4 de novembro de 2014

No Brasil a democracia está a ser ameaçada

A direita e os setores mais reacionários não se conformam com a vitória popular

Após a vitória eleitoral de Dilma, a direita brasileira, inconformada manda às urtigas a democracia e pede um golpe militar para derrubar a presidente. Dilma que cometeu a falta grave de ter ganho as eleições mais renhidas desde há muitos anos, depara-se com um ambiente político extremamente hostil criado pela direita que não quer aceitar a derrota. 

A imprensa, e a comunicação social em geral, controlada pelos grandes grupos económicos, difundiu artigos de líderes da direita e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que declara não aceitar o veredito popular que, pela quarta vez consecutiva, derrotou as pretensões de restauração do regime que liderou – antidemocrático, antipopular e antinacional, regime conhecido como “ditadura de punhos de renda”. FHC apela a toda a direita brasileira para a radicalização da oposição em termos antidemocráticos e criando clima para um golpe militar para derrubar Dilma.
 
A imprensa tem veiculado a disposição da direita brasileira de não aceitar o resultado das eleições e pôr em prática uma estratégia para a derrocada da democracia há 12 anos iniciada por Lula e depois continuada com Dilma. 
Em S. Paulo a direita organizou uma manifestação que, apesar de ter apenas cerca de duas mil pessoas, apelaram aos militares para organizar um golpe para derrubar o regime. 
Responsáveis do PMDB que ocupam postos estratégicos no Congresso Nacional, e no aparelho de Estado, violam acordos estabelecidos e articulam uma candidatura francamente hostil ao Governo e ao próprio vice-presidente da República, Michel Temer, Presidente do PMDB, para tentarem conquistar posições de controlo da Câmara.

Dilma está de facto entre a espada e a parede. Por um lado a  brutal e antidemocrática ofensiva da direita com apoio de facções de partidos da base do governo e do imperialismo que espreita e acirra os conflitos à espera da oportunidade para se intrometer e por outro lado as expetativas legítimas do povo brasileiro que deseja que o país continue a caminhar no sentido da democracia e da justiça social. 
Se as forças de esquerda que apoiam Dilma, e ela própria, não tomarem a iniciativa e medidas corajosas para avançar fomentando a organização popular, de base sindical e local, desenvolvendo a participação, luta e apoio de todos os setores dos trabalhadores e das populações para continuar as reformas e conquistas que o povo anseia, é muito provável que os recuos sejam inevitáveis.