2 de dezembro de 2012

XIX Congresso do PCP

Três dias do culminar de um debate de onze meses

Muitos milhares de militantes e amigos do Partido, durante onze meses, analisaram a situação política do país. Esse debate, essa análise, culminou hoje no XIX Congresso do PCP. 

Foram contabilizadas 1257 reuniões, debates e assembleias onde participaram mais de 18000 militantes. Foram feitas 1900 propostas, sugestões e reflexões para o Projecto de Resolução Política e mais de 600 em relação ao Programa do Partido. 

Não há partido mais democrático!

Vários testemunhos no Congresso do PCP concluíram, com toda a legitimidade, que não há partido mais democrático, mais participativo no país. 

Jerónimo de Sousa, na intervenção de encerramento do Congresso, referiu que, no Congresso do PCP, não há "a moção do chefe, do candidato a chefe, do candidato a candidato a qualquer coisa, porque não há chefe e as moções e as resoluções são do Partido e resultam da opinião e contribuição colectiva". 



No PCP são os militantes que constroem as orientações, as moções, as teses e as conclusões. 

No Congresso do PCP são os militantes "ligados à vida, conhecedores da realidade nas empresas e nos locais de trabalho, nos sectores que vieram falar dos problemas e das aspirações dos trabalhadores, dos agricultores e pequenos empresários, da juventude, dos intelectuais, dos reformados e pensionistas". No Congresso do PCP são "os lutadores que vieram falar das suas lutas, os especialistas, os homens e mulheres de saberes, de experiência própria, que vieram falar da política económica, da saúde, da educação, da segurança social, da água pública, do valor do trabalho, da cultura e da produção nacional". No Congresso do PCP os debates são a "pensar no País" e não na promoção pessoal deste ou daquele.

Não estamos à espera da promoção da comunicação social, estamos a construir a alternativa

Disse Jerónimo de Sousa que não contamos com "eco nos meios de comunicação social dominante", mas a "riqueza da análise, as experiências criativas... serão parte integrante do património de ideias, análise e propostas do Partido".

Jerónimo de Sousa salientou que "não nos limitámos à crítica, à luta contra. Temos uma proposta política alternativa que numa síntese das sínteses propõe:

1º Resgatar Portugal da teia de submissão e dependência.

2º Recuperar para o país o que é do país: os seus recursos, os seus sectores e empresas estratégicas, o seu direito ao crescimento económico e ao desenvolvimento e à criação de emprego.

3º Devolver aos trabalhadores e ao povo os seus salários, rendimentos e direitos sociais, tendo com objectivo uma vida digna.



"É necessária e urgente uma outra política e um outro governo. E esse é o primeiro apelo deste Congresso".

O Congresso foi também um apelo "a todos os trabalhadores, a todas as classes e camadas antimonopolistas, a todas as forças políticas, patrióticas e de esquerda, a todos os democratas, a todos os cidadãos inquietos e indignados com este rumo de desastre nacional para que convirjam no objectivo de pôr fim a esta política".

O exemplo de Álvaro Cunhal

Jerónimo de Sousa relembrou "a decisão de realização no ano de 2013 as comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, de homenagem ao homem, ao comunista, ao intelectual, ao artista que, com o seu pensamento e acção política, a sua história pessoal de combate pela liberdade, a democracia e o socialismo". 

A luta continua, com confiança por um Portugal melhor

O Congresso terminou, mas as vozers dos milhares de delegados e convidados lembram sem sombra de dúvidas " a luta continua" e Jerónimo de Sousa concluiu: "Por aqui perpassou a confiança...contem com este Partido que, com ou sem eleições, nos momentos mais difíceis lá estará, sempre e sempre como força de combate, como força portadora da esperança e da alternativa, com a a convicção de que sim é possível uma vida melhor num Portugal com futuro".