30 de dezembro de 2014

UM ZOO HUMANO - Miguel Urbano

A selva de corrupção e prepotência em que o país, arruinado, vegeta 

O Diário.info publicou um texto de Miguel Urbano Rodrigues, fundamental para abanar a imobilidade de muitos. 
Miguel Urbano caracteriza a política de direita dando o exemplo da «tentativa de impedimento do direito à greve na TAP» referindo que «a questão já não é apenas a ostensiva ilegalidade. É a utilização, tal como nos tempos do salazarismo, do argumento das "motivações ideológicas" da greve». Concluindo que «Este bando fascizante torna o país irrespirável».

Mostra, Miguel Urbano, o ridículo da arrogância, do absurdo, fascizante «Passos, Portas & Companhia ignoram a Constituição e as leis da República e, invocando "o interesse nacional" para imporem ao país «medidas brutais que o empobrecem cada vez mais».

«A destruição do aparelho produtivo e a ofensiva contra a função pública e a classe média é devastadora. Arruinou Portugal sem atingir os objectivos. As dívidas interna e externa subiram brutalmente, excedendo muito o PIB, que caiu. O desemprego atingiu um patamar sem precedentes. Com uma peculiaridade: a "austeridade" que empobreceu o povo trabalhador contribuiu para o enriquecimento daqueles que o exploram» apontando «Soares dos Santos, Amorim, Belmiro, aos banqueiros e outros magnates que são os donos de Portugal» e muitos outros que «exibem com despudor fortunas colossais que amontoaram em tempo mínimo» e como consequência «A miséria alastra pelo país, a fome é já uma realidade em milhares de famílias».

Por outro lado os escândalos, rotineiros, «Envolvem a banca, as privatizações, as chamadas parcerias público-privadas, as escuras negociatas de políticos e empresários, as fraudes de aventureiros instalados pelo governo em postos-chave da Administração Pública. O regabofe asfixia e humilha o país».

Portas «Recolheu das cinzas um partidinho de saudosistas do fascismo e fez dele o apêndice do PSD que lhe garante a maioria no Parlamento». É «um farsante perigoso que tripudia sobre a ética política, envolvido em compromissos escuros, negócios sujos (submarinos) e ligações perigosas (uma universidade fantasmática)».

Caracterizando o Zoo, Miguel Urbano refere «A terceira figura do bando que desgoverna Portugal» a ministra Maria Luís Albuquerque, que «Difere do chefe e dos colegas pela suavidade das falas». 
«O ministro da Economia é o rosto de uma ultra-direita mascarada» referindo as suas declarações sobre a requisição civil imposta pelo governo para neutralizar a greve da TAP «lembram as de alguns ministros de Salazar». Outro membro do Zoo é Montenegro, o líder da bancada parlamentar do PSD, «imagem da direita cavernícola».

Miguel Urbano aborda o papel da Comunicação Social e a desinformação. Diz «O sistema mediático é controlado pelo grande capital. O noticiário nos jornais de "referência" é mau, mas a reflexão sobre a política do Executivo é muito pior».
«Os comentadores e politólogos – quase todos políticos reaccionários – competem na tarefa de ocultar a realidade social politica e económica». Sobre esta questão penso, em breve, fazer uma abordagem mais pormenorizada. Miguel Urbano alarga a sua destemida análise a muitas outras figuras do Zoo que actuam na «selva de corrupção e prepotência em que o país, arruinado, vegeta»

Como resultado do controlo dos órgãos de comunicação, e em termos de conclusões Miguel Urbano lembra que a «definição que Marx nos ofereceu da "alienação" ajusta-se bem à atitude de uma ampla faixa da população que não está ainda preparada para transformar o protesto em luta organizada, acompanhando a minoria dos trabalhadores que saem às ruas, mobilizados pela CGTP, e desafiam o governo nos locais de trabalho» e por isso não estão ainda reunidas as «condições subjectivas» o que «inviabiliza em tempo previsível rupturas» capazes promer a ruptura com esta política. Mas, diz Miguel Urbano «não sou pessimista» lembrando os momentos da História de Portugal, em que o povo se levantou contra a opressão. Por isso, diz, «Os inimigos do povo que exercem o poder serão varridos!».

Vale a pena ler o artigo na íntegra em http://www.odiario.info/?p=3505