12 de novembro de 2012

Televisão, Merkel e manifestações

Ridícula actuação da nossa televisão

A televisão e os comentadores contratados para suavizar as críticas ao Governo, tentaram esconder a manifestação da CGTP e mostrar os "incidentes" na manifestação "que se lixe a troika".

A técnica é já velha.
Dar um tom emocional aos incidentes fabricados para o efeito: Derrube de grades e queima de um boneco. Foi isso que a televisão explorou até onde pode. O problema foi que não teve muito para explorar.

É preciso que hajam incidentes para a televisão entreter os telespectadores.

Em directo a jornalista ainda tentou criar factos e interrogou o responsável da polícia. Mas foi uma desilusão pois esse oficial disse que tudo estava normal e praticamente não havia incidentes. Chatice!
Culminou a jornalista dizendo que estavam ali mais de cinco centenas de manifestantes e muita coisa podia ainda acontecer.



Jornalista com falta de óculos ou com medo de ser despedida?

A emissão foi passada à jornalista que acompanhava a manifestação da CGTP. Também esta mostrou uma grande tristeza por não haver incidentes e teve a lata de dizer que estavam ali mais de uma centena de manifestantes. Informação que logo corrigiu para várias centenas de manifestantes pois a imagem desmentiu-a. 
Esta flagrante mentira mostrou a intenção da jornalista. Segundo podíamos observar, nos escassos momentos que a imagem passou, estavam na realidade milhares de manifestantes. 

Novas tentativas frustradas 

Entretanto nos estúdios os jornalistas de serviço logo interromperam as imagens dessa manifestação, quando falava Arménio Carlos e passaram para a da "que se lixe a troika". Nada de novo. A televisão estava com pouca sorte e não tinha matéria para fazer espectáculo.

Competitividade e baixos salários

Passaram então para o comentador de serviço que desvalorizou as manifestações e disse que esta visita prestigiava Passos Coelho e a Merkel. Depois explicou que a Merkel sublinhou a importância da competitividade e de Portugal ter técnicos muito qualificados. Depois como "àparte" de sua autoria, interpretando a ideia, disse: esses técnicos, terão que ter baixos salários para serem competitivos. 

Depois foi todo o restante tempo a passar os discursos do staff da Merkel no CCB.

Alguns comentários e conclusões:

Comentadores continuaram o seu serviço, aliviando as críticas que o Governo não consegue esconder.
O Jornalista perguntou:

- A Merkel está a fazer campanha eleitoral?
- Não. Ela não precisa. Ela veio visitar os seus alunos e verificar se fizeram os trabalhos de casa.

- Os alemães vieram aos saldos?.
- Não isso é ridículo!
- Mas temos que aprender a viver com menos?
- Sim. Para sermos competitivos temos que baixar os salários ao nível do terceiro mundo.
- É disso que as empresas alemãs estão à espera para "investir" e comprar as que nos restam.
- Sim. Isso vai ser bom para nós. Passamos a trabalhar para os alemães.
- Com baixos salários?
- Lá terá que ser.
- E os sindicatos vão aceitar?
- Os da UGT talvez aceitem. Mas o melhor é acabar com os sindicatos.

Jornalistas com voz emocionada mas sem nada para dizer, outros com muito para dizer mas sem voz

Foram ainda feitas várias tentativas para fazer espectáculo, com ligações ao CCB e a Belém. As jornalistas desgostosas apenas puderam mostrar uma pequena fogueira feita com cartazes dos poucos manifestantes ainda no local.

A manifestação da CGTP, a que incomoda verdadeiramente o poder da direita, essa foi "esquecida", foi silenciada.

Das alternativas apresentadas, pela CGTP e PCP, estiveram "proibidos" de falar. 

Para terminar falaram de Vale e Azevedo... Aí encontraram a sua vocação de jornalistas da televisão.

Quarta feira dia 14 

A Greve Geral será a resposta dos portugueses.