27 de março de 2011

Democracia?

São conjecturas, mas merecem a nossa reflexão.

Estive para publicar estas conjecturas no separador respectivo deste blogue. Mas, de conjectura em conjectura, isto foi adquirindo outra feição. Cá vai.

A propósito das reflexões que tenho vindo a fazer sobre "O que é a Democracia?" recordo uma frase muito em voga no princípio dos anos sessenta, no movimento estudantil, levantada por uma Tese que tinha por título "Democracia é: se o povo quer merda, dá-se-lhe merda"

Também num texto de Manuel Abranches de Soveral, sobre o Manifesto Monárquico, li "Há que ter a coragem de dizer que democracia não é a tirania dos estúpidos, dos ignorantes, dos mal-educados, dos sem-carácter e dos burocratas. E que só a promoção e desenvolvimento de verdadeiras elites, livres e diversas, reconhecidas como tal, nos pode livrar das falsas elites republicanas do jet-set, dos media, da política e dos partidos, e evitar a total inversão de valores que cada vez mais caracteriza a decadente sociedade ocidental".

Para quem não me conheça, esclareço, para evitar dúvidas, que não concordo! Mas, afinal, com que é que não concordo? De imediato concluo que não concordo que "Democracia é: se o povo quer merda, dar-se-lhe merda" assim como não concordo que Democracia possa ser "a tirania dos estúpidos, dos ignorantes, dos mal-educados, dos sem-carácter e dos burocratas".  
Também não concordo que "só a promoção e desenvolvimento de verdadeiras elites", nos possa livrar "das falsas elites republicanas do jet-set, dos media, da política e dos partidos, e evitar a total inversão de valores que cada vez mais caracteriza a decadente sociedade ocidental"

Na óptica do autor, "não se pode, em boa verdade, conduzir um novo processo civilizacional sem a formação de verdadeiras elites, capazes de, pelo exemplo e pela palavra, liderarem a mudança". Mas não concordo que se excluam desses motores da mudança, os média, a política e os partidos. Isso é como dizer que os partidos são todos iguais. 

Com papas e bolos se enganam os tolos

Condeno os resultados que foram referidos mas, é preciso explicar que, numa sociedade de classes, em que os que estão no poder, oprimem os explorados para que nunca cheguem ao poder, (para não perderem os "escravos"), os "males da sociedade" não se devem à "Democracia", vista como ideal de liberdade, para uma sociedade sem classes. 
Se há hoje muita gente que assim pensa, é porque o poder vem querendo reduzir a Democracia ao voto. Isto tem sido aceite, porque desde a escola, a família nos vem "ensinado" que Democracia é o povo votar. Por isso, muitos estão convencidos que estamos numa Democracia. Nesta democracia, em que julgamos estar, em que somos legalmente explorados e roubados, em que o dinheiro manda e nos retira a liberdade, de facto podemos votar, (mas seremos livres de escolher as alternativas?). 
Se o povo disser que quer merda (convencido que a merda é boa) o resultado da votação será merda (como temos visto!). Mas será culpa do povo? Certamente que não! 
Nesta "democracia de quem tem o poder", ou como disse Manuel Abranches de Soveral "do jet-set, dos media, da política e dos partidos (que mandam, digo eu)", e que promove "a total inversão de valores" não se poderia esperar outra coisa que não fosse a "decadente sociedade ocidental", referida. 

Portanto, nestas conjecturas, pergunto? Quem é que nesta sociedade, (ou em Portugal, se preferirem), pode promover a verdadeira Democracia? 

São as elites que estão ligadas ao poder? Não! Isso é o que tem sido feito e dá este resultado. 
É o povo que quer merda? Não! Porque o povo não quer merda! Há povo que vota na merda como compra um produto estragado numa bonita embalagem, que um bom Marketing e a publicidade lhe vendeu! 
Então quem é que pode gerar a mudança, para uma verdadeira Democracia? Peço que me ajudem a encontrar as respostas...