O que é a "estratégia do empobrecimento" de que tanto se tem falado?
É na realidade a estratégia do capitalismo financeiro internacional que visa, um objectivo, que podemos dividir em duas:
1 - A transferência de dinheiro de quem o produz para os que detêm os meios de exploração e o poder representado pelos bancos ou "mercados".
2 - O enfraquecimento da luta da classe explorada.
A primeira, que se processa pela dependência crescente dos Estados face aos Bancos e "mercados", através de empréstimos e juros que são sempre crescentes, justifica que os Governos apliquem as medidas de "austeridade", instrumento decisivo no acentuar das desigualdades. Os ricos em menor número mas cada vez mais ricos, e os pobres cada vez em maior número e mais pobres.
A segunda, a que tem a principal carga política, visa retirar força e meios aos trabalhadores, para dificultar a luta contra a exploração e, portanto, impedir a transformação da sociedade que, segundo eles, é eterna (o fim da história) o capitalismo.
A estratégia do empobrecimento é, entre outros:
- Aumento do desemprego para, através da chantagem - ou aceitas ou não tens trabalho - conseguir destruir todos os direitos dos trabalhadores.
Conseguem assim, com a conivência dos governos de direita, ao seu serviço, os meios para destruir os "contratos de trabalho" e praticar as arbitrariedades que entendem. São exemplos o salário mínimo, salário justo, horários de trabalho, despedimentos, entre muitos outros.
Trabalhadores que trabalham, pois o capitalismo não pode prescindir deles, ganham cada vez menos, face ao custo de vida, e têm horários de trabalho mais longos.
Trabalhadores que não trabalham, desempregados, não têm meios de subsistência e têm que dedicar os poucos meios que têm para conseguirem sobreviver.
Reformados, que agora poderiam ter maior participação na sociedade, vêm reduzidas as pensões para que descontaram uma vida, e os seus recursos são todos voltados para a ajuda aos filhos e netos na maioria, desempregados.
São evidentes os condicionamentos criados aos trabalhadores, sem rendimentos, nomeadamente na sua capacidade de organização e luta.
Dos restantes membros da sociedade, os jovens, se são filhos de trabalhadores, têm que abandonar os estudos e encontrar meios para sobreviver.
Os jovens filhos dos ricos, no poder, terão então oportunidade de continuar a estudar, em escolas privadas, e aprender as técnicas de domínio da sociedade capitalista, nos governos, nas administrações das empresas, que os pais lhes entregam como herança.
Parece estar assim garantida a prossecução do capitalismo, pelo empobrecimento, ou melhor, pelo enfraquecimento da luta dos trabalhadores.
Em paralelo com esta estratégia financeira, funciona uma outra, mais ideológica, que lhe dá suporte. O empobrecimento ou adormecimento das consciências.
Com uma pequena parte do dinheiro que subtraem aos trabalhadores, compram os meios de comunicação social, pagam bem a jornalistas que os sirvam, publicitários, comentadores, polítólogos, fazedores de opinião, do pensamento único, e a vários outros que os servem, formando assim uma "claque" de admiradores que vivem das migalhas que os grandes lhes vão dando. Essa "claque", alimenta a campanha ideológica que sustenta esta "democracia" que não é democracia. São os que servem para enganar, para desviar as atenções dos verdadeiros problemas dos trabalhadores, dizendo as coisas que bem conhecemos, para nos convencerem, para nos adormecerem. E, infelizmente, em parte conseguem.
Outras "sub-estratégias", como a guerra, o terrorismo que o imperialismo alimenta, concorrem também para os mesmos objectivos.
Mas, há sempre um mas, apesar da força dos muito ricos e empobrecimento dos cada vez mais pobres, há algumas condições que o capitalismo não consegue controlar.
Entre elas é a diferença numérica entre exploradores e explorados, entre muito ricos e muito pobres. Outra, a principal, é a inteligência das pessoas.
Felizmente, os trabalhadores, também têm cérebro. Por isso há cada vez mais os que têm confiança, determinação, inteligência e, apesar das estratégias e força do capitalismo, apesar dos sacrifícios, transmitem essa confiança e acrescentam à luta outros explorados, num processo imparável e indestrutível.
