8 de dezembro de 2012

Os Mercados e os Mitos (1)


Capitalismo especulativo. Um capitalismo que nada produz. 

Carlos Carvalhas, no Congresso do PCP falou sobre os Mercados e os Mitos, ou como ele disse os «chamados mercados». Carvalhas frisou que «esses ditos mercados tem bilhete de identidade e são Bancos, companhias de seguro e fundos especulativos em que assenta a economia de casino».

Os Mercados são uma "identidade mítica que nos é apresentada como algo que decide pelos povos, pelas nações, apesar de não ter sido eleita nem escrutinada", disse Carlos Carvalhas.

O Deus Mercado

"Para que o mito funcione – os mercados são sempre referenciados de forma abstracta, “divina”.

Os Mercados dizem-nos que temos que cumprir, "isto é, pagar os juros usurários" e sujeitar-mo-nos às "medidas de extorsão!"

Carvalhas mostrou que "com a decisão ditada pela Alemanha de o Banco Central Europeu não financiar os Estados (o que não acontece nos EUA, Japão, Inglaterra) ... Portugal deixou de poder contar com o Banco de Portugal para se financiar e... ficou dependente dos ditos "mercados". Meteram a raposa no galinheiro".
(...)
"É necessário sublinhar e recordar que Portugal antes da crise (2007) não só tinha uma dívida pública inferior a boa parte dos países europeus (França, Bélgica, Itália …) como se financiava a taxas de juro inferiores à média europeia".

Os nossos impostos vão para os Bancos privados

Explicou Carvalhas que o Estado se transformou "em rede de segurança dos Bancos privados à custa dos contribuintes".  "O Estado transformou-se de facto em prestamista de último recurso dos Bancos, devendo injectar 3 400 milhões de euros até ao fim do ano no BPN, o Banco das figuras gradas do PSD e de Cavaco Silva".
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Lembrou ainda que do "empréstimo da troika, 12 mil milhões de euros são para a Banca. O BCP já ficou com 3 mil milhões e o BPI com 1 500 milhões. E há ainda 7 mil milhões que estão a vencer juros – pagos pelos contribuintes, isto é, pelos trabalhadores – e que o governo não os injecta na economia porque diz estarem de precaução no caso de a Banca vir a precisar!". E somos nós que pagamos os juros!

Uma dívida perpétua

"Em Portugal e na Europa, os Estados aumentam os seus défices orçamentais por causa do sistema financeiro, aumentaram a sua dívida pública para salvar a Banca, melhor dizendo, os banqueiros e os seus principais accionistas".

"Este governo está a enredar Portugal numa dívida perpétua e numa repetição de medidas de austeridade. Ao contrário do que diz o Ministro dos submarinos (...) a política que está a ser seguida não vai levar a que Portugal recupere a sua soberania, mas sim a que o País fique cada vez mais endividado e dependente", disse Carvalhas..

Renegociar, palavra maldita que lhes estraga o negócio

Lembrou ainda que "Quando o PCP denunciava as PPP's e as rendas excessivas, e quando foi pioneiro ao afirmar que era necessário renegociar a dívida, a resposta dos economistas e comentadores enfeudados ao sistema foi a do silêncio, da indiferença, ou da negação sobranceira".

"Depois de negarem a evidência começaram então a conjugar o re, de reavaliação, de reanálise, de revisitação da dívida e dos termos acordados com a troika, para evitarem chamar os bois pelos nomes: renegociação!"
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Pôr Portugal a produzir, para a nossa economia

"Quando o PCP afirmou e afirma que era e é necessário pôr Portugal a produzir, que a questão central do país era e é o crescimento económico e a sua reindustrialização durante muito tempo fizeram de conta que não ouviam".

"Agora, até o PS o afirma em voz grossa e o Ministro da Economia, pelo menos em palavras, parece que também descobriu a necessidade de reindustrializar o país!"
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Os patrões do Governo mandam privatizar, privatizar tudo o que dá lucro

"Sempre afirmámos também, que as privatizações (a venda dos anéis) levariam a entregar ao estrangeiro a preços de saldo, alavancas fundamentais da economia, acentuando a nossa dependência".

"Os dados aí estão a evidenciá-lo. (...)
Ainda no tempo de Sócrates foi afirmado pelo então presidente do AICEP, que por cada mil euros de lucros das empresas detidas por investidores estrangeiros só cá ficavam 19, os restantes, saíram em lucros e dividendos. A situação não melhorou, piorou!"

Uma política de classe. Uma traição a Portugal e aos trabalhadores

Será que os nossos governos são estúpidos? Não! Eles sabem bem que o PCP tem razão. Mas, com a razão do PCP não se governam eles e os amigos "mercados".

Dentro de alguns dias espero abordar novas ideias da pedagógica intervenção de Carlos Carvalhas.

* troca de fotografia em 08/12 às 22.30