28 de novembro de 2011

As burlas desta "democracia"

Democracia? Que democracia?

Vivemos num regime em coma, que apenas sobrevive ligado à máquina do dinheiro. Máquina propriedade de alguns mas alimentada por milhões de burlados.

Simplificando, a Democracia é o regime de governação da sociedade de acordo com a vontade do povo. Passando por cima da questão "como é que a vontade do povo exprime os seus interesses", e do facto da democracia poder assumir várias formas mais ou menos participativas, vou apenas considerar aquela em que assenta o regime em que vivemos. A Democracia Representativa.

Democracia Representativa

A Democracia Representativa assenta na representação da vontade do povo que vota para eleger os seus representantes. Esses representantes são, a nível nacional, o Presidente da Republica e os Deputados. O governo não é eleito, mas "escolhido" pela maioria dos Deputados, com o acordo do Presidente da República.

Para que o povo saiba em quem votar, os candidatos têm que manifestar as suas intenções, propondo política e medidas a defender. Isso é feito nas campanhas eleitorais e formalizado nos seus programas.
Durante a Campanha Eleitoral todos os candidatos devem ter oportunidade para expressar as suas políticas defendendo o que acham melhor para o país.
Assim os eleitores têm a obrigação de conhecer essas intenções e escolher os seus representantes de acordo com os compromissos que os candidatos assumem e o que desejam que seja feito.
A maioria dos eleitores não conhece os seus representantes, não pode assegurar a sua honestidade e apenas tem por referência aquilo que se comprometem fazer. A palavra do Candidato é, normalmente, tomada como séria.

Contudo, como há muito sabemos, isso não é a realidade.

Descobrir os interesses escondidos. Promessas leva-as o vento

Há muitos candidatos que, para ganhar eleições, prometem uma coisa, sabendo de antemão que a não vão cumprir. São os candidatos, políticos, que defendem interesses de minorias, e que se o dissessem seriam apenas essas minorias a votar neles e não ganhariam as eleições.
Assim esses políticos, candidatos, prometem que defendem os interesses da maioria do povo, mas, depois de eleitos, voltam com a palavra atrás e defendem os interesses da sua classe social. Como são eles a fazer as leis, esta burla, como tantas outras, não é punida.
   
A burla eleitoral, não é apenas a mentira dos candidatos. É também o facto do esclarecimento através da Comunicação Social e de outros meios de informação não dar igual oportunidade a todos. Os mais ricos, os que são donos dos Jornais, da Televisão, os que têm muito dinheiro para fazer campanhas, têm mais possibilidades de enganar.

Meia democracia de 4 em 4 anos. 

Neste sistema “democrático” o povo apenas tem o poder de votar de quatro em quatro anos, mas não tem o poder de fiscalizar e demitir os Deputados ou o Presidente da República que estejam a fazer uma política contrária ao que disseram fazer. Apenas têm o direito de se manifestar, de protestar. A liberdade, tão badalada, é uma liberdade falsa, muito condicionada.

Na globalização liberal, ou neo-liberal, quem tem o poder do dinheiro é que decide, não a maioria. Todas as relações mercantis, incluindo a venda do trabalho, o salário, estão subordinadas a esse poder ditatorial (de uma minoria). A forma de organização política corresponde à hegemonia económica do capital financeiro que se apoia na ideologia neoliberal. 

Quem manda nos governos da direita?

O poder financeiro (bancos, mercados, etc.) utiliza a democracia para impor a ideologia neo-liberal, "jogando sempre em casa", com meios poderosos e que exigem muito dinheiro, como campanhas eleitorais à americana, financiadas por milionários ou grandes grupos económicos. 

Através da publicidade, que nos atinge permanentemente, em todos os lugares onde estamos, essa ideologia procura identificar o cidadão com o consumidor e a influenciar as eleições pelas leis do mercado. Na realidade ninguém vota nos mercados, nas troikas, nos bancos, mas são esses instrumentos do capital financeiro que ditam as ordens para os governos. É a ditadura do dinheiro, concentrado em meia dúzia de milionários.

Ideologia que atinge todos desde crianças

Trata-se de mais uma burla que começa a ser veiculada nas escolas e é uma das maiores armadilhas ideológicas. Identificar a democracia com “democracia neo-liberal”, como se isso fosse natural. O exemplo prático é dado pelas ideias que se instalam, de que o mundo é dos fortes (de quem tem dinheiro) e o objectivo da nossa vida é ser como eles. É explorar o parceiro, enganar, burlar, no fundo seguir a lei da selva, do salve-se quem puder como fazem os ricos.

As políticas neoliberais falsificaram a democracia, levando à desmoralização crescente das pessoas, e ao descrédito do Estado, dos parlamentos e dos sistemas judiciais, dos partidos políticos e dos sindicatos.

Esta política mata a participação, desmotiva e impede a consciência das pessoas

Desde 1976 que em Portugal se desmotivam as organizações populares e se levantam dificuldades crescentes aos movimentos sociais, à participação popular, reduzindo a política a uma prática "profissional" (a política é para os políticos), monopolizada por elites cada vez mais distanciadas das massas da população, sem nenhum controle social, em que a cidadania fica reduzida à votação de quatro em quatro anos. O aumento do horário de trabalho é também para impedir os trabalhadores de terem tempo livre para a participação na vida social.

Aos poucos está a ser extinta a pedagógica cidadania, formadora da consciência das pessoas. A ausência de participação nos assuntos, nos partidos, nos sindicatos e outras organizações é um objectivo desta política para isolar cada cidadão e levar à passividade e desinteresse pela vida colectiva. 

A voz do dono e o "Pimba"

A opinião pública, é cada vez mais a opinião da Comunicação Social – e esta é dirigida por interesses ideológicos da classe no poder, fomentando interesses comerciais, gostos mesquinhos nas audiências e assim corrompem os espectadores ou leitores.  Adulteram a consciência da classe dominada, degradam valores e a cultura.

Este ciclo está no fim. Depende do nós o que vem a seguir

A hegemonia económica do capital financeiro, não tem base social para se aguentar. As eleições e partidos ganhadores esvaziam-se de conteúdo apesar das alternâncias para disfarçar a mesma política. A instabilidade social aumenta, com o aumento do descrédito nesta "democracia" de escândalos políticos, de corrupção, de burlas eleitorais e o não reconhecimento dos governos e parlamentos como representantes da maioria que os elegeu. 

O leitor que medite nisto e que tire as suas conclusões.