15 de julho de 2011

Austeridade só para os trabalhadores

Política de classe

Diz-se que a língua portuguesa é traiçoeira. Pois, na verdade, o que se escreve obriga a pensar nas várias interpretações (possíveis consoante a cultura de quem as lê). Este título, "política de classe", para uns pode significar uma "política de qualidade" de "categoria" mas pode também significar "política de uma classe social".
Simplificando, a política de direita é uma política da classe exploradora. Esta política de classe, caracteriza-se por acentuar as vantagens das classes exploradoras relativamente às classes exploradas. Como estamos a assistir, esta política cria as maiores desigualdades entre os pobres e os ricos. 


A "crise" é boa para os que a provocaram


A crise do capitalismo tem servido para impor uma política de classe ao isentar os ricos das medidas de "austeridade" que atingem principalmente quem trabalha e quem tem menores rendimentos. Cem euros roubados a cada um dos seis milhões de trabalhadores, significam 600 milhões que entram nos bolsos de uma centena de grandes capitalistas, que os arrecadam e que pouco utilizam para ajudar a economia do país.
Os trabalhadores pagam a crise, sem que esse pagamento contribua para, no futuro, repor as condições de vida dos portugueses. Grande parte desse dinheiro vai para os bancos e para o estrangeiro e é usado de acordo com os interesses de privados. Pouco é aplicado a apoiar a produção nacional e a gerar mais emprego.
Há soluções mas... não convêm a alguns


Os Governos (anterior do PS e o actual PSD e CDS-PP que apoiaram o anterior) sabem perfeitamente que há outras soluções (como as que o PCP tem indicado) que, sendo também de classe (da classe trabalhadora) são soluções que melhor servem o país mas que não servem a quem vive dos privilégios da exploração. 
Porque é que o imposto extraordinário não é aplicado aos rendimentos dos accionistas?
Porque não toca nos rendimentos da especulação bolsista?
É por isso que vimos aumentar o lucro dos mais ricos e reduzir os salários dos trabalhadores.
É por isso que aumentam as vendas dos carros mais caros e reduzir as vendas dos mais baratos. 
É por isso que vimos a exibição imoral dos bens de luxo, enquanto os mais pobres são, obrigados a viver pior.
Esta política de classe é uma verdadeira guerra aos trabalhadores para eliminar os direitos conseguidos ao longo de mais de um século. Voltámos ao séc. XIX.


Que "democracia" é esta?


Como é que a classe dominante (dos ricos, da burguesia), sendo minoritária, consegue impor a sua política? 
Porque criou mecanismos, ditos democráticos, que permitem resultados muito pouco democráticos. As eleições de quatro em quatro anos, por quem não participa, por quem nada sabe de política, por quem não tem consciência de classe, permitem eleição de uma maioria de deputados e formação de governos de direita que aprovam as leis contra os que os elegeram, contra a classe trabalhadora.
A classe no poder dispões dos meios de comunicação, jornais, rádios e televisão para convencer as pessoas que esta política é a única possível e esconder as medidas propostas pelos partidos e sindicatos que defendem os trabalhadores. As grandes cadeias de comunicação nacionais e internacionais, pertencem a privados, grandes capitalistas.  Exercem forte pressão sobre os jornalistas para veicular a informação e a cultura que lhes interessa e que dê uma visão conservadora da política e do mundo. Apoiam-se nos comentadores ao serviço dos grandes capitalistas, restringindo as opiniões de independentes. 


Uma ideologia de preconceitos e que adormece


Desde crianças que as pessoas são formadas politicamente com ideias e valores que as afastam de uma participação activa na vida pública para defender os seus interesses. Criam-se os pensamentos de que os políticos e os partidos são todos iguais, de que não há nada a fazer, de que não vale a pena lutar. Estas ideias permitem aos que estão no poder manterem a mesma política, mesmo que seja com políticos ou partidos diferentes.  
Uma sondagem publicada no Jornal de Negócios, sobre o imposto extraordinário, afirma que 45,6 por cento terá afirmado concordar e adianta que as opiniões por eleitores dos partidos, revela que a esmagadora maioria dos apoiantes da medida pertence ao eleitorado do CDS-PP (71,7%) e PSD (69,9%). Contra estas medidas estão 51,9% dos eleitores socialistas, e 65,7% dos eleitores do PCP. Ainda que estas sondagens sejam feitas para apoiar as medidas do Governo, e portanto sejam sondagens de pouca confiança, revelam contudo, como se situam os interesses de eleitores que votam nos vários partidos. 


A força dos trabalhadores


Os trabalhadores e a classe explorada, não têm os meios poderosos de que os grandes capitalistas dispõem.  Têm do seu lado a razão contra a exploração, o serem a classe mais numerosa e que tudo produz. Para transformar isso em força, os trabalhadores têm que aprender (aprender sempre) tomar consciência da sua força, dos seus objectivos de construção de uma nova sociedade, da necessidade de estarem unidos, organizados e lutar contra quem os explora.