10 de dezembro de 2011

Os exemplo da Grécia e o que vimos em Portugal

Até onde nos podem levar as políticas neoliberais do capitalismo financeiro?



Na Grécia, tal como em Portugal, o descalabro acelerou com a submissão à Europa que se dizia da solidariedade. Se o povo confiasse mais na sua sabedoria, neste caso traduzida no ditado popular "quando a esmola é grande o pobre desconfia" teria visto que o capitalismo não dá nada sem receber o dobro em troca. 

A política destes governos ditos "socialistas" ou socialistas democráticos, ou socialistas modernos, é a do neo-liberalismo, do oportunismo que serve o grande capital financeiro, os Bancos ou os "mercados". A submissão à troika FMI/BCE/UE, quer na Grécia quer em Portugal foi a desculpa para responsabilizar "outros" pelo que está a acontecer. 

Club dos 1% ou dos "Donos do Mundo"

Aquilo que parece uma fantochada das agências de notação, Moody's & Cia, é o grande negócio dos Bancos, como o Goldman Sachs. Para justificar mais medidas de austeridade e, em combinação com os do "club", fazerem subir e descer as Bolsas para vender ou comprar consoante as subidas e descidas que eles preparam. Por cada subida e descida das ações, o grande capital financeiro, ganha milhares de milhões que entretanto os mais pequenos acionistas, os Estados e as empresas perdem. 

Degradação social, desaparece a "classe média", aumenta a riqueza dos 1% dos muito ricos

Noutra perspectiva, o processo em curso na Grécia e em Portugal, visa o aumento da exploração e um retrocesso social sem precedentes. O desemprego vai continuar a subir. 
A luta dos trabalhadores para "segurar" os seus direitos, que estão a desaparecer, é apelidada de atentado à economia. Se fazem uma greve de um dia há quem diga que o país perde 600 milhões de euros. Mas, não falam dos cerca de um milhão de desempregados, em grande parte há mais de um ano sem trabalhar. Quanto perde o país? Três milhões de trabalhadores em greve num dia são três milhões de dias de greve. Mas, um milhão sem trabalhar, durante um ano, são trezentos milhões de dias de "greve".

Laboratório social da luta de classes

O mesmo tipo de raciocínio se pode aplicar às medidas para aumentar a competitividade. Redução de salários e aumento das horas de trabalho. Tais medidas aumentam o desemprego e a recessão. Não são os 1% dos muito ricos que compram o que as fábricas produzem. São os 99% de pessoas que, na maioria, são trabalhadores cada vez mais pobres. 
A Grécia e Portugal, "os elos mais fracos", estão a ser um laboratório para o grande capital. Em toda a Europa baixam salários e retiram direitos aos trabalhadores para os igualar aos do Terceiro Mundo. O “pacto euro mais” é uma peça do plano. 
Paralelamente, o aumento do horário de trabalho é, também, uma forma de afastar os trabalhadores da vida cívica, cultural e social e reduzir a sua capacidade de organização.  As medidas restritivas, cada vez mais repressivas, visam também a destruição dos sindicatos, enfraquecimento dos partidos ligados aos trabalhadores e organizações que defendem a legislação laboral europeia.

Políticas suicidas?

Pode acontecer que o capitalismo à medida que aumenta a exploração, reduz a sua possibilidade de vender o que produz, criando no seu seio a falência de milhares de empresas e atirando para o Grupo dos 99% muitos dos pequenos e médios empresários (capitalistas). Também a agudização da luta social e o aumento dos explorados é um prenúncio do fim deste sistema de exploração. 
Resta ao grande capital financeiro o "adormecimento" a desmotivação, ou a ameaça, a repressão e a retirada das liberdades dos trabalhadores. 
A fase imperialista do capitalismo evolui e agudiza a luta de classes. Cada vez é mais claro que precisam de se apoiar em políticas de ditadura violenta, de retirada de direitos e liberdades, políticas do tipo fascista, como já começam a ser reveladas. 

A luta é inevitável.