20 de março de 2011

Guerra na Líbia

Uma guerra injusta, ilegal e, mais uma vez, pelos interesses do petróleo


Os EUA e os tradicionais aliados, França de Sarkozy e Grã Bretanha de Cameron, lançaram os ataques à Líbia, iniciando assim mais uma guerra. Esta com o pretexto da defesa do povo que, como no Iraque, se traduziu em muitas centenas de milhares de mortos, milhões de vítimas e a na ruína do país.

Na Líbia país muito rico em petróleo, e com um regime tribal forte, Kadafi pode não ser santo, mas é o único líder que tem o consenso da maioria das tribos. Neste conflito não se vislumbra o aparecimento de outros líderes, que reúnam um consenso e permitam uma política mais justa para o povo. Não foram abertas portas para um diálogo. 

"Dividir para reinar",  é a política do grande capital, que lançou a crise financeira que afecta muitos países capitalistas e, numa "fuga prá frente", deve estar a preparar a divisão da Líbia, para se apoderar das suas riquezas. 
Nessa divisão certamente que os EUA, vão querer o controlo das zonas do petróleo. Esse pode ser o grande objectivo ainda escondido. Se relacionarmos isto com o novo conceito estratégico da Nato e na sua intervenção nas zonas do mundo que são muito ricas em matérias primas, podemos verificar uma lógica dos "donos do mundo" nestas acções.

  
Neste caso, da Líbia, os EUA e seus aliados, antigas potências coloniais europeias, bem como Israel, Egipto, Arábia Saudita e Emiratos Árabes, apesar de não terem provado, genocídios e as barbaridades que afirmam, lançaram acções de propaganda na comunicação social que dominam, para justificar as operações realizadas de fornecimento de armas aos "rebeldes" concentrados em Benghazi, e agora, o ataque ao país, com a cobertura numa Resolução do Conselho de Segurança da ONU que não cobre as acções que estão a realizar. 
Repete-se o uso da mentira, utilizada no Iraque. 
O descaramento é tal que Berlusconi, envolvido em muitos escândalos, prometeu juntar-se aos agressores. Era mesmo de Berlusconi que estes aliados precisavam para ficar a quadrilha completa. 

A Resolução do Conselho de Segurança, obtida com muita dificuldade e 5 abstenções (Alemanha, Brasil, China, Índia e Rússia) não autoriza os ataques e bombardeamentos que estão a ser feitos.
Destina-se a criar uma zona de exclusão aérea para permitir um corredor livre da intervenção de aviões líbios e não consente o bombardeamento nem o ataque a alvos que não tenham a ver com a garantia da zona aérea. Muito menos a resolução do Conselho de Segurança, permite que os EUA escolham os alvos em função das partes em conflito. 

Sem respeito pela ONU, os ataques franceses e norte-americanos, tiveram objectivos militares que nada têm a ver com isso mas, apenas, aniquilar as forças governamentais, em combate com os rebeldes no terreno. A coberto dessas acções o Qatar e Emiratos Árabes Unidos estão a armar os revoltosos com novo equipamento militar. Ao seu critério, “democrático”, armam uns e desarmam outros. Isto é ainda mais vergonhoso, porque no caso do Bahrein e nas outras revoltas populares, os EUA com os seus aliados árabes, tentam esmagar as revoltas ocorridas noutros países liderados por ditadores, como na Arábia Saudita que, para além do povo, as mulheres são vítimas maiores. Sobre tudo isto a Comunicação Social “controlada” mantém um silêncio hipócrita. Também a ONU, NATO e EU, assobiam para o lado e fingem desconhecer. 

A ONU e as organizações controladas pelos EUA, não se preocupam com os palestinos massacrados em Gaza, com a selvajaria da tropa da NATO que massacra indefesos camponeses afegãos, nunca se manifestou contra os aviões da CIA telecomandados (drones) que assassinam velhos, mulheres e crianças no Paquistão, como não se manifestou contra o genocídio americano no Iraque.
    
No caso do Egipto e Tunísia os povos não precisaram da intervenção estrangeira para se libertarem dos ditadores que sempre foram aliados, financiados e armados pelo ocidente em troca do petróleo.

   
Os EUA que provocaram a crise financeira que se abate sobre os povos da maioria dos países capitalistas, estão também numa situação de grande crise. Crise económica, financeira e social.
O encadeado de situações verificadas com a rebeldia de alguns "amigos" como Sadan Hussain, e vários líderes do Irão apoiados pelo ocidente, levaram à constante perda de influência dos EUA à queda dos "petro-dólares" e à travagem das compras de Títulos do Tesouro dos EUA pelos países do Golfo. 

Recentemente, com os sismos e maremoto no Japão, que debilitou ainda mais a economia há uma década em crise, os EUA vão perder compradores dos  títulos da dívida americana (T-Bonds) e vão, como é provável, ter mais um concorrente nas vendas de parte importante das suas reservas em Títulos do Tesouro dos EUA para financiar a reconstrução e o relançamento da economia do Japão.
Note-se que os EUA é o país com a maior dívida espalhado pelos cinco cantos do mundo, mas em especial pela China, Japão e Grã-Bretanha. 

Também é quase certo que a redução de investimentos em equipamento em nuclear de produção de energia, juntamente com a instabilidade das revoltas no Médio Oriente, vai agravar a pressão sobre os preços do petróleo do gás e do carvão. 

Esta nova guerra lançada pelos EUA, tem tudo isto em consideração, como “fuga prá frente” é, também, uma tentativa para salvar o capitalismo, sistema económico que está em profunda crise. Se vai adiar o fim do capitalismo não me atrevo a prever. Contudo, o que sabemos, e estamos a confirmar no dia a dia, é que, para adiar a morte do capitalismo pagamos todos, nos aumentos de impostos, nos aumentos do custo de vida, nas reduções de salários, no aumento do desemprego, na redução das pensões, na redução da assistência, na qualidade do ensino, nas privatizações e no roubo permanente que o grande capital financeiro, os "mercados", fazem a todos nós.