27 de outubro de 2011

As inevitabilidades da política de direita

São inevitáveis as medidas propostas no Orçamento do Estado para 2012?

Vejamos:
 
Quebra de salários da Administração Pública, de 18,4% o que acumulada (2010/2012) será de 31,7%, dois mil e dezasseis milhões de euros.
Para quê? Para dar ao BPN dois mil trezentos e cinquenta milhões de euros.


Aumento do IRS, com a retirada dos apoios à Saúde, à Habitação, Educação, Lares e pensões de alimentos, cerca de 143,8 milhões de euros


Aumento do IVA, com as alterações à tabela de 6 para 13%, ou 23% ou ainda de 13 para 23% levam-nos cerca de dois mil e 44 milhões de euros. 


Os cortes na Saúde, quase mil milhões de euros.


Os cortes na Educação são cerca de seiscentos milhões de euros.


Os cortes no investimento público são 923 milhões de euros.


Os cortes nas pensões e prestações sociais são superiores a 2 mil milhões de euros.


Para as Pequenas e médias empresas, (que são as que dão mais emprego e produção nacional) deixa de haver taxa reduzida de IRC para os primeiros 12 500€ de rendimento tributável e desaparece o benefício fiscal à interioridade.


Para as Grandes empresas, não há significativos agravamentos, mantêm-se a quase totalidade dos benefícios fiscais e as SGPS (sociedades de gestão de participações sociais) continuam a beneficiar do regime fiscal que as isenta de tributação de mais-valias e deixam de estar sujeitas à clausula de caducidade prevista no Estatuto dos Benefícios Fiscais, pelo que passam a beneficiar por tempo indeterminado desses benefícios, bem como dos benefícios referentes à reorganização e reestruturação de empresas (isenção de IMT, IS e emolumentos e encargos legais).


Porquê? Para aumentarem as nossas exportações de capitais para os Offshores e paraísos fiscais, pois então! O que é preciso é aumentar as exportações (de dinheiro).


Estes são os factos e "contra factos não há argumentos". Não há argumentos, mas há ainda um comentário a fazer:


Esta política de direita é inevitável porque foi este o caminho que escolheram: Fortalecer os bancos e as grandes empresas à custa dos trabalhadores e das pequenas empresas.
Este dinheiro que nos é roubado é, na maioria, para dar aos bancos para que os bancos nos possam emprestar a juros elevados. Ou seja, os bancos trabalham com o nosso dinheiro de borla, e voltam a emprestar ao Estado que o pagará com os nossos impostos. Os impostos terão que ser aumentados para pagar os juros que os bancos ganham com o nosso dinheiro à borla. Engenharias financeiras!


Eu também gostava de ter um negócio assim.


Vou tentar convencer uns tantos tótós a depositarem os seus salários na minha conta. Depois quando eles precisarem de dinheiro eu empresto-lhes o seu dinheiro a um juro de uns 10% para despesas da minha gestão.


Aceito ofertas! Depois direi qual o NIB para onde devem depositar os vossos rendimentos. Garanto que, se o número de depósitos for elevado, e eu for à falência, por ter gasto mais do que devia, o Estado irá nacionalizar-me e paga as minhas dívidas para convosco.


É claro que o estado ir-vos-á buscar o dinheiro para pagar as minhas dívidas, aos vossos impostos, onde é que havia de ser, é mais uma inevitabilidade, para eu poderei continuar o negócio de grande utilidade para o país. Emprestar dinheiro a quem dele precise! 


Prometo, também, que depois vos levo a passear num dos meus iates ou num dos aviões que entretanto comprei com o vosso dinheiro, mediante uma módica quantia a discutir (isto para evitar que se inscrevam os "turistas de pé descalço", que iriam dar mau ambiente ao passeio).