23 de maio de 2014

Para que servem umas eleições europeias?

ELEIÇÕES EUROPEIAS

Com este título recebi hoje um texto dos Jornalistas sem Fronteiras, escrito por José Goulão. Pela sua oportunidade aqui vão algumas das ideias transmitidas e alguns, poucos, C de... comentários. O texto pode ser visto aqui.

"Para que servem umas eleições europeias? Para eleger um Parlamento Europeu.
Para que serve um Parlamento Europeu? Para fazer de conta que existe uma Europa onde os cidadãos contam para alguma coisa, a tal mentira cada vez mais ridícula e insultuosa de que procuramos uma “Europa dos cidadãos” – o devir colectivo de trazer os céus à terra." A "Europa connosco" como nos foi vendida - por Mário Soares - e bem cara.
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Mais adiante diz José Goulão:
"O Parlamento Europeu não decide, recomenda; não demite, adverte; não bloqueia, adia."
Não ajuda, faz negócio, digo eu.
"Deitados e contados os votos virão os dirigentes cantar a ladainha do costume de que a abstenção infectou os resultados, os eleitores preferem praia – se estiver sol – ou ficar em casa – se chover – ou futebol – se o houver – ou o cinema, ou outro pretexto qualquer, incapazes de tocar na razão autêntica: mais de metade dos cidadãos estão-se nas tintas para as eleições europeias e muitos dos que vão às urnas fazem-no na esperança de travar a avalancha de castigos que diariamente chega de Bruxelas através 
dos seus agentes locais ou dos enviados em doses de troikas." 
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Os cidadãos estão longe e alheados porque isso convém a quem manda. A indiferença é uma variante de docilidade; o desinteresse é outra forma da sensação de impotência perante a força do poder instalado; a passagem amorfa e conformada das horas de cada dia é a novela real no meio das outras, tudo servido com a anestesia da propaganda mainstream."

"É claro que os cidadãos têm a culpa, mas não do que os culpam os senhores. Têm a culpa de não se revoltar, de não dizer que para ter esta Europa mais vale nenhuma, de não dizer que tanto valem os dirigentes que estão como os que vão a caminho com o selo de garantia de “oposição oficial”, de não dizer que para ter o modernaço marco travestido de euro mais valem os pobres e antiquados escudos, pesetas, francos, florins, coroas, patacos, o que seja".
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É contra isto que temos de votar. Com a consciência absoluta de que só isso não chega."

Não chega mas é mais um passo na direcção certa. Se o voto é uma arma, usemo-la bem. Não para dar tiros nos pés.
Um voto a mais na alternativa patriótica e de esquerda, é um voto a menos na troika de cá. Um deputado a mais da CDU é um deputado a menos nas troikas de lá e de cá. A luta será cada vez mais forte. Então, a mudança será possível.