8 de dezembro de 2014

O Muro das Desigualdades

As cada vez maiores Desigualdades, é o mais ignóbil Muro da vergonha desta sociedade. Muro que impõe a maior das violências.

Aprofunda-se o capitalismo, com o liberalismo e fundamentalismo de mercado. A política de direita algema o Estado, e entrega tudo aos privados. Os serviços criados para atenuar as desigualdades, passam a ser geridos pelo critério capitalista do máximo lucro, bem expresso na célebre a frase de um ministro "Quem quer saúde paga".

Esta sociedade capitalista reforça os muros que separam os que vivem do trabalho dos outros, dos que apenas têm como rendimento, a sua força para trabalhar.

Dum lado do Muro os muito ricos que tudo podem comprar e do outro os que nada têm e só sobrevivem enquanto trabalham. Se adoecem nem a saúde podem pagar. A sua alternativa é a morte.

Que liberdade tem quem vive desse lado do Muro? Os que não têm dinheiro, os 842 milhões de pessoas que passam fome e nem forças têm para as trocar por comida?

O Muros das desigualdades, acorrentam sonhos, encarceram a felicidade, violentam quem nasce filho de um pobre, enquanto do outro lado do Muro os filhos dos ricos nascem já ricos e com a liberdade que o dinheiro compra.

A ditadura do poder económico 
Um dos homens mais ricos da América, entrevistado por um jornalista que lhe perguntou quanto pagava de impostos, riu-se e com ar de desprezo disse: Eu já sou suficientemente rico para não ter que pagar impostos.
Os trabalhadores que produzem as riquezas que seguem directamente para os armazéns do outro lado do Muro, tudo o que compram com os tostões que recebem, nem sequer podem fugir ao IVA quando, para poderem continuar a trabalhar, têm que comprar pão para se alimentar. 

Um trabalhador que numa fábrica produz dezenas de sapatos por dia, ao fim dum mês não fica com o suficiente para comprar um par de sapatos dos milhares que produziu.


Deste lado do Muro morrem milhões de crianças, condenadas porque os pais não podem dar-lhes de comer nem pagar a sua saúde, nem obter água potável. Sim, 700 milhões de pessoas não têm água potável. Mil milhões defecam ao ar livre. As contaminações atingem em especial as crianças, deste lado do Muro. Do outro lado consomem-se milhões de litros de bebidas de todo o tipo e destoiem-se alimentos para que os preços não desçam. O mundo produz a quantidade suficiente para que não haja fome. Contudo, 842 milhões de pessoas passam fome.
85% da riqueza mundial pertence a 10% dos mais ricos que têm, em média, quarenta vezes mais que o cidadão médio do mundo. Na metade de baixo dessa pirâmide, metade da população mundial adulta tem que se conformar com 1% da riqueza mundial, distribuida por todos.
De um lado do Muro, algumas dezenas de pessoas mais ricas têm rendimento total superior ao total dos muitos milhões de pobres do outro lado.
Se os muito ricos trabalhassem, precisariam de centenas de vidas a trabalhar até aos 80 anos para acumular a sua riqueza.

Saltar o muro
Será possível um pobre saltar este muro das desigualdades. Não, esta desigualdade extrema retira a liberdade e a mobilidade. Quem nasce pobre está condenado a morrer pobre. E seus filhos e netos, nascidos ou por nascer, herdarão sua pobreza. 

Um outro Muro foi derrubado para o capitalismo conquistar mais espaço. Assim se estendeu a quase todo o mundo. De imediato, foram erguidos muitos outros muros. 7.500 quilómetros já estão acabados. Mais quase 10.000 estão a ser construídos. O Muro das desigualdades cresceu na mesma medida que a liberdade de um lado reduziu a do outro.