30 de maio de 2011

Demagogias e... conversas da treta

Esconder os nomes das coisas. Ao que chega a demagogia e a burla


Paulo Portas quer apagar, ou desvalorizar a sua ideologia de direita para conquistar os votos da esquerda.
Não se iludam os mais crédulos.

Vejamos o que ele diz:
Portas cita o Presidente Kennedy. “Eu não te pergunto de onde tu vens mas o que queres fazer pelo teu país”, recordou, insistindo na desvalorização das “categorias ideológicas”. 
(Público de 29/05/2011)

Parece uma frase bonita e sábia mas é apenas mais uma embalagem para esconder o conteúdo falso. Porquê?

O dizer: "Eu não te pergunto de onde tu vens" dá a ideia de grande democrata e que aceita todos, mas logo a seguir desmente essa ideia dizendo, que apenas lhe interessa saber: "o que queres fazer pelo teu país”. Esta segunda ideia "o que queres fazer pelo teu país” pode parecer que envolve um desejo de coisa boa, mas será? E que coisa?

É aqui que entra a ideologia escondida que dizia não lhe interessar ou desvalorizar. 

Vejamos:
Se Paulo Portas perguntar a um trabalhador consciente, provavelmente ele dirá que deseja que o país produza e dê trabalho a todos, emprego estável e remunerado de acordo com o trabalho de cada um, e que proporcione educação, cultura e formação acessível a todos, saúde gratuita, segurança social, etc.

Mas se Paulo Portas perguntar aos seus amigos de partido e a quem ele serve, eles dirão que querem um país sem contratos de trabalho, com um mercado de trabalho amplo e bastante desemprego e com os trabalhadores sem direitos para as empresas terem elevados lucros para os seus accionistas. Quanto à Educação é apenas para os seus filhos e não precisa de ser gratuita pois é uma forma de seleccionar bem a sociedade. A Cultura não faz falta se não der dinheiro. A Saúde deve ser entregue a especialistas privados, pois pode ser uma boa fonte de rendimentos.
Se Paulo Portas perguntar aos banqueiros que o apoiam, o que querem fazer pelo seu país, eles começarão por perguntar: Qual país? Hoje estamos num mundo global e não há fronteiras. O que queremos é que se ganhe dinheiro. Como, não interessa. O negócio é tudo. Isso de produzir não é importante. O que dá mais é a engenharia financeira. Por isso queremos que os países tenham, mercados, bolsas activas, que movimentem muitas acções. Comprar e vender petróleo por exemplo. E a saúde e educação? Que haja a necessária para os que a podem pagar.
 
Portanto, sem perguntar de onde se vem, pode bem saber-se de onde é, e para onde quer ir. Se isto não é ideologia, então o que é?
      
Quanto aos partidos:
Poderá o Paulo Portas extinguir o seu partido, ou chamar-lhe fundação ou outro nome, pode até mudar de casa, mas não deixará de ter exactamente as mesmas reuniões, fazer os mesmos planos a mesma política com os seus amigos, banqueiros e empresários e estar bem organizado e apoiado para tentar levar Portugal para mais "à direita" ou para... com o nome da treta que queira arranjar (com a tal política que não quer que tenha nome). Se não quer falar em "direita" e "esquerda", que fale "em cima" e "em baixo", ou nalguma coisa que defina o que ele quer. Mas que não esconda o Sol com a peneira. 
Lá espertalhaço é ele. E fala bem. Tolos são os que ainda vão na cantiga, no canto da sereia, na conversa fiada ou da trampa, nas tretas, no paleio, na vigarice, nas faroladas, na conversa mole, nas balelas ou babuseiras, na chuchadeira e nas patacoadas ou lá o que ele queira chamar à sua conversa para enganar tótós.