4 de fevereiro de 2011

O que é Democracia? (4)

Marx e o socialismo científico

Com o constante agravamento da exploração dos trabalhadores e na década de 1830, o proletariado tentou e promoveu várias revoluções. No final da década, Marx, desenvolveu uma análise histórica, estudando a composição das sociedades ao longo da evolução humana relacionando-as com as várias formas de opressão social. Uma das conclusões que retirou, foi que, apesar da burguesia ter tido um grande papel revolucionário na destruição do poder monárquico e religioso e valorizando a liberdade económica, tornou-se numa nova classe opressora. O objectivo do máximo lucro e a liberalização da competitividade, desprezaram as relações humanas, pessoais e sociais, a ponto do operário ser encarado como uma máquina de trabalho, ou simples peça na engrenagem da produção.  
   Os estudos e os métodos de análise de Marx, consolidaram a corrente científica do socialismo, o “socialismo científico”. Em 1848 Marx e Engels, discutiram e redigiram o Manifesto Comunista, definindo com rigor e objectividade os princípios e programa de acção da Liga Comunista. Esse documento que expressava os propósitos da organização do proletariado, incitando a classe operária a unir-se contra a opressão do capital é, historicamente, um dos tratados políticos de maior influência mundial. As lutas e revoluções até então, improvisadas e caóticas e sem objectivos comuns e coerentes passaram a congregar os trabalhadores e alastraram por toda a Europa.


Karl Marx afirmava que "os operários, que são obrigados a vender-se por minuto, são uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial. (...) Com a difusão do uso das máquinas e a divisão do trabalho, o trabalho proletário perdeu todo o carácter independente e, com isso, todo o atractivo para o operário, que passa a ser um simples acessório da máquina e ao qual se pede apenas uma operação manual simplicíssima, extremamente monótona e facílima de aprender. (...) Operários concentrados em 
massa nas fábricas são organizados militarmente e dispostos como meros soldados da indústria, sob a vigilância de toda uma hierarquia de sub-oficiais e oficiais"


O trabalho, que deveria ser a mais alta expressão da actividade do ser humano, foi tornado uma mercadoria da indústria capitalista e na economia de mercado resultante do liberalismo. Marx mostrou que a sociedade estava dividida em duas grandes classes, exploradores e explorados. Esta divisão de classes, corresponde aos proprietários dos meios de produção de um lado e do outro os produtores que, para viver, dependem de quem lhes compre a única coisa que têm, a força do trabalho. Concluiu Marx, que a sociedade teria que ser transformada com a eliminação das classes antagónicas. Os trabalhadores só deixarão de ser mercadoria quando forem os donos das fábricas – dos meios de produção. Então surgirá uma nova sociedade sem classes.


A Comuna de Paris de 1871 foi o poder revolucionário que governou aquela cidade, segundo as perspectivas do Manifesto Comunista.  Apesar do poder operário ter durado apenas 72 dias, a Comuna é um episódio muito importante e discutido, por ser a primeira tentativa séria de transformação da sociedade. Foi o primeiro governo operário da história, disse Karl Marx na altura. Marx era teórico e dirigente da Associação Internacional dos 
Trabalhadores (AIT), cuja secção francesa teve papel destacado na revolução e no governo da Comuna de Paris. Marx, ao caracterizar a Comuna como governo operário, concluiu que “a classe operária”, seria uma “classe social ascendente”, tendo demonstrado ter condições de elaborar um programa político próprio, organizar-se em torno dele, e assumir o governo de Paris a “capital do mundo”. 


Na realidade, em 1870, a classe operária em Paris possuía organizações de massa e ideias próprias bem definidas. Sindicalmente estava organizada na Federação das Associações Operárias de Paris, constituída por cerca de 40.000 membros. Essa massa operária, formou-se na luta e realizou crescentes greves nos anos de 1868 a 1870.
Em toda a Europa, os exemplos das lutas operárias foram alastrando. Na Alemanha, Bismark na tentativa de conter o acentuado descontentamento dos operários, promoveu, em 1869, uma regulamentação do trabalho que atenuava os desmandos incontrolados do capitalismo liberal. Contudo, os ideais do Socialismo continuaram a alastrar e as organizações de trabalhadores multiplicavam-se e aumentavam a sua força. Em 1878, na Alemanha, foram proibidas as associações de trabalhadores. A grande burguesia no poder não quis arriscar a perda das regalias que usufruía. Os trabalhadores apesar de mais subjugados, não deixaram de se organizar e lutar, incrementando o seu nível de consciência e a convicção da inevitabilidade da transformação social.