17 de outubro de 2012

Está na hora!

Pensar e aprender com a História

48 anos de obscurantismo, 1 ano a aprender a fazer uma revolução, e 37 anos a destruir o pouco que aprendemos. 
É uma síntese da história recente, da formação das nossas consciências coletivas, de povo espezinhado por quem explora e que, para explorar, precisa de manter os explorados na dependência política e económica.

Nos 48 anos que vivemos do fascismo, ensinaram-nos que "a política é para os políticos" e o povo não tem que pensar. Para pensar bastavam os políticos da Assembleia Nacional e o Senhor Presidente do Conselho. A Bem da Nação.
Houve quem resistisse e pensasse. O "contraditório", como agora se diz, dessa "lição" de Salazar, fazia-se em segredo, nas casas e locais recatados por quem queria pensar de outra forma. Era difícil. Homens e mulheres enfrentaram o monstro, uns pagaram com a vida, outros foram presos e torturados mas, todos venceram.

O povo é quem mais ordena!

No ano depois dos 48, metade de 1974 e metade de 1975, uma explosão cultural foi desencadeada. O Povo é quem mais ordena! O povo? Perguntavam muitos. O povo é para trabalhar, diziam outros. 
Se o povo é quem mais ordena, que vamos nós ordenar? Perguntavam muitos. 
Cada um por si não tinha resposta, ou pior, tinham muitas respostas. Boas e más. Por isso, aqueles que há muito, em segredo para não serem presos e torturados, discutiam o "que fazer" para libertar o povo, vieram à luz do dia, comunicar, transmitir o que sabiam fruto da sua discussão organizada no Partido que tinham e que, assim, resistiu.

Da discussão nasce a luz

Esses homens e mulheres do povo, oprimidos e segregados, não sabiam tudo. Sabiam o que sabiam. Mas era um saber colectivo. Como diz o povo, duas cabeças a pensar pensam melhor que uma.
Nesse ano, fizeram-se muitas reuniões, comícios, elegeram-se comissões de trabalhadores, comissões de moradores, substituíram-se os sindicatos e as autarquias fascistas, formou-se o Poder Local Democrático e fez-se a Reforma Agrária. A terra é de quem a trabalha.
Era a participação popular, a melhor escola política e da cidadania.

A "reação" assustada e atenta

Estávamos todos a aprender. Foram cometidos erros. Certamente. Mas, o que era fundamental, era o objectivo: Liberdade. Com dedicação todos davam o que podiam e sabiam. Sem reparar-mos estava a ser cumprido o lema: "Povo é quem mais ordena".
Mas houve quem reparasse. Houve quem sentisse que, os poderosos, estavam a perder o poder e os privilégios. Os bancos foram nacionalizados. Os acionistas deixaram de ter os frutos da sua exploração. O capitalismo internacional estava a perder o controlo do "mercado" português.

Mário Soares, o mais bem colocado...

Como sempre, os americanos intervieram. Democracias participativas e populares não era o que lhes convinha. Nixon e Ford tomaram as suas providências. Colocaram cá em força a CIA. Veio o Kissinger. Veio o Carlucci. A NATO pôs-se em alerta e não permitiu que os militares do 25 de Abril participassem nas suas reuniões. Escolheram Mário Soares como o "mais bem colocado" para impedir que o povo tomasse o poder. Sá Carneiro era anti-americano e tinha que ser afastado. Era preciso retomar os preconceitos que Salazar foi inculcou nas mentes das pessoas. O perigo dos comunistas. Os comunistas comem criancinhas, os comunistas matam os velhos, dizia-se nas igrejas. Mário Soares conspirou com o apoio da Igreja e do Cardeal D. António Ribeiro, confessou ele, agora, em 10 de junho de 2011. 
Fez-se o 25 de Novembro. 
A Revolução do 25 de Abril foi interrompida.

A "Europa Connosco"

Vieram os Governos de direita que se alternaram durante 36 anos.
Mas os desígnios do capitalismo internacional não estavam suficientemente assegurados. Portugal mesmo governado por governos de direita era demasiado autónomo. Qualquer dia poderia acontecer que fosse eleito um governo que defendesse em demasia os interesses nacionais. Esta "democracia representativa" é muito segura para quem tem o poder económico mas... 
Em 1 de janeiro de 1986 Portugal é integrado na Comunidade Económica Europeia - CEE.

A destruição da nossa produção, da nossa independência

Então, em troca dos subsídios, Portugal começa a destruição da economia para ser um "comprador" de produtos europeus. Reforçam-se as privatizações. Os estrangeiros compram a maioria das nossas empresas para encerrar grande parte delas.
Destrói-se a Agricultura, as Pescas as Indústrias. O desemprego aumenta.
Portugal fica mais dependente. Estavam reunidas as condições para a Europa impor a Portugal as suas leis.
A troika portuguesa (PS+PSD+CDS) que sempre governou, pede mais dinheiro.

O "polvo" da especulação dos Bancos

Esse era o primeiro grande objectivo dos Bancos. É o seu negócio. Emprestar dinheiro a juros elevados.
A crise do capitalismo internacional acelerou o desastre. Os juros subiram graças ao que chamaram "nervosismo dos mercados". 
A troika portuguesa aceitou o jogo da troika estrangeira. Pedir "ajuda" externa segundo as regras de jogo que os Bancos da Europa decidiram. O Banco Central Europeu, empresta o dinheiro aos bancos privados a  baixos juros para os bancos privados emprestarem ao Estado a altos juros. Os lucros passam directamente para os acionistas que os guardam bem guardados nos Bancos suiços para a seguir voltarem a emprestar a juros mais elevados. O negócio do capitalismo financeiro que manda nos governos.

O "papão" da alternativa

Compreende-se pois porque eles, e os fantoches da nossa troika, dizem que não há alternativa. 
Através da Televisão e dos jornais que eles controlam, com os comentadores bem pagos e nos programas de Prós e Prós repetem a toda a hora que não há alternativa a esta política. 
O povo, que é quem mais ordena, começa a desconfiar.

Mentir para ganhar eleições

Foi preciso que os partidos da troika portuguesa aumentassem as promessas eleitorais para acalmar os mais revoltados. Das promessas passaram às mentiras depois de instalados no poder.
Tal como dizem que não há alternativa, espalham o boato que são todos iguais. Mas o povo depois de enganado várias vezes sempre pelos mesmos começa a desconfiar. Serão todos iguais? Ou, iguais são sempre os mesmos?

Estamos a acordar. A alternativa, constrói-se!

Passamos 48 anos de obscurantismo, de "educação" à obediência aos poderosos.
O 25 de Abril disse-nos que é o povo quem mais ordena.
36 anos de troikas e política de direita, não conseguiram fazer esquecer os valores de Abril, que é o povo quem mais ordena.

Acordai! é um dos hinos mais cantados nas manifestações... Estamos a acordar.