7 de dezembro de 2012

Duas histórias


A política de direita. Os seus valores e moral

Neste blogue tenho relatado  várias situações que considero caracterizarem a política de direita.
Bem sei que a política de direita é fundamentalmente caracterizada pela exploração de quem trabalha (a grande maioria) em benefício de uma pequena minoria. 

Contudo, a política de direita processa-se disfarçadamente em muitos domínios da nossa vida, manipula as consciências, conjugando-se para manter uma ideologia que sustenta a exploração e para amansar os explorados.

Por isso, na tentativa de alertar algumas consciências, sempre que posso, denuncio essas subtilezas que a toda a hora nos anestesiam e retiram a capacidade crítica.


1ª História
Um Presidente de Câmara

Um presidente de Câmara do Partido Socialista, que eu conheci, pessoalmente, bem, uma vez levou à Assembleia Municipal uma proposta que parecia aceitável, mas… vinda de onde vinha fez-me desconfiar. Numa reunião pública fiz-lhe várias perguntas, no sentido de esclarecer as minhas desconfianças. A todas elas me respondeu mostrando as melhores intenções. Fiquei convencido e a proposta foi aprovada.

Poucos meses depois verifiquei que os objetivos declarados não foram os seguidos na prática, mas, exactamente ao contrário, no sentido das minhas desconfianças. 
Numa outra reunião pública confrontei o presidente da Câmara com as informações que tinha prestado na Assembleia que aprovou a sua proposta. 
Fiquei perplexo com a sua resposta, em alto e bom som para todos ouvirem, acompanhada de um riso alarve:

- O que é que o senhor queria que eu dissesse? Se eu tivesse dito a verdade os senhores não aprovavam a minha proposta!





2ª História 
Um dirigente do Partido Socialista

Em conversa com um dirigente do Partido Socialista, que tinha acabado uma formatura em ciências políticas, a dada altura ele disse-me: 
- Vocês [comunistas] são uns utópicos. Até parece que não sabem que o objectivo de qualquer partido é tomar o poder.
Tentei reproduzir as palavras de Álvaro Cunhal no livro “Paredes de Vidro” e disse-lhe:
- A verdade pode no imediato custar caro a quem a respeita. Mas nós temos a consciência que a verdade acaba por triunfar. 

Esse dirigente socialista riu-se e com ar paternalista disse:
- É o que eu digo. Vocês são uns sonhadores. Não é assim que se conquista o poder. 
Perante o meu silêncio e visível tristeza, acrescentou:
- Primeiro conquista-se o poder. Depois então, se houver necessidade, se esclarecem as coisas. 

O problema é que isto não são casos isolados. Não são casos de pessoas, com os seus erros ou defeitos. Isto é a mentalidade que se desenvolve no seio de alguns partidos para sustentar uma política, uma opção de vida.

O problema é que há trabalhadores, explorados que desculpam estas coisas. 

O problema é que ainda há os que dizem que são todos iguais. E, como são todos iguais, continuam a votar nos que nos roubam nos 36 anos de "democracia". Inteligente! não é?