Uma nota para futura reflexão:
Sendo indispensável, não basta a confiança, a determinação e força para combater.
É necessário inteligência, adquirir os conhecimentos e as capacidades para, em todos os domínios da nossa actividade, da nossa luta, juntar a força ao saber fazer (e bem). Aprender, aprender sempre.
C de Comunicar, C de Conversar, C de Comentar, C de Criticar, C de Conhecer, C de Conhecer, C de Curiosidades, C de... Cultura
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24 outubro 2015
02 outubro 2015
Papa Francisco na ONU
As palavras do Papa Francisco que a Comunicação
Social, submetida aos interesses dos grandes grupos financeiros, pouco refere.
Para bom entendedor as palavras do Papa Francisco na ONU,
foram uma severa crítica ao actual sistema, referindo expressamente as
organizações financeiras internacionais, que não promovem o desenvolvimento
sustentável, aumentam a exclusão social e sujeitam os Estados a uma submissão
asfixiante a dívidas que, longe de promoverem o progresso, submetem as
populações a maior pobreza e dependência.
O Papa Francisco foi claro e, ainda que usando palavras
moderadas, referiu o problema das desigualdades onde os ricos são cada vez mais
ricos e os pobres são cada vez mais e mais pobres. É isto que o poder que nos domina não quer que saibamos.
A colonização ideológica imposta aos povos
Acentuou ainda que a exclusão económica e social é um
atentado aos direitos humanos referindo a necessidade de acabar com a
colonização ideológica que impõe modelos e estilos de vida contrários à
identidade (e interesses, acrescento) dos povos. Referiu também que, os mais
pobres são os que mais sofrem ao ser excluídos e obrigados a viver na pobreza.
De facto o Papa ao alertar para estes graves problemas está
a dizer que é preciso uma verdadeira alternativa a esta política que é
responsável pelo sofrimento de tantas pessoas.
Paz sim guerra não!
O Papa, depois de condenar os abusos contra o meio ambiente, acrescentou que a guerra é a negação de todos os direitos e insistiu que "se se
quiser um verdadeiro desenvolvimento para todos é preciso continuar a tarefa
contra a guerra" e para isso é preciso resolver os conflitos pelo diálogo
e negociação. Também por isso o Papa Francisco criticou a proliferação das
armas de destruição maciça, em especial as nucleares.
A Televisão e os jornais pouco falam disto mas, muito mais disse o
Papa que sabe perfeitamente que as pessoas estão a "abrir os olhos", que o
repúdio por estas políticas cresce e a Igreja não pode continuar alheia ou
encostada ao poder político que, ao lado dos grandes grupos financeiros,
gera as crises e explora a grande maioria dos povos.
Uma reflexão final:
Enquanto o Papa se manifesta frontalmente contra a guerra, o
nosso governo, a UE e a NATO promovem enormes exercícios militares em Portugal,
acirrando conflitos e gastando centenas de milhões do dinheiro que faz falta
para a Educação, para a Saúde e para desenvolver o país.
30 agosto 2015
Aprender com a situação na Grécia
Que e como fazer?
É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».
Aprender com os erros
Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».
Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».
Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?
Os objectivos mobilizadores
Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar. Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».
Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar
Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.
O estudo da arrumação das forças sociais
Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.
Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.
Que fazer?
Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.
É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».
Aprender com os erros
Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».
Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».
Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?
Os objectivos mobilizadores
Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar. Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».
Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar
Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.
O estudo da arrumação das forças sociais
Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.
Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.
Que fazer?
Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.
10 novembro 2014
Novo Presidente da Comissão Europeia
A Europa governada por bando de criminosos
O eleito presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, mostra a verdadeira face do capitalismo neoliberal que domina o continente.
Sucedem-se os escândalos. Durão Barroso, o condecorado, em averiguações, pela sua submissão a lobbies tabaqueiros, e o seu sucessor envolvido nos benefícios fiscais dados pelos seus governos, no Luxemburgo, a monopólios transnacionais.
São estes senhores, a mando dos grandes capitalistas, que exigem aos trabalhadores europeus as políticas de austeridade para salvar o capitalismo de mais uma crise em que se afunda.
