10 de dezembro de 2011

Os exemplo da Grécia e o que vimos em Portugal (2)

Sair ou não sair do Euro ou da UE, eis a questão.

Como disse no artigo anterior, a entrada para a CEE, agora UE, lançou-nos numa selva neo-liberal em que os mais fortes comem os mais fracos. Estas opções estão sempre relacionadas com os interesses em jogo. Não podemos "embarcar" no que parece ser "moderno" e diz oferecer mundos e fundos.

Provávelmente nem todos os que nos avisam são nossos amigos, como diz o ditado "quem te avisa teu amigo é". Mas há sempre amigos que nos avisam e, neste caso houve de facto amigos que avisaram que a entrada na CEE traria problemas difíceis a Portugal e que a adesão ao euro seria um desastre.
      
A União Europeia era excedentária na produção e o que precisava era de mercados que comprassem o que produziam, não de quem produzisse. Os que defenderam a adesão sabiam-no mas diziam que as compensações em subsídios para acabar com a agricultura, as pescas e a indústria seriam compensadoras. Muitos oportunistas viram aí uma forma fácil e rápida de ganhar dinheiro. Outros acreditaram no argumento da Europa solidária. 
Quem promoveu a adesão muito falou nos apoios e na solidariedade dos mais fortes para os mais fracos. Mas os que avisaram que isso era um perigo, bem sabiam que no capitalismo não há solidariedade dos fortes para com os fracos. Há competição, há a lei da selva, do mais forte. Há quem admita estarmos na III Guerra Mundial, lançada mais uma vez pela Alemanha, mas agora com as armas do dinheiro e a ditadura dos bancos e mercados.

Soluções

É claro que com esta política só nos afundamos mais. As promessas sucendem-se sempre a desmentir as anteriores. 
É preciso mudar de política. Defender a nossa soberania e ajustar a política económica aos nossos interesses e caracteristicas, sem submissão à União Europeia.

Outra questão é abandonar o Euro e relançar o Escudo ajustado aos nossos interesses. Ainda que tenhamos que enfrentar grandes dificuldades iniciais, esta solução proporcionaria um futuro melhor, sem as amarras à Alemanha e com capacidade para gerir os nossos interesses. Que se desenganem os que julgam que a Alemanha (ou a França ou outros idênticos) nos pode ajudar. Nem pode nem quer. 

A continuarmos no Euro seremos a mão de obra barata da Europa. Será muito mais difícil que resolvamos os nossos problemas, da dívida, do desemprego, da recessão e, o já reduzido potencial económico, manter-se-á. Continuar no euro é como viver numa casa que não é nossa. Continuaremos a trabalhar a baixo preço para pagar a dívida sempre a subir, sem folga para desenvolver a economia, para sermos independentes.

Como saír do Euro

Seria importante que o "novo escudo" fosse desvalorizado, para desenvolver a economia e as exportações nacionais. Tal permitiria relançar a economia no sentido de a tornar mais competitiva relativamente ao que importamos. Ao substituir as importações por produção nacional estaríamos também a reduzir o desemprego e a reduzir o défice.


A questão do desemprego é a questão essencial da economia. Creio ser evidente que não poderá haver economias fortes desaproveitando milhões de trabalhadores. O problema que estamos a viver é resultado de políticas que preferem resolver o problema financeiro dos estados (em beneficio dos Bancos) deixando para trás o problema da economia (ligado à produção).


A perda do valor da moeda só aflige quem exporta capital, pelo contrário beneficia quem produz. Para o custo de vida, ou o poder de compra nada se alteraria pois o mercado interno seria regulado pelo valor da moeda fosse ele qual fosse. O escudo desvalorizado impediria a fuga de capitais obrigando que estes fossem aplicados no país e, tambem assim, desenvolvendo a economia. Note-se que uma das razões da nossa crise é a fuga de capitais que atinge anualmente algumas dezenas de milhar de milhões de euros.  

O único problema da desvalorização da moeda é o aumento dos custos das importações. Mas mesmo isso obrigaria a um maior equilíbrio da nossa balança comercial com o aumento das exportações e a redução do que importamos e que pode ser produzido no país.