27 de março de 2011

Trabalhadores, classe operária, proletários.

Este é o título de uma notícia da Lusa difundida pelo Jornal Público e que vou destacar pela sua importância
Jerónimo actualiza marxismo-leninismo aos operários dos 
“call-centers” da “geração à rasca”
27.03.2011 - 04:36 Por Lusa

A notícia completa pode ver-se aqui


A notícia começa assim: Num encontro com jovens comunistas, na Casa do Alentejo, em Lisboa, Jerónimo de Sousa começou por referir-se à história dos 90 anos do PCP, mas depressa se centrou na actualidade, referindo que continua válido o ditado (ditado que revela a injusta segregação de classes, digo eu) segundo o qual “operário será filho de operário, doutor será filho de doutor”.

“Só que agora é operário dos serviços, precário”. Disse ainda que a direita “Querem a precariedade porque tem uma vantagem enorme, paga mais barato, são trabalhadores com menos direitos e trabalhadores mais frágeis no plano da organização, da sindicalização e da consciência de classe”.

Actualmente, até as condições físicas das empresas não proporcionam a criação de uma “consciência de classe”, afirmou, ilustrando que os “call centers” não têm o que nas fábricas se constituía como “o plenário mais espontâneo”, o refeitório e o balneário.

“Tínhamos uma vida colectiva em que íamos formando a consciência”, disse.

Recorrendo à experiência de antigo operário, mostrou outra diferença: “Na minha empresa sabia-se quem era o patrão. A maioria dos trabalhadores hoje não sabe onde está o patrão ou quem é o patrão”, afirmou. 

Jerónimo de Sousa assumiu, na sua intervenção, a necessidade de materializar a teoria e olhar para casos concretos.


“Temos um ideal, somos marxistas-leninistas, lutamos pelo socialismo, mas foi a partir das coisas concretas que o partido se tornou um partido com experiencia própria, que não seguiu modelos”, argumentou. 

“O discurso de cátedra é muito importante, fazermos um discurso sustentado e rigoroso, mas se não conhecermos a realidade, a realidade passa por nós sem nós darmos por isso”, defendeu. 

Para Jerónimo de Sousa é preciso “conhecer o mundo” e aprender com ele, até porque, defendeu, “ninguém nasce comunista, ninguém é comunista antes de o ser”.

“Vocês pensam que a geração de Abril era tudo malta de olhos rasgados até ao umbigo. Não, também aprendemos”, disse.

O líder comunista fez uma referência ao protesto da geração à rasca, “com todas as suas particulares e contradições que se manifestaram”, entre referências a outras manifestações, como a de dia 19 de Março, da central sindical CGTP.

Jerónimo de Sousa terminou a noite apelando à participação na manifestação de 1 de Abril, promovida pela Interjovem, assim como ao 1.º de Maio e 25 de Abril.

Nota: Sugiro que vejam a notícia em "Juventude debate: «O Sonho tem Partido»"