5 de outubro de 2015

Resultados das eleições legislativas

Resultados... e o que vem a seguir.
Um balanço muito provisório

Nesta noite de insónias e do Aniversário da Implantação da República, todos os olhares se voltaram para a Televisão. Não para ver ou ouvir o Presidente da República que está muito ocupado, coitado, mas para ver e ouvir o que a Televisão, nos informava no meio de muito lixo tóxico. Como é habitual, manteve a sua estratégia de diminuir a esquerda continuando a lamber as botas da direita. São assim os Jornalistas que temos. Aproveitaram ou atrasaram a divulgação dos resultados onde a esquerda tem sempre mais votos, como é o caso de Lisboa, Setúbal e outros para, face aos resultados que chegavam das zonas mais conservadoras, manipular e esconder a vitória dos partidos de esquerda. Esta só viria a ser mais expressiva a altas horas da madrugada, com a maioria das pessoas a dormir.

O papel do "Quarto Poder"

A comunicação social conhecida como o Quarto Poder, acima dos poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi por isso, há muito “privatizada”, comprada pelos grandes grupos financeiros. Quarto poder que exerce a sua ditatorial função, arma do capital financeiro, para desinformar, manipular e enganar os menos atentos.
Foi esse poder, antidemocrático, que impôs que na Televisão em canal aberto, apenas se fizesse um debate entre Passos e Costa, esquecendo os outros. Foi esse poder ditatorial que impôs que nas primeiras páginas dos jornais só esses aparecessem. Foi esse quarto poder, face do poder do dinheiro, que levou jornalistas a escrever milhares de palavras, que desviaram a campanha para questões fúteis, esquecendo o fundamental e, fizeram dela um jogo de futebol, entre PAF(PSD/CDS) e o PS.

A bipolarização forçada

Assim construíram uma brutal bipolarização, fazendo crer a muita gente que só havia dois contendores, curiosamente, ambos com a mesma política: A direita, (direita do PSD/CDS) e a "esquerda" PS com a sua tradicional política de direita. Esse prato de lentilhas foi temperado com a falsa ideia de "voto útil" que Costa reconheceu que não foi suficiente para que o PS ultrapassasse o PAF.
Na realidade todos esses truques e armadilhas da Comunicação Social e Televisão não conseguiram evitar a subida dos partidos de esquerda e a descida dos partidos da direita. Mais uma vez a Comunicação Social levou a noite toda a tentar esconder isso e a continuar a intoxicar os cérebros menos defendidos.


Já hoje de madrugada procurei as declarações dos partidos. Do PS achei estranho que na sua página na Internet - Notícias e Diário da Campanha nada se refira aos resultados das eleições e nem sequer o discurso de Costa. Nada de oficial encontrei. Registei do que ouvi Costa dizer, que o PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social [que o serviu muito bem, digo eu] quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!. Desesperado apelo que a Comunicação Social tanto se esmerou a ampliar para que votos de esquerda fossem para o PS. Certamente tal esforço desesperado alguns resultados teve. Certamente muitos votos de esquerda de pessoas, ideologicamente mais débeis ou enganadas pelo "voto útil", foram desperdiçados no PS mostrando aquilo que a CDU vem tentando alertar: Votos úteis são apenas aqueles que não atraiçoam.

Objectivos e a realidade

Jerónimo de Sousa confirmou: «Não é possível deixar de assinalar que este resultado foi construído sob uma intensa campanha ideológica e de condicionamento eleitoral, de chantagem e medo».
Disse ainda: «a CDU reafirma a convicção de que a política patriótica e de esquerda que propomos para enfrentar e vencer os problemas nacionais, emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita - seja quais forem as arrumações que se vierem a revelar nos próximos dias – quer conduzir o país».
Na realidade, para estas eleições a CDU definiu 3 objectivos: aumentar votos em relação a 2011, subir em percentagem e ter mais deputados
Podemos dizer que foram objectivos modestos mas, como se confirmou, foram objectivos realistas como é timbre do PCP e da CDU. Foi pequeno o avanço, mas foi um avanço.
Para que não se prolongue o sofrimento do povo e não se acentue o declínio do País talvez fosse bom sermos mais ambiciosos. Para isso, é sobretudo preciso vencer este “quarto poder” antidemocrático, o monstro em que se está a tornar a Comunicação Social e que impede o povo de reflectir livremente sem preconceitos, medos e chantagens.

A possível maioria de esquerda

Passadas estas eleições, António Costa, vencido e, ao contrário do que o BE e PCP já disseram, parece querer entregar-se, (se não era essa a intenção) nas mãos da direita, admitindo deixar passar o governo do PSD/CDS.
Esta doença dos partidos chamados do "arco da governação" é incurável e faz com que António Costa, que durante a campanha várias vezes insistiu em que a direita não tinha com quem dialogar, e que o PS tinha, vá dialogar com a direita esquecendo os partidos em ascensão, BE e PCP-PEV.
Não deixemos que nos iludam. Recordemos que PS, CDU, BE, representam mais de 50% dos eleitores e a maioria na Assembleia da República. As soluções estão agora nas mão do PS que, se quiser fazer uma política de ruptura com a direita, como chegou a prometer, tem a oportunidade de não viabilizar um governo de direita e enveredar por uma política que possa ter o apoio da esquerda. O resto se verá.