20 de maio de 2012

Mundo velho e novo mundo

O que julgamos ser verdade e as ideias erradas.

A sociedade, ao longo de muitas gerações, foi "formatada" pelas classes no poder. 
Os conceitos, preconceitos, leis, regras, e cultura têm vindo a ser ajustados no interesse de quem domina. 
O capitalismo, herdeiro da última das transformações sociais, a revolução burguesa, ajustou, em seu proveito, a cultura e a religião imposta pelas classes anteriormente dominantes. 

Marxismo. Uma ciência para a transformação desta sociedade

Os (verdadeiros) socialistas, apoiam-se nos ramos da ciência, em especial, na filosofia, sociologia e economia, que Marx teve o grande mérito de fundir, para lhes dar uma coerência e estrutura, científicas. Por isso, têm o gigantesco trabalho de, neste novo ciclo da História, reformular os conceitos injustos e caducos que ainda perduram e mostrarem a viabilidade de novas ideias que sirvam à grande maioria, a classe trabalhadora.

É a classe trabalhadora, que terá que mostrar que o capitalismo não serve quem trabalha e, por isso, será substituído por um outro sistema, o socialismo, onde as regras, os conceitos e as leis, se ajustem aos interesses e necessidades da grande maioria da sociedade, os trabalhadores que tudo produzem.

O mundo é composto de mudança...

É uma tarefa difícil. Trata-se de fazer entender novos conceitos a quem sempre viveu raciocinando da forma como aprendeu, com conceitos e preconceitos das classes dominantes. Essas ideias erradas e que têm que ser substituidas: A política é para os políticos. Eles é que sabem. Se o senhor Doutor (ou o senhor Prior) diz é porque é verdade. Foi sempre assim e assim sempre será. Etc., etc.
Tribunal da Santa Inquisição Julga Galileu
As referências da grande maioria das pessoas são as incutidas pela família, pelos mais velhos, pelos padres, pelos professores e que por sua vez já provinham das ideias antigas da religião, impostas pela inquisição, pela aristocracia. 
Recordemos que todos os cientistas, intelectuais e homens com pensamento de vanguarda, foram incompreendidos nos seus tempos. Galileu, por um triz, escapou à fogueira da Inquisição, por dizer que a Terra se movia em torno do Sol.

A exploração: menos trabalhadores a trabalhar mais e desemprego a aumentar.

Compreendem-se as desconfianças e as inimizades que Marx provoca ao introduzir conceitos que, para além de serem novos, abalam as convicções instaladas. 
Quando Marx prova que o capitalista se apropria da Mais Valia produzida pelo trabalhador, quando mostra que o trabalhador trabalha mais horas que o socialmente necessário, a ideologia capitalista tudo faz para combater essas verdades. 

Neste blogue foram diversas vezes mostrados os conceitos “errados” que por vezes temos na cabeça. São por exemplo os conceitos de “Democracia”, de “Ditadura” ou de “Liberdade”.  A sociedade burguesa e capitalista conseguiu “convencer-nos” que  estamos numa democracia por haver eleições e podermos falar sem irmos presos. Sabemos bem, como é falsa esta noção de democracia quando as pessoas votam condicionadas por tantos factores, como as mentiras dos candidatos, a propaganda dos jornais e televisão, medos e ideias criadas pelos padres, pelos caciques locais, ameaças dos patrões, etc. etc. Nesta "democracia" nem todos têm o mesmo “tempo de antena” ou acesso à televisão para as desmentir.

Sempre que há classes antagónicas há ditadura

Marx concluiu, que numa sociedade de classes, exploradores e explorados, nunca pode haver democracia. Existe sempre uma ditadura de classe. Neste momento a ditadura da classe que explora a classe explorada. 

A generalidade das pessoas, sem pensar a quem serve a Ditadura ou a Democracia, apenas aprendeu: “Ditadura é mau”, “Democracia é bom”. 
E se houvesse (e há) uma “ditadura de uma grande maioria” que não deixasse alguns capitalistas explorar os trabalhadores? 
E se houvesse (e há) democracias em que os candidatos prometem e mentem e, depois de eleitos, exploram, roubam, matam, prendem e torturam? 
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Liberdade e democracia para quem?

Da mesma forma, as pessoas nesta sociedade, com esta cultura, sempre associaram Liberdade ao facto de se poder falar, de poder viajar, de poder comprar o que se queira, sem pensar que essa “liberdade” só a pode ter quem tem dinheiro. A grande maioria não a tem. Mesmo o falar, que não custa dinheiro, não é igual para todos. Criticar o governo na taberna, para meia dúzia de pessoas, não é o mesmo que criticar as lutas dos trabalhadores na televisão para milhões de pessoas. 
Será “liberdade” podermos criticar sem sermos ouvidos? Será “liberdade” podermos viajar mas não termos dinheiro para comer? 
Será “liberdade” podermos escolher entre cem marcas de automóveis mas não termos dinheiro para comprar um que seja? 
Será “liberdade” e “democracia” podermos escolher o emprego que se quiser mas estarmos condicionados por não ter tido dinheiro para pagar os estudos ou não haver trabalho para escolher?

Nesta “democracia”, capitalista, é mais fácil a quem tem dinheiro mentir, enganar ou chantagear os trabalhadores do que estes defenderem a verdade e os seus direitos. 
É a luta dos trabalhadores, dos explorados, que lhes fará adquirir a força e a consciência para, organizados, criar uma nova sociedade, com novos conceitos, com novas regras.