21 de dezembro de 2012

Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal


Uma vida, pensamento e luta. 
Um exemplo que se projeta na atualidade e no futuro

As Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal serão a justa homenagem ao homem, ao comunista, ao intelectual, ao artista, figura central do século XX, que se afirmou como referência na luta pelos valores da emancipação social e humana no país e no mundo. 

As comemorações do centenário realizam-se ao longo de todo o ano de 2013, ano em que se perfazem 100 anos do seu nascimento.

Álvaro Cunhal é uma das mais ricas e fascinantes personalidades do século XX português, um homem que se destacou na luta pelos valores da emancipação social e humana. Uma figura de forte projeção no plano mundial.

A vida, o pensamento e a obra de Álvaro Cunhal tornam indispensável esta homenagem, de inegável significado. 
Homenagem, ao seu exemplo, inserido na ação coletiva em que se integrou e na causa à qual dedicou toda a sua vida. 
Homenagem também ao seu legado, pensamento, acervo de análises e ação, que expressa um conteúdo a que a vida deu e dá razão. 
Homenagem que tem uma crescente projeção na atualidade e no futuro.

Álvaro Cunhal, militante e dirigente comunista. 
Uma vida inteiramente dedicada à luta pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo.
Homem intelectual, artista com um apaixonado interesse por todas as esferas da vida.
Criador que se expressa nas suas obras, quer no plano da literatura, com o romance e o conto (“Até Amanhã, Camaradas”; “Cinco Dias; Cinco Noites”; “A Estrela de Seis Pontas”; “A Casa de Eulália”; “Fronteiras”; “Um Risco na Areia”; “Os Corrécios”; “Sala 3”; “Lutas e Vidas”) e a tradução (“Rei Lear” de Shakespeare), quer no plano das artes plásticas, com o desenho e a pintura ("Desenhos da Prisão", "Projetos"), quer ainda no plano da reflexão teórica sobre a estética e a criação cultural (“A Arte, o Artista e a Sociedade”).

A Álvaro Cunhal se deve uma intervenção notável na vida política, económica, social e cultural do seu tempo, uma invulgar atitude de constante observação, estudo e investigação da realidade social e histórica no supremo intuito, político e moral, de intervir, coletivamente, para a sua transformação. Ficaram célebres os estudos que fez sobre o aborto (“O Aborto Causas e Soluções”); sobre a história de Portugal, desde a Idade Média aos nossos dias (“ As Lutas de Classes em Portugal nos Finais da Idade Média”, “Rumo à Vitória”, “A Revolução Portuguesa O Passado e o Futuro”, “A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril”, entre tantos outros); sobre a questão agrária em Portugal (“Contribuição Para o Estudo da Questão Agrária”); sobre temas de eminente pendor político (Discursos Políticos e diversas outras obras).

Álvaro Cunhal nasceu em Coimbra, em 10 de Novembro de 1913. Iniciou a sua atividade política quando estudante na Faculdade de Direito de Lisboa. Participou no movimento associativo estudantil, tendo sido eleito em 1934 como representante dos estudantes no Senado Universitário. Foi militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP), sendo eleito seu secretário-geral em 1935. Membro do Partido Comunista Português desde 1931, passou, a partir de 1935, a integrar o quadro de militantes clandestinos. É preso neste período duas vezes, em 1937 e em 1940. Participa na reorganização do PCP, em 1940/41, e é membro do seu Secretariado de 1942 a 1949. Preso de novo em 1949 e levado a julgamento, faz em Tribunal uma contundente acusação à ditadura fascista e a defesa da política do seu Partido. Condenado, permanece 11 anos seguidos nas cadeias fascistas, cerca de 8 anos dos quais em completo isolamento. Transferido da penitenciária de Lisboa para a prisão-fortaleza de Peniche, evadiu-se em 3 de Janeiro de 1960 com um grupo de outros destacados militantes comunistas. Integrou de novo o Secretariado do Comité Central e foi eleito Secretário-geral do PCP em Março de 1961.

Álvaro Cunhal deu uma contribuição decisiva na análise da situação nacional, no traçar da orientação, na definição das tarefas e na direção da ação política do PCP, criando condições para a Revolução de Abril e influenciando o seu desenvolvimento.

Até ao fim da sua vida, Álvaro Cunhal manteve uma intervenção intensa na vida política, na atividade cultural e artística.

Morreu aos 92 anos em 13 de Junho de 2005 e o seu funeral (no dia 15 de Junho), com a participação de centenas de milhar de pessoas, uma extraordinária homenagem dos comunistas, dos democratas e patriotas, dos trabalhadores e do povo a quem Álvaro Cunhal dedicou a sua vida, constituiu uma manifestação que foi em si mesma uma afirmação de determinação, empenho e confiança na continuação da luta pela causa que abraçou.