31 de dezembro de 2014

UM ZOO HUMANO II - Miguel Urbano

«Os comentadores e politólogos – quase todos políticos reaccionários – competem na tarefa de ocultar a realidade social, política e económica». 

Como foi dito no artigo anterior, o problema da Comunicação Social controlada pelo grande capital, permite manter a política de direita e "alienar" a generalidade da população enganada.

Como diz Miguel Urbano «A chusma dos formadores de opinião mais influentes simula isenção. Criticam o acessório, mas ignoram o fundamental. Falam de tudo, desde as fofocas do governo às falências e roubalheiras, passando pelo futebol, a literatura, a corrupção galopante, o BPN, a situação dos professores, o descalabro da saúde e da Justiça, a prisão de Sócrates, os gastos sumptuários dos ministros e o aquecimento global, mas não põem em causa o sistema». 

A censura discreta
De facto "a censura discreta", inteligente mas cínica, faz com que a quase totalidade do que se diz ou escreve, tenha a ideologia, a marca da política de direita, reaccionária, que vai entrando nos cérebros dos telespectadores, dos ouvintes ou leitores, sem que se apercebam disso. E assim, fingindo ser democráticos por falarem de tudo, na realidade tudo o que falam é distorcido e apresentado na versão da ideologia capitalista, como se fosse a única interpretação das coisas. 

Miguel Urbano acusa essa táctica: «Nas suas intervenções, mesmo quando manifestam discordância de medidas da equipa no poder, abstêm-se de condenar a engrenagem que as gera. A maioria trata aliás com deferência banqueiros como Ricardo Salgado e Ricciardi e outros financistas mafiosos responsáveis por fraudes de milhares de milhões de euros. O capitalismo é, para eles, sagrado».

Mesmo quando permitem que alguém de esquerda diga alguma coisa, o que é transmitido é seleccionado, cortado e por vezes apresentado com comentários ou títulos que distorcem as verdades ou as ideias ditas.  

Uma falsa democracia
«Na selva de corrupção e prepotência em que o país, arruinado, vegeta - o discurso triunfalista do governo atinge o povo como um pesadelo. Nessa cantoria repulsiva, Passos, Portas & Companhia cultivam um refrão indecoroso: "os portugueses aprovam" os seus desmandos» disse Miguel Urbano. Chamam eles "aprovar" ao facto de terem votado neles. Esta é uma falsidade manhosa, cínica de convencer que o que eles fazem foi a maioria do povo que quis. 

Já no final do seu artigo Miguel Urbano mostra que quem vir com seriedade «programas televisivos como, entre outros, o Opinião Pública da SIC» repara que «o fascismo tenta capitalizar o descontentamento popular [...] Insultos aos sindicatos e à luta de massas, apelos à proibição da greve e a despedimentos colectivos, brados de saudosismo da ditadura, são agora frequentes. Mas isolados, porque o fascismo não encontra em Portugal atmosfera para se impor».

"Informação" - Alienação
«A indignação popular cresce, mas não é ainda torrencial, permanente. A grande maioria desaprova e condena a política do governo, mas o sentimento de revolta que começa a gerar desespero não se expressa num combate organizado». 

Daí o que já foi referido por Miguel Urbano «A definição que Marx nos ofereceu da "alienação" ajusta-se bem à atitude de uma ampla faixa da população que não está ainda preparada para transformar o protesto em luta organizada».

Miguel Urbano termina com a célebre frase: O que fazer então? A resposta foi dada com os exemplos da História de Portugal. «As revoluções, ... não têm data no calendário». Surgem quando surgirem oportunidades para isso como foi referido no artigo anterior.  Para isso é necessário o esforço da elevação da consciência que se adquire na luta, na intervenção do dia a dia, nos locais de trabalho e nas ruas. Miguel Urbano Termina com a sua força habitual:  «A maré da indignação e do protesto sobem a cada dia. Os inimigos do povo que exercem o poder serão varridos!».

Vale a pena ler o artigo completo em : http://www.odiario.info/?p=3505

em 03/01 às 11.30 acrescentados os subtítulos e a imagem