11 de dezembro de 2014

Comunicação Social - a voz do dono

Mais de uma centena de órgãos de comunicação social, em Portugal, estão nas mãos de cinco grandes grupos económicos

Referi em anteriores publicações, que os média, em Portugal como no Mundo, reflectem as ideias os pontos de vista que servem os interesses comuns a esses grandes grupos económicos, e por isso condicionam a formação da opinião dos leitores, espectadores e ouvintes.

No Brasil

Do Brasil, vêm-nos exemplos - caso da revista Veja e da capa contra Dilma na véspera das eleições - idênticos aos que no nosso país vimos, muitas vezes com subtileza para que não se dê por isso, do condicionamento da opinião pública. Poe vezes a mensagem é passada de modo subliminar. 

Laurindo Leal Filho, professor aposentado da Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo, num artigo publicado por "Vermelho" diz que no Brasil (e cá de certo modo) «...os meios de comunicação agem sem limites, actuando apenas segundo os interesses de quem os controla. As vozes dissonantes ainda são sufocadas. Dessa forma, a democracia deixa de funcionar plenamente por não contar com um de seus principais instrumentos: a ampla circulação de ideias».  Por iso no Brasil é tão actual a discussão à volta da regulamentação da actividade da Comunicação Social.

Fazem o mal e a caramunha 

Diz o professor Leal Filho, «...é necessária uma regulação da mídia, capaz de ampliar o número de pessoas que têm o privilégio de falar com a sociedade». De facto os que controlam a comunicação social, os grandes grupos económicos não querem seguir regras. Eles que fazem a censura, apontam quem defende a obrigatoriedade de comunicação social promover a "ampla circulação de ideias, de opiniões. Acusam isso de censura. Ao contrário, os sectores democráticos, exigem que a comunicação social, não esteja subordinada a interesses e a posições políticas e ideológicas que são as do poder económico dos donos dos grandes grupos proprietários da média, do capitalismo, portanto.

De facto, «...a regulação tem como objetivo romper com a censura que eles praticam quando escondem ou deturpam fatos como lhes interessam» diz  Leal Filho. Tal como as empresas monopolistas que controlam o mercado, a grandes empresas da comunicação social, controlam a difusão das ideias e, portanto a Constituição e as regras devem  «...garantir a liberdade de expressão de toda a sociedade e não apenas daqueles que controlam a Comunicação Social. 

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...

Foram apenas destacados alguns pontos do artigo, feito para a realidade brasileira aplica-se na generalidade a todas as sociedades. Em Portugal há ainda uma especificidade que tem a ver com a sua última frase «Cabe ao Estado mediar e conduzir essa mudança». Em Portugal o Estado é dirigido pelos políticos no poder e, estes são dirigidos pelo poder económico dos grandes grupos capitalistas com interesses idênticos aos dos grupos proprietários da Comunicação Social privada. Como sabemos as Leis são feitas pela maioria de deputados que estão intimamente ligados a esses interesses e/ou ideologias. 
Terá que ser o povo, os trabalhadores, a tomar em suas mãos a mudança de política e a fazer da Comunicação Social um instrumento para servir o país, a cultura e os valores do 25 de Abril.