27 de janeiro de 2013

O exemplo de Cuba

Declarações da secretária executiva da Comissão Económica para América Latina e Caribe (Cepal) das Nações Unidas

Fonte: Prensa Latina 

Em entrevista exclusiva para a Prensa Latina, a secretária das Nações Unidas, a mexicana Alicia Bárcena, qualificou como muito positivo o fato de que a ilha assuma, no dia 28 de janeiro, a presidência da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), até o momento presidida pelo Chile.

A importância da Educação

A presidência de "Cuba, vai permitir-nos abordar os temas do investimento social, a importância da educação como a grande ponte para combater as desigualdades e romper os círculos viciosos de pobreza", disse Bárcena.

Outra temática à qual a ilha dará especial atenção na próxima etapa serão as experiências da América Latina e do Caribe para tentar tirar da pobreza mais de 57 milhões de pessoas e zelar pelo futuro destas. Bárcena recordou que Cuba é um dos países que está a fazer mudanças estruturais profundas e, portanto, tem muito a dizer. 

Objectivo: Combate às desigualdades

"Acho que o resto da região sabe pouco dos avanços de Cuba e dos problemas e desafios que enfrenta para fazer a mudança estrutural da produtividade, (...) e conseguir que os trabalhadores do Estado vão a áreas rentáveis, mas sem perder de vista o horizonte da igualdade e que isso não é negociavel", destacou a máxima diretora da Cepal, acrescentando que a América Latina tem feito da igualdade um de seus principais paradigmas, e portanto tem muito que aprender com Cuba. 

"Cada país tem modelos diferentes e, portanto, há uma grande diversidade de estratégias de desenvolvimento, mas eu acho que há um intercâmbio muito positivo que deve ser acontecer para atingir níveis de igualdade como existem em Cuba, em educação, em saúde", acrescentou. 

Mais de 50 anos de bloqueio contra Cuba 

"Cuba tem feito grandes avanços neste período, talvez e, até em certa medida, incentivada pelo próprio bloqueio. Bloqueio injusto, porque é o povo quem tem pago as consequências", considerou. 
O dano econômico ocasionado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, ascende a 1,66 trilhão de dólares. 

O Planeamento está de volta

"Porque acreditamos que o planeamento está de volta, planificar é governar, quem não planifica não governa e, portanto, não é somente celebrar os 50 anos de Planeamento em Cuba, mas sim recobrar o Planeamento na América Latina e no Caribe", expressou. "Parece-nos sumamente importante que tenhamos sempre uma representação de Cuba em tudo o que a Cepal faz na região", concluiu.