29 de janeiro de 2011

O que é Democracia? (3)

A revolta dos “novos escravos”

Na Inglaterra, país onde o desenvolvimento industrial foi pioneiro, a necessidade de mão-de-obra para as fábricas fez deslocar grandes massas de trabalhadores do campo para as cidades. As condições de trabalho e falta de regulamentação e de leis que protegessem os trabalhadores levou Robert Owen, rico industrial e “socialista utópico” a dinamizar as primeiras Trade Unions, (sindicatos). Propos leis para reduzir a exploração, em particular das crianças, e regular os princípios liberais da atividade industrial e comercial "do lucro imediato acima de qualquer outra coisa". Owen, por experiêcia própria, dizia que a lógica do capitalismo tinha levado os trabalhadores a condições de vida desumanas, materiais e espirituais, piores que as pré-industriais. Os industriais, numa competição acelerada, para obterem o máximo lucro, "levaram as classes inferiores, de cujo trabalho deriva hoje essa riqueza, a um nível de verdadeira opressão... Por conseguinte, eles encontram-se actualmente numa situação de degradação e miséria muito maior do que aquela em que se encontravam antes da introdução dessas indústrias, de cujo sucesso depende hoje a sua mera subsistência", disse Owen. 




Também em França, Fourier, outro “socialista utópico”, defendeu o princípio do “direito do trabalho” como uma necessidade de regulamentar as relações entre empregador e empregado, e de defender os trabalhadores que não tinham alternativas senão aceitar o que lhes era “oferecido”. Surgiram críticas dos socialistas (utópicos) ao direito de propriedade dos meios de produção e à exploração, críticas e análises que tiveram a virtude de despertar a consciência não só de trabalhadores como também de muitos humanistas e de alguns sectores da burguesia.
Em Inglaterra, em 1831, uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as condições de trabalho e dos trabalhadores, registou: “… Diante desta Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores homens e mulheres, meninos e meninas,  abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana, cada um deles, clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade do homem para com o homem…” O relatório produzido, foi uma impiedosa condenação dos legisladores que, quando em suas mãos detinham o poder, “abandonaram os fracos à rapacidade dos fortes”.
As concepções liberais da autonomia da vontade, hipocritamente projectadas nas relações de trabalho, traduziam-se na liberdade do economicamente mais forte para explorar o mais fraco.
Assim neste ambiente controverso, a classe operária foi aprendendo, à sua custa, a organizar-se, primeiro por necessidades de ajuda humanitária, que depois evoluíram para embriões de organizações de classe.
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