção política e económica», e Henrique Pinto que, «cabe ao Estado criar oportunidades». Fátima Campos Ferreira, assustada... acordou (digo eu) para o seu papel de censora e, de imediato, interrompeu: «-Já estamos a meter ideologia!» Corta! 
Como referi no início, hoje esta falsa democracia, já não precisa do velho censor, com lápis azul, nem da PIDE, pois Fátimas Campos Ferreiras há por aí aos montes, na Televisão e jornais, que se encarregam dessa tarefa para ficarem bem vistos pelos seus patrões.