30 de março de 2011

O crescer das desigualdades

Como aproveitar bem a crise do capitalismo. "Manual para não Tótós".

Do artigo "Há crise e crise..." do Diário.info, fiz a seguinte adaptação resumida.

A riqueza acumulada de todos os HNWI - High Net Worth Individuals (pessoas com mais de 1 milhão de dólares) no mundo atinge os 33,4 milhões de milhões de dólares em 2005; 37,2 em 2006; 40,7 em 2007; 32,8 em 2008 e em plena crise, em 2009, subia para 39 milhões de milhões de dólares. Para se ter uma noção da escala deste valor bastará dizer que representa cerca de três vezes o Produto Interno Líquido dos EUA.

Os UHNWI Ultra High Net Worth Individuals (pessoas com mais de 30 milhões de dólares). Em 2009 incluía 93.100 indivíduos, ou seja, um super rico por cada 75.000 pessoas. 


13.845.000.000.000 Dólares

Estes 93.100 indivíduos possuem activos acumulados de cerca 13.845.000.000.000 dólares, ou seja, o equivalente ao Produto Interno Líquido de toda a Europa.

A Merryl-Linch e a Capgemini, prevêem que em 2013 a riqueza dos HNWI rondará os 48,5 milhões de milhões de dólares, ou seja, que terão aumentado em 60% as fortunas que possuíam em 2005. 

Nos EUA, em 1979 o 1% mais ricos concentrava 9% do rendimento nacional. Hoje concentra 24%. O rendimento deste 1% era, em 1962, 25 vezes superior à média nacional. Hoje é 190 vezes superior. Os lucros das 500 corporations mais importantes aumentaram 141,4% e os rendimentos dos seus dirigentes cresceram 282% entre 1990 e 2010.

O Relatório da sociedade financeira JP Morgan Chase é um bom exemplo: os lucros aumentaram 48% em relação a 2008 e, no primeiro quadrimestre de 2010, aumentaram 47% em relação ao mesmo período de 2009. Os analistas estimam que os lucros das corporations tenham aumentado 27% no último quadrimestre de 2010.

O chefe de gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, já o expressara claramente quando afirmou “não nos permitamos desbaratar uma boa crise, uma vez que a crescente catástrofe económica pode ser utilizada para a introdução de mudanças e para decidir sacrifícios que seriam inaceitáveis num contexto diferente”. Não é possível ser-se mais claro.

O capital foi buscar ao Estado somas inimagináveis para impedir o colapso do sector financeiro. Como diz o professor Michael Hudson o capital, utilizou "a crise bancária como pretexto para alterar a legislação, permitindo às empresas privadas e às entidades públicas despedir sem custos e com a máxima arbitrariedade, assim como reduzir as pensões e as despesas sociais, de modo a poder dar mais dinheiro aos bancos”. 

É exactamente este "Manual" que o PS, PSD e CDS cumprem. 
As ordens dos EUA vêm no "Manual" que enviaram à Europa, em inglês, para ser cumprido. Estas ordens são acompanhadas das instruções para que a comunicação social, em especial as Televisões, criem a ideia que não há alternativas, e por isso os comentadores devem ser sempre da direita, porque, se os tótós desconfiam e abrem os olhos, lá se vão os lucros dos não-tótós.

Correcção gramatical e etiquetas às 2:15 h.