28 de maio de 2011

Combate à Corrupção

Porque é que os corruptos e sabotadores da economia continuam à solta?

A Lei que continua por aprovar!


Esta reflexão vem a propósito de sondagens e de algumas reportagens que "elevam" políticos corruptos, mentirosos e com falta de ética aos "tops" da escolha dos portugueses.


Se a lei que, desde 2007, o PCP vem apresentando na Assempleia da República para combater os crimes de corrupção, (ver aqui) já tivesse sido aprovada, certamente que a maioria desses políticos estaria na prisão. Mas os "gangs" defendem "a família", infelizmente, com a tolerância dos portugueses.


É sabido que os baixos níveis de formação, e a indulgência para com as práticas da corrupção, fazem os portugueses aceitar, e até fomentar, o clientelismo, as cunhas, as fraudes fiscais, os favores e outras práticas desse tipo. É um fenómeno cultural e social que tem como alibi, vencer as dificuldades da burocracia e promover o desenrascanço.


Esta cultura (ou falta dela) cresceu ao longo dos tempos e, em especial, durante os 48 anos de fascismo salazarista. Inerente a ela é o não uso do direito (e dever) de denúncia e do não exercício de vigilância para esses actos de corrupção. 


Após o 25 de Abril de 74 foi estimulada uma grande participação popular na vida social e política que combateu a corrupção e esses actos de sabotagem da economia. Contudo esse ambiente foi reprimido após 1976. Por isso, abafada a Revolução dos Cravos, foi interrompida a cidadania activa, o que favoreceu este ambiente de falta de ética e de responsabilidade social, que conhecemos. A falta de literacia, e de cultura, da maioria dos portugueses, permite e origina graves problemas sociais e económicos em Portugal.




O papel da Comunicação Social


Os Orgãos de Comunicação Social, para agradar aos gostos das maiorias menos cultas e sem preocupação pela qualidade, para garantir grandes tiragens ou audiências, usam e abusam do sensacionalismo do voyeurismo, do espectáculo sem conteúdo, da exploração dos baixos valores, da falta de ética e dignidade. Preferem distrair as pessoas com a invasão da vida privada, especialmente a dos políticos, em vez de debater as suas ideias e opções. Isto desenvolve uma deficiente cidadania e a incapacidade de compreender e participar na vida política e social do país. Interessa mais à comunicação social discutir pormenores para os quais não é preciso pensar, do que as politicas em causa. 


 
"Se eu pudesse fazia o mesmo"
 
Fica sempre por relacionar a política com os interesses que defendem. Os escândalos e a corrupção com a política defendida. Problemas que causam enormes prejuizos ao país, são apresentadas como jogos-espectáculo, sem qualquer efeito pedagógico ou exemplar. Por vezes os corruptos são apresentados como heróis, os espertos, os desenrrascados que se safaram. Reportagens ouvindo cidadãos destacam afirmações tais como: "ele foi esperto", "eu se pudesse fazia o mesmo", "parvo era ele se não se aproveitasse", "se todos roubam, porque é que ele não havia de roubar". 
É isto que leva os portugueses a eleger os mentirosos, os expertos, os corruptos os que "desviam" o que é de todos, que destroem o país e roubam todos os portugueses.  


Outros textos sobre o assunto:
Projecto de lei
Noticia do JN