18 de setembro de 2015

A Ditadura disfarçada

Atiram-nos poeira para os olhos

Várias vezes, neste blogue, se mostrou o papel da Comunicação dita Social, na manipulação das ideias, na censura imposta pelos interesses dos grupos económicos que dominam o país.

Neste último número do Jornal Avante, Filipe Diniz, em artigo de opinião relembra o que significa «A palavra ditadura», dominação, exemplificando «o comportamento dos grandes órgãos de comunicação social (públicos e privados) na actual campanha eleitoral». Não é só na presente Campanha Eleitoral, mas na vida diária que a dominação é «uma discriminação sem precedentes, um obstinado e implacável alinhamento a uma só voz e face a um único bloco de interesses: os do grande capital, nacional e transnacional».

A Ditadura exerce-se na realidade através da «obsessiva promoção da falsa bipolarização entre PSD-CDS e PS, com o respectivo cortejo de comentadores, politólogos, sondagens» com «uma inédita propaganda encapotada na programação de entretenimento, atingindo públicos mais desprevenidos» e também com a censura ou silenciamento «da actividade e das posições do PCP e da CDU».

Também, nesse mesmo Jornal, Carlos Gonçalves denuncia «A maior das mistificações» que é a Campanha Eleitoral transmitida nos jornais e Televisão. Trata-ser de «uma deriva de "ditadura mediática" e "pensamento único" contra os interesses dos trabalhadores, do povo e do País». «O sistema mediático e os partidos da política de direita montaram o grande espectáculo do debate Coelho-Costa. O duelo de western, com um marketing avassalador, uma encenação de luxo, guiões de fuga a temas de que PS e PSD/CDS nem querem falar – renegociação da dívida, ou trabalho com direitos. A grande mistificação, para afastar a possibilidade de uma ruptura, forçar a bipolarização e a alternância sem alternativa e garantir os interesses do grande capital».

Os jornais, a Televião, os jornalistas, fogem a questionar os representantes dos partidos sobre os grandes problemas do País, como a Dívida, o Desemprego, os cortes nos Salários e Pensões, a criação de Postos de Trabalho. Carlos Gonçalves denuncia que dos Debates «fica escassa substância», no entanto, para quem estiver atento pode verificar que «um quase nada diferencia as políticas de PS e PSD/CDS – na Segurança Social» que vão continuar os cortes e os roubos aos trabalhadores.

Costa e Passos Coelho desviam as atenções acusando-se mutuamente pela desgraça do País, mas não conseguem iludir que foram o PS, o PSD e CDS os responsáveis desde há 39 anos nos governos. Carlos Gonçalves acusa: o «poder económico-mediático, no rescaldo deste embuste, joga tudo no PS e no Costa, como líder para a política de direita, sobrando para o PSD/CDS todos os apoios necessários às manobras e alianças futuras», concluindo que, para uma verdadeira Alternativa de esquerda, é preciso que «em 4 de Outubro, o povo reforce o PCP e a CDU e trace o rumo para um Portugal com futuro».