Caiem as múltiplas máscaras do capitalismo que escolhe para governar a Europa mafiosos que apenas trabalham para aumentar os lucros das grandes empresas sem pátria e para os seus acionistas cada vez mais ricos, enquanto quem trabalha está cada vez mais pobre.
São estes senhores os capatazes dos donos do mundo que estão sempre a retirar direitos a quem trabalha para eles aumentarem a exploração e as suas fortunas.
Pobre que rouba um pão vai preso, rico que rouba milhões é nomeado presidente e condecorado
Revelou-se ainda que o famigerado Deutsche Bank, da senhora Merkel, outra da pandilha, beneficia de impostos inferiores a 2% também negociados com o governo do Luxemburgo.
Estão ainda envolvidas no escândalo empresas como o IKEA, a Amazon, a Pepsi, o empório norte-americano de Tabaco British American Tobacco, a AIG, e também o consórcio Deutsche Bank. Foram descobertos pelo menos 548 acordos envolvendo mais de 340 empresas.
O PCP no Parlamento europeu tem vindo a exigir a presença do Presidente para esclarecer estes escândalos. Mas Juncker através da sua porta-voz, Margaritis Schinas, escusa-se a enfrentar os deputados. Manda dizer que “o Sr. Juncker está muito tranquilo”.
O eleito presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, mostra a verdadeira face do capitalismo neoliberal que domina o continente.
Sucedem-se os escândalos. Durão Barroso, o condecorado, em averiguações, pela sua submissão a lobbies tabaqueiros, e o seu sucessor envolvido nos benefícios fiscais dados pelos seus governos, no Luxemburgo, a monopólios transnacionais.
São estes senhores, a mando dos grandes capitalistas, que exigem aos trabalhadores europeus as políticas de austeridade para salvar o capitalismo de mais uma crise em que se afunda.
Caiem as múltiplas máscaras do capitalismo que escolhe para governar a Europa mafiosos que apenas trabalham para aumentar os lucros das grandes empresas sem pátria e para os seus acionistas cada vez mais ricos, enquanto quem trabalha está cada vez mais pobre.
São estes senhores os capatazes dos donos do mundo que estão sempre a retirar direitos a quem trabalha para eles aumentarem a exploração e as suas fortunas.
Pobre que rouba um pão vai preso, rico que rouba milhões é nomeado presidente e condecorado
Revelou-se ainda que o famigerado Deutsche Bank, da senhora Merkel, outra da pandilha, beneficia de impostos inferiores a 2% também negociados com o governo do Luxemburgo.
Estão ainda envolvidas no escândalo empresas como o IKEA, a Amazon, a Pepsi, o empório norte-americano de Tabaco British American Tobacco, a AIG, e também o consórcio Deutsche Bank. Foram descobertos pelo menos 548 acordos envolvendo mais de 340 empresas.
O PCP no Parlamento europeu tem vindo a exigir a presença do Presidente para esclarecer estes escândalos. Mas Juncker através da sua porta-voz, Margaritis Schinas, escusa-se a enfrentar os deputados. Manda dizer que “o Sr. Juncker está muito tranquilo”.
07 maio 2014
Saída da Troika? Um embuste, mais uma mentira!
As troikas cá continuam e é preciso combate-las
A política de direita, neoliberal, ao serviço do capital financeiro internacional, destruiu a nossa riqueza, destrói a nossa autonomia e coloca-nos na posição de país do terceiro mundo explorado pelos ricos.
A União Europeia foi o instrumento dessa política. "Venderam-nos" uma Europa solidária e de desenvolvimento, a "Europa Connosco" e, afinal, o que comprámos - e bem caro - foi uma "ajuda" que leva todo o dinheiro a quem trabalha.
Destruíram a nossa produção, baixaram salários, aumentaram horários de trabalho, criaram o desemprego para melhor explorar, colocando-nos na total dependência do poder financeiro dos bancos que dominam a economia e a política. Somos um "cliente" explorado até ao tutano. Pagamos mais em juros do que o dinheiro que nos emprestaram para as chamadas ajudas.
