15 de abril de 2012

BPN em Filme


Cartões, figurantes e figurões
Diz-me com quem andas...

No JN de 12/04 Jorge Fiel escreveu: "O BPN dava um filme indiano". Achei interessante e reproduzo alguns fragmentos acompanhados de comentários meus. 

A triste realidade, o drama, centra-se na vergonha nacional que permite que governos e governantes produzam estes fenómenos de corrupção e roubo. Que democracia é esta? 

Estante do IKEA

Jorge Fiel, ironiza com Processo do BPN no Tribunal e o facto do "juiz presidente do coletivo ter de fazer uma coleta para comprar no IKEA uma estante para arrumar o processo - que lhe foi negada pela DG da Justiça".

Ironiza com os personagens "um naipe tão rico, denso e variado" a começar pelo "protagonista, Oliveira e Costa, que por alguma razão era conhecido na sua terra (Esgueira) como Zeca Diabo, e que munido de um cartão laranja subiu na vida ao ponto de chegar a secretário de Estado".

Cartões Rosa e Laranja

De facto os Partidos não são todos iguais, mas alguns são muito parecidos. Cartões rosas e laranjas têm sido o salvo-conduto para, oportunistas, para ladrões e trapaceiros que equipam os governos e sustentam a política de direita do PS, do PSD e do CDS-PP.

Relembra Jorge Fiel que Oliveira e Costa saiu do Governo de Cavaco, "na sequência de um perdão fiscal mais que suspeito a empresas de Aveiro (Cerâmica Campos, Caves Aliança)". Enquanto muitos milhares de portugueses passam fome, muitos milhões vêem a sua vida a piorar dramaticamente, Oliveira e Costa "foi recompensado pelo seu amigo com uma vice-presidência do BEI".

As Boas e as Más Ações

"Amigo do seu amigo, Costa comprou, em 2001, um lote de ações da SLN (dona do BPN), a 2,4 euros cada, que revendeu com prejuízo (a um euro/ação)" ao amigo Aníbal, que hoje para vergonha de todos nós, mas mais dos que votaram nele, é Presidente desta desgraçada República. Democrática?
"Menos de dois anos depois, Cavaco e Patrícia [filha] venderam as ações com um lucro de 140% - ele ganhou 147 mil euros, ela 209 mil. Nada mau". Reformas de 10.000 euros não chegam para as despesas. E o filme continuaria com, Zeca Diabo no papel de Oliveira e Costa, "libertado devido "ao seu estado de saúde e por se encontrar em carência económica". 


 Uma prendinha de 2.5 milhões
   
Jorge Fiel mostra que "O elenco de atores secundários também é muito atraente e diversificado. Por exemplo, Manel Joaquim (Dias Loureiro), o filho de comerciantes de Linhares da Beira que chegou a ministro, conselheiro de Estado e administrador-executivo do BPN, carreira em que fez fortuna ao ponto de poder comprar, por 2,5 milhões de euros, à viúva de Jorge Mello, uma mansão no Monte Estoril". 

Vítor Constâncio, outro figurante figurão, “que, apesar de usar óculos e ser o governador do Banco de Portugal, foi o último a ver a falcatrua, anos depois da Deloitte, Exame e Jornal de Negócios terem alertado para o assunto". 

"Scolari, que recebia 800 mil euros/ano, Figo (apenas 400 mil/ano) e Vale e Azevedo, que sacou dois milhões (passaram-lhe o cheque antes de verificarem as garantias)".
Foram muitas as figuras e figurões que "lucraram com um banco que tinha balcões em gasolineiras e ativos tão extravagantes como 80 Mirós e uma coleção de arte egípcia".

Com eleitores a dormir o ladrão tem vida fácil 

Foram cerca de 8.000 milhões de euros que estas negociatas levaram aos portugueses. Se os eleitores portugueses são tão beneméritos porquê reclamar subsídios de Férias e de Natal, valores muito menos volumosos? Por isso, os nossos governantes certos que os portugueses estão bem adormecidos, calmamente, vão-nos roubar mais 12.000 milhões para dar aos bancos privados. Coitados, precisam acautelar que terão empregos garantidos nesses Bancos.

Há cartões "classic", "gold", "rosa" e "laranja" que não são para todos. Para alguns terem sucesso, terão que roubar os muitos que trabalham. É preciso acordar muita gente.