3 de janeiro de 2015

Que nos traz para 2015 a nova tática dos EUA com Cuba?

Estados Unidos, cada vez mais isolados, tentam novas formas de fazer o mesmo

Como foi amplamente noticiado, na quadra natalícia, Obama fez um solene discurso onde se dispôs a alterar as relações de hostilidade para com Cuba. Nesse discurso, Obama reconhece a derrota da táctica que há mais de meio século os EUA utilizaram, táctica que ele não referiu mas é sabido que viola todas as normas do direito internacional, e é cada vez mais contestada em todo o mundo. Táctica que também sabemos que visa submeter o povo da ilha a privações que forcem à sua submissão aos EUA.

No discurso de Obama não houve uma palavra de desculpa pelos crimes cometidos, nem uma expressão de remorso. Pelo contrário a tónica do discurso foi para dizer que a táctica até aqui utilizada pelos EUA, falhou e, portanto, deve ser alterada. Alterada para quê? Ele apenas disse, para melhor defender os nossos interesses. Ou seja para melhor atingirem o desde sempre sonhado, objectivo de derrotar a Revolução Cubana.

Mais que o fracasso da táctica é fracasso da política
Há muito que o poder económico que levou Obama à presidência, considera que a diplomacia da canhoneira não é a melhor, face à evolução do cenário mundial, que cada vez menos a aceita. É a velha táctica de que "é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma".

Obama por um lado, confirmou, diplomaticamente, a vontade de manter o poder hegemónico, arrogando o direito de se intrometer nos assuntos internos dos Estados, (neste caso de Cuba) para conseguir a influência na região (que está a perder - isso ele não disse). No entanto reconheceu o fracasso da estratégia utilizada há 50 anos, que não é hoje simpática. 
Cuba Vencerá!
No entanto as forças ultra reaccionárias dos Estados Unidos, continuaram a optar pela política da força. Consideram que os discursos de Obama, apesar de cínicos, dão uma imagem de fraqueza. Acabar com a prisão de Guantanamo e as torturas a presos que apesar de não terem culpa formada, sem julgamento, seria uma cedência.

O isolamento e desprestígio
Obama, e o país que representa, foram ficando cada vez mais desprestigiados, também perante a opinião pública mundial. Uma das expressões desse desprestígio e isolamento foram as constantes votações de todos os países do mundo na ONU, por quase unanimidade, que sempre condenaram o bloqueio a Cuba. 
O grande capital, estava a perder com isso. Sem alterar nada aos seus objectivos de derrotar a Revolução Cubana, insistiram numa política mais habilidosa. Retomaram a estratégia inicial e "deram instruções a Obama", para fazer o papel, não de arrependido, mas "de mais moderno". Assim no seu discurso Obama considerou que para atingirem os objectivos há muito pretendidos, era errado prosseguir com o bloqueio a Cuba. Para dar mais consistência aos seus propósitos, mandou libertar os 5 Cubanos presos.

A nova estratégia surtiu algum efeito nos mais crédulos. No entanto não confundamos as coisas. Os Estados Unidos não alteraram um milímetro da sua política imperialista. Pelo contrário pretendem desta forma reforçá-la. Entrar em Cuba, alargar o "mercado" para aumentar o lucro dos grandes monopólios americanos, e sabotar a economia de Cuba.

Não bastam as palavras
Contudo Cuba exige o desmantelamento total da hostilidade política para com o governo de Cuba, que acabem as acções terroristas contra Cuba e a entrega do espaço do território cubano ocupado, ilegalmente, pela Base norte americana e prisão de Guantanamo.  Os 5 cubanos presos foram libertos. Essa foi uma grande vitória da solidariedade internacional para com Cuba. No entanto Obama nada disse sobre a extinção das elevadíssimas verbas destinadas a apoiar dissidentes cubanos, nem dos programas da CIA e departamentos especializados para promover a desestabilização política de Cuba, nem sequer de medidas para acabarem as acções terroristas contra Cuba pela minoria que ainda sonha em Miami restaurar o velho regime em Cuba. 

Portanto:
- Os EUA foram obrigados a mudar de táctica face ao crescente isolamento e condenação da sua política.
- Essa atitude é uma vitória da luta que se expandiu em todo o mundo em defesa de Cuba, tal com a que se está a gerar em defesa da Palestina.
- Os EUA não mudaram de política. Pelo contrário, ao mudar de táctica reconhecendo o falhanço da táctica anterior, querem experimentar formas mais sofisticadas de alcançar os seus objectivos.