Estamos rapidamente a caminhar para o Terceiro Mundo.
País de mão de obra barata para exploração das empresas estrangeiras que nos invadiram.
País que está a ficar sem técnicos, sem cientistas, sem ensino qualificado.
Diz o Governo que a troika se vai embora.
Será verdade? De um Governo de traição nacional, de vendidos à troika estrangeira, de direita, só podemos esperar mentiras.
A troika estrangeira apenas mudou de "escritório" mas continua a mandar.
A troika de lá impõe novos cortes, nos salários e pensões para 2015. A troika de cá aceita.
A troika de lá exige mais privatizações e transferência dos impostos arrecadados pelo Estado a quem trabalha, para salvar quem gerou a crise. A troika de cá aceita.
A troika de lá exige mais benefícios fiscais e redução de impostos aos Bancos e às grandes fortunas que têm o dinheiro no estrangeiro. A troika de cá aceita.
A troika de lá quer aumentar o preço dos transportes e de outros serviços públicos. A troika de cá aceita.
A troika de lá quer uma nova taxa de caráter permanente, a Contribuição de Sustentabilidade para mais roubar trabalhadores e pensionistas e a troika de cá aceita.
A troika de lá não quer que o Estado faça investimentos. A troika de cá aceita.
A troika de lá exige a destruição de empresas públicas, o encerramento de mais hospitais, maternidades, centros de saúde, escolas, tribunais e repartições de finanças. A troika de cá aceita.
A troika estrangeira não se foi embora! Tal como o dinheiro que nos levaram, está no estrangeiro a fazer o seu negócio de "ajuda". Com amigos destes quem precisa de inimigos?
A política de direita, neoliberal, ao serviço do capital financeiro internacional, destruiu a nossa riqueza, destrói a nossa autonomia e coloca-nos na posição de país do terceiro mundo explorado pelos ricos.
A União Europeia foi o instrumento dessa política. "Venderam-nos" uma Europa solidária e de desenvolvimento, a "Europa Connosco" e, afinal, o que comprámos - e bem caro - foi uma "ajuda" que leva todo o dinheiro a quem trabalha.
Destruíram a nossa produção, baixaram salários, aumentaram horários de trabalho, criaram o desemprego para melhor explorar, colocando-nos na total dependência do poder financeiro dos bancos que dominam a economia e a política. Somos um "cliente" explorado até ao tutano. Pagamos mais em juros do que o dinheiro que nos emprestaram para as chamadas ajudas.
Estamos rapidamente a caminhar para o Terceiro Mundo.
País de mão de obra barata para exploração das empresas estrangeiras que nos invadiram.
País que está a ficar sem técnicos, sem cientistas, sem ensino qualificado.
Diz o Governo que a troika se vai embora.
Será verdade? De um Governo de traição nacional, de vendidos à troika estrangeira, de direita, só podemos esperar mentiras.
A troika estrangeira apenas mudou de "escritório" mas continua a mandar.
A troika de lá impõe novos cortes, nos salários e pensões para 2015. A troika de cá aceita.
A troika de lá exige mais privatizações e transferência dos impostos arrecadados pelo Estado a quem trabalha, para salvar quem gerou a crise. A troika de cá aceita.
A troika de lá exige mais benefícios fiscais e redução de impostos aos Bancos e às grandes fortunas que têm o dinheiro no estrangeiro. A troika de cá aceita.
A troika de lá quer aumentar o preço dos transportes e de outros serviços públicos. A troika de cá aceita.
A troika de lá quer uma nova taxa de caráter permanente, a Contribuição de Sustentabilidade para mais roubar trabalhadores e pensionistas e a troika de cá aceita.
A troika de lá não quer que o Estado faça investimentos. A troika de cá aceita.
A troika de lá exige a destruição de empresas públicas, o encerramento de mais hospitais, maternidades, centros de saúde, escolas, tribunais e repartições de finanças. A troika de cá aceita.
A troika estrangeira não se foi embora! Tal como o dinheiro que nos levaram, está no estrangeiro a fazer o seu negócio de "ajuda". Com amigos destes quem precisa de inimigos?
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