28 de março de 2012

Dia da Juventude

Hoje, 28 de Março, Dia Nacional e Mundial da Juventude
Logo após a vitória dos povos sobre o nazi-fascismo, em 10 de Novembro de 1945, a Conferência Mundial da Juventude, reunida em Londres, fundava a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), representando mais de 30 milhões de jovens de 63 países de todo o mundo.
Nesse momento foi adoptado um pacto de comprometimento de luta pela paz e pela erradicação de qualquer traço de fascismo da face da terra, bem como de união da juventude progressista e anti-imperialista do mundo. Adoptou-se o dia 28 de Março como Dia Mundial da Juventude.

Juventude que sabe o que quer ..
  
A juventude portuguesa, mesmo sob as difíceis condições do fascismo, aderiu entusiasticamente aos objectivos de luta no mundo e contra o fascismo em Portugal.


Em 28 de Março de 1947, milhares de jovens participaram no acampamento organizado pelo MUD Juvenil em São Pedro de Moel. Exigiram democracia e liberdade e tiveram como resposta a violência, a repressão e a prisão.

Em 1949, lutaram contra a criação da NATO, organização de que Portugal fascista foi membro fundador. Em Fevereiro de 1952 os jovens e os estudantes do Ensino Superior por ocasião de uma reunião do Conselho da NATO em Lisboa, promoveram fortes manifestações de protesto, lutando igualmente pelo pão, pela paz e contra às armas nucleares.

Abril de 1974

Os Jovens tiveram um papel de extraordinária importância no 25 de Abrils de 1974. Quer os Jovens militares quer os muitos milhares que invadiram as ruas em apoio à Revolução. Tiveram papeis de grande significado nas Campanhas de Alfabetização em todo o país rural, no apoio aos trabalhadores agrícolas e à Reforma Agrária.

Recordemos ainda a Interjovem, estrutura dos jovens trabalhadores da CGTP-IN, que herdou os princípios da defesa e prática de um sindicalismo de classe e onde os jovens encontraram uma forma de se organizar e lutar em defesa dos trabalhadores.

Bons tempos para alguns e difíceis para a maioria

Hoje a Juventude enfrenta outras, igualmente duras, formas de ditadura. Os Jovens não são presos, mas impedidos de ter uma vida com direitos. São discriminados no ensino pelos custos que hoje são exigidos a quem quer estudar. Acabam os seus cursos, para muitos com grandes sacrifícios e, depois, não têm emprego. Quando conseguem algum trabalho são sujeitos às arbitrariedades que o Governo permite aos patrões. Baixos salários, horários que variam conforme o que cada chefe entende. Apesar da juventude representar uma força social de desenvolvimento e progresso, o país não a aproveita. O desemprego nos jovens atinge cerca de 30% o que significa que em cada três jovens um está desaproveitado, com custos elevados para eles e suas famílias.

Os Jovens hoje, estão sujeitos a outras formas de repressão e de ditadura de classe. Não a mesma do fascismo, mais disfarçada, por vezes subtil, mas igualmente dura em especial do ponto de vista psicológico.

Vingança contra o 25 de Abril

Os Governos de direita, do PS, PSD e CDS, ora uns ora outros, permanecem há 36 anos a destruir, nos planos económico, social e cultural, o projecto de sociedade afirmado pelo 25 de Abril de 1974 e presente na Constituição da República Portuguesa.

Os problemas da Juventude para além dos problemas que afetam todos os portugueses, são acentuados pelas políticas do ensino, do trabalho, da saúde, de combate à toxicodependência, da segurança social, da cultura, do desporto, da habitação.

O respeito da Constituição da República, exige:

- o direito ao emprego, à educação pública, gratuita e de qualidade, à saúde, à habitação, à sexualidade assumida e responsável, inerentes à juventude;
- o salários iguais para trabalho igual e não discriminação salarial para os jovens;
- o direito ao pleno emprego, estável e com direitos;
- a abolição do trabalho precário e de contratos de trabalho temporários;
- o ensino público gratuito e de qualidade, acessível a todos, a valorização das condições materiais e humanas, o fim das propinas, a acção social escolar, a participação democrática dos estudantes na vida das escolas.
  
Jovens Estudantes
  
Os Jovens Estudantes lutam contra a crescente degradação da escola pública.
Mais de 40% dos jovens abandonam a escola sem completar o ensino obrigatório. Como eles têm dito "não são os jovens que abandonam o ensino, mas o ensino que abandona os jovens".
Os que conseguem prosseguir, mais por capacidade financeira do que por capacidade intelectual, enfrentam a degradação do ensino superior, das condições de estudo, das propinas, da Acção Social Escolar, a fúria da privatização das residências e cantinas. Hoje é deprimente a falta de resposta do ensino para as necessidades técnicas  e cientificas do país. 

Jovens Trabalhadores
  
Os Jovens Trabalhadores foram apanhados por uma política de destruição dos direitos dos trabalhadores, pela generalização da precariedade, do trabalho temporário, do contrato individual de trabalho, dos baixos salários, do aumento dos ritmos de trabalho, do aumento e desregulação dos horários de trabalho.

O desemprego, as condições de trabalho e a política de direita que incentiva os jovens a abandonar o país, são responsáveis pelo ressurgimento da enorme emigração juvenil. São hoje muitos milhares os jovens que abandonam o nosso país em busca de melhores condições de vida. Jovens com poucas qualificações mas principalmente jovens altamente qualificados, nos quais o país investiu, são hoje convidados a saír de uma pretensa "zona de conforto". É revoltante como esta política falseia as realidades, chamando "zona de conforto" ao que se passa em Portugal e que sub-repticiamente difunde a ideia de que os Jovens, aqui estão bem e não querem trabalhar.

Este dia Nacional e Mundial da Juventude é ocasião para sublinhar a capacidade transformadora da juventude portuguesa, a sua inteligência, combatividade e criatividade, para defender os valores do Portugal de Abril e para substituir esta política de direita que maltrata a maioria dos portugueses.