7 de dezembro de 2014

BPN conhecido como o Banco do PSD

BPN, por enquanto, o maior escândalo financeiro e político da história de Portugal.

O roubo e a falência custaram directamente aos portugueses 2.400 milhões de euros com a nacionalização dos prejuízos sem que ao menos o Estado tenha beneficiado dos activos de todo o grupo da SLN. A direita tem horror às nacionalizações porque isso prejudica os banqueiros. Nacionalizações só dos prejuízos, que os portugueses aguentam. Se contarmos com os custos indirectos esse valor chegará aos 9.000 milhões.

Os portugueses aguentam
Entretanto os Banqueiros que receberam os Bancos nacionalizados em 1975, esses, dizem "os portugueses aguentam, aguentam. Eles, os banqueiros, os privados, vão colocando o dinheiro que ganham com o que o Estado arranca a cada português, no estrangeiro ou nos paraísos fiscais.


Estamos apenas a falar da oferta que o Governo PS fez ao BPN com a nacionalização. Oferta, pois não exigiu aos banqueiros que ganharam o dinheiro que o fossem buscar onde o puseram. Em Gibraltar, no Brasil, nos offshores de Porto Rico, em Cabo Verde, na Suiça, nas ilhas Caimão e em todas as propriedades que compraram.
Que acontece a um português (que aguenta, aguenta) se não aguentar e falhar na prestação da casa?
Os Bancos, imediatamente os põe na rua e ficam com a casa.
Que aconteceu aos banqueiros que roubaram o Banco e não pagam para que os portugueses paguem o que eles roubaram? Nada!. 

Quem faz as leis

Foram movidos processos judiciais. Mas como foram eles que fizeram a Lei na Assembleia da República, PS, PSD e CDS, todos amigos dos seus amigos Banqueiros, os que lhes deram os Bancos Nacionalizados e os que nacionalizaram os prejuízos para os portugueses pagar, essas Leis tudo permitem a quem tem dinheiro para pagar a bons advogados. Ou seja: pagámos nós os advogados deles. Esses arrastam os processos, escondem as provas e coitado do Ministério Público tem uma falha qualquer, erro numa data, uma vírgula que ficou esquecida e então o Tribunal interpretando as leis do PS, PSD e CDS, marimba-se no apuramento da verdade e determina: Arquive-se o processo. Mas não arquivam o pagamento que os portugueses fazem ao Estado para o Estado pagar aos Bancos. 

Figuras ou figurões
  
Quem são as figuras que, desta forma, mostram que mandam no Governo, no Presidente (?), nos deputados do PS, do PSD e do CDS que lhes fizeram tudo o que eles mandaram fazer? 

O BPN foi criado em 1993 e era pertença da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que compreendia um universo de empresas, muitas delas, nebulosas sociedades, sediadas em paraísos fiscais e offshores o que lhes possibilitava as negociatas sem controlo e a fuga aos impostos. 
Não foi por acaso que esse Banco foi fundado. Não foi por acaso que era conhecido como o Banco do PSD.



O homem forte do banco era José de Oliveira e Costa, que Cavaco Silva foi buscar em 1985 ao Banco de Portugal para ser secretário de Estado. Já não sabemos se Oliveira e Costa era o homem de confiança de Cavaco ou se Cavaco era o homem de confiança de Oliveira e Costa. Este assumiu a presidência do BPN em 1998. O braço direito de Oliveira e Costa era Manuel Dias Loureiro, ministro dos Assuntos Parlamentares e Administração Interna nos governos de Cavaco Silva, entrou para a política (PSD) com 40 contos e trabalhou tanto, tanto que passou para uma fortuna de 400 milhões. Vem depois o nome de Daniel Sanches, outro ex-ministro (no tempo de Santana Lopes) e que foi para o BPN pela mão de Dias Loureiro. Outro foi Rui Machete, presidente do Congresso do PSD. Outros ainda foram os ex-ministros Amílcar Theias e Arlindo Carvalho um presidente Banco Europeu de Investimentos e outro pelo Finibanco.

Outro com ligações ao banco é Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, que se mantém em prisão preventiva por envolvimento fraudulento com o BPN. Também no Brasile está acusado de assassinato de Rosalina Ribeiro, companheira e uma das herdeiras do milionário Tomé Feteira. 
Em 2001 comprou a EMKA, uma das offshores do banco. 

Negócios com Cavaco
  
Os responsáveis por estas fraudes, tiveram também negócios com Cavaco. Ou seria que Cavaco teve negócios com eles? O que é certo é que Cavaco beneficiou da especulativa e usurária burla que levou o BPN à falência. Em 2001, ele e a filha compraram a 1 euro por acção, preço combinado com Oliveira e Costa, 255.018 acções da SLN, o grupo detentor do BPN e, em 2003, venderam as acções com um lucro de 140%, mais de 350 mil euros. Os portugueses que tudo aguentam acharam que Cavaco tinha um baixo ordenado e ofereceram-lhe, para além dos votos, mais estes 350.000 euros. Teria sido com esse dinheiro que Cavaco comprou uma casinha de férias na Aldeia da Coelha? Cavaco como não gosta de se afastar dos amigos, comprou a casinha mesmo ao lado da de Oliveira e Costa e de alguns dos administradores que afundaram o BPN. O valor da casinha é apenas 199.469,69 euros, mas fez uma permuta com o construtor Fernando Fantasia, accionista do BPN e também seu vizinho no aldeamento. 

Foram tantos os roubos que o BPN faliu. Em 2008, quando as coisas já cheiravam a esturro, Oliveira e Costa deixou a presidência alegando motivos de saúde, foi substituido por Miguel Cadilhe, ministro das Finanças do Cavaco. Este descobriu um prejuízo de 1.800 milhões de euros, que os portugueses que aguentam tanto, aguentam e aguentaram.

Onde está o dinheiro?
  
Para onde foi o dinheiro do BPN? Oliveira e Costa repartiu-o pelos seus amigos e, como quem parte e reparte... ficou com a sua parte. Alguma razão haverá para que o BPN fosse conhecido como o Banco do PSD.
Já no governo de Sócrates, o BPN com o seu chorudo prejuízo, passou para a Caixa Geral de Depósitos, do Estado (paga português). A Caixa era liderada por Faria de Oliveira, outro ex-ministro de Cavaco e membro da comissão de honra da sua recandidatura presidencial, ao lado de Norberto Rosa, ex-secretário de estado também de Cavaco. 

Os portugueses afinal não são piegas
  
Em 31 de julho, o ministério das Finanças anunciou a venda do BPN, ao BIC, banco angolano de Isabel dos Santos, e de Américo Amorim, que tinha sido o primeiro grande accionista do BPN. Estava previsto a venda ser por 180 milhões mas os portugueses fizeram um desconto e venderam por 40 milhões de euros. 
Os portugueses aguentaram mais 550 milhões de euros para além dos 2.400 milhões que já lá tinham enterrado. Mas como os portugueses afinal não são piegas e tudo aguentam, suportaram também os encargos dos despedimentos de 1.580 trabalhadores (20 milhões de euros).

O BIC é dirigido por Mira Amaral, que foi ministro nos três governos liderados por Cavaco Silva e é um famoso pensionista de Portugal com reforma de 18.156 euros por mês que recebe desde 2004, aos 56 anos, apenas por 18 meses como administrador da CGD.

O julgamento do caso BPN já começou, mas pouco se sabe. Há 15 arguidos, acusados dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e fraude fiscal. Parece que dessa lista não consta o nome de Cavaco. Porque será?




às 0.25 foi feito um corte ao texto original que continha incorrecções dos valores a pagar por cada português.